Notas iniciais
Olá, aqui vai mais um capítulo. Obrigada aquelas meninas que deixam os seus recados sobre a fic, elas são importante para a minha pessoa. Por favor me enviem recado dizendo o que estão achando da fic, assim fica mais fácil de saber se ela está boa ou não, fica até chato ficar postando se vcs não comentam sobre a história, bjs.

— Fuma? — perguntou ele, de repente.

— Não — piscou ela.

— Bebe?

— Não.

— Mas, sem dúvida,... haverá algum homem em sua vida?

Era quase como se a estivesse acossando e ela desejou intensamente não ter ficado nessa situação.

— Não.

— Vamos, por favor... — disse ele, estreitando os olhos.

— Não sabia que ter um homem em minha vida fosse um requisito — espetou ela, deixando-se levar por seu gênio. Um segundo depois, amaldiçoou sua estupidez. Por que se enfrentar a Jake Arkeman quando queria esse trabalho com desespero?

— Te sobra sarcasmos, senhorita Kurt — replicou ele, com dureza.

— Sinto muito. Mas, não acredita que tenha direito a minha vida privada?

— Todo mundo tem direito a sua vida privada. Só quero me assegurar de que a sua não entrará em conflito com suas obrigações. Quando a avó de Suzannah morreu, tive que contratar uma babá e cometi um grande erro... — com os lábios apertados e duros, continuou. — Não tenho intenção de cometer outro.

“Suzannah”, pensou Gina, com o coração a ponto de estalar. Tinham-na chamado de Suzannah. A tensão havia recoberto seu rosto de uma fina camada de suor; ao notar que os óculos escorregavam os empurrou para cima.

— Por que usa óculos?

A pergunta, um ataque rápido como o de uma serpente cascavel, desconcertou-a.

— Perdão? — balbuciou.

— Perguntei-lhe que por que usa óculos.

— Porque... porque preciso.

Ele se levantou, inclinou-se para ela e, sem pedir permissão, tirou-lhe o óculo. Rígida pela impressão, tentou manter a calma enquanto ele olhava atentamente seus claros olhos dourados.

Ansiedade, dor, solidão, tristeza... fosse o que fosse o que viu neles não refletiu em seu olhar nem um ápice de compreensão nem de tê-la reconhecido. Gina agradeceu a seu anjo da guarda, quem quer que fosse. Prematuramente, já que um segundo depois Jake levantou os óculos e olhou através delas.

— Por que precisa de óculos que não são mais que vidro colorido? — perguntou. Os devolveu e ela os pôs apressadamente.

— Eu... pensei que seria melhor parecer um pouco mais velha —gaguejou, sem saber o que dizer.

— Parecer mais velha não a converte em melhor candidata —grunhiu ele, com voz gélida.

A tensão estava lhe provocando uma cansativa dor de cabeça e, convencida de que nunca conseguiria o posto, sentiu-se vazia e desesperada. Começou a erguer-se, desejando escapar desses olhos desumanos.

— Bom, se tiver decidido que não sou a pessoa adequada...

— Por favor, sente-se — ordenou ele secamente. — Não decidi nada semelhante.

Sentou-se, tremente e ele continuou.

— Enquanto você vinha para cá tive uma longa conversa com sua atual patroa...

Fez uma pausa, como se quisesse manter a incerteza; com cada segundo que passava Gina ficava mais nervosa.

— Comunicou-me que está com eles há dois anos e me deu muito boas referências — comentou — Para quem trabalhou antes? — perguntou, justo quando Gina suspirava com alívio.

— Antes?

— Antes da senhora Amesburry.

Ela compreendeu, muito tarde, que ao lhe dizer que era babá desde que havia deixado à universidade havia se colocado em uma boa confusão.

— Bom, eu... — gaguejou.

— Suponho que não se lembra? -insistiu Jake. Não pensava lhe dar nem uma pausa.

— Com o senhor Nagel — improvisou ela, odiando mentir, mas sabendo que não tinha outra opção. — Cuidei de seu filho quando sua mulher os abandonou..

— E?

— Ela voltou e se reconciliaram, assim já não me necessitavam — disse ela. Notou que ele olhava as mãos, que ela se retorcia com nervosismo, e fez um esforço para acalmar-se.

— Tem carta de recomendação do senhor Nagel?

— Temo... acredito que a perdi.

Ele lhe lançou um olhar cético que deixou bastante claro que não acreditava em nenhuma palavra. Gina notou que um rubor de culpa invadia suas bochechas.

— Suponho que seria satisfatória, ou os Amesbury não a teriam contratado — disse ele, e começou a golpear a mesa com a caneta. — Muito bem, se Suzannah estiver de acordo, o posto é seu, com um mês de experiência — anunciou. Ela o olhou, os lábios entreabertos; sério, continuou falando. — Estou disposto a lhe conceder o mesmo tempo livre que tinha em seu emprego anterior e, se seguir aqui depois do período de teste, duas semanas de férias pagas. O salário será de... — mencionou uma quantidade muito generosa — e desfrutará de uma suíte muito confortável ao lado do quarto da menina.

Ela ficou calada, e seguiu olhando-o fixamente.

— Parece surpreendida. Já não quer o trabalho? — perguntou com brutalidade.

— Não... não é isso... Não esperava que me oferecesse isso.

— Por que não?

— Deu-me a impressão de que não lhe agradava.

— Nunca acreditei necessário que eu gostasse da babá — repôs ele com ironia. Ao ver que ela se ruborizava intensamente continuou falando. — O que realmente importa é que Suzannah goste de você. É uma menina alegre e boa, bastante adiantada para sua idade. Agora está a cargo de minha governanta, a senhora Morgan, e segundo esta a menina não dá nenhum problema. Ainda assim, é muito trabalho. Assim, se tudo for bem e aceitar minha oferta, quero que comece amanhã.

— Com uniforme? — perguntou Gina, sem poder evitar certa aspereza em seu tom.

— Não será necessário — respondeu Jake depois de uns momentos de deliberação. Olhou-a nos olhos. — Antes de seguir adiante, tem alguma pergunta a me fazer?

Ela, com a cabeça feita um torvelinho, não respondeu.

— Já está a par de tudo? — insistiu ele.

— Só sei o que me contou a senhora Amesbury — conseguiu balbuciar.

— E o que lhe contou à senhora Amesbury? — inquiriu ele. Soava incomodado, como se suspeitasse que tivessem fofocando sobre sua vida.

— Só que é viúvo ou divorciado e que sua filha tem uns dois anos.

— Temo que isso não é muito exato. Não sou viúvo nem divorciado...

Assim devia seguir casado... Casado com Kelly...

— E Suzannah não é minha filha. Minha mãe morreu pouco depois de eu nascer; meu pai voltou a casar-se quando eu tinha nove anos. Sua segunda mulher tinha um filho de três. Suzannah é filha de meu meio-irmão — fez uma pausa. — De fato, nunca estive casado.

— Oh, mas eu acreditava que... — Gina calou abruptamente, mordendo a língua.

— O que você acreditava senhorita Kurt?

— Nada... seriamente — negou ela com a cabeça. Os olhos de Jake brilharam atrás de suas espessas pestanas e acreditou que ia insistir, mas ele mudou de tema.

— Bom, se não tem nenhuma pergunta possivelmente gostaria de dar uma olhada em sua habitação e conhecer Suzannah.