O Preço da Volta - 2ª Fase

13 Capítulo 13 - Um último adeus...


Notas iniciais
Dia de capítulo! Espero que gostem. Desculpem-me qualquer erro e boa leitura. =D

— Você tem certeza disso?

A voz doce de Frannie ecoou pelo celular.

— Sim, eu tenho. — Quinn suspirou. Seus olhos fitaram a esposa e as amigas conversando com algumas crianças um pouco distantes. — Foi onde eu cresci e eu não posso deixar que destruam tudo. E essas crianças...elas não merecem isso. — Finalizou.

— Então sendo assim, eu apoio você. — A mais velha sorriu do outro lado da linha. — Vou ligar para William e pedir que ele vá até aí ainda hoje para discutir com o Exército da Salvação todas as burocracias necessárias. Quando os papéis estiverem prontos, é só assinar.

— Obrigada, Fran. — Quinn sorriu animada. — Eu estou muito feliz em poder ajudar essas crianças.

— Eu sei que está. Você tem um bom coração, Lucy. — A irmã respondeu de forma amorosa.

Ambas ainda passaram alguns minutos conversando antes da caçula encerrar a chamada, passando a admirar a esposa ajoelhada na frente de uma garotinha, enquanto trocavam algumas palavras.

— Oi! — Quinn se aproximou. — Quem é essa garotinha tão bonita? — Abriu um sorriso.

A pequenina sentiu o rosto corar e abaixou a cabeça sem respondê-la. Os cabelos cor de mel lisos escondendo a face pálida. Quinn a achou adorável.

— Essa é a Zoe. — Foi Rachel quem respondeu. — Ela estava me contando como adora a neve.

— Isso é sério? — Quinn abaixou, encarando a pequenina.

A mais nova ergueu a cabeça timidamente e assentiu, fitando a mais velha com seus grandes olhos castanhos.

— É legal para fazer anjos de neve. — Confessou em um tom baixo.

— Eu também adoro a neve. — Sorriu. — Sabe o que também é legal fazer com a neve? — Indagou, recebendo um aceno negativo. — É legal para jogar bolinhas de neve nos outros, não acha? — Arqueou as sobrancelhas.

Zoe deixou escapar um sorriso e isso foi o suficiente para Quinn ter uma ideia.

— O que acha de jogarmos naquela mulher ali? — Apontou discretamente para Santana, que estava de costas conversando com um garotinho.

A mais nova assentiu ainda sorrindo e juntamente com a loira, fisgou uma boa quantidade de neve nas mãos, moldando-a até formar uma bola.

— Você realmente quer morrer. — Rachel sussurrou sem esconder o sorriso.

— Mas pelo menos vai ser divertido. — Piscou o olho.

Ela caminhou com a pequenina sorrateiramente até chegar atrás da latina, apontando para os cabelos escuros em seguida, que estavam soltos, e Zoe entendeu na mesma hora.

— Um... — Sussurrou.

— Dois... — A mais nova respondeu no mesmo tom.

— Agora!

Santana soltou um gritinho surpresa quando sentiu a neve gelada em contato com as suas madeixas.

Quinn não segurou o riso e Rachel gargalhava com Brittany e as demais crianças que conversavam consigo anteriormente. Até mesmo Zoe não deixou de rir com o seu feito.

A advogada balançou o cabelo rapidamente, virando e encarando as duas figuras com rostos suspeitos rindo fervorosamente.

— Vocês duas estão mortas. — Abaixou e segurou a neve em mãos.

Quinn não esperou ela se aproximar e pegou a pequenina nos braços, correndo com no jardim com a latina atrás de si.

A garotinha ria como se não houvesse amanhã, enquanto agarrava o pescoço da mais velha. Rachel e Brittany apenas observavam, mas foram pegas totalmente desprevenidas quando as outras crianças acertaram-nas com bolas de neve.

— Parece que virou uma guerra, não acha, B? — Rachel encarou a amiga depois de limpar o rosto.

— Eu tenho quase certeza disso, Rach. — Sorriu. — Vamos pegar eles. — Segurou um punhado de neve e correu atrás dos outros com a judia ao seu lado.

