O Presente Perfeito

1 O Presente Perfeito


Notas iniciais
Aeaeae! Dentro do prazo de entrega (mas sendo a última a postar okz~ x_x). Finalmente consegui terminar. Tô há tanto tempo sem escrever que acho que acabei enferrujando, viu, só pode! D:
Gostaria de agradecer à Luly (Akemihime) e à Fê (Lady Fenix) por terem me ajudado com a idéia do presente que o Shikamaru daria à Temari. Brigada, maninhas! ♥
À Andréia (Wenky), que é quem eu tirei no amigo secreto, peço desculpas pela demora. E espero que goste do presente. ^^

O Presente Perfeito

Natal; época de confraternização, de carinho, de afeto, de estar perto da família. A época mais feliz do ano...pelo menos para a grande maioria. Infelizmente, para algumas pessoas, são justamente nessas datas que a saudade bate mais forte. A saudade de um ente querido com quem nunca mais poderá compartilhar aquele abraço. Sorrisos que, agora, permanecem vivos apenas na memória.

Temari, que perdera sua mãe logo cedo, sabia o que Shikamaru devia estar sentindo agora. Esse ano não havia sido nada fácil para ele; afinal, perdera seu sensei, a quem considerava como um pai e, como se não bastasse, recentemente teve de dar adeus àquele que era seu espelho, seu guia, seu melhor amigo: seu próprio pai. Vidas levadas pela grande onda de dor e sangue conhecida como “Guerra”.

Por isso, nesse ano em especial, a Sabaku decidira passar o Natal de forma diferente. Aproveitou que Gaara e Kankurou estariam muito atarefados com os festejos de Suna e resolveu ir para Konoha. Seu “amigo” precisava de apoio. Ele precisava dela. Apesar da situação e dos problemas que sabia que estariam lá quando chegasse, Temari estava ansiosa...iria rever Shikamaru...e o mais importante! Esse seria o primeiro Natal que passariam juntos. Sentia vontade de dar uns pulinhos e gritinhos de alegria, mas não o fez por achar isso tudo muito “inho” demais para sua pessoa.

O problema é que uma grande dúvida lhe veio à cabeça: o que dar de presente para ele?! Realmente...difícil. A primeira coisa em que pensou foi em jogos de lógica e estratégia, sabia que o Nara os adorava, porém, ao lembrar de que ele costumava jogá-los com o pai e com Asuma, logo concluiu que tais jogos estavam fora de cogitação. Pensou muito, sem sucesso. Decidiu resolver isso depois. Por agora, o mais importante era comunicar sua futura chegada à Hokage de Konohakagure.

No caminho a paisagem e o clima se modificavam gradativamente. Dunas de areia quente sendo substituídas por pradarias e, em seguida, por florestas e neve. Um belo presente aos olhos. Realmente, Konoha tinha um clima “mágico”. Não que Temari estivesse reclamando de sua amada Sunakagure, mas ao contrário do deserto que só muda sua forma em tempestades de areia, ali as estações do ano traziam mudanças, deveras, fascinantes.

Assim que chegou à Vila da Folha, ao entardecer, a Sabaku estranhou o fato de ser Chouji e não Shikamaru a recebê-la, como de costume.

– Seja bem vinda, Temari-san! – o Akimichi a cumprimentou assim que esta adentrou os portões.

– Arigatou. – respondeu, cordialmente, tentando disfarçar sua frustração.

– ...desculpe pelo Shikamaru.

– Hn?

– Sei que ele é o encarregado de lhe acompanhar nas visitas, mas é que ultimamente ele não anda nada bem. Não sei se você sabe, Temari-san, mas...

– Eu sei. – a loira sentiu um nó se formar em sua garganta ao ver o pesar estampado nos olhos do amigo do Nara; sabia que Shikamaru não estaria bem, isso era óbvio, mas ouvir aquilo pessoalmente lhe apertou o coração – Eu quero vê-lo! – aquele anseio era tão forte que saiu sem mais nem menos de seus lábios, autoritário, assustando até ela mesma – Erm, caham...eu gostaria de vê-lo. Quero prestar minhas condolências à família.

– Ah...sim. Ele está em casa. Venha, vou levá-la até lá.

