O Preço da Volta - 2ª Fase

35 Capítulo 35 - Russel...


Notas iniciais
Dia de capítulo! Eu queria agradecer à Ana Flavia pela recomendação. É tão bom ler palavras assim! Bate aquela sensação de felicidade em ver o afeto que recebo. Me faz sorrir o dia todo. Obrigada Ana. Obrigada pelas palavras doces. ♥ Espero que gostem do capítulo e desculpem-me qualquer erro. Boa leitura. =D

Quinn analisava minuciosamente os papéis sobre a mesa. Ela não queria estar ali. Frannie, ao seu lado, estava inquieta. Cassandra já havia chegado aos nove meses e a qualquer momento poderia entrar em trabalho de parto.

E justo naquela manhã, Mercedes telefonou comunicando que algumas joias estavam apresentando erros. A Fabray mais velha relutou até o último momento, mas quando Cassandra quase a chutou para que ela fosse resolver logo, acabou cedendo e foi o mais rápido possível com Quinn até a empresa. Duas mentes seriam mais ágeis do que uma.

Estavam quase terminando a leitura dos relatórios onde eram relatados os defeitos quando o celular de Quinn vibrou incessantemente dentro da calça. Quando o objeto foi pego, a loira franziu o cenho ao ver o nome de Brittany piscando na tela.

— Q? Você está perto da Frannie? — A voz da amiga estava nervosa.

— Eu...espere. — Virou para a irmã. — Eu já volto. — Ergueu da cadeira quando recebeu um aceno positivo e saiu da sua sala. — Pode falar, Britt.

— Cassandra entrou em trabalho de parto. — Quinn sentiu o corpo tensionar com a informação. — Estamos no carro. Santana está dirigindo.

— Onde Rach está? — Indagou apressadamente.

— Ficou na mansão com Shelby. Ela quis vir mas achamos melhor deixá-la lá. A barriga de seis meses está muito grande. — Respondeu. — Já ligamos para a doutora White e ela está indo para o hospital também. Cassandra só aceitará fazer o parto com ela.

— Você fez bem. — Aquiesceu, mesmo sabendo que a amiga não veria. — Eu vou contar para Frannie e vamos correndo para o hospital. — Não esperou a resposta e desligou.

Quinn respirou fundo algumas vezes antes de adentrar a sala. Aquele realmente não era o momento mais correto para o bebê resolver vir ao mundo.

Mas quem disse que ele se preocupava com isso?

— Quem era na ligação? — A irmã inquiriu assim que a mais nova adentrou o local.

— Britt. — Respondeu. — Eu quero que você fique calma, tudo bem?

— O que aconteceu? — Frannie praticamente pulou da cadeira.

— Cassandra entrou em trabalho de parto. Está sendo levada para o hospital.

Frannie sentiu todo o nervosismo acumulado explodir dentro do seu organismo. Se sentia voltando há oito anos quando a esposa estava grávida de Kate, e mesmo com alguma experiência, ainda parecia a mesma mãe de primeira viagem.

A mais velha passou as mãos pelos bolsos de forma apressada.

— Minhas chaves. — Murmurou desnorteada.

— Eu quem dirigi, lembra? Estão comigo. — Respondeu. — Vamos, Fran!

Ambas saíram da sala quase correndo, avisando somente para Mercedes o que houve. A mulher ficou radiante e pediu para que a noticiassem quando o bebê nascesse, alegando que visitaria Cassandra quando terminasse o trabalho, mesmo que não fosse preciso. Foi chamada para acompanhá-las. Todavia, achou que tumulto naquele momento não seria bem-vindo.

A viagem até o hospital parecia uma eternidade. Quinn sabia que havia ultrapassado alguns sinais vermelhos mas ela não pensaria nisso agora.

Quando o carro parou no estacionamento, Frannie saltou do veículo e correu até a entrada, parando na recepção com a irmã atrás de si.

— Eu estou aqui para ver a minha esposa, Cassandra July-Fabray. — Informou. — Ela entrou em trabalho de parto e...

— Frannie! — A voz de Brittany ecoou e as duas irmãs viraram para ver a loirinha alta indo até elas com Santana.

— Britt! Onde ela está?

— A doutora White já chegou e Cassandra foi levada até um quarto para fazer os exames e saber a dilatação. — Respondeu.

— É o quarto duzentos e cinquenta e sete. — Santana se pronunciou.

— Tudo bem. Eu vou lá.

— Boa sorte. — Quinn abraçou a irmã rapidamente.

— Obrigada. — Sorriu em meio ao nervosismo e saiu em disparada até o quarto indicado.

Seus passos eram apressados, e quando abriu a porta, se deparou com duas enfermeiras ao lado da doutora White. Não perdeu tempo em correr até a esposa.

— Fran. — Cassandra suspirou aliviada.

