O Presente de Aniversário Dele
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Espero que gostem, apesar da simplicidade toda e da falta de elementos surpresa.
Se você não gosta de clichês, leia mesmo assim - risos - e me dê sugestões no final.
Olívia havia acordado nervosa por não saber o que esperar daquele dia. Haveria uma prova de matemática daqui a pouco e, embora já tivesse estudado toda a matéria, continuava folheando, insistentemente, o caderno. Todavia, esse não era o motivo de seu nervosismo.
Chegando na escola, não conseguiu dar muitos passos sem ser barrada pela sua melhor amiga Isabelle.
- Livie, sabe que dia é hoje? — sorria radiante, contendo a ansiedade.
- Claro que eu sei. Dia de uma belíssima prova de matemática. A que vale quase toda a nota do bimestre, apenas constando. — forçou uma carranca entediada.
- Besta! Você sabe do que estou falando. — afirmou de forma acusatória, colocando as mãos no quadril.
Obviamente, a outra sabia. Apertou o caderno contra o peito, era constrangedor assumir que sabia.
Aquele não era um dia qualquer, e não era por causa do exame. Era aniversário de Matheus Schwartz — sonho e pesadelo de Olívia Prescott.
O casal tinha uma relação conturbada. Ninguém nunca sabia o que esperar deles, dependia do dia e principalmente do humor de ambos. Conseguiam partir tranquilamente de discussões civilizadas para troca de farpas e ofensas, depois para diálogos bem humorados e ainda sobrava gás para algumas provocações maiores.
Na cabeça da Prescott, Matheus era difícil e, deixava-a confusa sem maiores esforços.
- 'Tá, e daí que é aniversário do Schwartz? Eu não tenho nada com isso.
Isabelle achou graça — como sempre — ouvir Olívia se referir ao menino pelo sobrenome, era como se ela acreditasse que conseguiria fingir que não sentia nada por Matheus com aquilo. Grande ilusão.
As duas pararam um pouco ao lado da porta da sala, em que realizariam o teste de exatas, para continuar a conversa. Olívia se escorou na parede e encostou a cabeça enquanto sua amiga permaneceu de frente para si.
- Você está zoando com a minha cara, Livie? Vocês são sensacionais juntos. Brigam que é uma desgraça, mas o Matheus é fofo contigo.
A outra não pôde deixar de lançar um sorriso escárnio.
- Realmente... Ele foi um fofo quando me atropelou no basquete na educação física, me usou como alvo da bola de futebol... — fez careta ao se lembrar das pancadas — Ou será que quando você diz que ele é fofo comigo, você está se referindo ao dia que ele me jogou dentro de uma sala isolada no corredor e me largou trancada ali até o final do dia? — seu rosto assumiu feições irritadiças — Se não fosse pelo abençoado inspetor, eu ainda estaria mofando e soltando aranhas naquele lugar.
Isabelle revirou os olhos perante o discurso dramático. Impaciente, puxou Olívia pelos ombros e a chacoalhou.
- Mas agora você está aqui, bobinha. Não se faça de inocente, porque você já escondeu a mala dele no banheiro feminino, jogou um dos tênis dele no telhado... Enfim, o importante é que na saúde e na doença vocês estão aí, um para o outro. Todo mundo sabe que apesar dos pesares, você é A garota do Schwartz.
O estômago de Olívia virou e revirou. A garota do Schwartz. Ela sentia vontade de estrangular Isabelle por relembra-la do título. Alguns alunos passaram a chama-la assim e a mania se espalhou.
O apelido soava bem aos seus ouvidos, o coração não conseguia evitar de bater mais forte. Ela gostava. Tratou de tirar esses pensamentos da cabeça. Ela era Olívia Prescott e não podia ceder. Não queria, pois ainda não superara a cena dele se pegando com Morgana Lancaster — uma garota legal, com um rosto legal e um corpo legal, em sua opinião —, no meio do pátio.
Matheus não lhe devia satisfações. Contudo, também não era obrigada a aceitar o que vira. Sim, Olívia sentiu ciúmes, aversão e uma pitada de inveja, porque naquela vez a garota do Schwartz não foi ela.
— A garota do Schwartz é a Morgana, se lembra? — comentou enfezada.
— Se você prefere pensar assim... — suspirou, olhando para o começo do corredor — Falando no sujeito, olha ele vindo aí.
Olívia virou a cabeça em uma velocidade tão sobrenatural que Isabelle ficou estupefata por ela não ter estalado ou dado mal jeito no pescoço.
Matheus atravessava o corredor determinado a encontrar uma pessoa na última sala. Vez ou outra parava para cumprimentar os amigos e agradecer pelos parabéns.
Entre os estudantes da rodinha encontrava-se Morgana. Quando chegou a sua vez de parabenizar o garoto, envolveu-o num abraço caloroso e deu um beijo na bochecha. Observando atenta, Olívia não conseguiu evitar a cara de desgosto.
— E depois ainda diz que não se importa. — Isabelle debochou.
A Prescott corou furiosamente. Desgrudou-se da parede e pôs a se mexer inquieta. Enfiou o caderno de qualquer jeito na bolsa.
— E não me importo. — cruzou os braços e fez bico.
— Vamos mudar de assunto, porque as coisas estão ficando feias para o seu lado. — viu Olívia abrir a boca para retrucar, então foi mais rápida — Revisa a matéria comigo, por favor.
— Está bem, vam...
A atenção foi desviada para o garoto que passara por elas feito furacão. Matheus havia parado na porta e se colocado a procurar uma pessoa, pelo olhar e com veemência. Quando viu que quem desejava não estava ali, suspirou decepcionado. Com a mochila pendurada em apenas um dos ombros, ajeitou a alça e enfiou as mãos no bolso. Mirou tudo ao seu redor e abriu um sorriso discreto ao parar em Olívia e Isabelle. Passara com tanta pressa que nem vira que quem procurava estava bem em frente ao seu nariz.
