O Preço De Uma Mentira
12 Capítulo 12
Notas iniciais
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Uns cinco minutos depois estava na salinha, olhando os livros das estantes, quando bateram na porta. Abriu-a e encontrou-se com um jovem que tinha um pequeno pacote na mão.
— O senhor Arkeman me pediu que lhe trouxesse isto, senhorita Augustin — disse, e sem lhe dar tempo de que o agradecesse, partiu.
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Dentro do pacote encontrou um precioso traje de banho estampado, exatamente de seu tamanho. Perguntando-se onde o teria encontrado, foi tirar uma toalha da mala.
A caminho da piscina comprovou que era um centro grande com todo tipo de comodidades, entre as quais se incluía uma fileira de lojas especializadas em artigos de luxo e de presente. A vitrine de uma boutique mostrava uma coleção de trajes de banho de desenho parecidos com o que levava consigo. Eram impressionantemente caros.
A academia parecia estar muito concorrida, mas, em troca, não havia muita gente na área das piscinas. Gina se trocou em uma das cabines e quase deu um pulo quando se viu no espelho. O traje de banho se adaptava a seu corpo gordinho com perfeição, e ficava sensacional.
Aproximou-se da piscina grande, atirou-se à água e começou a nadar a braçadas. Tinha percorrido um terço de comprimento quando sentiu uma ligeira ondulação e viu uma pessoa junto a ela.
— Decidi me esquecer dos negócios por hoje e reunir-me com você — disse a atraente voz de Jake Arkeman.
Ela estremeceu de alegria.
— Quer dizer, se não há nenhuma objeção, senhorita Augustin.
— É obvio que não — disse ela, com a respiração agitada. — Não preferiria me chamar de Gina?
— Estarei encantado, se você me chamar de Jake.
— Obrigado por me emprestar o traje de banho — disse ela.
— Não é um empréstimo, é um presente...
— Obrigado, mas não posso aceitar... — começou ela, acalorada.
— É cortesia do centro termal.
— Oh... Bom, muito obrigado.
— Também oferecemos trajes de banho ao senhor e à senhora Wallace, mas, como não são bons nadadores, preferiram um convite para jantar no restaurante.
— Ficou ótimo em mim, assim não precisarei ficar com vergonha do meu peso extra.
— Eu não vejo nenhum problema pelo seu excesso de peso, a mim ele não incomoda em nada — anunciou ele, notando que ainda parecia um pouco incômoda.
Nadaram em silêncio durante um momento, até que ele deu uma olhada a seu relógio a prova d’água.
— Gostaria de descansar um momento e tomar alguma coisa antes de ir jantar?
— Sim, estaria muito bem — assentiu ela, nadando para os degraus.
Jake nadou para a beira da piscina e saiu com impulso. Quando ela terminou de subir os degraus a esperava com um par de roupões brancos.
Ela notou nervosa, que tinha um corpo forte, esbelto e bem formado; era largo de costas e estreito de quadris. Sua pele azeitonada parecia suave, e tinha um ligeiro pelo escuro nas pernas e no peito.
Dirigiram-se a uma mesa a beira da piscina e assim que se sentaram um garçom se aproximou apressadamente.
— O que gostaria, Gina? — perguntou Jake. Ao vê-la duvidar, sugeriu — Um Martini seco, possivelmente?
— Não obrigado. Eu gosto de coquetel, mas odeio o vermute.
— Nesse caso, que tal um gim tônica?
— Perfeito.
Enquanto bebiam a taça relaxante, ele fixou o olhar em sua mão esquerda, nua.
— Pelo que vejo, não está comprometida.
—Não.
— Nem sequer sem que seja oficial?
Ela negou com a cabeça.
— Então vive com alguém?
— Não.
— Não há ninguém... digamos... especial?
Ela duvidou, perguntando-se se devia tentar explicar-lhe sobre Brady, mas decidiu não fazê-lo.
— Não, não há ninguém — contestou.
Sem dar-se conta, na última hora havia servido para esclarrecer todas suas dúvidas e incertezas. Nunca havia sentido, nem sentiria, uma atração como aquela por Brady. Passasse o que passasse entre Jake e ela, sabia com segurança que nunca se casaria com Brady; tinha que dizê-lo o quanto antes. Provavelmente deveria telefone para ele.
