O Preço da Ambição
11 Capítulo 11
De volta ao trabalho depois de uma viagem cansativa e uma noite solitária, Rúbia estava sozinha na sua sala, a porta estava trancada, ela queria ficar sozinha, sem ninguém para atrapalhar seu momento de reflexão, quer dizer, ninguém entre aspas, por a irmã de Othon tinha que aparecer para destilar seu veneno, por isso como é a irmã do dono da empresa, tem acesso livre a TODAS as salas.
— Que linda, voltando o lugar de origem, empregadinha, olha que fofa, e aí? O conto de fadas terminou em... Final Triste, né, olha que legal. — Debochou a mulher.
Rúbia revira os olhos e segue em silêncio, concentrada na dela do computador e na agenda em suas mãos, fingia não ouvir o que a outra falava, que por sinal saía somente besteiras e palavras invejosas, já que tudo o que ela quer é estar no lugar de Rúbia, para saber do dinheiro do irmão. Othon entra em sua própria sala, porém consegue ouvir tudo o que estava acontecendo na sala ao lado, tudo que sua irmã dizia a Rúbia era a realidade do que estava se passando e ele não estava percebendo.
— Ohana eu não vou mais trabalhar aqui, cansei, chega. Não nasci para ser humilhada por uma patricinha que se acha a dona do mundo só por que o irmão tem uma empresa, eu vim trabalhar por que eu quis, ninguém me obrigou, eu estudei para isso, ao contrário do que pensam eu não fui uma aluna qualquer, meu nome está em destaque no portal da melhor universidade que por sinal é daqui, eu saí da minha cidade, lutei por meus sonhos, deixei tudo para trás sem dó e nem piedade, até hoje meus pais não falam comigo por eu não querer seguir a vida que eles queriam para mim, não vou me humilhar por causa de homem, não vou me desgastar por um emprego, não vou me desgastar por causa de você, agora vá lá na sala do seu irmão e fale para ele que você é a nova assistente dele, para você ver o que trabalhar com um cara como esse.
Sem longas demoras, Rúbia pega sua bolsa, suas coisas e leva tudo para o carro, indo para casa sem se despedir de ninguém, naquele momento o melhor era estar só, com seus pensamentos, pensando no que faria da vida a partir daquele momento. Tudo parecia estranho, o mundo estava estranho, parecia que nada fazia sentido, estava perdida, nem parecia aquela mulher que entrou naquela empresa disposta a "abaixar" a bola do Sr. Certinho, que deixou bem claro para os amigos que não desistiria tão fácil, mais infelizmente não pode cumprir com as suas palavras, as pessoas são muito más quando elas têm muito dinheiro. A ilusão é uma decepção dolorosa, você sonha com um mundo colorido e recebe em troca uma coisa cinza e sem vida, estar naquele lugar a fazia pensar sobre as decisões, talvez seria mais fácil para ela ter seguido a vida que seus pais havia planejando.
— Sabia que te encontraria aqui. — Disse aquela voz conhecida.
— O que faz aqui? — Ela pergunta sem olhar para trás.
— Eu ouvi. — Ele solta sem rodeios.
— Ouviu?
— Sim, eu ouvi tudo que minha irmã falou para você e tudo o que você falou para ela. — Ele falou sério.
— Legal, você ouviu ela me humilhar, debochar da minha cara e simplesmente não fez nada, parabéns, agora pode ir embora, sua família perfeita te espera. — Ela levanta do chão e sai para o lado oposto ao que ele está.
Othon respira fundo e permanece onde está, estava confuso também, de repente que ele pensou que não veria mais, aparece na sua frente inteira machucada, com uma expressão que nunca vira em seu rosto, era preocupante toda a situação, ela deveria entender o lado dele também, poderia ao menos ouvi-lo, ao invés de fugir. Ohana agora está do jeito que queria, com todo o controle da situação do seu irmão, ela sabia que ele estava ali, ela sabia que ele sairia atrás de Rúbia, deixando tudo como estava e ela conseguir todos os dados que sempre quis.
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