O Preço da Volta
11 Capítulo 11 - Fabray e Berry...
Notas iniciais
Batidas na porta despertaram Rachel do sono profundo que encontrava-se ainda nos braços da namorada.
A morena levantou a cabeça do calor do pescoço de Quinn e coçou os olhos um pouco atordoada.
Mais batidas suaves foram ouvidas e a baixinha levantou-se vagarosamente para não acordar a mais alta, que resmungou manhosamente quando não sentiu mais o corpo moreno junto ao seu e virou-se de bruços, agarrando o travesseiro de Rachel. Uma mania adorável.
Vestiu sua calcinha e a camisa de algodão que a namorada usava na noite anterior e dirigiu-se até a porta, abrindo devagar.
A governanta de meia-idade com os cabelos grisalhos firmemente presos olhou para Rachel e esboçou um sorriso simpático, que foi logo retribuído.
— A menina Frannie pediu-me para avisá-las que o almoço vai ser servido em breve. — Anunciou.
— Almoço? — Rachel arregalou os olhos. — Que horas são?
— Já passa das onze da manhã, senhorita. — Sorriu.
— Céus! — Continuou surpresa. — Não acredito que dormi tudo isso.
— Creio que a viagem foi exaustiva e as senhoritas precisavam de um descanso. — Respondeu.
— Sim, é claro. — Assentiu. — Obrigada...?
— Olívia, senhorita.
— Nada de senhorita. — Rachel pediu. — Chame Quinn e eu pelos nossos nomes. — Sorriu docemente.
— Assim será feito, menina Rachel. — Sorriu largamente.
— Bem melhor assim. — Assentiu. — Já iremos descer.
— Certo. Se precisarem de algo, me comuniquem. — Pediu.
— Pode deixar. — Sorriu, fechando a porta quando a mulher deu meia-volta no corredor.
Rachel fez seu caminho até a cama e observou o relógio retangular de cristal na mesinha de cabeceira que indicava os quinze minutos restantes para o meio-dia.
Aproximou-se e observou as costas pálidas cobertas por trilhas vermelhas de suas unhas e sorriu marota.
— Senhora Fabray. — Deitou-se sobre o corpo da namorada. — Acorde. — Mordeu-lhe o ombro.
— Humm... — Grunhiu de forma abafada pelo travesseiro. — Me deixe dormir. — Pediu com a voz rouca.
— Você já dormiu demais. — Passou as mãos entre os fios claros. — Vamos, acorde.
— Ainda está cedo. Volte a dormir. — Murmurou sem abrir os olhos.
— Já são onze e quarenta e cinco da manhã, sua preguiçosa. — Assoprou-lhe a orelha, fazendo a maior tentar esconder a cabeça.
— Dormimos tudo isso? — Colocou a mão sobre a orelha direita.
— Sim, senhora. — Riu sapeca, assoprando-lhe a orelha esquerda.
— Pare com isso. — Pediu emburrada, movendo a outra mão para a orelha que fora assoprada.
— Então vamos tomar banho porque estou morrendo de fome. — Pediu mordendo-lhe a nuca.
— Saia de cima de mim para que eu possa levantar. — Pediu.
— Não. — Agarrou-se mais à loira. — Me carregue.
A loira riu e depois de alguns minutos tomou impulso, levantando da cama com Rachel presa em si como um coala. As mãos pálidas seguraram as coxas grossas e ao virar-se para ir ao banheiro, Quinn arregalou os olhos olhando-se no grande espelho que cobria uma parte da parede do cômodo.
— Você deformou meu corpo. — A maior aproximou-se, analisando as marcas grandes avermelhadas com contornos roxos que iam de sua virilha até seu pescoço e clavícula.
— Pare de drama. — Rachel riu com humor, largando-se do corpo pálido e entrando no banheiro despreocupadamente.
A baixinha retirou a blusa que vestia ainda sem olhar-se no espelho redondo.
Ergueu o rosto para prender os cabelos em um coque e abriu a boca incrédula com o que via.
— Você deformou o meu corpo! — Sua voz saiu alta e em tom nítido de surpresa, enquanto Quinn ria da porta do banheiro.
...
— Não acredito que nos verão assim em apenas um dia e meio que chegamos. — Murmurou a loira.
— Nem a maquiagem que há na penteadeira dentro do closet foi capaz de esconder tantas marcas. — Rachel resmungou.
— Olá, chicas. — A latina apareceu molhada trajando um biquíni vermelho com um sorriso sapeca, que logo transformou-se em um malicioso.
— Não nos olhe assim. — A baixinha ralhou.