Em poucos minutos chegaram à casa dos Nara. Foram recebidos por Yoshino, que os convidou para entrar e tomar um chá. Chouji surpreendentemente recusou, alegando que prometeu ajudar sua mãe e que já estava atrasado para os preparativos da ceia. Explicado então: ceia tem mais comida.

Temari acompanhou a simpática mulher até a sala. Acomodaram-se nos zabutons [1] e logo Yoshino serviu chá e delicados biscoitos à mesa para, depois, subir as escadas com o intuito de chamar Shikamaru. Voltou um tanto quanto enfurecida, porém em seus olhos pairava uma certa sombra de tristeza.

– Perdão, Temari-san. Shikamaru agora vive trancado naquele quarto... – apoiou os cotovelos na mesa baixa, colocando sua cabeça entre as mãos, suspirando pesadamente, levantou o rosto para encarar a jovem, sorrindo – Mas logo ele vai descer...enquanto isso, porque não conversamos um pouco? Conversa, chá e biscoitos são ótimos num fim de tarde frio como esse.

– Sim. – sorriu, compreensiva diante da simpatia que aquela mulher lhe passava. Seria uma experiência e tanto conversar com ela.

A jovem senhora não parava de falar um só minuto, sobre as mais variadas coisas, até sobre o clima. De início Temari ouvia em silêncio, mas em pouco tempo se sentiu à vontade naquela situação. Descobriram vários pontos em comum e, ainda, a Sabaku conseguiu achar uma solução para o problema do presente. Bom, pelo menos era uma solução. Saíram para comprá-lo e, assim que chegaram, continuaram a conversar animadamente, entre sorrisos e até gargalhadas, o que acabou atraindo a atenção de um certo Nara a ir ver o que estava acontecendo.

– Mãe!...Mas o quê?! Temari?! – arregalou os olhos, surpreso.

– Yo, Shikamaru! – a loira cumprimentou, enquanto o observava descer as escadas.

– Desde quando você está aqui?

– Uuumas duas horas mais ou menos, eu acho.

– Mãe! Porque a senhora não me disse que...

– Eu disse que você tinha visita! – cruzou os braços, encarando o filho.

– Tá, mas não me falou que era ela.

– Uuuuhmmmm.... – olhou de esgueira, com um meio sorriso estampado na cara – ....é que eu não sabia que o fato de ser “ela” seria tão importante pra você.

Nisso se viu dois indivíduos de cabelo estilo abacaxi ficarem mais vermelhos do que tomate. Shikamaru tratou de tirar Temari de lá o mais rápido possível, dizendo à sua mãe que a levaria para dar uma volta a fim de conhecer as festividades, alegando que este era o “motivo” da visita dela.

Andaram em silêncio até uma alta colina, no bosque dos Nara. Lá reinava, majestoso, um grande pinheiro. Sentaram-se na beirada do barranco, no topo, de onde podia se ver grande parte da vila por cima, as luzes coloridas mescladas à branquidão da neve que cobria o telhado dos prédios e das casas.

– Gomen ne...eu não sabia que era você. – calmamente recostou no forte tronco da árvore, pronto para acender um cigarro.

– Hey! – tomou o cigarro das mãos do outro – Você tem que parar, Shikamaru. Sabe que isso te faz muito mal!

– Você sabe que...

– Sim, eu sei! Mas essa é mais uma coisa que você tem que superar! Caso você não saiba, tem pessoas que se importam muito com você! Precisam de você! – bradou, firme, partindo o cigarro e arremessando-o para longe, barranco abaixo.

– ..... – o Nara apenas a observou, atônito – Tsc....mas você é mesmo uma problemática. – resmungou, voltando seus olhos para o céu nublado.

– Sua mãe é uma mulher e tanto, sabia? – gracejou com ternura, recostando-se perto dele e procurando algo na sacola que trazia a tiracolo – Olha! É pra você.

– Hn? Um presente? Não precisava se incomodar, Temari. – encarou o embrulho que ela estendia, tomando-o para si.

– Feliz natal! Espero que goste! – entregou o pacote, apreensiva.

– Também tenho um pra você... – sorriu, tirando uma pequena caixa de dentro do bolso.

