Notas iniciais
Então... não tenho muito o que falar aqui, mas espero que gostem!! Esse capítulo vai introduzir alguns personagens e situar vocês na história. A narração será sempre em 3a pessoa Acho que não tenho mais nada pra falar, então roda o cap. Boa leitura!!

A noite chuvosa marcara o começo do mês de agosto. Bem como o fim das férias de verão para os estudantes do Instituto Áster, uma renomada instituição de ensino, localizada na cidade de Nova Iorque. Talvez renomada não fizesse jus ao nome dessa instituição. Não, de fato era pouco a se dizer da maior potência estudantil que o mundo já ouvira falar. Conhecido como “Forja dos Deuses” o Áster recebia estudantes de todo o globo, desde que, é claro, conseguissem vencer o rigoroso exame de admissão imposto a qualquer aluno. Ingressando nesse local, é de se imaginar que um dia antes do início do ano letivo seus estudantes estivessem em casa, em seus quartos, lendo algum livro de alguma matéria avançada demais para alunos do ensino médio. Não seria surpresa nenhuma. E talvez alguns poucos até estivessem mesmo fazendo isso. Mas não aqueles que aproveitavam o último dia de férias para encher a cara, numa festa organizada por Karolyne White.

Como qualquer bom adolescente, Karolyne fizera questão de deixar os pais cientes da pequena reunião social que faria em sua residência. Afinal, eram só seus amigos da escola não é mesmo? Realmente não seria um grande problema, se a garota não fosse amiga de praticamente todo o instituto. Além de que, seus pais haviam decidido comemorar o aniversário de vinte anos de casamento na França, e como dizia o velho ditado “o que os olhos não veem o coração não sente”. Enquanto seus pais não suspeitassem de nada, poderia lhes poupar um infarto em vários anos.

Assim que dispensou o quarto garoto que insistia em tentar algo consigo, Karolyne decidiu que precisava urgentemente tomar um ar. A música alta, o cheiro da bebida, os gritos de seus amigos, invadiam sua mente e lhe deixavam incomodada. Largou seu copo em um canto qualquer da sala onde estava e passou a abrir espaço entre os corpos, ignorando qualquer um que a chamasse, na tentativa de sair daquele lugar o mais rápido possível.

— Mas que inferno! – A White rosnou irritada no momento em que atravessou a porta da frente e o vento frio da noite lhe atingiu com força, fazendo seu corpo estremecer. A chuva ainda persistia, encharcando o grande jardim que cobria a frente da casa.

— Dia ruim? – Ela se virou em direção àquela voz e tentou forçar um sorriso, mas falhou miseravelmente, revirando os olhos logo em seguida.

— Péssimo. – A garota ruiva sorriu enquanto se levantava do colo do namorado, puxando seus shorts para baixo e tentando dar um jeito em seu cabelo com as mãos. Deixou um copo sobre um dos apoios da cadeira, na qual ambos estavam, antes de se aproximar da outra.

— Quer conversar? – A ruiva riu quando a amiga virou o rosto para o outro lado sem lhe dar uma resposta. Então decidiu ser mais enfática, agarrando os ombros da loira e virando-a de frente para si. – Me diga o que está acontecendo. Agora.

A White refletiu por um momento. Confiava cegamente na amiga e poria suas mãos no fogo por ela, mas detestava ter que descarregar seus problemas nos ombros dos outros. Suspirou cansada quando a outra ergueu uma das sobrancelhas, num questionamento silencioso, então voltou seu olhar para o garoto que as observava sentado.

— Okay. Ethan, você poderia... – Ditou a ruiva, já entendendo a situação.

— Claro, entendi. Conversa de garotas. – O garoto ergueu-se de onde estava sentado e deu um beijo rápido na namorada, antes de pegar seu copo e seguir para dentro da casa.

— Então...

— Droga, Anya! – Resmungou Karolyne, se livrando das mãos da amiga. Seus olhos acinzentados estavam escuros, como as nuvens pesadas que antecediam alguma tempestade. Olhou rapidamente ao seu redor, certificando-se que estavam sozinhas, já que era comum encontrar amigos bêbados vomitando no jardim em suas festas. Só esperava que não vomitassem no carpete importado de sua mãe, ou ela teria um treco. – Meus pais não querem tirar da cabeça a ideia de nos mudarmos.

