Ver a felicidade do irmão fez com que Ohana levasse um choque de realidade, se sentindo um lixo, não entendendo o que faz ao lado de sua mãe, se só tem serventia quando é para planejar algo contra alguém, ela nunca demonstrou carinho pela filha, nem por ninguém de sua família, a mulher começou a pensar no quanto é ingrata com o seu irmão que sempre cuidou dela por toda a sua vida, mais se deixou levar pelas ideias de sua mãe. Foi então que o arrependimento tomou conta de seus pensamentos, Sirena nunca havia tratado mal ninguém da família, sempre recebeu-a de braços abertos com muitos sorrisos e alegria, Ohana sempre ouvia sua mãe falar que Sirena a tratava mal, então pensou que a moça fosse duas caras, 0não que a sua mãe a humilhava cada vez que a via, já que Nayare nunca estava nos almoços de família, porém aparecia lá em dias aleatórios.

— Quer saber... cansei, vou atrás da minha felicidade. — Disse ela para si mesma. — Por muito tempo eu calei, mais agora, vou agir e ir atrás da minha felicidade, eu sei que vocês estão vivos em algum lugar desse mundo e eu os encontrarei.

Ela dizia em frente ao espelho, seus olhos demonstram tristeza e solidão, Ohana respira fundo e sai de casa em direção a um lugar onde sabia que lá seria ouvida e acolhida, ela iria pedir perdão a ele, prometer mudança e implorar ajuda, não se esconderia mais atrás de seus medos, chega de viver como uma víbora filha, essa não era a vida que havia escolhido para si mesma, quando fez os cursos de teatro, segundo seu professor ela seria uma ótima atriz e é isso que será.

— Ohana? O que faz aqui? — Pergunta Othon surpreso com a presença da irmã.

Ela o abraça forte e chora sem parar, ele retribuiu o abraço preocupado com os seus choros, soluços e os pedidos de perdão, agora ele estava mais assustado, nunca imaginaria ela pedindo perdão, pegou-a no colo e sentou-a no sofá, em seguida pegou um copo d'água e lhe ofereceu como fazia quando ela chegava da escola triste, chorando por causa de um machucado ou algo do tipo.

— Psiu, o que aconteceu? Você está tremendo. – Perguntava bastante preocupado por ela.

— Eu precisava vir aqui, por favor, me deixe morar com você, eu não quero mais viver naquela casa. Se eu te contar uma coisa, promete não surtar? Eu quero que me ajude, pelo amor de Deus. — Ela implorava.

— Eu nunca negaria ajuda a você, pode morar aqui, mais com uma condição, você vai ter que me contar desde o começo, por que se tornou essa pessoa que é hoje. — Ele a olhava nos olhos.

— Eu prometo te contar tudo, meu irmão. — Ela disse sincera.

— Mais antes, suba e tome um banho, coloque uma rouca confortável e peça desculpas a Arianna, você sabe que ela é uma menina e precisa de alguma presença feminina ao seu lado, apesar de ter Rúbia como amiga, não é a mesma coisa que alguém da mesma família. — Othon relembrou dos tempos antigos e sorriu, sua irmã subiu com a cabeça confusa, curiosa pelo motivo daquele sorriso.

A noite foi passando e Ohana sentada em na cama de frente para Othon e Arianna, contou tudo a eles, detalhadamente, contou da época em que morou no Canadá, contou do filho, do noivo, de tudo o que havia passado, consolada pelos dois, ela sentiu uma leveza em seu coração quando eles aceitaram o pedido de perdão.

— E você tem a foto desse cara? — Perguntou Arianna, curiosa.

— Sim. — Disse ela abrindo a bolsa e pegando o celular.

— Wooow Tiaa, de onde você tirou esse pedaço de mal caminho.

— Hahahahhahaha, Arianna, só você mesmo, querida minha beleza é extraordinária por isso encontrei ele. — Disse Ohana se gabando.

— E como é o nome dele? — Pergunta Othon curioso, ele teve uma leve impressão de que conhecia ele.

— Bryan... — Ela foi interrompida.

— Ortiz — Ele completou.

— Esse mesmo, você o conhece? — Pergunta ela esperançosa.

— Uma vez Rúbia falou dele, quando fomos para lá, na casa dos pais dela.

— Eu acho que ela pode nos ajudar tia. — Disse a menina.

— Será? — Pergunta Othon.

— Eu me sinto tão envergonhada pelas coisas que falei. — Ela novamente mostra arrependimento em seu olhar. — Agora não sei com que cara eu falo com ela.

— Com essa que você tem, não se preocupe ela aceitará seu pedido de desculpas, ela não guarda mágoas. — Othon fala com firmeza.

— Arianna, você vai comigo? — Pergunta Ohana.

— Sim tia, eu vou. — A menina abraça ela.

— Beleza agora vamos dormir, por que o dia começa cedo amanhã. — Othon alerta para elas e sai do quarto.

Assim ambos encostam suas cabeças no travesseiro e adormecem.