O Preço da Volta - 2ª Fase

8 Capítulo 8 - Eternamente...


Notas iniciais
Dia de capítulo! Finalmente o casamento! O capítulo ficou enorme. O maior até agora. Me desculpem. Eu não aprecio capítulos longos mas eu não pude cortar algo. Tudo o que eu escrevi foi essencial. Seria ruim dividir em duas partes também. Obrigada à Nick Faberry pela recomendação. De verdade. Espero que essa segunda fase agrade muito você. Suas palavras foram lindas. ♥ Espero que gostem e desculpem-me qualquer erro. Boa leitura. =D

Quinn terminou de abotoar a camisa social e analisou a si mesma minuciosamente no espelho. A calça cropped justa deixava suficiente uma parte do seus tornozelos à mostra para que fosse possível ver que não usava meias dentro do sapato loafer. O terno feminino preto moldava-lhe o corpo perfeitamente.

Os cabelos loiros curtos estavam bem penteados. A franja lateral caía por sobre um olho, este que estava bem marcado com a maquiagem. Na boca somente um batom com a cor natural dos seus lábios.

Estava linda.

— Eu realmente tinha adorado aquele vestido com uma fenda em uma das pernas. Ele ficaria lindo em você. — A voz trocista de Frannie adentrou seus ouvidos e Quinn se virou, encarando a irmã mais velha.

Ela estava impecável em um vestido lilás justo, marcando bem o decote e sapatos de salto alto pretos. O cabelo na altura dos ombros estavam ondulados e soltos. Simples mas encantador, assim como todo seu rosto, com uma maquiagem leve.

Quinn revirou os olhos.

— Você não sabe como é horrível usar vestidos. Aperta absolutamente tudo. Eu era obrigada a usar nas festas de fim de ano do orfanato. — Contorceu o rosto em uma careta.

— Eu gostaria de ter um pênis. — Comentou pensativa. — Deve ser muito bom não menstruar ou então vê-lo ficar duro e...

— Certo, eu entendi. — Quinn riu, interrompendo a irmã. — Não é tão ruim assim. Só a parte do preconceito ainda dói. — Suspirou.

— Eu estou aqui e nunca vou deixar alguém machucar você, assim como Rachel nunca irá deixar. Aquela baixinha coloca medo em qualquer um. — Aproximou-se sorrindo. — Eu estou com inveja de você ter tantos amigos no seu casamento. Eu não tive nenhum. — Bufou.

— É porque você era uma nerd esquisita. Não culpe alguém por isso. — Brincou.

— Cale a boca. — Bateu no ombro da irmã. — Cassie e eu não pudemos nos casar nos Estados Unidos. — Começou. — Em 2005 ainda era ilegal, então tivemos de ir para outro país. Tínhamos apenas dezenove anos. Eu não esperei me formar para casar com ela. Judy não quis ir, então papai foi conosco como testemunha e porque queria estar ao nosso lado. Optamos pela Holanda. Já era legalizado desde 2001 e o país é maravilhoso. Passamos duas semanas em Amsterdã apenas nos preocupando com nós mesmas. Sem empresa, sem faculdade, sem Judy. Foi a melhor lua de mel da minha vida. — Sorriu nostálgica. — Papai chorou como um bebê quando nós assinamos os papéis. — Soltou uma risada.

Quinn sorriu com o relato da irmã, mas havia uma pitada de inveja. Não a inveja ruim, mas a inveja que deixava-a triste sempre que se lembrava que nunca tinha visto seu pai pessoalmente.

— Russel deve ter sido um ótimo pai. — Comentou.

— Ele também é seu pai, não esqueça disso. — Frannie passou a mão pelo rosto da mais nova. — Ele era um pai excelente, mas não era feliz. Ele sorria, mas o sorriso não chegava aos olhos. Vivia sobrecarregado e descontava na bebida. Todos desejavam ter o casamento dele. Pelo menos aquilo que era mostrado nas notícias. Mas eu sabia o quanto ele era infeliz. Poucos foram os momentos em que ele sorriu como uma criança e esses momentos eu ainda guardo na minha memória como se fosse ontem. Eu tenho certeza de que ele estaria pulando de alegria se estivesse aqui. Ou melhor, ele está comemorando onde quer que esteja. — Sorriu com lágrimas nos olhos. — A caçula dele está se casando com a mulher que ama.

