O Preço De Uma Mentira
29 Capítulo 29
Notas iniciais
Quando despertou, o sol brilhava alegremente. Filtrava-se através das cortinas e caía como uma fina capa de ouro sobre o chão de madeira encerada. Ficou quieta um momento, depois, lentamente, voltou a cabeça. Estava sozinha e, a julgar pela temperatura dos lençóis, estava sozinha há bastante tempo.
Saltou da cama, recolheu a camisola do chão e foi ao outro dormitório. Tomou banho e se vestiu rapidamente, escovou o cabelo e, deixando-o solto, foi à sala. Com o coração desbocado, perguntou-se se sorriria ao vê-la ou se a trataria com frieza. Foi uma grande decepção que não houvesse nem rastro dele. A casa estava em silêncio. Desiludida, preparou-se uma xícara de café instantâneo e uma torrada.
Eram quase dez e meia, assim Jake, que era madrugador, devia estar acordado há horas. Duvidava que tivesse saído do centro. Embora só fosse para manter as aparências, não teria partido sem ela. Provavelmente sua ausência se devia a algo relacionado com o balneário.
Gina tinha vontade de fazer um pouco de exercício e recordou a piscina com saudade. Quando Jake voltasse, sugeriria que fossem nadar um pouco. Embora tivesse que tomar cuidado de não fazê-lo muito bem.
Mais de uma hora depois, impaciente e irritada por que a tratasse assim quando se supunha que estavam em lua de mel, dirigiu-se ao balcão da recepção.
— Sabe onde está meu marido? — perguntou com ar despreocupado.
— Sinto muito, não sei senhora Arkeman — disse a garota. — Mas se quiser posso fazer algumas chamadas e tentar localizá-lo.
— Não, não, obrigado — rechaçou Gina rapidamente — Não é nada importante.
Depois de esperar meia hora mais, procurou o traje de banho, o robe e uma sandálias plana e, de mau humor, foi para as piscinas e se trocou. Tentando esquecer-se de tudo menos do prazer que antecipava, Gina se dirigiu para o lado da piscina, que era muito profunda, de tamanho olímpico e que contava com ondas de verdade.
Quase tinha chegado quando um homem de cabelo loiro passou a sua frente. Usava tênis, um robe curto e um traje de banho azul. Em um bolso levava uns óculos de natação. Ao passar a seu lado, jogou-lhe uma olhada e sorriu abertamente.
— Ora, olá! A senhorita Augustin, não? Não, claro, agora é a senhora Arkeman — corrigiu-se.
Ela demorou um ou dois segundos em reconhecer Bryce Martinson, seu professor de natação. Devolveu-lhe o sorriso.
— Olá... está de plantão?
— É minha tarde livre — sorriu como um menino. — Já precebeu ao que vou dedicar meu tempo livre. Vai nadar, ou só deitar-se junto à piscina?
— Tenho intenção de nadar.
— Sozinha?
— Sim — admitiu. Ao ver seu olhar de dúvida, mentiu um pouco. — Pratiquei muito desde a última vez que me viu.
— E como vai?
— Muito bem.
— Mas, não estará pensando em nadar na parte profunda? — inquiriu ele, com tom preocupado.
— Sim, pensava em fazer isso.
— Na realidade é só para nadadores experientes, e agora mesmo não há nenhum salva-vidas de plantão.
Sem dúvida era um homem agradável, que tomava seu trabalho muito a sério. Desejou lhe confessar que tinha experiência, mas sabia que não era conveniente.
— Bom, terei muito cuidado — prometeu.
— Eu não gosto da ideia de que entre sozinha — disse Bryce, incômodo. — É a hora de comer e não há muita gente por aqui. Acredito que deveria acompanhá-la.
— Não há razão para preocupar-se.
— Posso lhe perguntar algo? — sua voz soava ainda mais incômoda. — O senhor Arkeman sabe que vai nadar sozinha?
— Bom, não...
— Olhe, senhora Arkeman, não quero lhe impor minha companhia, mas se lhe acontecer algo seu marido nunca me perdoará — com bom humor, acrescentou. — E preferiria não ficar sem trabalho.
Gina, incomodada por ter perdido sua liberdade, mas consciente de que era culpa dela, concordou amavelmente.
— Parece-me uma lástima que tenha que passar sua tarde livre cuidando da mulher do chefe, mas se isso te faz mais feliz...
— Certamente que sim — sorriu aliviado.
— Então aceito sua companhia.
— Já é uma hora... Pensava em comer antes?
— Já almoçou?
— Pensava tomar alguma coisa no bar da lagoa — replicou ele.
— Façamos isso então. Ai.
— Aconteceu alguma coisa?
— Não estou com dinheiro aqui.
— Não é problema — assegurou ele. — Colocarei em minha conta.
Uma vez que aceitou que tinha arruinado a tarde, descobriu que a comida era uma agradável surpresa. Quando estava com Jake sempre havia certa tensão no ambiente, mas Bryce era aberto, pouco complicado e divertido, e Gina desfrutou enormemente de sua cômoda e relaxada companhia.
— Como se tornou em monitor de natação? — perguntou-lhe.
— Por pura casualidade — admitiu ele. — Comecei a estudar Medicina, mas minha mãe adoeceu e precisava da minha ajuda, assim depois de uns anos me vi forçado a deixar à carreira. Naquela época abriu o centro termal. A natação sempre foi meu esporte favorito, assim aproveitei a oportunidade para vir aqui...
— Acredito que já vou para a piscina agora — disse ela quando acabaram a rápida refeição. — Assim, quando tiver me visto sair sã e salva, sobrará tempo para que se dedique a treinar a sério.
Dirigiam-se para o fundo da piscina, bordeada por rochas autênticas que desciam até a água, quando, sem nenhum aviso, dois garotos que se perseguiam, passaram correndo junto deles. O segundo se chocou contra Gina, fazendo que perdesse o equilíbrio. A sandália escorregou na rocha molhada e ela caiu ao chão com força. Bryce chamou a dupla furioso, mas sem resultado.
— Meninos idiotas! — exclamou. — Deveriam ter mais cuidado — com voz preocupada acrescentou: — Está tudo bem?
— Sim, estou bem — conseguiu balbuciar ela. Mas quando a ajudou a ficar em pé deu um grito de dor.
— O que houve? — perguntou ele — Onde lhe dói?
— Machuquei o ombro — admitiu — e o braço ficou inerte.
Bryce murmurou algo entre dentes.
— Minha suíte fica justamente no outro lado dessas portas de vidro que têm o letreiro de «Só empregados». Pode-se chegar até ali, olharei o que pode ser feito e, se precisar, chamarei a seu marido.
Embora a suíte estivesse bastante perto, quando chegaram Gina se mordia o lábio de dor.
— Dói muito, não? — comentou Bryce.
— Agora começou a doer o braço, mas acredito que não tenho quebrado nada.
— Assim espero... — abriu a porta de um cômodo estúdio e a ajudou a entrar. — Será melhor que dê uma olhada, especialmente ao ombro. Poderia estar deslocado — rodeou-a com um braço para que se apoiasse. — Deixe que a ajude a tirar o robe...
Não chegou a terminar a frase. Justo quando começava a lhe tirar o robe dos ombros, a porta se abriu de repente e Jake entrou em furioso. Olhou a cena e seu rosto se transformou em uma máscara de ira.
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