Tudo virou uma guerra de neve em poucos minutos. Santana jogava bolinhas em Quinn e Zoe, que devolviam calorosamente. Rachel disputava com Brittany contra os dois casais de pequeninos que eram bastante ágeis para suas idades.

No fim, todos acabaram deitados na neve macia, enquanto respiravam com dificuldade e ainda riam do acontecido, mas logo a atenção das mulheres foram desviadas quando uma freira apareceu na porta de entrada do orfanato com a expressão confusa.

...

Quando Quinn e as demais prometeram brincar novamente com as crianças, todos se despediram e correram para suas atividades do dia com sorrisos no rosto, inclusive Zoe, que parecia mais animada. Isso aqueceu o coração delas.

A loira fitou a mulher jovem com poucas sardas no rosto e logo se apresentou, sendo seguida pela esposa e pelas amigas. A noviça chamada Anne não retirava o sorriso dos lábios.

— Vocês foram enviadas para cá por nosso São Jorge. Eu tenho certeza. — A mulher juntou as mãos, apertando o terço em seu pulso. — Achamos que ninguém iria comprar esse lugar e que ele seria demolido.

— Nós não deixaríamos que demolissem o orfanato. — Quinn tomou a frente. — Foi aqui onde nós crescemos.

— Oh, vocês foram daqui? — Anne estava surpresa.

— Sim, nós fomos. — Santana respondeu. — Nossos pais morreram. — Apontou para si e para a esposa. — E a Q e a Rach foram deixadas aqui. É uma longa história.

A mulher assentiu compreensiva e novamente o sorriso estava ali.

— Você sabe o que mudou por aqui durante esses anos? — Rachel inquiriu.

— Infelizmente não. — Respondeu suspirando. — Eu cheguei aqui há pouco menos de um ano. O orfanato já não andava bem, mas quem pode responder tudo é a Madre Helena.

— Madre Helena? — Brittany franziu o cenho. Ela não se recordava desse nome. — Onde está a Madre Abbigail e a Madre Aurora?

— A Madre Abbigail morreu há dois meses. — Respondeu desmanchando o sorriso. — E a Madre Aurora está de cama, mas ainda mora aqui. Ela se recusa em ir para o hospital.

— Vocês acham que a Madre Abbigail foi para o inferno? Porque eu desconfio muito que ela alcance o céu. — Fitou as amigas.

— Santana! — Brittany bronqueou.

— Desculpe. Eu só estou realmente curiosa.

— Madre Abbigail era uma pessoa difícil, mas eu acredito que ela alcançou o paraíso. — A noviça sorriu gentil.

— Isso porque você não a conheceu tempo suficiente para saber que ela era uma peste. — Retrucou, recebendo outro olhar fulminante da esposa.

Ela achou melhor não retrucar, ou a loirinha acabaria explodindo em raiva.

— Me desculpe. — Brittany apontou para a latina. — Ela sempre foi assim. Mas o que houve com a Madre Aurora?

— Nós não sabemos. — Respondeu com tristeza. — Ela desmaiou mês passado e desde então está cada vez mais fraca e confusa. Não sabemos o real motivo de impedir que a examinem.

— Nós podemos vê-la? — Rachel indagou aflita.

— Claro que podem. — Anne respondeu. — Mas desconsiderem se ela falar algo sem sentido. Sua cabeça não anda bem. É certo que ela não lembre de vocês.

— Está tudo bem. Nós apenas queremos vê-la. — Quinn sorriu e segurou a mão de Rachel.

Anne apenas assentiu e guiou as quatro mulheres, adentrando o corredor lateral no andar térreo. Havia cinco portas. Duas de cada lado e uma dupla no fim do percurso. Quinn sabia que ali era o escritório. Ela sempre entrava ali com Puck e Santana para ouvir conversar alheias.

A noviça parou na segunda porta à direita e bateu três vezes suavemente, antes de adentrar o lugar com elas.

A empresária reconheceu de imediato a idosa deitada na cama de solteiro. Os cabelos brancos sempre cobertos pelo hábito agora estavam soltos e espalhados pelo travesseiro. Era possível ver alguns fios loiros misturados. A pele branca com linhas de rugas nos olhos e na testa, assim como a aparência cansada.

