O Preço da Volta

30 Capítulo 30 - Verdadeiro lar...


Notas iniciais
Dia de capítulo!! Desculpem-me qualquer erro e boa leitura. =D

Quando Quinn abriu os olhos após a sedação que durou algumas horas, ela não sentiu-se mais incomodada com a sonda que estava introduzida dentro de si, pois não havia mais nenhuma. Os verdes com leves resquícios de dourados focaram a figura baixinha que falava com o doutor de meia-idade.

— O procedimento foi um sucesso. — A voz do homem soou em seus ouvidos e Quinn piscou vagarosamente, sentindo-se um pouco lenta por conta dos sedativos usados.

A loira passou a língua pelos lábios levemente ressecados e sentiu o calor da mão de Rachel segurando a sua, apertando levemente.

— Está com sede? — A morena indagou amorosamente.

Quinn apenas assentiu e grunhiu baixo quando engoliu a saliva, sentindo a garganta seca. Rachel cuidadosamente segurou o copo plástico, enchendo-o com água e pondo o canudo dentro do recipiente. A baixinha aproximou o copo do rosto da namorada e a loira não perdeu tempo em sugar o líquido para dentro da sua boca.

— Vá com calma. — O doutor advertiu. — Não tome muito rápido, pode fazer mal para a bile. Ela ainda está adaptando-se com a falta da sonda levando os nutrientes pra ela.

Quinn não respondeu, apenas diminuiu a velocidade e passou a beber o líquido vagarosamente. Quando sua sede fora saciada, Rachel depositou o objeto sobre a mesinha ao lado da cama e beijou a testa da namorada demoradamente, sorrindo para a loira, que retribuiu.

— Quando eu vou poder ir pra casa? — A voz saiu levemente rouca e ansiosa.

— Vamos mantê-la aqui em observação e amanhã mesmo se estiver tudo em ordem, os papéis da alta já serão providenciados. — Sorriu gentil.

Quinn apenas soltou um barulho baixo de descontentamento em ter de esperar mais vinte e quatro horas naquele quarto e Rachel soltou uma risada, agradecendo o doutor educadamente e vendo-o manear a cabeça levemente antes de retirar-se do local.

— Você poderia me ajudar, sabia? — A loira proferiu com a expressão encabulada.

— Ajudar em quê? — Rachel arqueou as sobrancelhas.

— Me ajudar a sair daqui. — Respondeu passando a mão nos cabelos. — Você poderia me sequestrar fingindo ser médica ou algo parecido. Eu não aguento ficar aqui. — Finalizou suspirando.

Um mês havia se passado desde o dia que Quinn fora transferida para o quarto e a cor das paredes sem vida juntamente com o cheiro superficial do hospital deixavam-na desconfortável quase o tempo inteiro. A loira mal podia esperar para ver a luz do sol e aspirar ares naturais.

Rachel soltou uma risada extremamente alta e negou com a cabeça enquanto tentava cessar o riso, sentando na beirada da cama.

— Você acha mesmo que não seríamos pegas? — Indagou marota.

— Bom...eu com certeza seria, mas você não. Acho que ninguém enxergaria você devido ao seu tamanho. — Riu de forma contida.

— Isso não tem graça, sua idiota. — Ralhou.

— Tem sim. — Puxou a baixinha para deitar ao seu lado.

— Eu não sou pequena demais. — Rachel retrucou.

— Sim, você é. — Retorquiu, beijando-lhe o topo da cabeça. — Muito pequena, e eu poderia guardar você no meu bolso. — Sorriu. — Mas também é muito durona e eu morro de medo de você. — Finalizou.

— É bom saber o quanto você tem medo de mim. — Ergueu-se, encarando os olhos da namorada. — Assim eu posso sempre fazer você sentir mais. — Sussurrou, capturando os lábios finos em um beijo lento.

A mão pálida segurou o rosto de Rachel firmemente, enquanto beijava-lhe vagarosamente, apreciando o gosto dos lábios fartos. Era calmo e possuía sempre a intensidade que fazia seus corpos esquentarem. Quando a língua afoita da loira escorregou para dentro da boca de Rachel, ambas gemeram em êxtase. Parecia fazer uma eternidade que um beijo dessa forma não era compartilhado, e quando o ventre da morena contraiu-se e o calor aumentou, a baixinha interrompeu o contato bruscamente.

