O Preço da Liberdade
12 O Corredor do Escândalo
O ambiente no palácio tornou-se gélido, apesar da primavera. Adrian cumpria suas obrigações com uma eficiência mecânica e sombria, mas assim que o sol se punha, o "Príncipe Devasso" retornava com uma força destrutiva. Ele não buscava mais prazer; buscava anestesia e, acima de tudo, vingança.
Mellyssa caminhava pelo corredor da ala leste logo cedo, segurando alguns documentos, tentando manter a rotina de indiferença que pregava. Ao passar pela porta dos aposentos de Adrian, ela estacou.
Vozes vinham de lá de dentro. Não eram sussurros de amor. O som de uma mulher gemendo alto, em um tom quase desesperado, ecoava pelo corredor, misturado ao som rítmico da cama batendo contra a parede. Mas o que paralisou o coração de Mellyssa foi a voz de Adrian. Ele não era o amante gentil ou o sedutor brincalhão de antes.
— É disso que você gosta, não é? — a voz dele era rouca, carregada de um desprezo visceral, entremeada por palavrões pesados que Mellyssa nunca o ouvira usar naquela intensidade. — Geme mais alto. Quero que o palácio inteiro saiba que qualquer uma serve, desde que não tenha um preço no contrato.
Mellyssa apertou os papéis contra o peito, sentindo o rosto queimar de humilhação e uma pontada aguda de ciúme que ela se recusava a admitir. Ela apressou o passo, fugindo do som daquela possessão puramente carnal e brutal.
O Café da Manhã das Máscaras
Minutos depois, a família estava à mesa. O silêncio era tenso. Adrian entrou por último. Ele vestia uma camisa de seda preta amarrotada, os olhos avermelhados pela falta de sono e pela bebida, e o cabelo uma completa bagunça. Ele se sentou com um suspiro pesado, exalando um cheiro de fumo e pecado.
Mellyssa, incapaz de conter a própria língua ferida, olhou para ele por cima da xícara de porcelana.
— O senhor parece... exausto, Alteza — disse ela, o tom pingando sarcasmo. — Pode-se saber onde esteve para chegar à mesa com essa cara de quem foi atropelado por uma carruagem de má reputação?
Adrian nem se deu ao trabalho de olhar para ela de imediato. Ele pegou uma maçã, deu uma mordida ruidosa e só então virou o rosto lentamente para a Baronesa, com um sorriso de lado que era puro veneno.
— Eu estava onde o ouro não compra o prazer, Baronesa. Estava nos braços de quem não precisa de um testamento para saber o que quer na cama — ele deu um gole longo no vinho tinto, ignorando o olhar de reprovação do Rei Alexander. — Diferente de certas "mulheres de negócios", algumas pessoas ainda sabem se entregar sem calcular o imposto sobre o suor.
— Você é um porco, Adrian — Mellyssa sibilou, os olhos brilhando de raiva. — Transformar seu quarto em um bordel é um desrespeito a esta coroa e a todos nós.
Adrian soltou uma gargalhada seca, voltando à sua postura debochada de antes, mas com uma camada de malícia muito mais perigosa.
— Ora, Baronesa, não seja hipócrita. Ontem você era a dona da razão, hoje é a guardiã da moral? — Ele se inclinou na direção dela, ignorando os pigarros de Tio Michael e o choque de Sarah. — Se o barulho te incomodou no corredor, sugiro que peça um quarto na ala oeste. Ou, quem sabe, use um pouco desse seu ouro para comprar tampões de ouvido. Eu pretendo ser muito... barulhento... nas próximas noites.
— Adrian, chega! — Alexander bateu na mesa.
— Por que, pai? — Adrian levantou-se, jogando o guardanapo sobre o prato. — Estou sendo o filho que o senhor sempre conheceu, não é? O devasso que não se apaixona. A Baronesa me lembrou que sentimentos são caros demais para o meu orçamento. Prefiro investir em entretenimento mais barato e... descartável.
Ele olhou para Mellyssa uma última vez, um olhar que a despiu de toda a sua autoridade.
— Com licença. Tenho uma reunião com os arquivos... e depois uma conta para pagar em "A Sereia Embriagada". A vida é curta demais para ser vivida ao lado de cofres vazios de alma.
Ele saiu do salão assobiando uma canção de taberna, deixando Mellyssa tremendo de raiva e, secretamente, com o coração em pedaços. O jogo de sedução tinha se transformado em uma guerra de desgaste, e Adrian estava disposto a queimar tudo — inclusive a si mesmo — para garantir que ela sentisse o calor das chamas.
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