O Preço da Volta
20 Capítulo 20 - A Princesa e o Sapo...
Notas iniciais
— Eu ainda não acredito. — Cassandra acomodou-se na cama de casal. — Não acredito que ela teve a coragem de dizer que olhar não faz mal. — Bufou, levando a colher de sorvete até a boca.
— Nem me fale. — Rachel suspirou. — Aquela oferecida ainda pôs a mão da Quinnie naqueles peitos. — A mão pequena segurou o controle da TV, mudando de canal.
— Eu deveria ter ido com você. — Brittany pôs algumas pipocas na boca. — Mataríamos ela e esconderíamos o corpo. E eu bateria mais ainda em Santana.
— Às vezes eu tenho medo. — A loira mais velha suspirou. — Somos casadas há cinco anos e namoramos há dez. E se ela ficar cansada de mim? Digo...depois que fizemos a inseminação e eu tive Kate, talvez meu corpo não a agrade mais.
— Você não pode estar falando sério. — Brittany sentou-se de frente para Cassandra. — Você é maravilhosa e eu mataria para ter o seu corpo depois do meu primeiro filho.
— Britt tem razão. Além do mais, os olhos de Frannie brilham sempre que olham pra você. — Rachel assegurou.
— Eu quase não consegui expulsá-la do quarto, mas a frase que ela disse não desce pela minha garganta. — Cruzou os braços.
— Eu também. — Brittany deitou-se na cama. — A expressão da Sant quase me fez ceder.
— Comigo não foi diferente. — Rachel segurou o pote de sorvete. — Mas elas precisam saber que haverão consequências pelos seus erros.
Cassandra e Brittany assentiram convictas, antes de acomodarem-se ao lado da morena.
...
— Então ela te deu uns tapas? — Puck segurava o riso ao máximo, observando a expressão da latina.
— Sim, e ainda está doendo. — Santana contorceu o rosto em uma careta.
A latina adentrou o quarto prendendo a respiração e deparou-se com Brittany sentada na cama com as costas apoiadas contra a cabeceira.
— Britt... — Chamou tentando manter a voz firme.
— Olá, Santana. — Forçou um sorriso, levantando-se. — Como foi na empresa? Admirou muitos decotes? Aposto que sim. — Cruzou os braços, aproximando-se cada vez mais.
— Britt, eu... — A fala foi cortada quando a loirinha levantou o dedo em sinal de silêncio.
— Sou eu quem vou falar. — Respirou fundo, descruzando os braços. — Você... — A mão alva acertou em cheio o braço da menor. — É... — Outro tapa. — Uma... — Mais um. — Idiota... — Brittany não parava um segundo, fazendo Santana recuar o máximo que conseguia.
— Britt, para com isso. — A latina enfim conseguiu segurar os pulsos da maior, que respirava ofegante. — Me desculpe, eu não queria ter olhado, mas foi algo do momento, como a Q falou.
— Não interessa, Santana! — Brittany puxou as mãos. — Já que você gosta de olhar decotes, vai ficar sem olhar o meu por tempo indeterminado.
— O que você quer dizer com isso? — A menor arregalou os olhos.
— Que não iremos transar por algum tempo. — Dirigiu-se até a porta. — E você irá dormir em outro lugar. — Pôs a mão na maçaneta. — E sem argumentação. — Completou quando a latina iria abrir a boca, saindo do quarto em seguida.
Quinn, Puck e Frannie riam enquanto ouviam a latina finalizar a história. Brittany realmente sabia ser dura quando necessário.
— Meus braços ainda estão ardendo. — Grunhiu, caindo de bruços na cama.
— E você? — Quinn manifestou-se após cessar o riso, olhando para a irmã. — Como foi com Cassandra?
Frannie contorceu o rosto em desgosto ao lembrar do ocorrido.
A loira adentrou o quarto e seus olhos logo observaram a figura alta de longos cabelos claros e ondulados em pé, virada para a enorme janela, enquanto observava a paisagem.
Frannie depositou a pasta de couro em cima da cama e Cassandra logo virou-se. Os olhos verde-escuros duros de raiva.
— Olhar não faz mal, Francine? — Praticamente rosnou, aproximando-se.
— Meu amor... — Frannie recuou instintivamente. — Eu sei que não há nada que eu possa dizer, mas eu quero que você saiba que eu sinto muito por ter dito aquilo. Não era verdade.