– Ah! Obrigada, Shimakaru! Uhm...o que é? – indagou ao abrir a caixinha e tirar de lá uma pequena bola de vidro que vinha acompanhada de um suporte dourado e brilhante, feito para estabilizar a esfera em superfícies planas.

– Olhe mais de perto. – sugeriu, ainda sorrindo.

– Uhm....nossa! Isso dentro da bolinha...é Suna?! Uma miniatura de Suna! Que coisa mais linda, Shikamaru!

– Sim, é Suna. Mas tem uma outra coisinha... – aproximou-se, tomando delicadamente o objeto das mãos da jovem.

– Hã?

– Se você pegar esse globo e concentrar um pouquinho de chakra, assim...

– ....está...está nevando...em Suna... – os olhos de Temari brilharam ao contemplar a cena diante de seus olhos.

– Fiz especialmente pra você. Sei como se encantou pela neve assim que a viu pela primeira vez, em Konoha...e como em Suna não neva...

– Não nevava! – sorriu, com lágrimas nos olhos – Obrigada! – abraçou o shinobi num gesto inesperado de carinho para, depois, testar seu novo presente, fascinada.

– Que bom que gostou.

– Adorei! – comemorou, guardando cuidadosamente a pequena esfera de vidro – E você? Não vai abrir o seu?

– Ah, sim. Vejamos...o que será?!....Erm....meias e...cueca?! – o Nara não conseguiu segurar o espanto, mas logo tentou disfarçar – Ah...muito útil! Justamente o que eu estava precisando. Arigatou. – sorriu, encantando pelo sorriso limpo e aberto que a loira lhe dava, feliz por ter “acertado” na escolha do presente – Mas...não posso deixar de te perguntar uma coisa, Temari...

– O quê?

– Como você descobriu o tamanho das minhas meias e cuecas? – olhou desconfiado.

– Ah, eu... – a Sabaku sentiu suas bochechas serem tomadas por uma onda de calor ao se dar conta da situação em que tinha se metido; por fim, decidiu que o melhor, e menos constrangedor, seria contar a verdade – Foi a sua mãe...ela me contou. Eu estava em dúvida sobre qual presente dar pra você, daí perguntei para ela, que é a pessoa que mais bem te conhece, né....daí ela me sugeriu isso. Disse que você estava precisando, que seria muito útil e...

– Hahahaha... – não conseguindo se conter, riu baixinho; bem típico da dona Yoshino sugerir roupas de baixo como presente.

– Posso saber por que o senhor está rindo?! – Temari cruzou os braços, aborrecida; sua vontade era de socar o Nara e mandá-lo ladeira abaixo como tinha feito com o cigarro do mesmo, minutos atrás. Porém, sem saber a razão, sentiu seus olhos marejarem e se segurava para não chorar.

– Arigatou! – o Nara abriu um enorme sorriso, cheio de ternura no olhar, enquanto Temari o encarava, confusa – Obrigada por me dar o melhor presente que eu poderia ganhar.

– Meias e cuecas?! – indagou, incrédula; roupas de baixo podiam até ser úteis e necessárias, mas nem de longe poderiam ser considerados como “melhor presente”.

– Você. – respondeu, se aproximando dela.

– ....??? – ainda não tinha entendido, ou ao menos tentava fingir que não tinha entendido; as palavras fugiram de sua boca ao ver o Nara sorrindo tão ternamente, raras foram as vezes em que o viu assim.

– Você, você ter vindo, você estar aqui comigo, agora, e em todos os momentos, sempre... – tocou-lhe a face, afastando uma mecha do cabelo dourado para vislumbrar suas amadas esmeraldas – O presente perfeito. Arigatou...

– Shika-... – foi calada pelo calor dos lábios do moreno, que a envolveu em seus braços.

Noite de natal. Neve. Um grande pinheiro; e, abaixo dele, um homem e uma mulher que agora, juntos, abriam o melhor presente que a vida pode nos dar: “O Amor”.


"O que há de mais precioso,

é justamente o que não pode ser comprado".

~*Feliz Natal*~


Notas finais
[1] Zabuton: almofada para sentar tradicional japonesa, usada no cotidiano com diferentes fins, como assento para alimentar-se, assistir TV, leitura etc.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!