Madre Aurora não era tão velha como aparentava ser, mas a vida foi dura com ela, e isso resultou no amadurecimento facial cedo demais.

Os olhos verdes fitaram o quarto pequeno, com uma cruz pendurada acima da cama. Uma mesinha de madeira no costado esquerdo estava coberta por flores e balões coloridos. Inúmeras cartinhas coloridas também estavam ali. Quinn sorriu. Ela sabia que todas as crianças amavam aquela senhora.

E quando o par de olhos azuis encararam seu rosto, pôde ver viu a doçura estampada que sempre esteve presente.

Ela não recebeu um semblante confuso. Madre Aurora sabia quem elas eram.

Anne quebrou o silêncio alegando que comunicaria à Madre Helena a chegada de todas e se retirou em seguida, deixando-as a sós com aquela senhora bondosa.

— Minhas meninas. — A voz rouca da mulher preencheu o pequeno quarto.

Rachel já tinha os olhos marejados, assim como Brittany. Santana e Quinn eram as únicas segurando as lágrimas.

As quatro não hesitaram antes de caminharem e se sentarem na borda da cama. Cada casal em um lado.

— A senhora sabe quem somos, não sabe? — Quinn inquiriu com a voz suave.

— É claro que eu sei. — Abriu um sorriso. As palavras saíam lentamente e com certo esforço. — Eu jamais esqueceria desses rostos. Onde está o meu menino Noah?

— Ele não veio. Na verdade, estamos aqui em Londres para comemorar nossa lua de mel. — Rachel respondeu com a voz embargada.

— Oh, então vocês casaram? — Perguntou. — Eu sabia que isso aconteceria. Uma não andava meio passo sem a outra.

— A senhora não nos abomina por isso? — Santana quis saber.

— Minha brava mas cuidadosa Santana, eu já vi tanta tristeza nesse mundo. Especialmente nesse lugar. — Começou. — Mas também vi felicidade, como vocês. Seus olhinhos brilhavam quando estavam uma com as outras. Eu nunca abominaria algo que traz felicidade. Se vocês estão felizes, então é isso o que importa. — Sorriu.

Quinn já não tinha forças para impedir as lágrimas. Elas traçavam linhas em seu rosto. Sua mão segurou a da Madre, e Rachel pôs a sua por cima, assim como as amigas fizeram com a outra mão.

— Vamos para o hospital. Eu posso levar a senhora para o melhor hospital de Londres. Será tratada como merece. — Quinn disse.

— Eu não quero morrer em um hospital, minha doce Quinn. Eu quero morrer onde sempre morei. Onde sempre estive cuidando das minhas crianças.

— A senhora não vai morrer. Não diga isso. — Rachel pediu, chorando silenciosamente.

— Não chore, minha pequena Rachel. Todo mundo nasce e morre. É um ciclo que nunca vai mudar. É a ordem de Deus. Nós apenas precisamos aguardar nossa hora, como estou fazendo aqui. — Sorriu docemente. — A vida é efêmera e eu sabia que vocês viriam. Eu senti no meu coração. E agora que estão aqui, eu sei que esse orfanato estará em boas mãos. — Tomou uma longa e lenta respiração. — Eu vi quando os jornais anunciaram a herdeira Fabray e a herdeira Berry. Vi suas fotos juntas estampadas naquelas páginas. Vi o quanto estavam felizes. E eu fiquei feliz em saber que vocês encontraram seus lugares no mundo. Que minhas meninas e meu menino Noah permaneceram juntos e assim sempre há de ser.

As quatro mulheres já choravam com intensidade. Quinn ainda lembrava como aquela senhora encobria suas escapadas do orfanato. Como ela sempre dava-lhe um beijo antes de dormir. Como ela a defendia quando a chamavam de aberração. E Quinn ainda lembrava da frase que Madre Aurora proferiu quando estavam fugindo do orfanato de uma vez por todas.

''Isso não é uma despedida. Nós ainda vamos nos ver uma última vez.. ''

Ela não levou aquela frase a sério. Achava que a Madre estava alegando que elas voltariam a morar lá, mas não voltaram. E Quinn não sabia que aquela frase se tornaria algo indelével na sua vida. Até neste momento.