— Não vejo grandes problemas nisso. – Anya comentou enquanto se apoiava na varanda de madeira, erguendo seu corpo para frente e sentido a chuva bater em seu rosto. Era uma sensação agradável e ela gostava muito. – Sabe, já me mudei algumas vezes e o transporte é um saco. Mas se quiser eu até pos...

— Você não entendeu, idiota. Eles querem sair do país.

— Idiota é a sua... Espera, o que?! – Anya virou-se em direção a amiga, a indignação no seu rosto sendo substituída pela incredulidade.

— A viagem à França não é só para comemorar o casamento. Eles estão de olho em alguns imóveis.

— Mas isso não faz nenhum sentido. Eles têm a empresa milionária na cidade e você tem uma vaga garantida no Áster! Qual o sentido de largar um império já construído e bem estruturado?

— Meu pai diz que pretende expandir seu domínio no continente europeu, mas precisa acompanhar o negócio pessoalmente. Algo relacionado a investidores, contratos e falta de confiança nos novos funcionários. Você não entenderia essas coisas, sinto muito. – A ruiva até abriu a boca pra falar, mas logo foi interrompida pela outra. – Além de que ele acha que eu preciso estar mais presente nos negócios da família e o que eu venho fazendo no Áster tem me preparado para tudo, menos para ser responsável pela maldita empresa.

— Sabe, você deveria ser sincera com sua família. – Disse Anya após um curto silêncio. – Se disser o que realmente deseja é possível que...

— Eu perdi o direito de poder lutar pelos meus desejos quando não consegui sequer fazer parte da nobreza escolar. Você conhece bem meu pai. Se não sou a melhor no que faço, não devia nem mesmo fazê-lo.

Anya calou-se depois dessa afirmação. Embora odiasse que fosse certa, tinha que concordar. O sr. White era um homem de poucas palavras, bastante conservador e rígido. Além de que, por alguma brincadeira de mau gosto, o destino presenteara Karolyne com ótimas habilidades no ramo dos negócios, apesar de ser um talento bruto, uma vez lapidado se tornaria uma joia impressionante.

— Desculpe, não sei nem o que te falar. Mas nós vamos pensar em alguma coisa. – Anya disse por fim. Os olhos castanhos carregados de determinação.

Karolyne mordeu os lábios inquieta, os olhos repletos de dúvida. Sua boca se abriu e fechou algumas vezes, como se estivesse escolhendo bem o que deveria responder. Por fim tentou abrir um sorriso, embora fosse impossível não duvidar que a mudança era realmente o maior de seus problemas.

— Claro, vamos sim.

O silêncio desconfortável que sucedeu a conversa foi logo quebrado pelo toque de um celular. Karolyne pegou o aparelho no bolso de trás de sua calça e ergueu uma das sobrancelhas para a amiga quando viu quem a ligava.

— É a sua mãe.

— Droga. – Respondeu a outra enquanto pegava o aparelho e atendia a ligação. – Oi, mãe. Não, eu não percebi que estava tão tarde... Sim, eu sei que disse que voltaria antes das onze, mas isso é muito relativo! Se não são onze aqui, com certeza são onze horas em algum outro lugar. – A loira sorriu diante das explicações da amiga, parecia uma criança dando desculpas. Então ela se calou, provavelmente ouvindo o sermão do outro lado da linha. – Não! Desculpe, eu estou indo agora mesmo... É, o Ethan vai me levar. Como assim você já ligou pra ele?!

— Você é uma figura rara, Anya Reznikov. – Comentou a loira logo após o término da ligação. – Por que sua mãe ligou para mim? Perdeu seu celular de novo?

— Não. Ele só acabou ficando sem bateria. – Respondeu a outra enquanto puxava o aparelho do bolso de trás de seus shorts.

— E é claro que você não percebeu.

— Fico feliz que me conheça tão bem. – A ruiva sorriu e piscou um dos olhos, arrancando o riso da amiga.

Poucos minutos depois a porta da frente foi aberta mais uma vez, permitindo passagem para o garoto exageradamente alto, de cabelos negros revoltos e olhos azuis. Ele era bonito. As roupas que usava ressaltavam seus músculos, mostrando que gastava um bom tempo com exercícios físicos. Ethan encarou a namorada um tanto preocupado, a chave de seu carro já pendurada em sua mão.

— Sua mãe me disse que se você não chegasse em dez minutos ela poria a polícia da cidade atrás de você.

— Ela não teria coragem... – Murmurou Anya, tentando mais convencer a si mesma do que aos outros.

