O Preço De Uma Mentira
22 Capítulo 22
Notas iniciais
Gina abriu os olhos, estava deitada em um sofá em uma sala que lhe pareceu vagamente familiar. Quando começou a lembrar-se, compreendeu que estavam no apartamento privado de Jake. Ele estava sentado a seu lado, olhando-a fixamente com o rosto muito tenso.
— Como está? — parecia transtornado e tinha a voz rouca, com uma curiosa mescla de ira e ansiedade.
— Estou bem — apressou a dizer.
— Me deu um bom susto — resmungou.
Ela tremeu. Não podia ser nada comparado com a impressão que ela tinha recebido. Mas não podia admiti-lo.
— Sinto muito... — tentou explicar seu desmaio. — Fazia muito calor e não deveria ter tomado brandy. Não tenho cabeça para o álcool... — inspirou profundamente e continuou. — Sinto ter dado um espetáculo diante de... de todo o mundo.
— Não acredito que muitas pessoas viram, além de David.
David Newman... O primo de Brady que foi padrinho de seu casamento... A semelhança familiar era tão grande que por um momento tinha acreditado ver um fantasma.
— Era a pessoa que queria que conhecesse? — -perguntou, com as mãos fortemente apertadas.
— Sim — limitou-se a responder Jake, embora seu rosto tivesse se endurecido. Ela sentiu um calafrio. Teria preparado o encontro de propósito, esperando que se delatasse? Não, era impossível. Isso significaria que conhecia sua identidade. Possivelmente sabia tudo e estava brincando de gato e rato com ela, esperando que ela perdesse a prudência.
Era possível que fosse tão cruel? Com o coração lhe tamborilando contra o peito, soube que sim. Ele odiava Gina, e é fácil ser cruel com quem se odeia.
— David é primo de segundo grau de Suzannah e, além de sua mãe, acredito que é seu parente mais próximo — explicou Jake. — Fazia muito tempo que não o via. Trabalha em Nova Escócia, mas agora ia para o sul; sua noiva vive em Calow, e vai passar o Natal com ela. Quando se inteirou de que eu ia estar em The Little Nell, decidiu fazer uma breve visita.
— Está aqui ainda? — perguntou Gina, sentando-se.
— Não, teve que partir. O tempo está piorando e tinha medo de ter problemas.
— Sinto muito ter estragado sua visita — desculpou-se Gina, tentando ocultar seu alívio por que ele havia ido.
— Cumpriu sua função... — afirmou Jake. Ela sentiu o sangue gelar nas veias. — Queria trazer um presente de Natal para Suzannah... — uma batida na porta o interrompeu. — Deve ser o chá que pedi — levantou-se e dirigiu-se para a porta.
— Obrigado. Sim, já está bem — Gina ouviu-lhe dizer. — Não, não é preciso que venha o médico. Foi o calor que fazia no salão.
Voltou com uma bandeja com chá, colocou em uma mesinha baixa e serviu uma xícara, acrescentando bastante açúcar.
— Não tomo com açúcar — objetou ela.
— O chá doce é bom para recuperar-se de desmaios e tonturas — assegurou ele com firmeza.
Gina aceitou a xícara. Fez-lhe sentir muito melhor do que esperava e quando o acabou se sentia muito melhor.
Jake se sentou junto a ela, levantou sua mão e tomou o pulso.
— Isto está muito melhor — murmurou satisfeito. — O pulso se estabilizou e tem um pouco de cor nas bochechas.
Seu escrutínio fez que ruborizasse. Inquieta por sua proximidade e pelo efeito que lhe causava, apertou a mão.
— Ainda é cedo. Quer voltar para a festa...?
— Já não tenho vontade ir à festa, e você?
— Tinha pensado em ir para a cama.
— Isso me parece uma idéia excelente — ronronou ele.
— Só preciso pôr o casaco... — então se deu conta de que estava descalça. — E os sapatos.
— Decidi que ficaremos aqui. Não quero que tenha que voltar a sair em uma noite tão ruim.
Com movimento suaves e firmes, começou a lhe tirar os grampos do cabelo e quando caiu em cascata sobre seus ombros, inclinou-se para beijá-la.
Ela fechou os olhos, tentando lutar contra seus sentimentos. Mas a suavidade e gentileza de seu beijo foi tal que ter os olhos fechados só serviu para intensificar a sensação que lhe produziam seus lábios. Apertou os dentes para não render-se, para não derreter-se de amor e desejo.
Sabia que ele não a queria, mas a beijava como se fosse o que mais desejava no mundo e ela desejou acreditá-lo. Mas isso era enganar-se a si mesma.
— Por favor Jake — o chamou, apartando o rosto. A súbita e apaixonada súplica o pegou de surpresa e segurando-a suavemente pelos ombros, voltou-se para trás para olhá-la.
Ela, tremente, tentou liberar-se, mas ele não o permitiu. Abraçou-a e a acariciou as costas, tranquilizador.
— Deseja-me tanto como eu a ti. Por que lutar contra isso? Do que tem medo?
«De que não me queira. De me sentir ferida. Humilhada. Desprezada. De mil coisas».
— O que sou para você? — perguntou-lhe.
— Todo homem tem seu ponto fraco — seu rosto se endureceu — Digamos que você é a minha.
— Não sou simplesmente uma mulher que está disponível quando deseja uma.
Durante um instante pareceu zangado, mas depois respondeu quase com ingenuidade.
— Se fosse tão simples como isso, nenhum dos dois teria que preocupar-se. Não há escassez de mulheres disponíveis. Por desgraça, parece que nenhuma outra me serve.
Aproximou a boca, selando as palavras dela com suave, mas sensual, e ela, involuntariamente, ficou rígida.
— Só vou beijá-la, nada mais — disse zombador. — Depois, se ainda se opor... — não acabou a frase.
Dessa vez, quando a beijou ela tinha os lábios entreabertos. Persuasivo e ardente conseguiu que os abrisse mais, aprofundando o beijo. Ela sentiu que o fogo corria por suas veias, derrubando as poucas defesas que restavam. Quando por fim se separaram, ela tinha os olhos fechados.
— Gina? — sussurrou seu nome e lhe pôs a mão na bochecha.
Ela abriu as pálpebras pesadas e o olhou. Sua expressão era tensa, à espera. Compreendeu que realmente ia deixar que ela decidisse. Se rendia agora, estaria perdida para sempre, seria sua escrava. Mas, acaso já não o era? Era dono de seu coração, e nunca poderia amar a outro homem.
Com um suave murmúrio de assentimento, demonstrou sua entrega lhe beijando a palma da mão. Resplandecente de paixão e triunfo, levantou-a nos braços e a levou a dormitório que ela recordava de quase quatro anos atrás. Despiu-a com urgência e a deitou sobre a cama, antes de ele despir-se.
Quando se inclinou para beijá-la, rodeou-lhe o pescoço com os braços e o aproximou de seu corpo, desejando o contato de suas mãos. Nada importava já, nem sua ocasional falta de amabilidade nem sua crueldade deliberada, nem sequer o medo de sentir-se ferida e rechaçada, de perder sua autoestima. Alagou-a uma felicidade selvagem, e só sentia agradecimento porque estivesse ali com ela.
Como se não pudessem cansar-se um do outro, envoltos em uma espiral sem princípio nem fim, fizeram amor, ardentes de paixão.
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