O Preço da Coroa
35 Mais uma vida no reino
O outono mal havia tingido as folhas das florestas de Oakhaven de dourado quando o boato começou a circular pelos corredores de pedra. Selene, que havia retomado suas cavalgadas e sua postura vibrante ao lado de Adrian, começou a sentir novamente aquele cansaço familiar e a rejeição súbita ao cheiro do café forte que o marido tanto gostava.
Desta vez, não houve espanto ou medo. Quando o médico real saiu dos aposentos da Rainha com um sorriso discreto, Adrian já estava à porta, não com a ansiedade sombria de antes, mas com uma esperança radiante.
O Anúncio na Estufa
Adrian encontrou Selene na estufa de vidro que ele construíra para ela. Ela estava sentada em um banco de madeira, observando Eloise, que agora engatinhava com determinação entre os vasos de flores de laranjeira.
— O médico acabou de sair do meu gabinete — disse Adrian, aproximando-se com passos lentos, os olhos fixos na esposa.
Selene levantou o olhar, um sorriso sereno brincando em seus lábios. Ela pegou a mão de Adrian e a colocou sobre seu ventre, que ainda estava liso sob o vestido de veludo.
— Parece que Eloise não terá que esperar muito por uma companhia — sussurrou ela. — O destino decidiu nos dar outra chance de desafiar o mundo, Adrian.
Adrian fechou os olhos por um momento, sentindo a batida do próprio coração acelerar. Ele se ajoelhou diante dela, ignorando a terra no chão da estufa, e beijou suas mãos.
— Outra vida... — ele murmurou, a voz embargada. — Outra prova de que os deuses finalmente perdoaram este velho lobo.
A Reação de Oakhaven
A notícia da segunda gravidez da Rainha espalhou-se como fogo. No entanto, o clima era diferente. Onde antes havia dúvida e pressão por um herdeiro varão, agora havia uma lealdade feroz. O povo via em Selene e Adrian não apenas governantes, mas uma família que lutava um pelo outro.
Adrian, porém, estava mais preparado. Quando o conselho tentou mencionar novamente a importância de um "príncipe", ele os calou com um único olhar.
— Se for um menino, ele será um cavaleiro treinado pela honra. Se for outra menina, ela será uma rainha tão poderosa quanto a mãe — declarou Adrian diante dos lordes. — O sexo da criança não dita a força da coroa, mas sim o amor com que ela é criada. Não aceitarei uma única palavra sobre "decepção" desta vez.
Entre o Dever e o Desejo
A gravidez trouxe de volta o lado protetor de Adrian, mas desta vez, Selene sabia como lidar com ele.
— Adrian, eu só vou até a biblioteca, não estou indo para a guerra — ela riu, enquanto ele tentava colocar uma terceira manta sobre seus ombros.
— Para mim, o seu trajeto até a biblioteca é mais importante que qualquer fronteira — ele rebateu, beijando-lhe a testa.
À noite, eles ficavam juntos no berço de Eloise, observando a filha dormir enquanto planejavam o futuro. Adrian passava horas conversando com a barriga de Selene, contando histórias de conquistas e prometendo que, desta vez, o quarto estaria pronto muito antes do primeiro floco de neve cair.
A nova gravidez não era apenas uma sucessão política; era o selo final de que a dor do passado havia sido enterrada. Selene não se sentia mais na obrigação de "dar" algo ao rei; ela estava compartilhando a criação de um novo mundo com o homem que agora era sua fortaleza. Oakhaven esperava, não com a ansiedade de Roma, mas com o calor de um lar que finalmente aprendera o significado da palavra família.
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