O Preço da Liberdade
10 Fogo derretendo o gelo
O dia amanheceu preguiçoso em Aethelgard, mas para Adrian, o sono era a última coisa que passava por sua mente. Ele estava esparramado em sua imensa cama de dossel, os lençóis de seda negra cobrindo apenas metade de seu quadril, deixando o peito largo e bronzeado exposto. Ele tinha um braço sob a cabeça, encarando o teto e revivendo cada segundo do beijo no jardim. O gosto dela, o cheiro de lavanda e o modo como o corpo dela se moldou ao dele quase o fizeram perder o controle ali mesmo, entre as rosas.
O estalo da tranca da porta o trouxe de volta à realidade. Ele não se moveu, esperando ver um criado ou sua irmã irritante, mas o perfume que inundou o quarto era inconfundível.
Mellyssa Solomon entrou no quarto com uma audácia que poucas rainhas teriam. Ela já estava vestida para o dia, um vestido de montaria justo que acentuava cada curva, mas seus olhos brilhavam com uma malícia predatória.
— O sol já está alto, Príncipe — ela disse, caminhando até a beira da cama com um sorriso de canto. — E você continua aqui, entregue à preguiça. Pensei que o "novo Adrian" fosse um homem de ação.
Adrian deu um sorriso lento, sem se dar ao trabalho de se cobrir. Pelo contrário, ele se espreguiçou deliberadamente, sentindo os olhos dela percorrerem seu corpo.
— Eu sou um homem de ação, Baronesa. Mas algumas ações são melhores executadas entre quatro paredes — ele provocou, a voz rouca pelo sono. — O que faz aqui? Veio terminar o que começamos no jardim ou só veio conferir se eu sou tão bem esculpido quanto dizem os boatos?
Mellyssa inclinou-se sobre ele, apoiando as mãos no colchão, uma de cada lado dos ombros dele. O rosto dela estava a centímetros do dele.
— Os boatos pecam pela modéstia, aparentemente — ela sussurrou, a mão subindo devagar pelo abdômen dele, sentindo os músculos se contraírem sob seu toque. — Mas eu vim ver se o príncipe é tão corajoso à luz do dia quanto é sob o luar. No jardim, você falou muito sobre fogo.
— Quer testar a temperatura? — Adrian segurou a nuca dela com força, puxando-a para baixo até que seus lábios quase se tocassem.
— Eu não testo, Adrian. Eu domino — ela respondeu, antes de selar o beijo.
Desta vez, não havia hesitação ou desculpas. O beijo foi profundo, carregado de uma fome que ambos tentaram esconder durante semanas. Mellyssa se livrou do xale, e Adrian, com uma agilidade possessiva, a puxou para cima dele, sentindo o peso delicioso do corpo dela contra sua pele nua.
As mãos de Adrian eram urgentes; ele abriu os ganchos do vestido de montaria dela, revelando a pele alva e quente. Quando o vestido caiu pelo chão, Mellyssa entregou-se ao toque dele, suas unhas cravando-se nos ombros de Adrian enquanto ele explorava cada curva de seu corpo com os lábios e a língua.
— Você me deixa louco — ele murmurou contra o pescoço dela, enquanto a posicionava sob ele no centro da cama. — Eu tentei te odiar, tentei te desprezar, mas tudo o que eu quero é te possuir até que você esqueça seu próprio nome.
— Então me faça esquecer — ela pediu, a voz ofegante, as pernas se entrelaçando na cintura dele.
O encontro foi uma explosão de sentidos. Adrian a possuiu com uma intensidade que misturava a paixão do libertino com a devoção de quem finalmente encontrou sua metade. Cada movimento era sincronizado, um ritmo de conquista e entrega que fazia o ar no quarto parecer rarefeito. Mellyssa não era passiva; ela o desafiava em cada gemido, em cada toque, transformando o ato em uma dança de poder onde ambos eram vencedores.
Quando o ápice chegou, foi como se o mundo lá fora deixasse de existir. O título de príncipe e a fortuna da baronesa não significavam nada; eram apenas dois corpos em chamas, exaustos e finalmente completos.
Minutos depois, Adrian a mantinha abraçada contra seu peito, o suor esfriando em suas peles. Ele beijou o topo da cabeça dela, sentindo uma paz que nunca experimentara antes.
— Acho que você não vai conseguir voltar para o sul tão cedo — ele sussurrou.
Mellyssa deu uma risada baixa, traçando círculos no peito dele.
— Eu disse que te destruiria se você falhasse, Adrian. Mas acho que você acabou de construir algo muito pior.
— E o que seria? — ele perguntou, sorrindo.
— Um motivo para eu ficar — ela respondeu, finalmente deixando o gelo desaparecer por completo.
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