O Preço da Volta - 2ª Fase

41 Capítulo 41 - Inseguranças...


Notas iniciais
Dia de capítulo! Espero que gostem e desculpem-me qualquer erro. Boa leitura. =D

— Não, não coloque a fralda ainda. Você precisa passar a pomada para assaduras.

Quinn abriu a bolsa da filha e retirou o objeto, entregando-o para a amiga.

— Passe pouco e espalhe bem. — Orientou.

Santana apenas assentiu e fez o que a loira havia dito, logo fechando a fralda e erguendo o bebê.

— Ficou bom, não ficou? — Questionou com um sorriso orgulhoso.

— Um pouco torto, mas bom. — Respondeu analisando a garotinha.

— Você só está com inveja porque eu consegui rápido na minha primeira vez e você não. — Retrucou.

— Não é verdade.

— É sim.

— Não é.

— É sim.

— Ei! — Frannie adentrou a sala. — Por que estão discutindo?

— Porque eu sou mais rápida trocando fraldas.

— Eu já disse que não é verdade. Eu sou apenas mais cuidadosa. — Respondeu. — Agora coloque a calça nela. — Entregou a peça de roupa para a latina.

Santana revirou os olhos e deitou a garotinha novamente no sofá. Trocar a fralda foi fácil, mas aparentemente Aurora não queria ser vestida. Se mexia sem parar.

— Ela é sempre tão agitada assim? — Questionou enquanto tentava passar a calça minúscula de algodão pela primeira perninha.

— Sim. Audrey é a mais quieta. Aurora sempre faz birra para deixar alguém vesti-la.

— Já sei quem dará mais trabalho. — Frannie pôs o bebê conforto de Russel ao lado dos das primas. O bebê de um mês olhava com curiosidade para a garotinha deitada no sofá.

Quando Santana finalmente conseguiu vestir Aurora, Kate e Zoe entraram na sala correndo. As duas pararam imediatamente quando viram os três bebês.

— Essa é a Audrey ou a Aurora? — Kate se aproximou do sofá.

— Essa é a Aurora. — Quinn respondeu, observando a latina tentar colocar a meia no pezinho inquieto da bebê.

— Elas são tão pequenininhas. — Zoe se pronunciou enquanto fitava Audrey.

— Elas nasceram com oito meses, por isso são menores. — Frannie elucidou calmamente.

— Eu quero um bebê também. — Kate disse.

— Eu posso dar um pra você. — A Corcoran sorriu para a amiga, que retribuiu.

Frannie estreitou os olhos ouvindo aquela conversa. Zoe continuou.

— Como eu posso ter um bebê?

Santana abafou o riso e finalmente pôs a meia, logo partindo para a missão de colocar os sapatinhos.

— Primeiro você precisa ter um ninho. Como os de pássaros. — Frannie começou a explicação, mas parou para pensar.

— Depois você vai pegar um ovo e vai colocá-lo dentro desse ninho. — Quinn continuou.

— Isso! — A irmã aquiesceu. — Então por último vai esperar. Quando o ovo rachar por si só, vai sair um bebê dali. — Finalizou.

A latina mordia o lábio para não rir das expressões pensativas das duas garotas. Eram fofas e ingênuas.

Por fim, ambas assentiram.

— E como eu vou conseguir um ninho? — Zoe franziu as sobrancelhas.

— Nós vamos conseguir um pra você, mas precisa ser na época certa. — A Fabray mais velha respondeu.

— Vai demorar? — Kate inquiriu.

— Não muito. Apenas tenham paciência. — Quinn disse enquanto sorria.

As duas concordaram resignadas.

— Eu posso pegar o Russ no colo, mamãe?

— Claro que pode. Senta aqui. — Bateu no sofá ao seu lado.

A loirinha fez o que a mãe disse e Frannie levantou para pegar o filho do bebê conforto. Em seguida, entregou-o para ela delicadamente.

— Não deixe a cabecinha dele solta. Apoie no seu braço. Assim. — Instruiu suavemente.

Kate assentiu e apoiou a cabeça do irmão no seu antebraço de modo que Russel estivesse confortável. Os olhos do bebê fitavam os da irmã e um sorriso cresceu nos lábios rosados dele.

— Olha, Z. Ele sorriu pra mim. Vem ver. — Chamou a amiga.

A Corcoran, que brincava com a mãozinha de Audrey, sentou ao lado da loirinha e observou o garotinho sorrindo, mostrando as gengivas.

Quinn segurou a câmera que ainda estava ao seu lado e logo focou nas duas garotas olhando o bebê sorridente. Algumas fotos foram tiradas. Era sempre bom guardar momentos assim.

Santana enfim fechou os sapatinhos com o velcro em ambos os pés de Aurora e a segurou nos braços. O bebê fechou as mãozinhas no dedo da latina enquanto a encarava de modo curioso.

