O Preço da Traição
5 Capítulo 4
Notas iniciais
Eu e Karina viramos amigos, não Best friends, apenas friends. Eu falava com ela todos os dias e não era tão idiota, ela as vezes passava o intervalo comigo e com os caras que haviam também gostado muito dela. Karina já era meio famosinha na escola, mas isso não se devia ao numero de garotos que ela pegava, que era nulo, mas sim pela sua simpatia e cumplicidade. Ela ajudava quem precisava e até se disponibilizou á ficar além do horário para fazer monitoria. Karina havia conhecido minha mãe e as duas se deram muito bem, ela também havia conhecido minha irmãzinha Tom Tom — com 9 na época – e a adorou, quase que não desgrudou da criança, o único que ela não havia conhecido era meu pai, mas aquilo pouco me importou ele já não era presente de qualquer forma.
Às vezes Karina ia à minha casa para estudarmos e as vezes eu ia na casa dela, o pai dela me recebia sempre muito bem. Não pense que eu só estudava para ficar perto dela, podemos dividir ao meio, 50% era para estar perto dela e os outros 50% era para eu ser uma pessoa provinda de inteligência, se eu quisesse ser um bom arquiteto e não colocar um prédio a baixo, eu tinha que estudar bastante, isso mesmo caro amigo, arquiteto. Eu balanceava bem as coisas. De segunda á sexta me concentrava na escola, as vezes dava uma cabuladinha, outras vezes usava a internet e o vídeo game para fins nada lucrativos, mas quem é o adolescente que não faz isso? Ai chegava sexta de noite e eu gostava de sair, porque helo, era sexta de noite. No sábado eu também saia e no domingo também, mas só de manhã porque eu aproveitava o resto do tempo para ficar com a minha irmã e mãe e não, eu não saia para pegar todas, eu pegava algumas, mas não passava de beijos porque minha cabeça estava sempre em outra pessoa de lindos olhos azuis, fora que eu era de menor e se eu demorasse á chegar em casa minha mãe chamava a polícia. Sim, ela já fez isso e não, não foi nada legal. Em fim. Gosto das coisas detalhadamente por isso que enrolo um pouco, mas é apenas na minha história, porque nas minhas atitudes o papo é reto, já disse
Bom, eu estava lá na minha paixão infinita por Karina Duarte – é, eu estava apaixonado – quando de repente eu á vejo com um menino, e tipo, eu sou macho com M maiúsculo e cheio de músculo, mas eu tinha que confessar que o cara era bonito e tinha presença, muita presença, mais presença do que eu. Ele e Karina pareciam se dá muito bem, extremamente bem pra falar a verdade porque eles cochichavam no ouvido um do outro, gargalhavam e se abraçavam e vocês não tem noção da vontade que eu sentia de ser aquele cara. Ele também vivia colocando uma mecha do cabelo dela para trás da orelha e as vezes se aproximava de mais, mas ela sempre desviava o que me deixava com á esperança de que não rolaria nada entre eles. Mas só deixava mesmo. Com a aparição de Bernardo na história, a coisa ficou mais complicada pro meu lado, ele tinha algumas aulas com a Ka e parecia carrapato, rapaz nunca vi uma pessoa andar tão grudada na outra como ele andava grudado na Karina. As semanas se passaram e ele sempre lá com ela, andavam de mãos dadas e eu já vi até ele dando comida na boca dela. É caro amigo, eu nem preciso dizer em que situação eu fiquei, a raiva que eu sentia era monstruosa, mas também sentia uma tristeza profunda, eu ficava até calado na sala o que era uma coisa muito estranha, vários professores estavam praticamente me pegando no colo e me levando no médico pra saber o que é que eu tinha. Pra vocês verem como a situação estava grave.
Eu nunca havia visto Karina e Bernardo se beijando, as especulações sobre um possível romance deles já circulavam toda a escola. A Ka parecia ter se esquecido um pouco de mim, quer dizer, nos víamos todos os dias de manhã, as vezes ela ficava comigo e com os caras no intervalo, mas quem vinha junto? Isso mesmo. Bernardo.
Toda vez que eu engolia saliva, parecia que tinha um bolo na minha garganta. Nossas tardes de estudos não existiam mais, nossas conversas eram raras e eu dava a entender que eu não ligava porque comigo era assim, a pessoa se afastava sem nenhum motivo aparente, sem me dizer nada, eu não ia atrás, ela que foi embora que volte, eu não faço muito bem o papel de trouxa.
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