Quinn abriu os olhos ainda um pouco atordoada, com a respiração ofegante e sentindo os lábios formigarem, observando a namorada, que possuía a mesma aparência.

— Oh, Deus. — Rachel suspirou longamente.

— O que foi? — A loira indagou confusa.

— Eu... — Afundou o rosto no pescoço pálido. — Estou excitada. — A voz saiu abafada, mas Quinn ouviu perfeitamente.

— Você está com vergonha? — Questionou carinhosa. Rachel não respondeu e isso foi a confirmação que a loira precisava, rindo em seguida.

— Pare de rir! — Ralhou ainda com a cabeça no mesmo lugar.

— Rach, sou eu. Não há motivo algum para ficar envergonhada. — Passou a mão lentamente nas costas da namorada.

— Estamos em um hospital, Quinnie. — Retirou o rosto do local quente, encarando a face alva. — Em um hospital. Ninguém fica excitado em um hospital.

— Então estamos no mesmo barco. — Apontou com a cabeça para o meio de suas pernas.

A morena enganchou os dedos no tecido do lençol e o ergueu, olhando o volume do início da ereção da namorada. Rachel grunhiu, sentindo o corpo esquentar novamente enquanto observava e imaginava a mais alta sem roupas.

Novamente pôs o rosto na curva do pescoço da namorada, respirando profundamente.

— Malditos hormônios. — Murmurou chorosa.

Quinn soltou uma risadinha e passou a afagar as costas de Rachel, pensando em coisas repugnantes para se livrar da semi-ereção.

...

A morena finalizou o laço no par de tênis e ergueu-se, retirando a escova de cabelo da bolsa e passando-a nos fios loiros.

— Rach... — Quinn choramingou, tentando segurar o pulso da namorada. — Pare de pentear. — Pediu.

— Seu cabelo está todo bagunçado. — Retorquiu, acertando uma tapa leve na sua mão. — Fique quieta e não me faça falar duas vezes.

A loira soltou os braços ao lado do corpo resignada e ficou quieta, sentindo a maciez da escova contra seu couro cabeludo. Rachel sorriu enquanto penteava calmamente as madeixas curtas.

— Pronto. — Segurou o rosto de Quinn entre as mãos, dando-lhe um selinho. — Já está pronta pra voltar para casa. — Sorriu.

A atenção da loira fora direcionada para a porta sendo aberta e Frannie adentrou sorridente no local, acompanhada do médico e Puck apareceu logo atrás, empurrando uma cadeira de rodas.

— O papel da alta foi assinado e agora você está livre do hospital. Mas terá de voltar para os exames. — O homem sorriu para Quinn. — Não esqueça de trocar o curativo onde a incisão para a introdução da sonda fora feita e evite fazer esforço ao máximo até a nossa próxima consulta daqui a duas semanas. Alimentos apenas pastosos e a receita dos remédios que terá de tomar já foi entregue para Frannie. — Explicou calmamente.

— Tudo bem. — Quinn retribuiu o sorriso. — Obrigada por tudo, doutor. — Agradeceu gentilmente.

O homem de meia-idade passou mais algumas recomendações, todas ouvidas atentamente por Rachel, que guardava cada palavra na sua cabeça. Quando ele finalizou, Puck aproximou-se com a cadeira enquanto sorria.

— Vamos lá, Super-Q. — Pôs o braço direito sob as pernas da amiga e o esquerdo foi para a base das costas, erguendo-a em seguida.

— Você sabe que não precisa disso, não sabe? Eu já posso andar. — Sorriu.

— Você acabou de ter alta. Todo cuidado é pouco. — Retorquiu, pondo a loira sentada na cadeira.

— Pronta pra ir? — Frannie questionou sorrindo.

— Mais do que pronta. — Assentiu.

— Então vamos. — A Fabray mais velha segurou a pequena mala com os pertences de Rachel.

A baixinha beijou o topo da cabeça de Quinn e passou a empurrar a cadeira para fora do quarto.

