O Preço da Ambição
3 Capítulo 3
Mais uma manhã que chega para todos, porém Rúbia acorda sai quase se arrastando para o banheiro, ficando mais de uma hora sob as águas quentes e relaxantes do chuveiro, tentando esquecer as imagens dos dias anteriores, dias em que se deparou com um Othon fragilizado, depois de recebera uma notícia e saíra correndo como um louco pelos corredores da empresa e pelas ruas daquela cidade, nunca mais melhorou. A moça logo sai do banheiro, se troca rápido e segue para o trabalho, comendo apenas uma maçã, estava atrasada e o trânsito não ajudou muito, chegando na empresa sobe para a sua sala sem ao menos prestar atenção a sua volta, entra em seu escritório e depara-se com Othon ali sentado, aguardando-a com a carranca de sempre.
— Enfim chegou, a senhorita está atrasada. — Diz o homem com um olhar intimidador.
— Eu sei que estou atrasada, eu tenho relógio, não precisa se preocupar, fico até mais tarde. — Ela o responde com o mesmo tom.
— Você não tem medo de perder o emprego não?
— Eu não, não existe só você de empresário no mundo, não preciso me matar. — Ela estava brava por sua capacidade de perguntar coisas sem nexo.
Revirando os olhos ele sai da sala de sua secretária, voltando para seu escritório, começando a resolver os problemas com sócios e distribuidores de suas mercadorias, sua empresa é de design exterior de carros. Em meio a tantos papéis e tecnologias, algo o distrai, barulhos de pessoas gritando e dizendo palavras de ofensas, confuso Othon sai de seu escritório para saber o que se passa, era Rúbia tentando entrar na sala do patrão para avisá-lo da chegada de sua mãe e sua irmã, porém as mulheres creem que tal ato é o cúmulo, elas não precisam de permissão para entrar na sala do homem, os xingamentos ainda são mistério, até por que, não há motivos para tanta violência, Arianna chega no momento e automaticamente apoia a assistente do pai, deixando-as duas mulheres loucas de raiva, a menina tem o gênio forte como uma leoa, quando tratasse de brigar, seus olhos demonstram luta por algo justo.
— Mal-educada igual a mãe. — Diz a senhora, procurando briga.
— Sem classe igual a mãe, onde meu irmão foi arranjar vocês?
— Nunca mais fale da minha mãe. — Em um modo automático, ela deu um tapa na cara da própria tia.
Nesse momento o homem interfere na briga e puxa agarra a filha, que já estava descontrolada, assustada com tudo isso Rúbia vai até a cozinha e pega um copo d'água para Arianna, ajudando o chefe a leva-la para a sala da presidência, Othon a acomoda no sofá e sai para conversar com sua mãe e sua irmã, ambas que haviam sumido do mapa desde a morte de Sirena.
— Com licença, senhorita... — A assistente interrompe o silêncio e serve a menina.
— Você é a nova assistente do meu pai?
— Sim, muito prazer senhorita, me chamo Rúbia.
— Gostei do nome, combina com seu cabelo. — A menina então solta um sorrisinho de lado.
— Obrigada...
— Arianna.
— Obrigada, Arianna. — As duas sorriem.
Aos poucos a filha de Othon vai se acalmando e voltando ao seu estado normal, Othon ainda não havia voltado e as duas estavam mortas de fome, Arianna então teve a ideia de irem almoçar juntas, a mulher aceito o convite, ao descerem os elevadores da empresa, sentiram que estavam sendo vigiadas, porém as duas pensaram que eram apenas os seguranças de Arianna, por isso não se preocuparam. Entrando no restaurante, ambas se sentam em uma das mesas próximas a janela e começam a conversar sobre assuntos aleatórios, até tocar no ponto ftaco da menina, falando de sua mãe.
— Minha mãe estava tão feliz, éramos felizes, ela estava grávida, eu iria ganhar um irmãozinho, aquela noite ela iria dar a notícia ao meu pai, estávamos indo comemorar o 15º aniversário de casamento deles, mais aquela mulher que se diz minha avó resolveu nos fazer uma gentileza, convidando-nos para um jantar em sua casa, meu pai estava feliz, pensava que ela tinha aceitado seu casamento com a mulher que ama, mais não, era mais uma de suas maldades... — Arianna falava e chorava.
— Acalme-se, depois você continua a me contar, vamos comer.
A filha de Othon assentiu com a cabeça, o silêncio toma conta daquela mesa, os olhares de quem conhece a menina, não importa naquele instante, Rúbia sabia que tinha mais algo ali para ser desabafado, mais não queria saber de tudo, assim tão de repente, era muito sofrimento para ela, é duro falar da morte da mãe, era duro relembrar cenas de uma noite que transformou em tragédia um momento de festejar.
A semana foi marcada por lembranças, choros e desabafos, os resultados da perícia realizada no carro, saíram três anos depois do acidente, Othon queria dizer que tudo aquilo era mentira, porém os papéis provavam ao contrário, suas suspeitas haviam sido confirmadas.
— Com licença, trouxe seu café, senhor.
— Deixe-o e saia, quero ficar sozinho.
Por alguns dias ele esteve estranho e isso afetou a produtividade da da empresa, desmarcou todas as reuniões e compromissos da semana, não estava se importando mais com o que Rúbia fazia o deixava de fazer com seus horários, a depressão é a sua pior inimiga, ele sabia disso, porém não tinha forças para lutar contra isso.
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