O Preço da Volta - 2ª Fase

3 Capítulo 3 - O sabor da vingança...


Notas iniciais
Dia de capítulo! Desculpem-me qualquer erro e boa leitura. =D

Quando Quinn desceu do táxi e observou o estabelecimento com cores escuras e discretas seu rosto se contorceu em uma careta. Os vidros espelhados impediam que alguém enxergasse algo em seu interior e o nome da boate estava escrito em letras da mesma tonalidade neutra, sem chamar atenção, todavia, tornando o lugar ainda mais elegante.

Os olhos verdes fitaram as outras três pessoas ao seu lado. Puck sorria como uma criança em manhã de Natal e Frannie era o oposto. A Fabray mais velha possuía a face formada em uma expressão de preocupação e constantemente olhava para os lados, como se alguém pudesse aparecer de surpresa e flagrá-la. No caso, a pessoa seria Cassandra.

E Santana. A latina era um misto de expressões que Quinn não soube identificar. Algo beirando o arrependimento e ansiedade.

— Acho que não deveríamos ter vindo. — Frannie deu voz ao pensamento da irmã.

— Não me digam que vão recuar no último minuto. Passamos o resto da semana planejando isso. — Puck suspirou.

— É só que... — Quinn começou.

— Estamos com medo. — Frannie cortou a frase da caçula.

A Fabray mais nova assentiu e Santana crispou os lábios, concordando a contragosto.

— Vamos fazer o seguinte: entramos e se vocês ainda quiserem ir embora nós iremos. — O homem de moicano propôs.

— Tudo bem. — Santana falou pela primeira vez. — Vamos lá.

Quinn observou Puck seguir a latina para dentro do local e seus olhos fitaram a irmã ainda parada.

— Está com medo de Cassandra aparecer aqui? — Arqueou as sobrancelhas.

— Eu? Medo? — A mais velha forçou um riso. — Eu não tenho medo da minha esposa. — Passou as mãos pelos cabelos.

Quinn sorriu e observou os trajes da mais alta. Jeans e camiseta com certeza caíram bem no seu corpo. Frannie jamais aparentaria ter vinte e nove anos.

— Vamos lá então, senhora July-Fabray. — Soltou uma risada e caminhou até a entrada do estabelecimento.

Frannie ainda olhou para os lados antes de seguir a mais nova até a porta de vidro.

...

— Tudo bem. Eu estou pensando se eu mato Francine ou a torturo antes e cometo o assassinato depois. — Cassandra jogou a bolsa sobre a cadeira ao seu lado antes de sentar e fitar as amigas.

— Eu estava tendo o mesmo pensamento há pouco mais de dois minutos. — Brittany bufou.

— Ei, o que está acontecendo? — Mercedes chegou ao lado de Sugar e ambas se acomodaram nas outras cadeiras da mesa.

— O que está acontecendo é que enquanto nós estávamos preocupadas em não ter uma despedida de solteira porque não nos sentiríamos bem, aquelas desgraçadas planejaram uma. — Rachel cuspiu as palavras.

— Então isso quer dizer que não vamos mais fazer compras? — Sugar indagou, repousando os braços sobre a mesa.

— Eu juro que quando eu encontrar aquela idiota eu vou xingá-la até a próxima geração. — Cassandra apertou as mãos, ignorando a pergunta da ruiva. — Ela nunca mentiu pra mim, acreditam nisso? Em quase dez anos de casamento. E hoje mal conseguiu olhar no meu rosto. Eu sabia que ela estava escondendo algo.

— E onde elas estão, afinal de contas? — Mercedes perguntou confusa.

— Estão em uma boate em Cincinnati. — Brittany respondeu, fisgando o copo sobre a mesa e bebendo um pouco de água.

— E como vocês sabem disso? — Foi a vez de Sugar questionar.

— Aqui. — Cassandra entregou um papel para ela. — Francine deixou o histórico salvo no laptop. Ela deve achar que sou burra ou que não desconfiaria. — Riu em desdém.

Mercedes levou a mão até a testa. Frannie realmente nunca soube esconder nada. Em anos de trabalho a Fabray jamais conseguiu mentir em alguma situação emergencial. Cabia à Mercedes auxiliá-la sempre que era necessário. Frannie era transparente demais.