— Eu estou aqui. — Beijou-lhe a testa amorosamente. — Como as coisas estão? — Fitou a obstetra.

— Nós fizemos o exame de toque e a dilatação não está chegando aos dez centímetros para um parto normal. — Respondeu. — Vamos fazer a ecografia para saber a posição do bebê.

Frannie apenas assentiu e segurou a mão de Cassandra. A doutora ergueu a bata hospitalar da paciente e passou o gel rapidamente pela barriga grande.

O monitor aos poucos foi mostrando a imagem do bebê já formado, mas a doutora suspirou quando o observou detalhadamente.

— Preparem a sala de cirurgia. — Demandou para as enfermeiras. — Vamos para a cesariana! Rápido! — Desligou o aparelho.

— O que aconteceu? — Cassandra perguntou alarmada.

— O bebê já está pronto, mas sua posição está invertida. Não há como ter um parto normal. — Respondeu, omitindo fato de que o cordão umbilical estava envolto no pescoço do bebê. — Vamos preparar você e Frannie pode ir colocar a vestimenta para entrar na sala de cirurgia.

— Eu amo você. — A empresária beijou os lábios de Cassandra rapidamente. — Nos vemos daqui a pouco.

— Eu te amo. — A professora sorriu.

Frannie foi guiada por uma das enfermeiras até outra sala, onde vestiu a bata azul, luvas, touca e máscara cirúrgica. Ainda estava tonta pela informação. Achava que Cassandra teria um parto normal como anos atrás.

Quando estava pronta, se deixou ser levada até a sala de cirurgia, e a esposa novamente esboçou uma expressão suavizada quando a viu.

— Estão todos prontos? — A doutora White estendeu a mão enquanto uma enfermeira colocava-lhe as luvas. Os demais profissionais assentiram. — Então vamos começar.

Frannie não entendia o que era falado e ela não estava prestando atenção nisso. Sua visão focava totalmente em Cassandra, que se mantinha acordada em razão da anestesia local que recebeu. A doutora não quis fazê-la dormir. Seria melhor deixá-la consciente devido ao risco que o bebê corria com o cordão em seu pescoço.

Contudo, nenhuma delas sabia disso.

— Eu amo você. — Frannie repetia enquanto segurava a mão da esposa. — Amo você desde o primeiro dia que eu te vi naquela faculdade. — Sorriu por baixo da máscara. Os olhos azuis marejados.

— Eu agradeço até hoje por você ter entrado na minha vida. — A professora sentia as lágrimas escorrerem pelas laterais dos seus olhos. — Agradeço por ter me entregado ao amor que sentia por você e não tê-la perdido por ser uma idiota na faculdade. Vamos ficar juntas para sempre, não vamos?

— Vamos. — A mais baixa assentiu. — Eu, você, Kate e o nosso garotinho.

— Eu te amo tanto. — Cassandra sussurrou.

Frannie sorriu amorosamente, e passou quase vinte minutos conversando com a esposa sobre o passado de ambas, tentando distraí-la. E conseguiu. Entretanto, sua atenção foi desviada quando a doutora ergueu um bebezinho nos braços, mas seu sorriso morreu quando observou que ele não chorava. Na verdade ele não emitia nenhum movimento.

A obstetra entregou-o para uma enfermeira, que aspirou as secreções das narinas e boca do bebê, limpando a passagem de ar e o deitando em seguida em uma pequena maca.

— Doutora, ele não está respirando.

Frannie sentiu todo o sangue gelar e o coração martelar com força dentro do seu peito. Como se a sensação literal de um soco no estômago estivesse sendo sentida em seu baixo ventre.

— Fran! Fran, como assim ele não está respirando? — A voz assustada de Cassandra adentrou seus ouvidos, mas a empresária se manteve em estado de torpor, observando a doutora White entregar a sutura para outra enfermeira e caminhar até a maca onde seu filho estava.

Tudo parecia em câmera lenta. O estetoscópio foi pressionado contra o peito do bebê e a doutora logo retirou-o, iniciando uma massagem cardíaca no corpo minúsculo enquanto uma enfermeira mantinha o ressuscitador manual no rostinho do recém-nascido.

— Francine! — Cassandra quase gritou. — Frannie, o que está acontecendo? — Manteve a voz alta.

— Senhora July-Fabray, precisamos que fique calma. — Foi a enfermeira quem disse.

— Eu quero saber onde meu filho está! — Respondeu nervosa. Desejava passar por mil partos normais no momento do que não sentir metade do seu corpo. Era a pior sensação que já sentiu em sua vida.

— Frannie, fale comigo! — Ordenou.

— Ele... — Frannie balbuciou. — Ele precisa ficar bem. — Disse, finalmente olhando para a esposa.