— Mas ela já fez uma vez lembra? – Respondeu Karolyne que, no entanto, tentava controlar o riso que teimava em escapar de seus lábios.

— Tem razão. Ela é completamente louca! – Anya se desesperou agarrando o braço do namorado e o arrastando para fora da varanda, atravessando o caminho de pedras que contornava o jardim. A chuva que ainda caia fraca naquela noite não parecia lhe incomodar. – Até amanhã, Karol! Vou pensar em alguma coisa, tente não pensar muito ou sua cabeça explode!

— À merda, Anya. Vá à merda! – Gritou a loira enquanto entrava em casa. Já passara da hora de encerrar aquela festa.

~X~

O percurso até a residência dos White teria sido tranquilo, não fosse por Anya checando o horário no celular de seu namorado a cada segundo. O caminho livre facilitava a locomoção do casal, mas o mesmo não podia ser dito dos sinais de trânsito, que os paravam já pela terceira vez.

— Sabe que ficar bufando não vai nos fazer andar mais rápido, não é? – Ethan resolveu perguntar quando jurou ter visto uma veia saltar na testa da namorada.

— Três minutos, Ethan! Três minutos e toda a polícia de Nova Iorque vai estar atrás de mim de novo. – Ele riu lembrando-se da situação. Definitivamente não era uma boa ideia desobedecer às ordens da Sra. Reznikov.

Cinco minutos depois Ethan estacionava o carro em frente a portaria do prédio de quinze andares no qual a família da namorada morava. Ela desceu do carro apressada, amaldiçoando mentalmente todos os sinais de trânsito da cidade. Então virou para o namorado, com o olhar esperançoso.

— Não adianta. – Ele sorriu quando o rosto dela se contorceu numa careta. – Eu preferiria enfrentar o diabo, antes da sua mãe. Mas pode mandar um beijo por mim.

— Covarde. – Respondeu a ruiva em quanto se dirigia ao portão de entrada. Uma janela se abriu no pequeno espaço que servia de sala para o porteiro, um senhor de idade que já tinha cabelos brancos antes mesmo de Anya aprender a andar. A luz vinda dos computadores lá dentro brilhava na escuridão do lugar. – Oi senhor Stanley!

— Boa noite minha jovem. – Ele sorriu enquanto abria o portão automático. – Suba logo, sua mãe avisou que estava chegando.

Anya agradeceu o aviso e passou rápido pela entrada. Atrás de si seu namorado buzinou enquanto se distanciava do prédio. Atravessou com pressa o estacionamento que levava até o elevador, quase podendo escutar o barulho das sirenes da polícia atrás de si. Estava tão apressada que não conseguiu desviar do garoto que saia do prédio com uma caixa térmica nas mãos e acabou se chocando com ele, indo parar no chão.

— Droga, sai da frente! –Resmungou enquanto se levantava e seguia seu caminho sem olhar para trás. Entrou no prédio e seguiu reto até o elevador, que por algum milagre divino estava no mesmo andar que ela. Apertou o último botão e esperou as portas fecharem, mas antes disso acontecer ainda conseguiu ver quando sua vítima se levantou, alguns metros a sua frente. Estava escuro e um pouco longe, mas tinha certeza que nunca o vira no prédio antes.

Seus pensamentos foram interrompidos quando o elevador começou a subir e uma música irritante penetrou seus ouvidos. Não conseguia lembrar seu nome, mas era de um dos cantores favoritos de seu pai, que por acaso ela detestava. As portas metálicas se abriram alguns segundos depois, dando passagem para a única entrada possível para seu apartamento. A Reznikov respirou fundo antes de puxar as chaves de seu bolso traseiro e destrancar a fechadura, assim que a porta se abriu foi capaz de escutar a voz feminina que vinha da sala.

— Sim delegado, Anya Reznikov. Tem 16 anos, o cabelo é...

— MÃE! – Anya bateu a porta chamando a atenção da mulher em pé no centro da sala.

— Quer saber? Pode cancelar o meu pedido. – Disse a mulher antes de desligar o aparelho e encarar a filha, cruzando os braços e erguendo a sobrancelha. – Você está atrasada.

Notas finais
E então? Acho que vale acompanhar né? Deixem seu comentário e façam um autor feliz!! Opiniões são muito bem vindas. O próximo provavelmente sai sábado que vem... É isso, até breve!! Ah, esse capítulo tem um personagem que é uma pequena referência a cultura pop. Alguém conseguiu pegar?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.