Quinn soluçava baixinho, e as lágrimas rolaram sem controle. Ela se jogou braços de Frannie em seguida, apertando-a com força.

— Eu fico feliz por essa maquiagem ser à prova d'água. — Grunhiu roucamente. — Eu te amo muito.

— Eu também te amo. — Frannie respondeu, beijando a testa da irmã. — E você está linda. — Sorriu.

— Você também está linda.

...

O vestido longo acentuava cada uma de suas curvas. O corpete justo era enfeitado por rendas feitas à mão, deixando as costas nuas, e o decote era pouco chamativo. A saia do vestido em evasê marcava bem a cintura fina e a proporcionava a impressão de ser mais alta. Perfeito para mulheres da sua altura.

Os grandes olhos castanhos estavam bem marcados, ao contrário dos lábios fartos, que eram cobertos apenas por um batom da tonalidade da sua pele. Os cabelos caíam em cascatas sobre seus ombros e parte das costas e a franja estava bem penteada.

Sorriu para si mesma diante do enorme espelho. O nervosismo e a felicidade compartilhavam em igualdade cada espaço do seu estado emocional.

Sua atenção fora desviada para a porta quando esta se abriu, revelando a figura de Hiram e Leroy acompanhados de Shelby. Os três sorriam com amor e estavam devidamente elegantes nos ternos sob medida e no vestido de cor vinho.

— Oh, Meu Deus! Você está tão linda! Não está, Roy? — Hiram murmurou encantado, observando a filha dos pés à cabeça.

— Ela está maravilhosa. — O homem respondeu, também embevecido.

Shelby sorria com amor e mantinha os olhos marejados, controlando o choro que, pedia permissão para sair de forma estrondosa. Sua garotinha estava prestes a se casar. A Corcoran caminhou até Rachel e beijou sua testa demoradamente, tomando cuidado com a maquiagem da filha.

— Você está incrível. — Sussurrou extasiada.

Rachel alargou o sorriso com o comentário da mãe e com os afagos que recebeu de Hiram e Leroy logo depois.

— Eu estou tão nervosa. — Confessou.

— É perfeitamente normal. Mas quando você observá-la naquele altar esperando por você... — Shelby caminhou até a cama, voltando segundos depois com o véu longo em mãos. — Seu nervosismo vai embora. — Põs o objeto delicadamente sobre a cabeça da mais nova.

— E então só o que sobrará será o amor. O amor vai tomar conta de cada momento hoje. — Hiram finalizou sorrindo.

— Eu não a vejo desde a manhã. Como ela está? — Inquiriu, mirando os três pelo espelho.

— Nervosa. Santana não ajuda alegando que você e Brittany poderiam fugir e isso acabou afetando-a. — Shelby respondeu.

Rachel revirou os olhos pela resposta.

— Nós mesmas nos internaríamos se fugíssemos. — Sorriu.

— Eu tenho algo pra você. — Leroy declarou, puxando do bolso do paletó uma caixinha de veludo branca.

Rachel franziu o cenho e observou o homem baixo se aproximar com o objeto em mãos, abrindo-o na sua frente. A morena abriu a boca ligeiramente ao fitar o colar dourado com o brasão da letra F imponente. Semelhante ao de Quinn.

— Quinn pediu que entregássemos a você. Está prestes a se tornar uma Fabray também. — Sorriu. — Ela disse que não precisa usar. É apenas uma tradição de família ter um desses.

Rachel também sorriu. O colar era lindo. Discreto porém poderoso. Quinn tinha o dela desde que nasceu e provavelmente seus filhos também teriam.

Ela pegou a caixinha e a levou até o closet depois de fechá-la, guardando ao lado das suas outras joias. Quando retornou, respirou fundo.

— Está pronta? — Leroy questionou atencioso.

Rachel assentiu convicta e segurou o buquê de peônias brancas que lhe era entregado por Shelby.

— Estou pronta para isso desde os doze anos.

...