— A senhora sabia. — A Fabray murmurou, tentando conter o pranto sofrido. — Quando nós fomos embora daqui há cinco anos. Sabia que voltaríamos um dia. Mas como?

— Eu senti. — A idosa respondeu simples. — Eu senti, assim como senti essa semana que vocês estavam vindo. Deus nos dá essas sensações, minha menina. Basta deixar sentir. — Sorriu.

— Deixe que um médico a examine. Por favor, Madre Aurora. — Brittany suplicou com a voz trêmula pelo choro.

— Minha amável Brittany. — Sorriu amorosa. — Eu sabia que você nunca mudaria esse seu jeito doce. Eu vejo nos seus olhos aquele brilho de criança que sempre esteve presente desde que eu acolhi você aqui. — Umedeceu os lábios. Estavam extremamente secos. — Um médico não vai resolver algo. Eu já indo. — Respirou fundo novamente. — Deus apenas me manteve forte o suficiente para que eu pudesse ver seus rostos novamente.

— Não. — Rachel chorava copiosamente. — A senhora não pode morrer. Não pode.

— Todos nós vamos morrer um dia. Eu estou pronta para ir. — A voz saía com serenidade. — Digam à Noah que ele sempre estará no meu coração, assim como vocês quatro. Vê-los adultos e realizados me aqueceu de amor. É isso o que eu quero para cada criança aqui.

As quatro choravam como se ainda tivessem doze anos. E de fato, se sentiam assim na presença da idosa. Os corações quebrando em pedaços. Madre Aurora era um exemplo de bondade. Um exemplo que merecia ser seguido. Aquela pessoa que faz o bem e não cobra algo em troca. Que abriu mão de uma vida para cuidar de crianças sem família. Que deu amor e carinho a cada um deles. Que lutava para garantir o bem-estar de todos, sem exceção. Ela não fazia acepção de pessoas. Para ela, todos eram iguais. E isso a fazia ser única e inesquecível.

— Eu não quero que vocês interrompam a lua de mel por minha causa. Prometem? — Indagou docemente.

Nenhuma delas foi capaz de responder. Apenas acenaram com a cabeça, embora fosse uma mentira.

— Encarem a morte como uma forma de alívio. Eu já não pertenço a esse mundo. Meu espírito já está preparado. Eu amo vocês, minhas meninas. E Noah também. — Sorriu, tomando uma profunda respiração e piscando lentamente, sentindo os olhos pesarem. — Sejam felizes. Haja o que houver. Vocês são uma família.

A voz saiu quase inaudível, e foi a única coisa que a Madre disse, antes de largar a mão das mulheres e fechar os olhos azuis pela última vez.

— Não! — Rachel exclamou. — Ela não...não! — Apertou a mão da senhora. — Madre Aurora! — Chamou. — Não vá agora...não! — A morena suplicava desesperada.

Brittany explodiu em um choro enquanto era abraçava por Santana, que também chorava sem pudores. A judia continuou tentando fazê-la acordar, e até segurou seus ombros, balançando-a suavemente algumas vezes.

Quinn a puxou delicadamente pela cintura. Rachel não lutou, ela apenas se deixou ser pressionada contra o peito da esposa, enquanto chorava e apertava o tecido do seu casaco com força. A loira afundou o rosto nos cabelos escuros enquanto chorava.

Quando ergueu a cabeça, encarou a face da idosa sem vida. A mansidão em seu rosto denunciou o que todas sabiam.

Onde quer que estivesse, Madre Aurora estava em paz.

Notas finais
Descanse em paz, Madre Aurora. =( Muitos podem não gostar desse clima justamente na lua de mel delas, mas foi de suma importância. Eu já havia planejado isso desde que decidi dar uma segunda fase à essa fic. Comentem, favoritem, exponham suas opiniões sobre esse capítulo. Ah, e mais uma coisa. Eu fui convocada por uma autora para fazer uma one-shot Faberry de Natal. Cada autora fará a sua e será feita uma coletânea de todas. Dia 21 a minha será postada e se vocês tiverem um pedido para fazer nessa one, podem me dar sugestões. Estou aceitando todas. =D Bom início de semana. twitter.com/yasagron