— E aí, Isa e... Amor da minha vida. — disse a segunda parte com um tom galanteador ao mesmo tempo que passava um dos braços pelo pescoço de Isabelle.
— Tudo bem, Matheus? — a mesma perguntou simpática.
— Ótimo! Sabem que dia é hoje?
Olívia não conseguiu evitar o ato de rolar os olhos. Estavam fazendo essa pergunta com muita frequência para o seu gosto.
— Perdão! Parabéns, Mat! — Isabelle o abraçou brevemente — Felicidades!
— Valeu.
De repente, os olhares recaíram em Olívia.
— O que foi? Perderam alguma coisa na minha cara? — cerrou os olhos.
— Sempre tão chata. Não tem nada pra me dizer, Prescott? — arqueou uma das sobrancelhas.
— Ah, claro que sim, Schwartz. — sorriu cínica, mas o ato passou despercebido pelos outros dois.
A melhor amiga da Prescott vibrou internamente; aparentemente, o casal se acertaria e eles finalmente teriam uma conversa decente.
— Queria dizer que nem no dia do seu aniversário você é menos insuportável. — foi ácida, recebendo um olhar repreensor da amiga.
— Você é má, mas seria uma pena se eu dissesse que não ligo. Sei que está louca para me abraçar, venha... — soltou Isabelle e estendeu os braços — Eu deixo você tocar no meu corpo.
— Para de ser idiota, Matheus.
— Para de ser mentirosa, Olívia.
Isabelle os observava descrente. Como podia duas pessoas daquele tamanho e idade serem tão infantis? Ameaçou a deixar os dois, quando uma ação fez seus olhos quase saltarem das órbitas.
Olívia tinha puxado Matheus pela camisa do uniforme de maneira brusca, fazendo seus corpos colidirem e depois passou os braços em volta do corpo dele, que também estava surpreso.
"Ai meu Deus! Ela cedeu!", era tudo que se passava na mente da telespectadora. Mordeu os lábios para reprimir uma forte vontade de rir do casal.
— Pronto, já conseguiu o que queria. — empurrou-o — Já pode nos deixar em paz. Obrigada, de nada. — fitava o chão, cabulada e com as bochechas rosadas.
— Oin! — Matheus soltou com voz afetada — Eu deixei ela sem-graça! Você viu, Isabelle?
Para provocar ainda mais, começou a cutucar o braço da garota com os indicadores.
— Eu vi! — Isabelle entrou na brincadeira — Ela só fica assim com você por perto mesmo. — obteve um olhar matador.
— Eu não estou sem-graça, ainda mais por causa de você, Schwartz! — apontou o dedo, acusatória.
— Ficou sim.
— Não fiquei.
— Ficou sim!
— Não fiquei! — Olívia bateu os pés no chão.
— Você fica tão bonitinha irritada, Livie. E essas bochechas vermelhas? — Matheus deu petelecos nelas, irritando a dona, que não pensou duas vezes antes de revidar com tapas violentos.
— Para com isso ou eu vou te bater mais. — foi ignorada — Matheus, estou te avis...
— Caralho! O que é aquele cartaz com fotos constrangedoras suas? — o garoto apontou para o lado contrário do que estavam.
— O quê? — Olívia virou a cabeça para olhar, assim como Isabelle também fez por instinto.
Aproveitando a distração, Matheus foi rápido em puxar o rosto de Olívia pelo queixo e depois acabou com toda a distância das bocas, iniciando um beijo.
A Prescott relutou no começo, esmurrando e empurrando o peito dele sem muita força. Não demorou muito para que cedesse e seus dedos fossem ao encontro com o mar de cabelos do Schwartz.
Isabelle que já estava sobrando há muito tempo, não segurou a alegria à essa altura do campeonato. Soltou gritos esganiçados, atraindo o olhar de algumas pessoas, porém o casal pouco se importou. Depois de ter prestado o papel de vela, entendeu que o dever estava cumprido. Ajeitou a mochila nas costas e adentrou a sala.
Enquanto isso, Olívia e Matheus nem perceberam sua ausência. Ele continuava segurando o rosto da garota com possessividade ao mesmo tempo que os dedos finos dela pressionavam a sua nuca na tentativa de aprofundar o contato.
O sinal, como todos os dias, não tardou a soar, anunciando que todos deveriam estar em suas supostas salas, aguardando pelo aplicador de provas. Só assim o casal se separou.
Com os orbes arregalados, Olívia só conseguia ofegar.
— Ai meu Deus! O quê foi isso? — perguntou entre uma arfada e outra.
Com um sorriso satisfeito, como de quem havia ganho na loteria, Matheus abaixou-se para recuperar a mala que tinha sido jogada no chão, sem dó, durante o beijo.
— Você quer saber o quê foi isso? — aproximou o rosto novamente, vendo-a assentir desconcertada com a repentina aproximação e prender a respiração.
— O quê foi isso? — tentou se mostrar firme, mas a fala quase não saiu.
— Isso foi o meu presente de aniversário. — explicou divertido, apertando a alça da mochila. Antes de seguir o seu caminho, atreveu-se a roubar mais um selinho.
Matheus correu, deixando para trás, uma Olívia abismada.
Aquele havia sido o melhor presente de aniversário dele.
Notas finais
Espero que tenham gostado.
Um pequeno conto escrito por livre vontade, sem maiores ambições. Obrigada por ter chego até aqui.
Nos vemos na próxima!
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