Quinn estava nervosa. Ela passava seus olhos por todo o local observando cada rosto dos convidados. Funcionários da joalheria Fabray e da grife Berry & Pierce estavam ali. Frannie, Cassandra, Mercedes e Sugar permaneciam paradas ao seu lado direito. Todas estavam deslumbrantes. Os vestidos eram de cores neutras. Da mesma tonalidade do que Frannie vestia.

Os rapazes também permaneciam em pé do lado contrário. Os ternos sofisticados e escuros com a peônia branca na lapela eram as únicas coisas semelhantes entre os quatro e Quinn.

— Eu vou despejar meu filho para fora a qualquer momento. — Santana murmurou ao seu lado.

A latina trajava um vestido longo tomara que caia justo ao corpo, marcando todas as suas curvas. Os cabelos escuros estavam com as pontas onduladas e o véu preso a ele era curto. Linda.

— Você não está grávida. — Revirou os olhos.

— Mas eu sinto que tem algo querendo sair de mim. — Suspirou.

— Não tem nada querendo sair de você. É apenas seu nervosismo sem motivo.

— Não é sem motivo. Você já viu aquele filme Noiva em Fuga? Elas podem fugir também. — Comprimiu os lábios.

— Elas namoram conosco desde os doze anos, Santana. Se tivessem de fugir já teriam feito isso há muito tempo.

A latina ainda passou as mãos pelo vestido apreensiva. Os convidados ainda se acomodavam nas cadeiras e o fotógrafo contratado batia algumas fotos despreocupadamente.

O fim de tarde se fazia presente. O espaço natural alugado para o casamento em Columbus era algo digno de um filme, e Quinn tinha certeza de que as fotografias ficariam maravilhosas. As árvores estavam ali, adornando o lugar e mostrando sua beleza.

O lago deixava tudo ainda mais elegante e a ponte de madeira que o cobria separava o local da cerimônia do lugar onde aconteceria a festa. A opção de um casamento na igreja havia sido descartada assim que a cerimonialista o mostrou. O espaço natural conquistou o amor de todos.

Era possível ver a enorme tenda montada alguns metros mais na frente. O piso de madeira fora colocado sobre a grama e o responsável pelo som era o único dentro daquele espaço coberto, mexendo vez ou outra nos equipamentos.

O juiz de paz aguardava pacientemente no centro do altar. Rachel não quis um rabino. Era um casamento duplo e mesmo as amigas alegando que não se incomodariam, ela não faria ambas se casarem em uma religião que não faziam parte. Seria egoísmo. No fim, Quinn sentiu ainda mais orgulho da futura esposa.

— Elas estão demorando demais. — Santana murmurou apreensiva.

— Elas vão chegar. — Quinn garantiu.

E de fato, assim que a loira fechou a boca, seus olhos fitaram Shelby andando calmamente até o altar, abraçando a si e a latina demoradamente em seguida.

— Elas estão lindas. — Sorriu com a expressão emocionada e se pôs de pé à frente da cadeira com assento acolchoado da primeira fila.

Quinn, que mantinha o coração calmo, o sentiu começar a martelar em seu peito quando a marcha nupcial começou a tocar. A cerimonialista até sugeriu que tocassem uma música lenta ao invés daquela tão tradicional, mas Rachel e Brittany não abriram mão disso. Assim fora feito.

Seu sorriso abriu automaticamente quando seus olhos observaram as duas figuras pequeninas atravessando a ponte e caminhando pelo altar com as duas cestinhas em mãos. Todos os convidados se levantaram.

Kate sorria abertamente, trajando o vestido branco com a fita de cetim marcando a cintura e sapatos da mesma cor. Os cabelos dourados brilhavam e a coroa de flores em sua cabeça deixava-a semelhante com uma uma princesa. Amber não estava diferente. Os fios castanhos voavam com o vento leve do fim de tarde.

As duas garotinhas jogavam as pétalas brancas e vermelhas sobre o tapete bege e caminhavam em sincronia.

E então Quinn a viu.

Suas mãos suavam e seu coração não parava de bater fortemente na sua caixa torácica.

Santana não estava diferente. A latina sorria como uma criança e seus olhos marejaram quando observaram Brittany.