— Meu Deus! Vocês são duas coelhas. Como puderam fazer tantos chupões uma na outra? — Indagou marota.
— Como se tivéssemos nos dado conta disso. — A loira revirou os olhos. — Pelo visto você se adaptou bem. — Comentou observando os trajes da amiga.
— Frannie quis aproveitar esse dia de sol para fazer o almoço na área dos fundos e a Fabray criança convenceu todos nós a entrar na piscina. — Sorriu animada.
— Todos estão aí? — Rachel questionou.
— Sim. — Assentiu. — Mal posso esperar para ver a cara dos seus pais quando olharem esse estrago. — Apontou para o pescoço moreno enquanto ria.
— Isso é culpa sua! — Olhou para a loira. — Essa mania de me marcar. — Deu-lhe um tapa no braço.
— Ai! — Massageou o local. — Você também me marcou e pode esconder um pouco com esses cabelos longos e a pele morena. Eu pareço um pedaço de papel rabiscado com tinta vermelha com esses chupões. — Cruzou os braços.
— Tia Lucy e tia Rach! — Um vulto loiro agarrou-se nas pernas de Quinn vestindo um maiô rosa.
Quinn sorriu e ergueu a pequena em seus braços.
— Como você está? — Rachel perguntou.
— Bem. — Sorriu largamente. — Sant, Britt e Puck brincaram comigo a manhã toda. Só faltou vocês.
— Nós adoraríamos brincar com você. — Quinn respondeu beijando a testa da garotinha.
— O que são essas coisas? — Cutucou a marca no maxilar da loira.
Quinn olhou para Rachel com um olhar pedindo ajuda, enquanto Santana ria observando tudo.
— São marcas que pessoas fazem para provar que são um casal e que se amam. — A baixinha explicou calmamente.
— Eu ainda vou fazer isso? — A pequena animou-se.
— Ah, você com certeza vai. — Santana respondeu, fazendo Rachel lançar-lhe um olhar irado.
— Daqui a muito anos meu amor, e só quando suas mães deixarem, certo? — Quinn indagou, vendo a sobrinha assentir freneticamente.
— Vamos pra fora. — Kate desceu do colo da tia e segurou-lhe a mão, puxando-lhe para a área dos fundos.
Ambas observaram Judy e os homens Berry conversando com Finn e Kurt na grande mesa com um enorme guarda sol para proteger a variedade de comida que estava posta.
A vultosa piscina retangular era habitada por Brittany e Puck, que conversavam animadamente.
Frannie e Cassandra estavam deitadas nas espreguiçadeiras e conversavam entre si.
Kate logo correu de volta para a piscina, jogando-se e sendo pega por Brittany, que ria como uma criança.
Quinn sorriu para a cena e logo a voz de Hiram preencheu o ambiente.
— Mas olha quem resolveu acordar. — Sorriu levantando-se.
Caminharam até a mesa e o sorriso do homem fechou-se enquanto olhava o pescoço das garotas.
Leroy permanecia impassível observando as marcas na pele de sua filha. O choque de saber que sua menininha não era mais virgem atingindo-lhe em cheio.
Santana sentou-se na cadeira ao lado de Kurt com um sorriso zombeteiro.
— Lucy! — Frannie aproximou-se sorridente. — Finalmente saíram daquele quarto.
— Agora sabemos o porquê da demora. — Judy comentou.
Frannie observou o pescoço de ambas e sorriu mais largamente.
— Oras, todo mundo faz sexo. — Gesticulou com a mão em descaso. — Já perdi a conta de quantas vezes tive que passar corretivo ou usar echarpes para esconder. — Sorriu.
— Francine! — A matriarca ralhou incrédula.
— O que foi, mamãe? A senhora não é nenhuma virgem Maria. — Piscou o olho azul, fazendo Santana abafar o riso com o copo de suco que levava à boca.
— Me respeite e pare de falar essas coisas! — Judy esbravejou entredentes.
— Certo, certo. — Levantou as mãos em rendição, sorrindo ao ver a esposa aproximar-se com duas sacolas. — Quando Kate insistiu em nadar na piscina mais cedo, eu percebi que esqueci de colocar roupas de banho em seus closets, então Hiram e Leroy ofereceram-se para resolver esse problema. — Pegou as embalagens e entregou para as garotas. — Vão se trocar para almoçarmos nesse dia de sol.
— Obrigada. — Rachel pronunciou-se. — Já voltamos. — Segurou na mão da namorada e deu meia-volta.
— Não passem horas no quarto. — A latina pronunciou-se, fazendo Frannie e Cassandra rirem.
