Morrer e nascer de novo essa é a sensação que Rúbia sente depois de dois meses naquele lugar, encontrar os olhos azuis que tanto ama encarando-a é a melhor coisa do mundo, Othon realmente estava ali, não era uma voz dentro do sonho chamando ela de volta para a realidade, implorando para que ela acorde e volte para ele, mais aquele não era a sua casa? O seu lugar? Onde ela estava então? Oh, era o paraíso, sim, flores e mais flores coloridas um céu azul claro e as nuvens branquinhas como um algodão doce, credo, tudo ficou branco, mais que branco que incomodava os olhos dela, onde estava agora? Barulhos de "bip" ecoavam pelo ambiente tão sem graça, até os olhos aparecerem, o único colorido de tanto branco a sua volta.

— Você voltou, pensei que te perderia. — Othon sussurrava.

O escuro embaixo dos olhos o deduravam, ele havia passado todo esse tempo ali ao seu lado, única coisa que importava Rúbia acordar e voltar para ele, pegando em suas mãos frias e pálidas Othon sentiu pela primeira vez o aperto e a firmeza, como é bom sentir o toque dela sobre sua pele, nem que seja em um ato assim, pequeno e simples. O médico entrou o quarto e suspirou aliviado vendo-a acordada, finalmente teria paz, aguentar Othon não foi fácil. As enfermeiras entram e pedem que o homem se retire, o que com muita relutância saiu dali, mas como de costume, deixando mil ameaças para cima de todos da equipe médica, todos com medo assentiram rapidamente e voltaram a atenção para a paciente.

— Aguentar Othon em seu estado normal é complicado, agora aguentar ele desse jeito, é perto do impossível. — O médico solto e todos riram.

— Imagino. — Rúbia concordou rindo. — Vocês o conhecem faz tempo?

— Sim, somos conveniados com a empresa dele, sem contar que estudamos na mesma faculdade. — Relembrou o doutor.

— Ele sempre foi assim?

— Acredite, sim, ele sempre foi assim. — O médico ainda sorria.

— Sempre exalou poder então? — Ela imaginou.

— Poder e suspiros, dava até raiva.

Ambos riram enquanto o médico a examinava, logo foi liberada a entrada do homem e o mesmo agradeceu ao médico, acima de tudo pediu desculpas por tudo, afinal, estava nervoso demais com tudo isso, era difícil demais estar nessa situação pela terceira vez. Em todas elas, mesmo estando cercado por gente, sentia-se sozinho, já que não tinha ninguém com quem dividir esses sentimentos. A mãe de Rúbia voltou para casa, não estava conseguindo suportar ver a filha daquele jeito, era muito difícil não poder fazer nada, Othon estava mal e o coração de mãe como o dela sofria pelos dois, a dor era em triplo, talvez é a idade já não aguenta mais.

— Othon... Othon... — Alguém o chamou.

— Desculpa. — O homem saiu do transe.

— Er, eu já estou liberada, o médico disse que agora a minha recuperação é em casa.

— Então vamos.

Ele empurrou sua cadeira de rodas até a parte externa do hospital, o carro já os esperava em frente à entrada principal, assim como os paparazzi e jornalistas, com todo cuidado ele a colocou dentro do carro e fechou a porta, deu a volta e entrou no lado do motorista, ambos se encararam e sorriram, deram um selinho e saíram dali, no meio do caminho começou a discussão de onde a moça ficaria, ele queria que ela fosse para a casa dele, mais ela não e disse que se sentiria mal, pensaria que estava incomodando. Othon por fim conseguiu convencê-la, dizendo que na casa dela não tinha ninguém para ajudá-la, porém na casa dele haveria a empregada e além do mais, Arianna ficava o dia inteiro lá, poderia ajudar também.