O Preço da liberdade livro 2
31 O Fruto do Inverno
O som das rodas da carruagem contra o cascalho do pátio era como o tiquelar de um relógio marcando o fim de uma era. Lucca estava sentado no banco de couro, os olhos fixos no horizonte, recusando-se a olhar para trás.
— PARE! LUCCA, POR FAVOR, PARE! — O grito de Diana rasgou o ar frio da manhã. Ela corria atrás do veículo, tropeçando na barra do vestido de seda, os cabelos desgrenhados ao vento.
O cocheiro hesitou, olhando pelo pequeno visor. — Senhor, a Princesa... ela está correndo atrás de nós. Devo parar?
Lucca fechou os punhos com tanta força que as juntas ficaram brancas. O medo de ser ferido novamente era uma muralha mais alta que as torres de Aethelgard.
— Continue — ele ordenou, a voz gélida e desprovida de emoção. — Não pare por nada. Siga para o Norte.
Diana caiu de joelhos no chão, vendo a carruagem desaparecer na névoa da estrada. Ela estendeu a mão para o vazio, um soluço seco escapando de sua garganta. Ele se fora. Ele finalmente a deixara no silêncio que ela mesma cultivara por dez anos.
O Colapso
Horas depois, Mellyssa encontrou a filha trancada em seus aposentos. O quarto estava na penumbra. Diana não gritava, não quebrava nada. Estava sentada no chão, encostada na cama, com o olhar perdido. Quando tentou se levantar para falar com a mãe, sua visão escureceu.
— Diana! — Mellyssa gritou, correndo para segurá-la antes que atingisse o mármore.
O palácio entrou em estado de alerta. O Rei Adrian mandou buscar os melhores médicos do reino. Diana estava pálida, com febre e uma fraqueza que não condizia com sua natureza forte.
A Revelação
O Médico Real saiu dos aposentos de Diana após o que pareceu uma eternidade. Adrian e Mellyssa esperavam no corredor, a angústia estampada em seus rostos.
— Como ela está? — Adrian perguntou, a voz rouca.
— A Princesa sofreu um colapso devido ao estresse extremo e à falta de alimentação — explicou o médico, limpando as mãos. — No entanto, há algo que Vossas Majestades precisam saber. O mal-estar não é apenas emocional.
Mellyssa levou a mão ao peito. — O que quer dizer?
— A Princesa Diana está grávida. Pelos meus cálculos, há três meses.
O silêncio que se seguiu foi devastador. Adrian olhou para a esposa, e ambos souberam instantaneamente. Três meses. A conta batia exatamente com a noite em que Diana invadira o quarto de Lucca após o incidente com a Condessa de Valença. A noite em que o ódio se transformara em entrega absoluta.
Enquanto Lucca cavalgava para longe, tentando esquecer o cheiro de Diana, dentro dela, um pequeno coração começava a bater. O último laço entre os Kane e os Lâfrer não era mais um contrato, uma mentira ou uma dívida de sangue. Era uma vida.
— Ele precisa saber — sussurrou Mellyssa, as lágrimas escorrendo.
— Não — Adrian respondeu, olhando para a porta do quarto da filha. — Se ele voltar, não será por dever ou por uma criança. Ele tem que voltar por ela. Mas agora... agora a guerra mudou de face.
Dentro do quarto, Diana acordou e tocou o próprio ventre, ainda sem saber da notícia, sentindo apenas um vazio imenso onde Lucca deveria estar, sem imaginar que ele tinha deixado nela a única coisa que ela jamais poderia queimar ou expulsar.
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