O Preço da Volta - 2ª Fase
4 Capítulo 4 - Confusão...
Notas iniciais
O local era iluminado apenas pelas cores dos feixes de tonalidades diversas, mas isso não impediu Quinn de ver o sorriso travesso de Rachel. Isso fez a loira engolir em seco.
Os assovios e elogios por parte dos homens embriagados continuavam e tal ato fazia o ciúme aflorar no corpo das três consideravelmente. Santana fora a primeira a mover suas pernas, caminhando duramente até o palco, todavia, a cena que a latina presenciou fez seus olhos dilatarem em ódio.
Um dos funcionários mais atrevido subiu ao palco e puxou uma das dançarinas pela cintura. Mais precisamente, a dançarina era Brittany.
O corpo da latina agiu automaticamente, ignorando qualquer resquício de sanidade. Tudo a sua volta pareceu desaparecer e ela viu apenas aquele sujeito com as mãos na cintura de sua noiva, que estava surpresa e tentava empurrá-lo pelos ombros.
O homem enfim fora tirado de perto da loirinha, apenas para ter seu rosto socado pelo punho fechado de Santana.
— Voy a matarte! — A latina gritou, literalmente pulando sobre o mais alto e derrubando-o no chão. A sua mão fechou novamente, acertando-o no nariz e antes que ela pudesse continuar a sessão de socos, seu corpo fora bruscamente tirado de cima do homem.
Puck segurava com dificuldade o corpo da amiga. Não pelo peso, mas porque a latina se debatia com muita força em seus braços. Ele levou Santana para a parte traseira do palco e Brittany, ainda chocada, não hesitou em ir atrás.
Os amigos do homem levantaram-no e Quinn pôde ver o filete de sangue escorrendo do canto da boca e do nariz do sujeito. Santana possuía a mão forte, de fato.
Quando a música parou e todas as luzes do local foram ligadas, a surpresa estampada no rosto de todos era digna de algo cômico. Todos conheciam Cassandra July-Fabray e Rachel Berry, mas vê-las naqueles trajes não estava no plano de nenhum deles. O choque foi instantâneo.
O homem que mantinha o copo com gelo sobre a face xingou em um tom baixo. Sua mente, mesmo em um estado de embriaguez, conseguiu processar perfeitamente que, de certo, a outra dançarina era Brittany Pierce.
Seria a única explicação plausível para ter seu rosto dolorido e vertendo sangue.
— Cassie! — Frannie se pronunciou pela primeira vez desde que vira a esposa e logo se aproximou da mais alta.
Os olhos verde-escuros analisaram a mais baixa e o rosto de Cassandra era um enigma. Uma incógnita que ninguém gostaria de desvendar.
— Não me chame de Cassie, Francine. — Cuspiu as palavras.
As mãos da mulher seguraram com força as laterais da camisa de botões aberta sobre a blusa de Frannie e Cassandra puxou-a até estarem perto o suficiente para sentirem o hálito uma da outra.
— Você bebeu, não foi? — Indagou, com a máxima de paciência que ainda restava.
Frannie encarou o rosto da esposa por alguns segundos, antes de descer os olhos para o decote generoso do espartilho preto. As orbes azuis se perderam ali e dilataram gradativamente.
— Eu fiz uma pergunta, Francine! — Cassandra ralhou, sentindo a cobiça da esposa sobre si.
Frannie se limitou a assentir, baixando os olhos até as coxas grossas e torneadas da mais alta cobertas pela meia longa escura e a cinta-liga, voltando logo em seguida para o decote convidativo.
— Vamos conversar em casa. — Decretou, arrastando a mais baixa para sair do palco e sentindo seu ego aumentar por sentir os olhos da esposa queimando em seu corpo.
Rachel ainda permanecia parada, vez ou outra recebendo algum olhar de um dos homens sentados em suas mesas. Quinn trincou a mandíbula e se aproximou da noiva.
— Acho que devemos ir. — A voz saiu carregada de ciúme.
A morena sorriu marota e prendeu o lábio inferior entre os dentes.
— Eu acho que poderia ficar aqui mais um pouco e continuar a minha dança. O que acha? — Indagou pausadamente, estalando a língua no final.
— Eu acho uma péssima ideia. — Quinn negou com a cabeça, sentindo o sangue ferver aos poucos. — Vamos sair daqui. — Segurou no braço da mais baixa.
Rachel esquivou do contato e espalmou as mãos no peito da noiva.
— Eu acho que vou ficar aqui e dançar mais um pouco. — Afastou as mãos do corpo da loira, se movendo para ficar no centro do palco.
Quinn observou todos os pares de olhos sobre Rachel, inclusive Sugar e Mercedes, que bebiam alguma coisa enquanto mantinham a atenção fixa na amiga e na chefe como se houvesse um filme sendo exibido no local.
A loira não esperou nada. Não esperou as outras dançarinas voltarem a dançar ou tampouco a música voltar a tocar. Quinn caminhou até Rachel e segurou-a em seus braços, pondo o corpo pequeno sobre seu ombro.
