O Preço da Flor de Ferro
22 A Promessa de Vida
A tensão no quarto era tão espessa que parecia sufocar. Jasmine, exausta e pálida, sentiu o mundo girar. O cheiro forte das ervas de Açucena e o estresse dos últimos dias finalmente cobraram seu preço. Ela cambaleou, sendo amparada por José antes de atingir o chão.
O médico da família, que ainda estava no castelo, examinou-a rapidamente em um cômodo adjacente. Quando ele retornou ao quarto de Heitor, seu rosto trazia uma expressão de espanto e esperança.
— A Duquesa não está doente — ele anunciou em um sussurro para Açucena e Maurício. — O cansaço é fruto de uma nova vida. Jasmine está à espera de um herdeiro.
Ao ouvir as palavras do médico, Jasmine sentiu uma força renovada percorrer suas veias. Ela ignorou as ordens de repouso, levantou-se e caminhou até o leito onde Heitor parecia dar seus últimos suspiros.
Ela se inclinou sobre ele, colando o rosto ao dele, que queimava em febre. Com a voz embargada, mas firme, ela sussurrou contra o ouvido dele:
— Heitor, você não pode ir. Você não tem permissão para me deixar. — Ela segurou a mão dele e a levou até o próprio ventre. — Há uma vida nova aqui, uma parte de nós dois. Eu estou grávida, meu amor. O nosso filho precisa do pai, e eu preciso do homem que me salvou. Volte para nós.
Jasmine não saiu de perto dele naquela noite. Ela se encolheu ao seu lado na cama, sentindo o calor da febre dele diminuir gradualmente enquanto ela velava seu sono, orando para que a notícia tivesse alcançado a alma dele naquele abismo escuro.
O Despertar do Duque
O sol da manhã entrou suavemente pelas janelas, iluminando as partículas de poeira que dançavam no ar. Jasmine acordou sentindo um toque leve, quase como o roçar de uma asa de borboleta, em sua bochecha.
Ela abriu os olhos devagar e encontrou os olhos azuis de Heitor fixos nela. Ele estava pálido e fraco, mas o brilho de loucura e dor havia sumido, substituído por uma clareza serena. Ele sorria, um sorriso que Jasmine nunca tinha visto antes — completo e em paz.
— Eu ouvi você — ele sussurrou, a voz ainda rouca, mas carregada de emoção. — Eu estava em um lugar muito escuro, Jasmine. Eu via Marcus e Katherine, e eles estendiam as mãos para mim. Eu estava pronto para aceitar o convite... até que ouvi a sua voz.
Ele deslizou a mão, ainda trêmula, pelo rosto dela, descendo até repousar sobre o ventre de Jasmine.
— O que me trouxe de volta não foi o medo da morte, mas o amor por essa vida que você carrega. Pela primeira vez em dez anos, eu não senti que o meu futuro era um castigo, mas uma dádiva. — Heitor puxou Jasmine para mais perto, beijando-lhe a testa. — Eu te amo mais do que as palavras podem expressar, minha flor de ferro. Obrigado por não desistir de mim quando eu mesmo já tinha me entregado às cinzas.
Jasmine chorou, mas desta vez eram lágrimas de alívio. O ciclo de sangue dos Martinez fora finalmente quebrado. A fumaça da fogueira havia levado os fantasmas, e o que restava era um homem, uma mulher e a promessa de uma criança que nunca saberia o peso das portas trancadas.
— Nós vamos reconstruir tudo — ela prometeu, aninhando-se no peito dele. — Sem segredos. Apenas nós.
Heitor fechou os olhos, respirando o perfume dela, finalmente em casa.
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