Rachel e Quinn logo entraram em seus aposentos e a baixinha ficou impressionada com o logo da grife Berry na embalagem escura.
— Você viu a expressão do seu pai? — A loira perguntou enquanto olhava o short e a parte de cima do biquíni preto.
— Qual deles? — Rachel franziu as sobrancelhas confusa enquanto despia-se.
— Leroy. — A mais alta vestiu a roupa de banho.
— Creio que ambos achavam que eu ainda era virgem. — Deu de ombros, terminando de amarrar o nó do biquíni.
— Acha que ele vai falar alguma coisa? — Questionou adentrando o closet e voltando minutos depois trajando as vestimentas que recebeu e uma camiseta de algodão.
— Eles não possuem o direito de falar nada. — A baixinha retirou a canga floral da embalagem e amarrou-a na cintura. — Tudo bem que fui sequestrada, mas eu fiz uma vida com você e é normal casais transarem.
— Eu achei que esse biquíni ficou pequeno em você. — Quinn resmungou olhando os seios de Rachel.
— Não ficou não. — A morena virou-se, olhando seu reflexo no espelho e ajustou o tecido. — Está ótimo.
— Está pequeno. — Retrucou.
— Não tem nada de pequeno aqui. — Rachel cruzou os braços. — Além do mais, não há ninguém que vá me olhar com outros olhos lá embaixo.
— Há sim. — A loira assentiu. — Eu não engoli aquele projeto de Frankenstein e o papo dele de ser seu amigo.
— Eu não quero ser amiga dele. — A morena aproximou-se. — Eu não gostei do jeito dele e daquele sorriso torto que ao contrário do que ele pensa, é ridículo. — Enlaçou o pescoço pálido com os braços. — Eu te amo.
— Eu amo mais. — Beijou-lhe os lábios demoradamente. — Mas... — Afastou-se e entrou no closet, voltando minutos depois com uma blusa. — Você poderia usar isso caso sinta frio.
— Não vou discutir porque já conheço seu jeito. — Negou com a cabeça, pegando a peça da mão da namorada e pondo-a sobre o ombro.
— Ótimo. — Quinn sorriu. — Vamos descer antes que Santana solte piadas sobre nossa demora.
Rachel riu e assentiu, segurando na mão alva e saindo do quarto em seguida.
— Demoraram! — A voz latina foi ouvida assim que atravessaram a porta dos fundos.
— Não demoramos não. — Quinn retrucou revirando os olhos.
O sol do meio-dia era intenso e refletia na pele de Rachel enquanto a baixinha caminhava em direção à mesa onde todos já estavam sentados. Os seios estavam perfeitamente moldados no biquíni e Finn não conseguiu retirar os olhos daquela região.
O rapaz sorriu torto ao olhar para o rosto de Rachel, que acomodou-se ao lado de Quinn em sua frente.
A baixinha revirou os olhos achando patética a expressão do rapaz, fazendo questão de mostrar seu desagrado.
— Pare de encarar Rachel. — Kurt sussurrou.
— Até que ela é bem bonita. Acha que será fácil conquistá-la? — Sussurrou de volta, sorrindo para o jovem de traços delicados.
— Duvido. — Sorriu em deboche, mantendo o tom baixo. — Ela é louca pela Lucy.
— Eu sou melhor do que ela. — Afirmou convicto. — Sou um homem completo.
— Talvez ela não ligue para isso e sim para o amor que sente por Lucy. — Respondeu de forma intensa.
— Vai trocar de lado, amigo? — Finn desmanchou o sorriso.
— Apenas pare de olhar para Rachel como se ela fosse um pedaço de carne. — Desconversou, revirando os olhos.
Finn apenas deu de ombros e olhou para os homens Berry, que mantinham seus olhares ainda na pele marcada da filha.
— Estrelinha. — Hiram chamou a atenção da filha. — O que acha de conhecer nossa casa amanhã? — Sorriu.
— Eu acho ótimo. — Rachel sorriu. — O que você acha? — Olhou para a namorada.
— Eu? — Arqueou a sobrancelha direita, vendo a menor assentir. — Ahn...Eu acho legal. Vai ser agradável. — Sorriu sem jeito.
— Por que não fazemos o dia de amanhã um momento apenas meu, seu e do seu pai? — Leroy sugeriu. — Creio que Quinn terá de conhecer a empresa o mais rápido possível e você pode ir conosco até a nossa para conhecer a grife.
— Eu acho que podemos ir até a casa dos senhores pela manhã e em seguida conhecer a grife. Realmente seria tudo mais perfeito se minha namorada estiver comigo para ver tudo ao meu lado. — Sorriu decidida.