Foi impossível conter o sorriso que surgiu nos seus lábios.

— Essa sensação...

— É indescritível. Eu sei. — Quinn completou, sorrindo para a amiga.

— Elas são misturas assustadoramente bonitas de vocês duas.

— E você? Também quer ver a si mesma ou a Britt em um bebê? — A loira arqueou a sobrancelha.

Santana fitou a afilhada soltando baixos grunhidos manhosos enquanto não largava o seu dedo e sorriu mais largamente.

— Deus! Eu quero muito.

— Então eu acho que você está pronta para isso.

...

Brittany não demorou mais do que duas horas conversando com Rachel no parque da cidade. As gêmeas tinham de ser alimentadas de três em três horas e a morena não conseguia ficar muito longe delas.

Contudo, o diálogo que tiveram foi de suma importância para que a loirinha se acalmasse e tentasse entender que Santana não reagiu bem por ser pega de surpresa. Rachel era uma ótima ouvinte e conselheira.

Quando ambas saíram do carro e adentraram a mansão, o choro de bebê ecoou em seus ouvidos. A judia não hesitou em praticamente correr até a sala, sendo seguida pela amiga.

Brittany não evitou sorrir quando observou a esposa balançando suavemente uma das gêmeas nos braços. A expressão contorcida em dor como se estivesse sofrendo em ver a afilhada chorando a plenos pulmões com o rostinho vermelho.

Quinn não estava diferente, e murmurava palavras em um tom baixo para a filha, em uma tentativa falha de acalmá-la.

Rachel andou apressadamente até Santana, e delicadamente pegou o bebê nos braços. Ela sabia que deveria amamentá-las agora.

— Vamos para o quarto. Elas precisam ser alimentadas.

Quinn assentiu e seguiu a esposa até que ambas saíssem da sala. Quando o silêncio reinou no local, Santana se pronunciou.

— Você me odeia agora?

— É claro que eu não odeio você. — Brittany deixou a bolsa sobre a poltrona. — Eu só fiquei brava pela sua reação.

— Me desculpe, Britt. — Pediu. — Eu fui pega de surpresa mas jamais negaria a ideia de ser mãe.

— Então por que ficou calada?

— Porque eu tenho medo. Tenho medo de não saber como cuidar de uma vida que vai depender de mim no momento em que nascer. — Suspirou.

— Você não precisa ter medo, San. Eu vou estar com você.

— Eu sei disso. Eu só... — Sentou no sofá. — Nunca fui uma pessoa muito boa com crianças e jamais estive perto de bebês até pouco tempo atrás. É tudo muito novo.

— É novo pra mim também. — Se acomodou ao lado da esposa. — Mas eu vejo minhas duas melhores amigas construindo uma família e não evito pensar em como eu gostaria de estar fazendo o mesmo. Fazendo planos para ter um filho com você. Eu te amo desde os dez anos, San. Em cada momento que nós vivemos juntas eu sempre pensei em como seria ser mãe ao seu lado. Eu não queria adiar isso por muito tempo.

— E nós não vamos. — Respondeu rapidamente. — Eu sei que reagi muito mal e não foi correto mas eu estava com medo. Eu confesso que ainda estou com medo mas quando eu parei para ver o brilho de amor que a Q tinha nos olhos enquanto explicava como trocar uma fralda, eu desejei sentir a mesma coisa. Ter o mesmo brilho. Sentir o mesmo amor incondicional. Saber que uma parte do nosso amor vai estar consolidada em um bebê. — Sorriu. — E se você quiser eu posso carregá-lo. Eu faria qualquer coisa por você, Britt. Eu te amo.

— Eu também te amo, San. — Abraçou a advogada enquanto sentia os olhos marejarem. — Me desculpe por ter saído daquele jeito e por ter falado em divórcio. Eu não deveria. Eu nunca vou me separar de você.

— Está tudo bem. — A latina apertou a mais alta com força. — A culpa foi minha. Não se preocupe. — Se separou para encarar os olhos azuis cheios de água. — Você ainda quer ser mãe ao meu lado? — Segurou as mãos pálidas.

— É claro que eu quero. — Assentiu freneticamente.

— Então nós seremos. — Aproximou o rosto. — As melhores mães do mundo.

Brittany não pensou duas vezes antes de atacar os lábios de Santana. Elas estavam bem.

E seriam mães.

...

Quando as gêmeas foram devidamente amamentadas e colocadas para arrotar, ambas já estavam sonolentas. Quinn deitou Audrey suavemente no berço e pôs a chupeta na boca da filha. Rachel fez o mesmo processo e após ligarem o abajur, saíram do quarto silenciosamente.

Ainda era início de tarde e as duas mães sabiam que elas ainda acordariam outras vezes durante o dia, mas aproveitariam a folga de três horas por enquanto.

Quando se jogaram na cama de casal, fitaram uma a outra.

— O que você e Britt conversaram?

