Notas iniciais
Olá, os personagens não são meus e sim de Meg Cabot.Está é mais uma fic minha, espero que gostem. Por favor, escrevam dizendo sobre o que estão achando da fic, assim fica mais facil de saber se ela está boa ou não. É tão chato escrever uma fic e ninguém comenta sobre ela que acaba até desestimulando as pessoas que escrevem que muitas delas deixam de postar por causa disso.BJS a Todos.

Da janela de sua salinha, junto ao quarto das crianças, Gina via a neve incomum cair sobre Haight-Ashbury em São Francisco. Flocos suaves e ligeiros revoavam no céu escuro, depositando-se contra o vidro e cobrindo as árvores com um manto branco.

De repente, sentiu um calafrio. A neve sempre a fazia recordar. Trazia o passado de volta, com toda sua crueldade. O passar dos anos, não aliviaria a dor, não cicatrizariam as feridas emocionais como o tinham feito as físicas?

No espelho estas já não se notavam e nem sequer podia as perceber com as pontas dos dedos. Certo que ainda estava um pouco demarcada, parecia mais velha para sua idade, mas, ironicamente, agora era quase uma beleza enquanto que antes só tinha sido meramente atraente, apesar de gordinha.

Uma batida na porta interrompeu seus pensamentos.

— Espero não te incomodar — disse Karen Amesbury, sua chefe, sempre educada, além de agradável e amistosa. — Queria te dizer que já está decidido. Meu marido tem que se incorporar a seu posto no hospital de Burbeck antes de Ano Novo, assim partiremos para o Texas durante as férias de Natal...

A possibilidade de mudar-se ao centro oeste havia sido mencionada e comentada com antecedência, mas Gina tinha procurado não pensar nisso.

Fazia mais de dois anos que os Amesbury, depois de ouvir parte de sua história, arriscaram-se a contratá-la, uma mulher calada e de olhos tristes, como babá de suas gêmeas, que agora tinham três anos. Com eles se sentia segura e, embora não era feliz, estava relativamente a gosto. A mudança supunha uma grande mudança, uma separação que Gina não desejava.

— Sentirei falta de São Francisco — continuou Karen, sentando-se frente a ela, — mas estou desejando exercer a advocacia em Dallas e seremos quase vizinhos de minha família. Minha mãe morre de vontade de ocupar-se das meninas...

Meninas que tinham servido para encher os braços vazios e o coração destroçado de Gina.

— Embora suspeite que as vá mimar muito... — Karen percebeu a desolação que a jovem tratava de ocultar e calou bruscamente. Depois de uns segundos continuou com tom prático. — Na realidade vim para te dizer que Carmen Tunner me chamou para me perguntar se necessita de outro emprego. Conhece um rico homem de negócios que necessita de uma babá de confiança e está disposto a pagar muito bom salário.

— Mas eu não posso começar imediatamente — protestou Gina. Karen fez um elegante gesto de rechaço com a mão.

— Hoje terminei de recolher meu material no escritório; estarei em casa até que nos mudemos; se decidir aceitar o trabalho posso me arrumar sem problemas. Foi uma bênção para nós e estou muito agradecida a você. Por isso preferiria vê-la estabelecida antes que partamos.

Embora Gina aceitasse o pedaço de papel automaticamente, não tinha ouvido uma só palavra desde o nome Jake Arkeman.

Os batimentos do coração lhe ressonavam nos ouvidos, e uma profunda escuridão ameaçava a engolir. Quando a porta se fechou, inclinou a cabeça e a pôs entre os joelhos. Segundos depois, lhe aconteceu o enjôo e se ergueu no assento. Era quase incrível que o homem que necessitava de uma babá com urgência fosse o único para o qual não podia trabalhar.

Seria o mesmo homem? O endereço era diferente. Jake era um nome bastante conhecido, mas Arkeman não, e todo o resto encaixava: Sim, tinha que ser ele.

Segundo suas últimas notícias, a madrasta de Jake cuidava de sua neta, um bebê, e ele estava a ponto de casar-se. Mas parecia que agora estava viúvo ou divorciado e, ao morrer a avó, a menina tinha ficado em mãos de uma babá. Com angústia, Gina recordou as palavras de Karen: «Acredito que a babá não gostava da pobre neném».

Gina fechou os olhos com força e se cravou as unhas nas palmas das mãos, lutando contra as lágrimas. Desejou que sua situação fosse diferente, mas o certo era que em umas semanas estaria sem trabalho e sem casa.

Ou possivelmente não?

Jake não a relacionaria com o nome de Gina Augustin; quando a conheceu se chamava Gina Augustin, que era a forma mais fácil de abreviar o seu nome. E não havia muitas possibilidades de que a reconhecesse fisicamente. Ela mesma se surpreendia quando passava ante um espelho e este lhe devolvia a imagem de uma estranha. Quando tinha vinte anos pesava uns vinte quilos a mais, em um ato de rebeldia, cortara os cabelos afros compridos, preferindo deixá-los com um levemente dourado, e alisou-os totalmente. Agora o usava comprido, encaracolados e de sua cor natural, castanho escuro. Naquela época era jovem, fresca e gordinha. Agora era velha, se não em anos, sim em experiência, continuava com a sua pele cor de café com leite, havia perdido os vinte quilos, a contra gosto adquiriu curva sensuais, e seu brilho havia se extinguido.

Não, não a reconheceria. Tinha sofrido tantas operações de cirurgia plástica que nem sua própria mãe a teria reconhecido.

Era muito arriscado. Ainda recordava seu olhar, o desprezo e condenação de sua expressão na última vez que se viram. Mas o intenso desejo de voltar a ver, a necessidade de conhecer sua filha, doía-lhe quase fisicamente.

Não podia fazê-lo. Seria uma loucura. Reabriria todas suas feridas e destroçaria a escassa paz de espírito que tinha recuperado.

Mas conseguir esse trabalho de babá seria a resposta a todas suas orações.

Notas finais
E ai o que acharam?