Rachel estava magnifica. Não. Isso ainda era eufemismo. Quinn procurava algum adjetivo em sua cabeça para descrever o quanto a sua futura esposa estava deslumbrante. Ela queria guardar aquele momento para sempre, e agradecia aos céus pelo fotógrafo estar fotografando ambas com maestria.

Quinn só pensava o quão sortuda era por estar prestes a se casar com aquela mulher. A mulher que fazia qualquer um virar a cabeça para vê-la melhor quando esta passava em algum local público. O sorriso enorme e os olhos escuros encantadores. Rachel era encantadora. Era linda.

A baixinha sentia que suas bochechas poderiam se rasgar tamanho o sorriso que dirigia à Quinn. Ela lutava contra as lágrimas enquanto apertava o braço de Leroy em nervosismo. Quinn estava maravilhosa. O terno feminino a deixava sexy e mesmo no ápice do momento mais emocionante da sua vida, Rachel pensava em como seria tirar aquela roupa do corpo dela e observar cada curva do corpo pálido e estonteante. Deus! Como Rachel amava Quinn. Ela seria sua esposa para sempre.

O soluço implorava para sair da boca de Santana. Brittany estava belíssima. A loirinha possuía uma beleza natural que encantava a latina até mesmo ao acordar. O vestido de alças grossas e decote em V deixava o corpo esguio marcado perfeitamente.

Brittany deixava algumas lágrimas escaparem. Foi a única que não conseguiu segurar. Segurava o braço de Hiram firmemente enquanto se aproximava do altar. Os olhos azuis brilhavam em amor observando as maçãs do rosto da latina tão altas como poderiam estar tamanho o sorriso que lhe era direcionado.

Kurt já chorava baixinho ao lado de Blaine. Casamento era seu ponto fraco. Semelhante ao rapaz estava Frannie. A mulher travava uma batalha contra as lágrimas, e por fim, Shelby chorava em silêncio, enxugando o rosto com um lenço branco. Puck sorria para as quatro amigas. Eram anos de amizade, anos de confusões e anos em que desejava o melhor para elas. O amor que sentia era fraternal e ele faria qualquer coisa por todas sem pestanejar. E no fundo, o rapaz de moicano desejava que algum dia pudesse viver um amor assim. Seus olhos miraram Sugar do outro lado, que sorria para si. O gesto foi retruído carinhosamente. Tinham se tornado mais próximos desde o início dos preparativos. A ruiva sempre compactuava com suas provocações para com os demais.

Quando enfim chegaram ao altar, a melodia cessou.

Hiram abraçou Santana e em seguida apertou Quinn em seus braços. Leroy repetiu o gesto com afeto e ambos foram para perto de Shelby com sorrisos enormes no rosto.

Quinn segurou a mão de Rachel levemente quando esta entregou o buquê para Frannie e Brittany para Cassandra. Temia usar força tamanho o nervosismo. Sua própria mão tremia, mas a morena não se importou e as apertou, entrelaçando seus dedos.

— Você está linda. — Quinn sussurrou no ouvido da menor.

Rachel, se possível, alargou o sorriso.

— Você também está linda. Eu te amo tanto. — Respondeu no mesmo tom.

O juiz iniciou a cerimônia segundos depois. O homem beirando os quarenta anos falava sobre a importância do amor e de como ele era maior que gêneros, sexualidades e crenças. Todos prestavam atenção nas palavras deste, exceto as quatro noivas.

Quinn só tinha olhos para Rachel. Ela observava cada detalhe do rosto moreno. O sinal na bochecha esquerda, as sobrancelhas bem desenhadas, os lábios cheios e os grandes olhos castanhos brilhantes. Seu coração ainda não havia descansado. Ele batia descompassado. Batia de amor, de adoração, de encantamento, de felicidade. Eram tantas emoções que Quinn não saberia descrever mesmo se tentasse.

Rachel estava em semelhança com a mais alta. Seu olhar não largava o de Quinn em momento algum. Ela fitava embevecida os olhos verdes. Cada emoção da loira causava uma reação em seus olhos e Rachel ainda se encantava com as tonalidades descobertas. Ela sabia que a luxúria fazia as orbes escurecerem para um verde musgo, assim como a raiva deixava tudo mais dourado. Mas ali, naquele momento, Rachel via o verde predominando em uma tonalidade bastante clara. Sem dourado, sem escuro.