A morena soltou um grito em surpresa e passou a socar as costas da noiva, que não se importou nem um pouco com os xingamentos da menor.
— Me solta! — Rachel gritava com fúria. — Me solta, sua idiota! — Continuava com os socos. — Imbecil! Mentirosa! — Se debatia, todavia, seu corpo era segurado firmemente pelos braços de Quinn.
A loira adentrou o local onde residiam os camarins das dançarinas e observou todos sentados em silêncio.
Santana repousava uma bolsa de gelo em sua mão ao lado de Puck, enquanto Brittany estava em pé com os braços cruzados à sua frente. Ao contrário da loirinha, Cassandra andava de um lado para o outro. Frannie fazia esforço para se manter acordada. A raiva havia passado e o efeito da bebida voltou com ainda mais força, fazendo seus olhos pesarem consideravelmente.
Quinn depositou Rachel no chão e a baixinha não perdeu tempo em lançar tapas pelos braços da noiva.
— Viram o que vocês fizeram?! — Rachel virou, encarando todos ali. — Isso tudo é culpa de vocês e do imbecil do Puckerman.
— Ei! — Puck exclamou indignado. — Eu não fiz nada. Sou solteiro então não devo satisfações.
— Você como um bom amigo não deveria compactuar com isso. — Brittany bateu a mão na nuca do moreno, que soltou um grunhido e massageou o local.
— Eu como um bom amigo quis aproveitar a despedida de solteira das minhas amigas para ver strippers. Que mal há nisso? — Cruzou os braços.
— Eu só não mato você, Noah, porque eu já tenho quem matar. — Cassandra desviou os olhos para a esposa, que mantinha a cabeça caída no encosto do sofá de dois lugares.
Quinn respirou profundamente e massageou as têmporas. Rachel estava exalando raiva e não havia nada que a loira pudesse fazer para acalmar a noiva. Havia mentido. Sim. De fato. Todavia, não olhou para nenhuma dançarina e o máximo que bebeu foi dois copos de algum drinque especial que o barman fizera.
— Vamos conversar direito em casa. — Quinn observou a morena caminhar até entrar no banheiro do camarim.
Mas o pior de tudo é como faria para Rachel acreditar em si.
...
O caminho de volta fora feito em total silêncio. Cassandra dirigiu sem proferir uma palavra, enquanto Frannie dormia no banco do carona. Sugar estava no banco de trás, no meio, separando Rachel de Quinn a pedido da morena.
No táxi, Puck estava com o mesmo desconforto da ruiva. Entre Santana e Brittany, que também estavam em silêncio, e o rapaz de moicano sentia a tensão dentro do veículo. Mercedes estava no banco do carona, ao lado do taxista. A mulher pensava realmente se sua ideia havia sido boa. No fim das contas, se as amigas não houvessem lhe dando ouvidos, provavelmente entrariam na boate quebrando praticamente tudo. E entre as duas opções, a mais branda foi realmente a sua sugestão.
Após Sugar e Mercedes serem deixadas em seus respectivos lares, os veículos seguiram até a mansão Fabray, e assim que ambos estacionaram, Rachel saiu como um furacão ao lado de Brittany e Cassandra.
Quinn pagou o táxi, e também fora sua responsabilidade levar a irmã para o quarto com a ajuda de Puck. Quando Frannie foi deitada na cama de casal, seus olhos observaram a porta do banheiro fechada e logo supôs que a cunhada estivesse ali. A loira agradeceu por isso.
— Boa sorte. — Sussurrou, beijando a testa da mais velha e saindo do quarto. — Será que você poderia me nocautear para eu não precisar encarar tudo agora? — Indagou ao moreno no corredor de quartos.
Puck soltou uma risada e segurou os ombros da amiga.
— Isso vai durar pra sempre, sabe? Brigas, ciúmes. Mas você consegue. — Piscou o olho. — Já enfrentou essa fera por oito anos. E vocês se amam. Boa sorte. — Sorriu, se afastando e adentrando seu próprio quarto.
Quinn tomou uma longa respiração e adentrou o aposento, logo avistando a noiva trajando apenas roupas íntimas, pronta para entrar no banheiro.
— Podemos conversar? — Foi direta.
Rachel migrou seus olhos até encarar o rosto de Quinn. Não havia raiva nas orbes castanhas como mais cedo. Havia algo beirando a tristeza. Isso fez a loira se sentir pior do que já estava.
— Eu vou tomar banho antes e depois você vai. — Determinou, entrando no banheiro e fechando a porta.
Quinn suspirou e esperou. Esperou a noiva tomar banho, o que demorou quase uma hora. Esperou ela sair do banheiro e em seguida tomou o seu próprio banho, relaxando minimamente ao sentir a água fria contra seu corpo.
Os cabelos foram lavados, os dentes escovados e Quinn vestiu o roupão calmamente, abrindo a porta do banheiro e observando a morena com o secador em mãos.
— Podemos conversar agora? — Perguntou, se aproximando.
Rachel largou o objeto sobre a cama e virou para Quinn, fitando os olhos verdes com intensidade.