— Eu fico feliz que você saiba que nada do que diga vai adiantar. — Passou as mãos pelos cabelos. — Droga! Eu quero tanto matar você agora.
— Isso faz parte do casamento, sabe? — Tentou descontrair. — A gente quer matar mas amamos demais pra isso.
— Eu amo, mas eu poderia matar você mesmo assim. — Cruzou os braços.
— Eu sinto muito. — Frannie aproximou-se.
— Você deve sentir mesmo. Principalmente se eu começar a analisar a anatomia humana assim como você.
— Do que está falando? — Cerrou os olhos.
— Olhar não faz. Pois bem, eu olharei em dobro. — Alfinetou, observando os olhos azuis dilatarem.
— Você não vai fazer isso! — Apontou o dedo na face da esposa.
— E se eu fizer? — Bateu na mão de Frannie. — Você não pode me impedir.
— Posso sim. — Os braços alvos rodearam a cintura fina de Cassandra, colando seu corpo no dela.
— Pare com isso. — Pôs as mãos nos ombros da menor, enquanto suspirava.
— Eu sinto muito, tudo bem? Mas eu amo você, amo muito, muito muito. — Aproximou o rosto, roçando os lábios nos da esposa.
Cassandra fechou os olhos e respirou fundo. Seu cérebro gritava para afastar-se. O coração pedia o contrário, todavia, seu orgulho concordava com o lado racional.
As mãos apertaram os ombros cobertos pela blusa social azul e Cassandra afastou-se com a respiração errática.
— Não, não, não. — Maneou a cabeça, tentando recobrar a sanidade. — Você está de castigo. — Proferiu.
— Castigo? — Frannie tentou aproximar-se, mas Cassandra recuou.
— Sim, sem beijos, abraços, e principalmente, sem sexo. — Pontuou nos dedos. — E você dormirá em outro lugar.
— Cassie, não faça isso. — Pediu com a expressão triste. — Eu já falei que sinto muito.
— Eu sei que você sente muito, Francine. — Caminhou até a porta. — E eu farei você sentir muito mais. — Abriu a mesma, saindo em seguida.
— Pelo menos você não levou alguns tapas. — A latina consolou.
— Mas ela é a mais ferrada de nós. — Quinn retrucou.
— Maldita frase. — Bateu as mãos no colchão. — Por que eu tive de falar aquilo?
— Porque estava hipnotizada pelo decote. — Santana respondeu.
— Droga! — Puck manifestou-se. — Eu deveria ter visto isso. — Suspirou.
— Como faremos para acabar com esse castigo? — Quinn questionou.
— Talvez possamos comprar algo pra elas. — A amiga sugeriu.
— Ou podemos dar alguma joia da nova coleção. — Frannie coçou a nuca.
— Muito simples. — O rapaz maneou a cabeça em negação. — Elas querem algo sentimental e não material.
Quinn e Santana abriram a boca em descrença, fitando o amigo como se ele fosse um ser de outra galáxia.
— Certo. — A latina proferiu pausadamente. — Quem é você e onde está o Puck? — Indagou ainda em choque.
— Eu estou falando sério. — O amigo revirou os olhos.
— Nós também. — Quinn retrucou.
— Prestem atenção no que eu falo. — Levantou-se enquanto gesticulava. — Cassandra deve ter joias demais e Britt e Rach não querem nada que seja material. Elas querem afeto e que vocês provem que estão arrependidas de verdade. Embora eu ache que olhar realmente não faz mal. — Sorriu.
— É, mas elas não acham isso. — Frannie suspirou. — Você está certo, Noah. Temos de ganhá-las com coisas simples e afetuosas.
— Ou podemos simplesmente agarrá-las. Eu sei que Britt não resiste a mim. — A latina sorriu convencida.
— Eu tentei fazer isso mais cedo e Cassandra se afastou. — A Fabray mais velha suspirou sofregamente.
— Isso porque você é mais ferrada aqui. — Santana retrucou.
Frannie grunhiu e jogou-se na cama. Ela realmente estava em apuros.
...
Batidas tímidas atraíram a atenção das três, e logo Rachel levantou-se, indo até a porta e abrindo a mesma, deparando-se com o pequeno ser de cabelos revoltos segurando seu coelho de pelúcia contra o peito.
— Mama? — Kate coçou os olhinhos com as costas da mão direita.
— Minha gatinha, vem cá. — Cassandra estendeu os braços, sendo logo atendida pela filha, que subiu na cama e jogou-se nos braços da mãe. — O que está fazendo acordada à essa hora, hun? — Beijou-lhe a testa.