— Eu espero que não tenha nenhum fotógrafo escondido por aqui. — Frannie comentou já do lado de fora do hospital. — Tentamos colocar tudo em sigilo, mas essa cidade é pequena. Recebi alguns telefonemas de jornalistas sobre Lucy ter saído em uma ambulância da empresa dos Berry no dia que sucedeu a tragédia, mas não informei algo, assim como dei ordens juntamente com Hiram e Leroy para ninguém comentar, entretanto, sabe como as pessoas são.

— Você acha que pode ter algum escondido? — Rachel indagou curiosa.

— Eu não ficaria surpresa se houvesse. Eles são como urubus e os Fabray realmente são conhecidos. Houve apenas rumores em alguns jornais, mas nada fora compartilhado. Todavia, o sumiço de Judy e Finn vai começar a provocar algumas suposições. — Finalizou.

— Você teve alguma notícia deles? — Quinn indagou.

— Não. — A mais velha negou com a cabeça. — O apartamento que dei à Judy foi vendido duas semanas depois e eu não faço a mínima ideia de para onde eles possam ter ido. Contanto que não apareçam, eu não me importo. — Suspirou.

Rachel apenas assentiu, ainda empurrando a cadeira de rodas. O caminho até o estacionamento foi tranquilo, todavia, ao chegar no local, o barulho de fotos sendo tiradas ecoou pelo local.

— Minhas suspeitas estavam certas. — Virou o rosto, observando o rapaz jovem e esguio fotografando incessantemente.

— Quer que eu vá até ele? — Puck indagou.

— Não precisa. Isso só daria mais problemas. — Frannie suspirou, fisgando o alarme do carro do bolso da calça jeans e destravando o veículo.

Demorou alguns minutos até que Puck colocasse Quinn acomodada no banco de trás e desarmasse a cadeira, guardando-a no porta-malas. O barulho do disparo da câmera não desapareceu até que todos estivessem dentro do automóvel. A Fabray mais velha conduziu o veículo para fora do estacionamento e tomou o caminho até a mansão.

...

Quando Quinn finalizou a série de reclamações por Puck novamente ter pego-a para subir os degraus até a entrada, ela fora depositada na cadeira e a porta de madeira fora aberta.

Demorou cerca de dez segundos para Quinn observar as amigas vindo da sala de estar e Brittany ajoelhar-se ao seu lado, abraçando-a com cuidado. A loirinha plantou um beijo estalado na sua bochecha e Quinn não pôde segurar o sorriso.

Santana repetiu o processo e abaixou-se ao lado da cadeira de rodas, bagunçando os cabelos curtos e beijando-lhe o rosto. A latina não fez questão de omitir o sorriso. Ela realmente estava feliz em ver a amiga novamente em casa e recuperando-se aos poucos.

Shelby apareceu logo depois e saudou a nora com um abraço carinhoso, mostrando o afeto que sentia por Quinn.

Não tardou para que Cassandra logo chegasse na mansão com a filha e Quinn fora novamente abraçada e recebida com palavras carinhosas da cunhada. A loira sentia o coração cheio por ver como realmente fazia falta, e esse sentimento expandiu-se quando Kate veio correndo em sua direção, parando ao lado de sua cadeira.

Ela inclinou-se levemente e ergueu a pequenina em seus braços, pondo-a sentada de lado sobre suas coxas. Kate não perdeu tempo e beijou as bochechas da tia e a pontinha do nariz, fazendo o coração desta aquecer dentro do peito.

A menor retirou a mochila das costas e a pôs sobre o colo, abrindo-a e retirando uma folha de papel retangular branca.

— Olha, tia Lucy! Eu que fiz! — Entregou-lhe o objeto. — Essa sou eu e essa é a senhora. — Apontou para os dois desenhos.

Era mais do que nítido quem era quem no desenho. A diferença de altura era gritante. As mãos, que na verdade eram duas linhas, estavam conectadas e os cabelos, representados como linhas cursivas acima da cabeça redonda, eram amarelos.

Quinn passou um bom tempo admirando o desenho. Era tudo muito colorido e a loira achou a coisa mais esplendorosa do mundo. Sua mente divagou em pensamentos. Será que seus filhos também iriam fazer desenhos assim? Quinn com certeza iria passar horas colorindo livros infantis com eles e gostaria de sentir mais vezes o que estava sentindo agora.