Frannie respirava com dificuldade. A atenção logo voltando a fixar na doutora massageando o tórax do bebê. Fechou os olhos com força enquanto suplicava para que o seu garotinho estivesse vivo. Ela não aguentaria perdê-lo. Cassandra não aguentaria. Sua família desmoronaria.

Passou alguns segundos pedindo, implorando com força quando ouviu o choro estridente soar pela sala de cirurgia.

Ela não soube o momento em que começou a chorar, mas as lágrimas já nublavam sua vista. Chorava de alívio, de felicidade.

— Ele está respirando. — A doutora White sorriu enquanto se recuperava do susto.

Cassandra afundou a cabeça na maca cirúrgica enquanto apertava os olhos cobertos da água salgada. Seria capaz de expelir seu coração pela força com a qual que ele batia.

Demorou alguns minutos para que o bebê chorão fosse envolto em uma manta azul e uma enfermeira o levasse até as duas loiras. A mulher se curvou e o entregou para Cassandra cuidadosamente.

Frannie abaixou a máscara e beijou a testa da esposa demoradamente. O garotinho cessou o pranto aos poucos. Como se o calor que emanava de Cassandra o aconchegasse. E, de fato, era isso o que acontecia.

— Ele é lindo. — Murmurou emocionada. Mesmo ainda parcialmente sujo pelas secreções, era possível ver os poucos fios loiros no topo da sua cabeça. — Mesmo com rosto de joelho.

— Você disse a mesma coisa quando Kate nasceu. — A professora respondeu com a voz embargada.

— É porque todos eles possuem rosto de joelho. — Segurou a mãozinha diminuta. — Mas são imensamente lindos e preciosos.

— Nosso garotinho. — Cassandra beijou a testa do filho cheia de amor.

— Nosso garotinho. — Frannie imitou o seu gesto.

...

Rachel não conseguiu passar muito tempo na mansão, e quando Quinn ligou avisando sobre o nascimento, a morena fez questão de ir para o hospital.

E agora estavam todos no quarto observando o bebê já de banho tomado nos braços de Frannie.

— Mais um loiro. — Santana comentou. — São tantos loiros que vou acabar me confundindo em algum momento.

— Ele é lindo. — Rachel disse com lágrimas caindo pela face. — Bebês são lindos. Eu estou tão emocionada. — Enxugou o rosto, sentindo o aperto do braço de Quinn em seus ombros.

— Logo serão as gêmeas. — Frannie sorriu, passando o bebê para a esposa e sentando na poltrona ao lado da cama. — Eu espero que estejam preparadas.

— Eu não estou. — A irmã respondeu. — Não mesmo.

— Eu também era assim quando nasci? — Kate indagou, sentando no colo de Frannie.

— Sim. Você também tinha rosto de joelho. — A mãe respondeu, beijando a cabeça da filha. — Mas era um rosto de joelho encantador.

— Ele é tão pequeno. — Observava o irmão com curiosidade. — Quando ele vai crescer e me obedecer?

Os demais não seguraram a risada com a indagação da garotinha.

— Você poderia ser policial, gnomo. — Santana disse.

— Ele só vai obedecer você quando completar a sua idade. — Cassandra respondeu amorosa.

— Mas vai demorar. — Kate soltou um grunhido frustrado.

— Até lá você pode nos ajudar a cuidar do seu irmãozinho. — A mãe sorriu.

— E qual será o nome dele? — Quinn perguntou. — Eu sei que combinamos em comunicar os nomes apenas quando os bebês nascessem e eu estou realmente curiosa agora.

Frannie sorriu para Cassandra, que assentiu.

— Russel. — Fitou a caçula. — Russel July-Fabray.

Quinn manteve a expressão surpresa, mas aos poucos abriu um sorriso.

A irmã continuou.

— Ele errou bastante, mas era um homem bom. — Suspirou. — Sempre me apoiou com as minhas decisões. O que quero dizer é que o orgulho não está em perfeição e sim no ser humano que erra e que conserta os seus erros e eu tenho certeza de que ele consertaria tudo se não houvesse morrido tão cedo. Eu sinto orgulho dele no final de tudo. — Sorriu tristemente.

— Russel é um lindo nome. — Quinn limpou as lágrimas que caíram, sentindo o abraço de Rachel em sua cintura.

Ela não havia conhecido o patriarca, e sempre que ouvia falar dele sentia vontade de ter conversado, sentido seu afeto ou recebido suas palavras de conforto, mas isso não seria possível. E a memória do pai estaria cravada no nome do filho mais novo de Frannie.

Uma memória que jamais seria esquecida.

Notas finais
Bem-vindo, Russel. Agora só faltam as gêmeas. Espero que tenham gostado. Comentem, favoritem e exponham suas opiniões. Bom final de semana. =D twitter.com/yasagron