— Vamos lá, então. — Rachel levantou, abrindo sua bolsa e retirando algumas notas da carteira.

— Aonde vão? — Mercedes indagou.

— Para Cincinnati. — Cassandra respondeu como se fosse óbvio.

— Não preferem esperar elas chegarem e aí vocês conversam com calma? — A mulher tentou amenizar a situação.

— Mas nós vamos conversar com elas. — Brittany se ergueu da cadeira. — Vamos conversar depois de acabar com elas. — Pôs a bolsa sobre o ombro.

— Vocês vão? — Rachel fitou Sugar e Mercedes.

— Claro! — A ruiva praticamente saltou da cadeira. — Eu não perco isso por nada nesse mundo.

Mercedes apenas assentiu. Alguém teria de ser responsável por tentar acalmar tudo.

...

Quinn ainda estava maravilhada com o luxo do local. Era tudo muito bem estruturado e dividido simetricamente. A parede extensa composta pelo bar com prateleiras de vidro abrigando as bebidas coloridas contrastavam bem com as luzes da boate.

Havia o espaço apenas para mesas e outro com sofás confortáveis de dois lugares para algo mais íntimo. Muitos homens e algumas mulheres estavam ali. Quinn os reconhecia como funcionários da empresa. Todos com sorrisos no rosto e parcialmente embriagados aproveitando as danças eróticas proporcionadas pelas strippers espalhadas no local. Puck era um deles.

A loira estava escorada no balcão do bar, degustando da bebida vermelha levemente adocicada que o barman preparou para ela. A música alta preenchia seus ouvidos e Santana estava ao seu lado. Ambas compartilhavam das mesmas sensações.

— Nós deveríamos estar alegres, não acha? — A latina indagou com a voz um pouco embaraçada.

— E por que não estamos? — Quinn devolveu a pergunta.

— Droga! — Santana afundou o rosto no balcão. — Me sinto uma merda com esse sentimento de culpa. — A voz saiu abafada, mas Quinn entendeu.

— Eu não estou diferente. — Suspirou. — Vamos embora.

— Ei, Lucy! — Frannie apareceu atrás de si com a voz totalmente embriagada. — Isso é tão gostoso. — Riu, sentando do outro lado da irmã. — Me dê outro desse. — Pediu ao rapaz, que assentiu e passou a preparar a bebida.

— Acho que você já bebeu o suficiente. — Quinn aconselhou séria, ao contrário de Santana, que ria da expressão contrariada de Frannie.

— Não, Lucy. — Maneou a cabeça. — Eu nunca bebi, sabia? — Soluçou. — Eu preciso beber mais dessa coisinha aqui. — Sorriu largo, segurando o copo que lhe foi entregado pelo barman e ingerindo o líquido esverdeado.

A latina já gargalhava, observando o semblante leve e descontraído de Frannie. Os cabelos soltos caindo sobre os ombros levemente bagunçados e as bochechas vermelhas.

— Ela parece uma criança que nunca comeu doce. — Santana falou no ouvido de Quinn, que foi obrigada a assentir enquanto ria levemente.

Os olhos de Frannie quase saltaram para fora quando fitaram a stripper vindo na sua direção com um sorriso malicioso. Santana segurou o riso enquanto observava a expressão assustada da mais velha, que tentou levantar, mas as mãos da mulher em seu ombro mantiveram-na no lugar.

A stripper passou a dançar na sua frente sensualmente, fazendo movimentos com os quadris, sempre ameaçando arrancar o espartilho que trajava. Frannie não tirava os olhos da mulher morena à sua frente, todavia, nada ocupava sua mente a não ser a imagem da esposa.

Cassandra possuía uma beleza sem qualquer comparação e seu coração ardeu em ressentimento, fazendo Frannie afastar a mulher quando esta fez menção de sentar em seu colo. A Fabray mais velha começou a chorar, soluçando vez ou outra e isso fez Santana cessar o riso e Quinn segurar a irmã pelos ombros.

— Ei, o que houve? — A loira mais nova indagou preocupada.

— Eu... — Soluço. — Quero... — Respirou profundamente, fungando como uma criança. — Quero a Cassie.