O peito aquecido de amor e a sensação de ser amada não só pela namorada e pelos amigos, como também ter o amor de sua irmã mais velha, de sua sobrinha de quatro anos, de sua sogra que a tratava como uma filha.

Quinn definitivamente havia voltado para o seu verdadeiro lar. Ela sentia agora que ali era sua casa. Onde poderia criar seus filhos e no futuro seriam seus netos que habitariam aquela residência.

— É maravilhoso, Kate. — Quinn sorriu com os olhos marejados. — Obrigada, minha princesinha. — Beijou-lhe a testa demoradamente.

— Eu te amo, tia Lucy. — Sorriu, mostrand os dentes, onde faltavam alguns.

— Eu amo você, Kate. — Beijou-lhe o topo da cabeça, engolindo a vontade de chorar.

...

Quinn sentiu suas costas se chocarem contra o colchão da cama de casal e suspirou em contentamento. Deus! Não sabia que estava com tanta saudade daquela maciez contra seu corpo. A loira poderia viver naquela cama e ela tinha certeza que já havia dito tal coisa quando deitou-se ali pela primeira vez ao chegar na mansão.

— Obrigada, Puck. — Sorriu para o amigo, que retribuiu e retirou-se do local.

— A banheira vai estar pronta em um minuto. — Rachel saiu do banheiro.

— Eu não quero sair daqui. — Grunhiu baixinho.

— Eu sei que não, meu amor. — A morena retirou o par de sapatos, aproximando-se da cama e desatando o laço dos tênis de Quinn, retirando-os calmamente dos seus pés. — Mas é necessário. Não haverá esforço. Eu darei banho em você.

— Eu gostei dessa parte. — A loira sorriu marota.

— Para com isso. — Rachel riu enquanto movia as mãos para o cós da calça de Quinn, abrindo o botão e descendo o zíper.

A loira prendeu a respiração quando os dedos de Rachel rasparam em seu membro através da cueca. Seu corpo formigou levemente e ela xingou-me mentalmente por reagir dessa forma diante de um toque tão mínimo da morena. A calça fora descartada e Rachel passou a desabotoar a blusa xadrez da namorada.

— Sabe, é muito deselegante tirar a roupa de uma pessoa sem nem ao menos um encontro antes. — Comentou.

Rachel novamente não segurou a risada, terminando o processo e ajudando a namorada a retirar a peça de roupa.

— Você vai encontrar o céu depois dessa noite, meu amor. — Entrou na brincadeira, piscando o olho.

Quinn e levou as próprias mãos para o fecho do sutiã, retirando-o de seu corpo e deitando-se na cama novamente.

Rachel passou os olhos castanhos pelo corpo da namorada e sentiu o ventre formigar. A Fabray definitivamente era a pessoa mais bela que Rachel já havia conhecido. Tudo exalava beleza. Os cabelos dourados, os olhos verdes, a pele pálida e macia. O corpo ainda estava modificando-se devido à idade, e a morena tinha total certeza de que quando a namorada atingisse a fase adulta e adquirisse mais massa muscular, ela se tornaria sua perdição. Mais do que já era.

A baixinha suspirou profundamente e observou o meio das pernas da loira. O tecido branco levemente justo marcava-lhe bem o contorno do pênis, e Rachel ergueu os olhos com muito custo para não molhar sua calcinha. Aquele não era o momento.

— Eu vou...ver a...banheira. — Proferiu pausadamente, saindo quase correndo para dentro do banheiro.

O líquido estava quase na borda e a morena logo desligou as torneiras que enchiam-na com água quente e fria, criando uma temperatura ideal.

Ela migrou para frente do espelho e só assim se deu conta de como sua respiração estava ofegante. Abriu a torneira da pia, molhando rosto com a água e respirando fundo antes de encarar-se por alguns segundos.

Apertou as pernas uma contra a outra e praguejou baixinho quando sentiu a calcinha molhada. Tarde demais.

— Malditos hormônios.

Notas finais
Quinn voltou pra casa, finalmente! Comentem, favoritem, digam-me suas opiniões. Bom final de semana. =D twitter.com/yasagron