Brittany não tirava o sorriso do rosto. O sorriso inocente que fazia Santana suspirar a cada palavra dita. A latina fitava os olhos azuis cristalinos com idolatria. Era um momento que ela nunca esqueceria. Como aquele amor poderia caber em seu peito? Ela sentia que poderia morrer a qualquer momento, assim como a loirinha, que desejava apenas pular nos braços da mais baixa e beijá-la.

Quando o juiz deu início ao momento dos votos, Quinn iniciou-os prontamente.

— Eu li em algum lugar que a aliança surgiu entre os gregos e romanos, e são colocadas na mão esquerda porque eles acreditavam que no quarto dedo existia uma veia diretamente ligada ao coração. Eu não sei até que ponto isso é verdade, mas sei que você é o meu coração há oito anos. — Começou. — O nosso amor é capaz de fazer qualquer coisa, porque o que eu sinto é maior do que eu. É maior do que qualquer coisa que eu possa descrever pra você. — A voz levemente rouca demonstrava o esforço para não desabar em lágrimas. — Eu já chorei de amor por você, Rach. E não foi um choro de tristeza. Foi um choro de felicidade. Felicidade por sentir todo esse amor dentro de mim. Felicidade por saber que eu sempre teria você comigo para me segurar sempre que eu estiver prestes a cair. Felicidade por ter a plena certeza de que vamos viver a eternidade e ainda assim o nosso amor vai ser algo desconhecido até mesmo para nós devido ao seu tamanho e intensidade. Um amor que pode curar qualquer coisa independentemente do que seja. Que pode restaurar nossos corpos mesmo quando estivermos dilaceradas por acontecimentos da vida e você sabe disso. Sabe o quanto nós batalhamos para nos restaurar várias vezes. E conseguimos, porque o nosso amor sempre vai fazer isso por nós. Nosso amor nunca vai ter um fim, Rachel, porque não há como destruí-lo. O nosso amor é a personificação viva de um amor que vai durar até a eternidade. Eu amo você e sempre vou amar. Essa é a única certeza que eu tenho. — Finalizou, deixando uma lágrima escorrer.

Rachel teve de tomar ar. A morena respirou tão profundamente quanto podia para controlar os nervos. Seu coração tentava sair pela sua boca. As palavras de Quinn fizeram todo o seu corpo esquentar. Esquentar de amor. Esquentar de felicidade. Rachel demorou bons segundos para iniciar seus votos.

Mas assim que o fez, Quinn sentiu seu corpo tremer.

— Eu não tenho algum conceito pra falar agora, mas eu sei de algo que apenas nós duas sabemos: nós podemos brigar mil vezes, mas vamos nos amar em dobro. Não importa o quanto sejamos diferentes em alguns quesitos, o nosso amor é a única coisa semelhante que precisamos ter para ser o suficiente pela vida toda. E isso basta. Basta para que eu passe cada segundo de cada minuto da minha vida amando você e venerando o seu jeito bondoso, o seu coração enorme, sua vontade de ajudar o próximo sem esperar nada em troca. O jeito que você me olha ainda me faz corar depois de dez anos de amizade e oito de relacionamento. Eu me sinto uma criança perto de você. A mesma criança que se apaixonou pela garota de cabelos bagunçados e sorriso tímido. Eu sei que vão se passar mais dez, vinte e uma eternidade e eu ainda vou me sentir assim com você, porque eu sei que o seu olhar de amor ainda vai permanecer sobre mim, assim como o meu coração sempre vai ser seu. Pra sempre e até depois disso. Eu amo você, de novo e de novo, infinitamente e a ponto de perder a minha sanidade.

Quinn apertava as mãos de Rachel, sentindo as suas voltarem a suar. Os convidados já possuíam os olhos marejados, assim como as madrinhas e os padrinhos, especialmente Kurt, que ainda chorava. A loira não controlou o próprio corpo de abraçar a baixinha demoradamente, sendo retribuída da mesma forma. Ambas se separaram segundos depois. O amor corria de ambos os corpos. Como um só. Como se o sentimento passasse de um para o outro.