— Nada demais. — Respondeu. — Ela apenas disse que estava chateada por Santana ter reagido mal. Ficamos no parque observando as outras crianças.

Quinn assentiu, e ouviram o momento em que passos apressados ecoaram no corredor e em seguida a porta do quarto da frente batendo. A risada foi inevitável.

— Bom...acho que elas estão bem. — A loira disse.

Rachel aquiesceu e alisou o rosto da mais alta.

— Sexo de reconciliação é sempre o melhor.

— Sexo é sempre bom. Não acha? — Murmurou, aproximando a sua boca da esposa.

A morena umedeceu seus lábios com a ponta da língua enquanto sentia a respiração engatar, e Quinn não perdeu tempo em beijá-la com fervor. Não transavam desde início do sétimo mês da gestação.

A loira pôs o corpo sobre o da mais baixa enquanto o beijo continuava. Lábios eram sugados e as línguas se tocavam com luxúria. Rachel sentia o corpo esquentando rapidamente e quando a mão da esposa deslizou por sua coxa, adentrando o seu vestido, ela cortou o beijo.

Quinn mal teve tempo de discernir quando seu corpo foi empurrado contra a cama e a judia levantou de supetão. Os lábios inchados e a respiração irregular. A única coisa que ouviu logo depois foi a porta do banheiro fechando.

Rachel parou em frente ao espelho e levantou o vestido. Havia algumas estrias e a barriga possuía uma pequena saliência. Nada de anormal, mas que a deixaram insegura. O tratamento que iniciou demoraria um pouco para remover todas as marcas.

A empresária levantou da cama, ainda atordoada e sentindo um pequeno incômodo entre as pernas. Ignorou a sensação e bateu suavemente na porta.

— Rach, o que houve? Eu estou preocupada.

A morena respirou fundo e molhou o rosto rapidamente, secando-o e saindo do banheiro segundos depois. Ela abaixou a cabeça em claro constrangimento, sem conseguir fitar a esposa depois de ter corrido daquela forma.

Quinn franziu o cenho e apoiou o dedo no queixo da mais baixa, erguendo a sua cabeça lentamente. A morena mordeu o lábio inferior nervosa.

— Você está brava comigo?

A loira negou com a cabeça.

— Eu nunca ficaria brava com você por isso, mas estou preocupada. Você está sentindo alguma coisa?

— Não. Eu só estou com vergonha. — Abraçou a esposa de repente.

Quinn ainda estava confusa, mas retribuiu o afeto. Rodeou os ombros da baixinha com os braços enquanto a sentia apertando sua cintura.

— Vergonha de mim?

— Vergonha do meu corpo. — A voz saiu abafada pelo rosto enterrado no ombro da empresária. — Ele está com várias marcas e estou insegura.

Quinn entendeu tudo. Ela havia lido sobre a insegurança que permanece depois de um parto. Só não tinha pensado muito no calor do momento. Sua preocupação com Rachel a fez ficar momentaneamente irracional.

— Olha pra mim. — Pediu suavemente.

Rachel fez o que foi pedido e a loira sorriu amorosamente.

— Você é linda. O seu corpo é lindo. — Segurou na lateral do rosto moreno. — Você é linda por inteira. Eu nunca vou achar você menos linda em nem um dia sequer porque isso é impossível. A sua beleza irradia em qualquer lugar que você esteja. A beleza de fora e a de dentro. Isso nunca vai sair de você porque é algo natural. Você é linda naturalmente e não faz esforço nenhum para isso acontecer. — Deu-lhe um selinho demorado.

Os olhos castanhos marejaram pelas palavras sinceras e amorosas e Quinn continuou.

— Eu jamais vou pressioná-la. Se você está insegura, vamos trabalhar para que isso vá embora. Do mesmo jeito que você fez comigo tantas vezes. Vou estar sempre aqui respeitando seu tempo e suas vontades. Eu te amo.

Rachel pensava que nunca mais iria se surpreender com o quão a esposa era doce e amorosa, mas a ela sempre iria encontrar uma forma de fazer seu coração inchar com mais amor.

— Quando eu acho que não é possível, você me faz eu te amar ainda mais. — Sorriu.

Quinn retribuiu o sorriso e beijou-lhe a testa demoradamente.

— Vamos lá. Vamos ver algum filme até que as gêmeas acordem. — Caminhou até a cama com a morena.

Rachel deitou sobre o colchão macio e apoiou a cabeça no peito da mais alta, sentindo os dedos pálidos no seu cabelo.

No final de tudo, assistir o filme com o corpo junto ao da esposa se tornou melhor do que sexo naquele dia.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Comentem, favoritem e exponham suas opiniões. Ah, e eu escrevi uma one-shot. Para quem não leu e deseja ler, o link é esse: https://fanfiction.com.br/historia/684359/Burn_With_You/ Bom feriado. =D twitter.com/yasagron