— Eu tive um pesadelo. — Apertou-se contra o corpo de Cassandra.
— E como era esse pesadelo? — Indagou alisando os cabelos dourados.
— A senhora e a mamãe estavam morando em casas diferentes e não se amavam mais. — Kate fechou os olhinhos com força.
Cassandra sentiu o coração apertar vendo a filha nesse estado. Rachel e Brittany não estavam diferentes.
— Meu amor, eu amo a sua mãe e nós jamais vamos morar em lugares diferentes. Vamos ficar juntas pra sempre. — Beijou o rostinho branco incontáveis vezes.
— Promete, mama? — Ergueu o rosto, fitando os olhos verdes escuros da mãe.
— Prometo, minha princesa. — Pincelou o nariz no da filha.
— Cadê a mamãe, mama? — Voltou a aconchegar-se no corpo de Cassandra.
— Ela...ela teve de ajudar sua tia Lucy e ainda não voltou, meu amor. — Alisou as costinhas cobertas pelo pijama rosa.
— Chama ela, mama. Eu quero que ela me conte uma história. — Pediu manhosa.
— Eu posso contar, minha gatinha. — Retrucou amorosa.
— Mas eu quero a mamãe aqui com a gente, mama. — Ergueu novamente o rosto. — Por favor.
Cassandra olhou para Rachel e Brittany com o rosto suplicante.
— Vá chamar ela. Esqueça isso por hoje. — Brittany aconselhou e Rachel assentiu.
— Nós vamos para o meu quarto para dar privacidade. — A morena aproximou-se, beijando a cabeça de Kate. — Boa noite, minha linda.
— Boa noite, tia Rach. — Kate murmurou.
— Boa noite e obrigada. — A mais velha sorriu.
Brittany sorriu e repetiu o gesto, desejando boa noite e retirou-se do quarto de Cassandra com Rachel.
A mais velha deitou a filha na cama e cobriu-a com a grossa coberta.
— Vou chamar sua mãe. Me espere aqui, tudo bem? — Beijou-lhe a testa.
— Tudo bem, mama. — A filha apertou o animal de pelúcia contra seu peito.
Cassandra levantou-se e vestiu o robe cinza sobre a camisola da mesma cor, saindo do quarto em seguida.
Suaves batidas na porta do quarto de hóspedes foram dadas e segundos depois a mesma fora aberta por Santana, que arregalou os olhos ao ver a mais velha parada na sua frente.
— É pra você. — A latina virou, encarando Frannie, que repousava a cabeça no colo de Quinn.
A Fabray mais velha quase pulou da cama quando observou a esposa e logo caminhou até a porta.
— Será que ela veio aqui só pra matar sua irmã? — Santana sussurrou para Quinn.
— Não. — A amiga revirou os olhos. — Ela teria feito isso mais cedo. Não teria testemunhas. — Sussurrou de volta.
— Oi. — Frannie sorriu nervosa.
— Kate teve um pesadelo e quer que que você conte uma história pra ela. — A maior foi direta.
— Claro. — Assentiu freneticamente, saindo do quarto com a esposa. — O que houve nesse pesadelo?
— Ela sonhou que nós estávamos separadas e não nos amávamos mais. — Respondeu enquanto andava mais à frente. — Acho que ela notou o clima diferente e isso não a fez bem.
Frannie fechou os olhos e suspirou, amaldiçoando-se por ter culpa do pesadelo da filha.
— Ei! — Puxou o braço da esposa delicadamente, virando-a para si. — Eu sinto muito. Jamais queria que isso acontecesse. Eu amo vocês mais do que tudo no mundo. — Alisou o rosto de Cassandra delicadamente.
— O problema não é esse, Frannie. — Suspirou. — Eu não consigo esquecer a frase que você disse. Como se olhar para outras mulheres fosse normal e não faria mal. — Pôs a mão sobre a da esposa. — Vamos esquecer isso por hoje. Kate precisa de nós. — Beijou a bochecha da menor.
Frannie assentiu com a expressão triste e Cassandra virou-se, abrindo a porta do quarto e adentrando junto com a esposa.
— Mamãe. — Kate chamou assim que pousou os olhos em Frannie.
— Oi, meu amor. — Aproximou-se, deitando sob as cobertas ao lado da filha.