Santana controlava o choro quando iniciou seus votos.

— Britt. — A voz saiu rouca. — Eu passei dias tentando memorizar alguma coisa pra dizer hoje, mas eu desisti quando percebi que isso seria impossível. Nada entre nós é decorado ou programado. Não foi programado eu me apaixonar por você. Éramos melhores amigas e de repente meu coração batia como um louco só por você sorrir pra mim. Eu achei que jamais fosse ser retribuída. Você era e é a pessoa mais doce que eu já conheci em toda a minha vida, enquanto eu não sei como agir na maioria das vezes. Mas eu sei que sempre vou ter você pra me guiar na escuridão, Britt. Alguns dizem que pra se ter luz, precisa possuir trevas, mas eu discordo. Você tem a luz e apenas isso. Não há escuro em você. O seu sorriso, seu jeito dócil. Tudo é um pacote que faz de você o ser humano mais iluminado que eu conheço. E eu tenho sorte por ter sido a escolhida para passar o resto da minha vida ao seu lado. Eu sou grossa com a maioria das pessoas, mas eu nunca serei com você, porque eu nunca, nunca machucaria você. Eu vou cuidar de você e te proteger de tudo e todos até que nós não façamos mais parte desse mundo. E então quando nos encontrarmos em outro lugar, vamos viver a continuidade do nosso amor. Sempre juntas, porque fomos feitas uma para a outra. Eu te amo, Brittany. Eu te amo com todas as minhas forças.

A loirinha chorava como uma criança. Soluçava baixinho e tentava conter os prantos. Era tudo intenso demais. O coração não parava quieto e a felicidade predominava em cada poro de seu corpo. Ela se acalmou depois de alguns segundos e fitou com todo o amor que sentia os olhos escuros marejados de Santana.

— Eu é quem estou sendo agraciada por casar com você, San. — Iniciou com a voz embargada. — Poucas pessoas possuem a felicidade de passar a vida com quem amam de verdade e eu sou uma dessas. Nós somos essas pessoas. Alguns dizem que o amor verdadeiro é encontrado antes dos trinta anos e apenas uma vez na vida. Eu encontrei aos doze e foi o meu primeiro e último amor. Eu vou completar vinte e dois, trinta e dois e quem sabe cento e dois anos e ainda vou ter a certeza plena e vívida no meu coração de que você é e sempre vai ser o amor da minha vida. Eu não consigo ser melhor em tudo, mas sempre vou fazer o que estiver ao meu alcance, burlando todas as impossibilidades para fazer você feliz. Nos fazer feliz. Para garantir que vamos estar juntas até ficarmos velhas e eu ainda vou censurá-la quando provocar um dos nossos amigos. — Soltou uma risada, sendo acompanhadas por todos. — Eu espero que você sempre me acolha nos seus braços e que nunca me largue. Espero que você sempre me lance esse sorriso repleto de admiração e amor como você faz todos os dias quando acordamos. E mais do que tudo, espero que você me ame para todo o sempre, porque o meu amor por você ultrapassa todos os limites de tempo, Santana. Eu te amo.

Todos lutavam contra o choro. Alguns não se importavam e estavam aos prantos.

As alianças foram trocadas e os papéis assinados. As mãos ainda tremiam, mas conseguiram assinar na linha indicada.

Agora eram oficialmente Lucy Quinn Berry-Fabray e Rachel Barbra Berry-Fabray.

Assim como Santana Pierce-Lopez e Brittany Susan Pierce-Lopez.

Os sobrenomes enfim trocados agora mostravam o laço que as uniam a partir daquele momento.

Estavam legalmente e eternamente casadas.

E assim seria pelo resto de suas vidas.

Notas finais
Eu demorei muito para conseguir escrever cada detalhe. Eu espero que vocês possam comentar me dizendo se gostaram. Os vestidos de Brittany e Santana são os mesmos da sexta temporada. Comentem, favoritem, exponham suas opiniões. Bom final de semana. =D twitter.com/yasagron