Dias passaram desde aquelas semanas olorosas para Rúbia, graças a Deus ela volta hoje para a empresa, Arianna e Othon fizeram questão de acompanhá-la por todo interior da empresa, os outros funcionários desejaram boas vindas novamente a ela que havia feito muitos amigos ali dentro em poucos meses de trabalho. A mulher estava feliz com a volta ao seu posto, apesar de estar com um pouco de receio de permanecer ali, pois da última vez saiu queimada e humilhada.

— Você a partir de agora tem uma nova sala. — Othon quebra o silêncio.

— Como assim? — Rúbia o olha confusa.

— Você não ficará mais na recepção, ficara na sala ao lado da minha, aqui dentro mesmo. — Ele explica.

— Não sei se isso é uma boa ideia... você quer controlar minhas entradas e saídas, saiba que isso é impossível, como disse uma vez, eu sei dos meus horários. — Ela fala olhando em seus olhos, visivelmente irritada.

Othon a olha sério e respira fundo sem contestá-la, de repente a porta é aberta com tudo e Ohana entra na sala, parecia possuída pela raiva, não podia acreditar que realmente seu irmão havia passado por cima das exigências de sua mãe e escolhido não demitir Rúbia; bravo com a atitude o homem sai dali e a leva junto, agarrando-a pelo braço com força, ela não tem o direito de se meter em sua vida, assim como sua mãe também não tinha, ele é um filho bastardo, mais sempre foi admirado por seu padrasto, afinal, ele não têm culpa do que sua mãe aprontou no passado, assim como os outros ele é uma vítima. Nayare nunca fez questão de demonstrar sentimentos por ele e infernizou a vida de todos que estavam ao seu lado

— Ohana se você não fosse tão cega, eu até seria legal com você, mas você faz tudo o que mamãe manda, desculpa, não confio. — Ele explica o motivo de não a deixar como sua secretária.

— Isso é mentira, não sou cega, aquela mulher fez a sua cabeça, você deveria nos apoiar, já que somos a sua família.

— Não, a minha família é meu pai, vocês são apenas parentes.

— HAHAHAHAHA, faça-me rir, seu pai? Querido seu pai nem aqui está mais, com certeza para o céu ele não foi.

O homem perdeu a paciência com as palavras da irmã e a jogou para fora de sua empresa com tudo, não aguentava mais ouvir palavras de ofensas, poxa ele não acredita que ela havia se transformado em um monstro, sua menininha já não era mais a mesma, ele sente um imenso amor por ela, afinal, foi ele quem cuidou dela desde que ela veio ao mundo, enquanto sua mãe estava atrás de status. Arianna logo em seguida e encontrou o pai sentado na calçada de cabeça baixa e os olhos vermelhos de tristeza e raiva, ela se senta ao seu lado e o abraça.

— Filha?! — Ele chama ela.

— Oi pai. — Ela responde olhando-o.

— Sou uma pessoa ruim? — Sua pergunta foi séria.

— Não pai, você não é ruim, apenas deixou de acreditar no amor. — Ela o respondeu serenamente.

— Eu me arrependo tanto das coisas que fiz, de como eu tratei a todos que estão a minha volta. — Othon relembra todas as vezes que ofendeu ou xingou alguém.

— A única pessoa que sempre esteve comigo e meu deu amor, foi o senhor Pai, para mim você tem medo de se apaixonar, medo de viver novamente e isso tudo acabar em questão de segundos, por que foi isso que aconteceu, só que eu não quero vê-lo assim. — Ela já estava em lágrimas — acho que Rúbia entrou aqui para ser mais que uma simples assistente, ela entrou aqui para conhecê-lo, assim recomeçar uma nova história.

— Mais... — Ele não soube o que responder diante das palavras da filha e simplesmente a abraçou.

— Pai, o senhor sabe que eu cresci e não sou mais aquela menininha ciumenta que não quer que meu pai viva uma história feliz, ao contrário, quero vê-lo sorrir e amar alguém, quero que encontre alguém para estar ao seu lado.

Rúbia saiu do prédio e encontrou a cena mais linda que já viu na vida, pai e filha tendo uma conversa, um momento de cumplicidade, ela se aproximou dos dois e chamou-os em voz baixa, os dois se assustaram e sorriram ao ver que era ela, Arianna olhou cúmplice para o pai e saiu deixando-o sozinho com ela.