— Eu tive um pesadelo, mamãe. — A pequena aninhou-se no corpo da mais velha. — A senhora e a mama não se amavam mais. — Apertou a blusa de Frannie com a mãozinha.
— Isso não vai acontecer, minha florzinha. Nós nunca vamos deixar de nos amar. — Beijou a testa de Kate demoradamente.
— Me conta uma história, mamãe. — Pediu manhosa, sentindo Cassandra deitar do seu outro lado e abraçar-lhe.
— Uma história, hun? — Fingiu pensar. — Já ouviu sobre A Princesa e o Sapo? — Indagou, vendo a filha manear a cabeça em negação. — Pois bem, irei contar.
— A Princesa e o Sapo? — Cassandra soltou uma risadinha. — Seja mais criativa.
— Cale a boca. — Ralhou em tom de brincadeira. — Você vai gostar. Aproveite.
— Certo, certo. — Aconchegou-se no corpo da filha. Ambas prestando atenção em Frannie.
— Era uma vez uma princesa que sonhava em ter seu amor verdadeiro. Seu pai vivia tentando fazê-la casar e todos os príncipes desejavam isso, afinal ela era uma princesa linda, de pele um pouco dourada e longos cabelos loiros ondulados, sem contar os olhos verde-escuros formidáveis. — Alisava os cabelos da filha enquanto contava.
— Ela parece com a mama. — Kate murmurou.
— Ela realmente parece com a mama. — Assentiu, sorrindo para Cassandra, que retribuiu enquanto passava os dedos pelo rosto de Kate suavemente. — Mas nenhum príncipe despertava o amor dentro dela. A princesa desejava encontrar alguém que a amasse por dentro e não somente pela sua beleza angelical. Todas as suas amigas viviam dizendo que era besteira e que ela deveria se casar com o príncipe mais bonito do reino, mas ela não queria. Não era o certo. — Frannie contava calmamente, enquanto observava os olhinhos azuis da filha começarem a pesar devido ao sono. — Então um dia ela estava andando pelo jardim do castelo e avistou um sapo formoso sentado tranquilamente em um tronco de uma árvore e sentou-se ao seu lado. O sapo não fugiu, pelo contrário, ele ficou encarando-a intensamente. Então a princesa começou a dialogar com o sapo bonitão. — Frannie parou de contar ao ouvir a risada abafada pela mão de Cassandra.
— Sapo bonitão? — Segurava o riso.
— Um sapo muito bonitão. Agora me deixe terminar. — Revirou os olhos.
— É, mama. Deixa a mamãe terminar. — Kate pediu.
— Tudo bem. Não está mais aqui quem falou. Continue. — Pediu.
— Ela falava e falava e não obtia resposta, já que ele era um sapo, mas a princesa sentia que ele a entendia perfeitamente. E então depois do fim daquela conversa, ela o pegou em suas mãos e agradeceu pela tarde agradável, beijando-o no topo da cabeça. E então aconteceu... — Fez suspense.
— O que aconteceu, mamãe? — Kate perguntou com os olhos brilhando de curiosidade.
— Uma névoa verde rodeou o sapo e em segundos ele transformou-se em uma bela mulher loira de lindos olhos azuis e cabelos dourados. — Sorriu amorosa.
— Como você, mamãe. — A pequena afirmou encantada.
— Sim, como eu, meu amor. — Sorriu novamente. — Quando a princesa olhou nos olhos azuis daquela mulher, ambas se apaixonaram no mesmo segundo e se casaram. E então depois de alguns anos, elas tiveram uma linda princesinha loira de olhos azuis maravilhosos.
— Como eu? — Kate perguntou.
— Como você. — Beijou-lhe a testa. — E então a princesa e o sapo, que na verdade era uma sapa, viveram felizes para sempre com a sua princesinha. — Finalizou.
Cassandra sorria com amor para Frannie, que retribuiu na mesma intensidade.
— Isso foi lindo. — Sussurrou.
— Você é linda. — Sorriu.
— Conta outra, mamãe. — Kate pediu.
— Certo. — Assentiu. — Deixe-me pensar...
...
Frannie finalizou a quarta história e observou a esposa e filha ressonando tranquilamente, como dois anjos. Seus anjos. Sorriu com amor e beijou a testa de Kate, inclinando-se em seguida e beijando a testa da esposa.
— Eu amo vocês. — Sussurrou amorosa. — E nunca vamos nos separar. — Aconchegou-se mais no corpo da pequena, apoiando a cabeça no travesseiro e entregando-se ao sono.
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