Leroy respirou profundamente e olhou para o marido vendo o mesmo suspirar, voltando sua atenção para a filha.
— Quinn pode conhecer a empresa em outro dia. — Frannie pronunciou-se sentada na cabeceira da mesa. — Não há tanta pressa pois ela vai apenas conhecer, assim como Rachel. Terão decisões a tomar e participarão das reuniões como herdeiras e donas de ações, todavia, não ocuparão um cargo importante ainda devido à idade e falta de experiência.
— Ótimo. — Rachel sorriu largamente. — Amanhã conhecerei a mansão Berry e a empresa com minha namorada. — Beijou-lhe a bochecha, fazendo Quinn sorrir com amor.
Kurt observou os pais controlarem a raiva em seus lugares e segurou o riso. Realmente Rachel era teimosa e louca por Lucy. Os homens Berry estavam bastante enganados ao quesito de persuadir a filha.
O almoço foi servido alguns minutos depois em meio a conversas paralelas com exceção de Judy, que apenas observava a interação em silêncio.
Os cabelos presos em seu típico coque e o vestido longo estampado sem mangas dava-lhe um ar despojado e sofisticado na mesma proporção.
Quinn observava a mãe direcionar-lhe o olhar esporadicamente e sentia-se triste sempre que olhava dentro dos olhos azuis gelados. Nunca sentiu um amor maternal e tinha certeza que jamais sentiria enquanto olhava a expressão impassível da matriarca. Era fria, desagradável e quase a deixara morrer quando era apenas um bebê indefeso.
Perguntava-se como Frannie poderia ser tão amável por conviver com Judy todos esses anos. Talvez tenha herdado o carisma de Russel que a irmã sempre comentava. Gostaria de ter conhecido Russel. Judy deveria ter morrido e não o pai.
Foi tirada de seu torpor pela voz de Frannie.
— Agora que todos comeram, já posso falar da boa notícia que recebi hoje pela manhã. — Sorriu animada.
— Que boa notícia? — Quinn arqueou a sobrancelha.
— William com toda sua competência conseguiu agilizar o processo de registro de vocês duas. Ambos os casos são idênticos. Após dezesseis anos desaparecida, Rachel foi dada como morta e seu caso arquivado. E Russel declarou a morte de Quinn assim que voltou de Londres e alegou que já havia enterrado-a lá mesmo. — Frannie explicava calmamente. — Desde o dia que William encontrou vocês duas ele entrou com o processo para recuperar ambos os registros e hoje finalmente saiu. — Sorriu largamente.
— Mas por que Russel abandonou Lucy naquele orfanato? — Kurt indagou.
— Porque aparentemente as pessoas de Lima são ignorantes e não entenderam que intersexualidade é raro, mas existe e que isso não faz de alguém anormal. — Rachel respondeu, olhando para Judy que sustentou o olhar da baixinha.
— Russel não aguentou a pressão da mídia por ter uma filha diferente e me abandonou naquele lugar. — Quinn explicou.
— Eu realmente fiquei sentida quando Russel fez aquilo. Ele sumiu em um dia com Lucy e voltou alegando que foi melhor abandoná-la para não sofrer preconceito com essas pessoas dessa cidade. — Judy respondeu com falso tom de tristeza, fazendo Quinn fechar a mão em punho por baixo da mesa.
Santana remexeu-se inquieta na cadeira, controlando a raiva de pular no pescoço da mulher. A namorada, Puck e as amigas não estavam diferentes, assim como Frannie e a esposa. Kate era a única alheia a tudo, quase dormindo no colo de Cassandra.
Quinn sentia os nós de seus dedos dormentes quando Rachel tocou-lhe a mão delicadamente, fazendo a raiva esvair-se gradativamente de seu corpo.
A baixinha entrelaçou os dedos nos de Quinn e apertou a mão pálida em sinal de proteção.
— O que importa agora... — Frannie respirou fundo para continuar. — É que você agora é uma Fabray. — Olhou para Quinn. — Herdeira da metade das ações e bens patrimoniais de Russel. — Sorriu.
Quinn retribuiu o sorriso e olhou para a matriarca, que possuía agora uma expressão de raiva contida.
— E você é uma Berry. — Hiram pronunciou-se. — Herdeira da grife Berry. — Sorriu orgulhoso.
Rachel sorriu e olhou para a namorada, levanto as mãos entrelaçadas à boca e beijando-a suavemente.
Quinn repetiu o processo e sorriu para a baixinha, que selou os lábios nos da loira com amor, sem se importar com os olhares voltados para elas.
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