Quinn soltou a respiração em alívio e Santana riu novamente.

— Estamos mesmo na merda.

...

Rachel desceu do carro como um furacão, pronta para adentrar a boate, quando uma mão segurou seu braço.

— Vocês não podem simplesmente entrar lá e sair quebrando tudo. — Mercedes aconselhou.

— E o que devemos fazer então? — Cassandra indagou impaciente.

— Eu tenho uma ideia. — Sorriu, passando seus olhos pelo beco que levava aos fundos do local.

— Isso é melhor que uma novela. — Sugar comentou baixinho para si mesma.

...

— Aí estão vocês! — Puck apareceu, levantando os braços animado. — Isso aqui está demais! — Sorriu maroto, levando a garrafa de cerveja até a boca.

— Nós queremos ir embora. — Quinn comunicou, agora sentada em um dos sofás, mantendo a irmã em seus braços, que chorava e bebia o líquido verde ao mesmo tempo.

— Por quê? As strippers vão fazer uma dança em conjunto no palco. Esqueçam o casamento por um dia. — Revirou os olhos. — O houve com Frannie?

— Eu quero a Cassie! — Exclamou, soluçando novamente e ingerindo mais da bebida, logo sendo retirada de suas mãos pela irmã.

O rapaz estava pronto para responder quando as poucas luzes coloridas apagaram e apenas alguns feixes iluminaram o palco. Homens e mulheres que estavam na boate começaram a gritar animados e todos sentaram.

Quinn e Santana se entreolharam e em seguida desviaram o olhar, fitando qualquer ponto que não fosse o palco que seria coberto por mulheres quase nuas.

— Isso é culpa sua. — Rosnou para a latina. — Eu disse que não era uma boa ideia.

— Me desculpe, está bem? — Foi sincera. — Eu sempre vi aqueles filmes onde há aquelas despedidas de solteiras legais mas não achei que me sentiria um verme por estar fazendo isso com a Britt. — Suspirou tristemente.

As duas encararam Frannie, que mantinha os olhos fechados e a cabeça repousando no ombro de Quinn. O efeito da bebida em seu organismo deixando-a mais lenta.

A gritaria aumentou, e a música com a batida lenta e repleta de luxúria invadiu seus ouvidos. Quinn sabia que as strippers tinham entrado no palco, mas ela não olharia naquela direção. Santana não estava diferente.

A atenção de ambas foram direcionadas para Puck apenas quando o rapaz fechou o sorriso e arregalou os olhos como se houvesse visto um fantasma.

— Oh, Meu Deus! — O rapaz pronunciou lentamente.

Frannie abriu os olhos, e assim como a irmã e Santana, olhou na direção do palco. Seu coração começou a bombear mais rápido e o ar faltou no momento.

Era Cassandra.

Não apenas Cassandra. Rachel e Brittany estavam ao seu lado. Todas elas vestidas com lingeries provocantes, espartilhos de cores diferentes e cinta-liga. Os saltos altos e os cabelos soltos caindo como cascatas deixavam-nas extremamente atraentes.

Sugar e Mercedes apareceram e sentaram no sofá, sorrindo para as amigas no centro do palco.

— Eu acho que todos estão gostando da visão que estão tendo. — Mercedes provocou.

Quinn saiu de seu estado de torpor e fitou alguns homens assoviando e soltando elogios quase obscenos. Nenhum deles percebendo que eram as noivas das suas chefes. A bebida no organismo falava mais alto.

A latina trincou a mandíbula e Quinn fechou as mãos em punhos. O corpo de Frannie ganhou uma energia fora do normal e as três sentiram o sangue subir até a cabeça. O ciúme se fazendo presente em cada célula de seus corpos.

No palco, Rachel, Brittany e Cassandra sorriam, fazendo movimentos lentos mas sem tirar os olhos das noivas e esposa, alargando mais o sorriso quando as viram levantar com expressões nada boas.

A confusão estava apenas começando.

Notas finais
O capítulo ficaria longo demais se eu fizesse tudo o que pretendo neste. Espero que vocês gostem e sexta tem a continuação. Comentem, favoritem e exponham suas opiniões. É sempre importante. Bom início de semana. =D twitter.com/yasagron