— Eu quero saber o porquê. — A morena começou. — Eu achei que não tinha necessidade de uma despedida de solteira. Eu programei um sábado com as minhas amigas porque não me senti bem em ir em uma boate e então descubro que você passou duas horas dentro de um táxi até chegar em Cincinnati apenas para ver mulheres quase nuas. — Passou as mãos pelo rosto. — Eu pareço uma idiota possessiva, mas é assim que eu me sinto. Saber que você desejou ver outros corpos me causa uma sensação horrível, Quinn.
A loira sentiu o coração quebrar com cada palavra proferida por Rachel. Se sentiu o pior tipo de pessoa da face da Terra. E o pior é que Quinn nem havia desejado aquilo. Errara apenas em concordar com tudo.
— Eu não desejo ver outras mulheres, Rach. — Se aproximou, vendo a noiva recuar. Isso a destruiu um pouco mais. — Eu errei. E errei feio, mas eu não olhei pra nenhuma daquelas dançarinas. Eu sei que você não vai acreditar. Eu no seu lugar ficaria em um estado pior e você está coberta de razão em não me dar ouvidos, mas eu quero que saiba que enquanto eu estava lá, eu pensei apenas em você. Santana e eu ficamos no balcão do bar bebendo alguns drinques enquanto comentávamos o quanto nos sentíamos o pior tipo de verme existente e Frannie ficou bêbada porque nunca havia bebido em toda a sua vida e caiu em lágrimas quando uma dançarina tentou dançar pra ela.
Rachel não conseguiu conter o riso que escapou quando Quinn proferiu a última frase e isso fez o coração da loira bater mais rápido. Os olhos castanhos estavam marejados e os verdes não estavam diferentes.
— Se eu pudesse voltar no tempo, eu voltaria. Voltaria e não faria nada disso. Eu teria ido no shopping com vocês e carregaria suas sacolas por todo o caminho. — Andou alguns passos receosa, e dessa vez Rachel não se afastou.
Quinn segurou o rosto da noiva com as duas mãos e encarou as orbes brilhantes pelas lágrimas.
— A despedida de solteira foi uma completa confusão. Um perfeito desastre. E não foi por causa do soco de Santana ou por vocês terem aparecido lá e sim porque eu estava longe de você. E o pior castigo que eu poderia receber hoje é ver você nesse estado. Triste por minha causa. — As lágrimas escorriam pelo rosto pálido. — Eu nunca mais quero ver você assim e essa foi a última vez que eu menti e escondi algo de você. Eu te amo, Rachel. E o único corpo que eu quero ver até morrer é o seu. Espero que me perdoe por hoje.
A morena soluçava baixinho e encarava os olhos verdes em busca de alguma mentira, mas o que ela viu foi apenas sinceridade. A verdade estampada nas lágrimas da noiva.
— Isso é tão clichê. — Rachel murmurou com a voz rouca, rindo em seguida.
Quinn não segurou a gargalhada e envolveu os braços ao redor do corpo da mais baixa, aconchegando-a contra si.
— Eu também te amo. — A morena repousou o rosto no ombro da noiva.
— Eu prometo que nunca mais farei algo parecido. — Quinn sussurrou, beijando a bochecha da judia.
As duas passaram minutos naquele abraço. Sentindo o corpo uma da outra. Quando se separaram, Rachel enxugou as próprias lágrimas e sorriu de lado.
Quinn arqueou as sobrancelhas e antes de questionar alguma coisa, sentiu a namorada empurrá-la vagarosamente até que chegassem na cama. Seu corpo caiu no colchão macio e a judia subiu sobre si.
— O que você está fazendo?
Rachel expandiu o sorriso, migrando sua mão para o interior do roupão da noiva, segurando o pênis flácido e começando a estimulá-lo.
Quinn não pôde evitar o gemido que escapou da sua boca, sentindo a mais baixa fazer movimentos constantes, aumentando a sua excitação gradativamente até que o seu membro estivesse completamente ereto.
— Eu quero que saiba... — Rachel sussurrou, aproximando a boca da orelha da noiva e mordendo o lóbulo da mesma. — Que se isso acontecer novamente, você não vai sentir isso por muito tempo. — Desceu a boca até o pescoço pálido, chupando seu ponto de pulso.
Quinn gemeu mais alto, mal conseguindo se concentrar nas palavras da outra mulher.
— Estamos entendidas, Quinn? — Não parava os movimentos, recebendo apenas um aceno positivo em resposta. — Ótimo! — Sorriu, soltando o pênis da noiva e levantando, fazendo o seu caminho para o closet.
A Fabray piscou algumas vezes, assimilando o que acabara de ocorrer. Ela olhou para o seu membro e para o lugar em que Rachel se dirigiu.
— Você está brincando comigo. — Disse.
A morena pôs a cabeça para fora do closet e riu.
— Espero que se divirta no banheiro, Q. — Piscou o olho.
Quinn grunhiu, afundando a cabeça na cama.
— Você é má.
E a única coisa que ouviu fora a risada de Rachel.
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