Mas, não, Jake havia dito que os telefones não funcionavam e, depois, não podia ser tão covarde. Quando as estradas estivessem limpas devia ir ver Brady e dizê-lo frente a frente. Ainda que nunca houvesse prometido nada, sentiu pena e certa culpa por ter que feri-lo.
— Outra taça? — ofereceu Jake. — Ou prefere dar outro mergulho? — sua voz soava despreocupada e feliz, como se a resposta que lhe havia dado fosse justo a que desejava. Gina sentiu que seu ânimo se levantava de todo e se tirou o roupão.
— Tartaruga é o último que chegar ao outro lado! — o desfiou.
Os dois romperam a água ao mesmo tempo e começaram a nadar crawl. Gina havia sido a campeã de sua faculdade e, embora Jake ganhasse, agradou-lhe ver respeito e admiração em seu olhar.
— São quase sete e meia. Está com vontade de jantar? — perguntou ele, depois de nadar várias voltas a seu lado. Gina assentiu e ele saiu da piscina e lhe ofereceu a mão. Foi como receber uma descarga elétrica.
De pé, ela lhe chegava ao queixo. Levantou a vista até ele. Diminutas gotas de água brilhavam em seus castanhos e espessos cílios. Antes que pudesse olhar para outro lado, seus brilhantes olhos verde dourado se encontraram com os dela. A magia foi mútua. Ficaram parados, olhando-se aos olhos como se estivessem enfeitiçados, durante o que pareceu uma eternidade.
Finalmente foi Jake quem rompeu o silêncio.
— O balneário está lotado e os restaurantes estarão cheios, gostaria que jantássemos em meu apartamento? — sugeriu, com voz rouca.
A princípio parecia uma pergunta simples, mas, apesar de estar totalmente encantada, Gina deu-se conta de que as conotações iam muito mais além. Nem por um momento lhe ocorreu dizer que não. Era adequado. Era inevitável.
— Sim — disse, com a voz tão rouca como ele. Compreendeu, com alegria, que podia comprometer-se ao que fosse sem hesitar.
Gina se vestiu e passou um pente pela cabeleira lisa e voltaram juntos para sua suíte. Era hora de jantar, e os amplos corredores estavam cheios de gente que ia e vinha dos diversos restaurantes e de pequenos grupos que comentavam a inclemência do tempo.
Para Gina e Jake, imersos em sua própria nuvem, era como se não existisse ninguém mais; embora caminhassem discretamente separados, nesse momento não havia amantes mais unidos que eles dois. De vez em quando sorriam um ao outro, sorrisos de cumplicidade, como se compartilhassem um segredo maravilhoso.
Quando chegaram à privacidade do apartamento, ele a abraçou e a beijou com suavidade, selando o pacto que não tinham chegado a expressar com palavras. O roçar de seus lábios foi tão embriagador como o vinho, e teria estado disposta a prolongar o abraço, mas ele a soltou depois de um beijo.
Aturdida de felicidade, se aconchegou no sofá enquanto ele fechava as cortinas e punha uma música suave.
Encomendaram o jantar e pouco depois e se sentaram frente ao fogo, com os pratos apoiados nos joelhos.
— Quem são os Wallace? Por que é que viaja com eles? — perguntou ele enquanto jantavam.
Ela explicou, sem mencionar a razão pela qual ia a São Francisco. Depois, com desgosto, quase com sentimento de culpa, perguntou-se se deveria contar-lhe tudo. Não podia suportar a idéia de que se arruinasse a noite. Quando lhe perguntou se tinha noivo, ela não tinha sido totalmente honesta, e se ele se zangasse porque tivesse mentido, embora só fosse por omissão? Enquanto hesitava, resistindo a estragar esse momento tão feliz, ele trocou de tema, e perdeu a oportunidade de explicar-se.
Terminaram de jantar e Jake apagou as luzes, sentou-se junto a ela e lhe passou o braço pelos ombros. Seguiram ali, olhando dançar as chamas e escutando o dueto amoroso de Madame Butterfly. Quando a bela e emotiva música finalizou, ele a pegou pela mão e, como se fosse o mais natural do mundo, levou-a para a cama.
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