Notas iniciais
Olá meninas, e anônimos, aqui estou eu com vai um capítulo, espero que gostem. Obrigada pelos comentários, eles são importantes, bjs.

Apesar de que a lembrança daquela noite, e do desespero do belo rosto de Brady, havia voltado para angustiá-la...

Nos primeiros seis meses de casamento, Brady, esperando com ânsia o nascimento de «seu» filho, perdeu seu ar melancólico. Apesar do desmantelado apartamento, de sua escassez de dinheiro e de quanto lhe preocupava que Gina tivesse que trabalhar, estava mais alegre que nunca.

— É óbvio que lhe fez bem o casamento. Nunca o vi tão feliz — comentava Heather, encantada desde que se inteirou de que ia ser avó.

John e Julie Jefferson, um jovem casal amigos de ambos, que vivia no Morningside Heights, também comentavam que sua futura paternidade lhe estava fazendo muito bem.

— Estava acostumado a ser um homem triste no trabalho — comentou John com bom humor. — Agora está que dá saltos de alegria.

Mas Gina, finalmente, viu-se obrigada a deixar de trabalhar. Seus problemas financeiros aumentaram de forma alarmante e Brady recuperou sua palidez e introversão, estava sempre arrasado. Heather, preocupada com os dois e incapaz de compreender por que Brady se negava obstinadamente a pedir ajuda a seu meio-irmão, fez o que pôde para ajudá-los, mas ele seguiu cansado e doentio.

— A verdade é que ultimamente ele não está com uma cara tão boa. Eu gostaria que fosse ao médico — disse Heather a seu filho um domingo que tinha ido visitá-los.

— Levo tempo tentando lhe persuadir — assentiu Gina. — Possivelmente o faça por você.

— Não me passa nada — disse Brady com irritação — Só que me canso e me doem os ossos. Ir ao trabalho e voltar de metrô é suficiente para esgotar a qualquer um.

— Acaba de me ocorrer uma idéia maravilhosa — gritou Heather com entusiasmo. — Ultimamente quando saio quase sempre vou de táxi, quase não utilizo o carro. O que te parece se lhe der ele de presente de Natal? Necessitarão de um meio de transporte quando nascer à criança...

— Seria genial ter nosso próprio carro — disse Brady com saudade. — Mas duvido que pudéssemos com o gasto.

— Eu lhes ajudarei com os gastos de momento — disse-lhe Heather. — Mas só se for ao médico.

O médico da família o mandou a um especialista e Brady utilizou o carro para ir a uma consulta no hospital Grober, na zona oeste da cidade. Negou-se a mencionar a sua mãe que tinha que ir ao hospital, para não preocupá-la, mas Heather insistiu em saber o que lhe havia dito o médico.

— Falou que tenho anemia. Não é nada grave.

Na sexta-feira seguinte, o dia que ia receber os resultados dos exames, o Jefferson daria uma festa de Natal, e convidaram Gina e Brady.

Gina, que estava a ponto de dar a luz, desculpou-se, mas animou Brady para que fosse, com a esperança de que relaxasse um pouco.

Na sexta-feira pela tarde, Brady saiu cedo do escritório para ir à consulta que tinha com o especialista às quatro horas.

— Te acompanharei — ofereceu Gina, vendo-o nervoso.

Ele fez um gesto negativo.

— Estes médicos tão importantes nunca cumprem o horário. Estará esperando durante horas. Fique aqui e ponha os pés para o alto, como te disse o ginecologista.

Assim que a porta se fechou atrás dele, Gina desejou ter insistido mais. Demorou uma eternidade em voltar e Gina, cada vez mais preocupada e nervosa, esperava com ânsia o ruído da chave na fechadura. Eram mais de sete horas quando chegou, e assim que cruzou a soleira Gina soube que algo ia mal. Tinha uma expressão horrível e seus olhos pareciam dois buracos negros pintados em um lençol branco.

— Que é que você tem? — murmurou.

Brady se afundou no sofá a seu lado.

— Dizem que é uma variedade de câncer, pouco comum, e que tenho muito poucas esperanças de viver até que o bebê tenha três meses.

— Não...Não! Com todos os adiantamentos médicos tem que haver algo que possam fazer...

— Está claro que o tentarão, mas o especialista se negou a me dar o que denominava «falsas esperanças».

Gina o rodeou com os braços e embalou sua cabeça contra o peito.

— Pois eu não penso em perder a esperança — disse com confiança. — Quero que viva para ver crescer a nosso bebê.

— Embora o consiga, quero que saiba que me casar com você foi o melhor que tenho feito. Estes últimos meses foram os mais felizes de minha vida de adulto — disse ele, depois de uns minutos de silêncio. Depois, com alegria forçada, continuou. — Enfim, se não ficar muito tempo, tenho que aproveitá-lo bem. Não te importa se sair por algumas horas?

— Aonde vai? — perguntou ela com a boca seca. Tinha notado que o fôlego cheirava a álcool, estava claro que ele tinha bebido.

— À festa de John e Julie não se lembra?

— Tomará um táxi?

— Não temos dinheiro para esbanjar em táxis — replicou com expressão teimosa, e ela compreendeu que tinha bebido mais da conta. — Ainda não estou no caixão, sou perfeitamente capaz de dirigir.

— Sabe de uma coisa? Estou farta de estar aqui. Acredito que irei junto — disse Gina, convencida de que se tentasse persuadi-lo não conseguiria nada.

Ele a olhou surpreso.

— Essa é minha garota. Aproveita minha companhia enquanto ainda estou aqui — disse, com uma careta horrível.

Ela tinha a esperança de que, se fosse com ele, conseguiria convencê-lo a ir de táxi, mas ele, ignorando suas súplicas, ajudou-a a subir no carro e ficou ao volante.

Nevava quando se encaminharam para o Morningside Heights em silêncio. De repente era como se não ficasse nada por dizer.

Chegaram ao diminuto apartamento dos Jefferson justo quando a festa começava a animar-se. Julie, pequena, morena e vivaz, abriu-lhes a porta.

— Entrem, amigos — exclamou, embora a surpreendesse ver Gina ali. Pendurou seus casacos e, depois de um breve e escrutinador olhar a ambos os rostos, levou-se Gina à cozinha enquanto Brady se dirigia para o bar.

— Brigaram? — perguntou Julie, depois de acomodá-la em uma cadeira de balanço.

— Não.

— Então, o que se passa? Por que Brady saiu correndo como se não pudesse esperar para tomar uma bebida?

Gina cheia de angústia, lhe contou.

— Oh meu senhor! — sussurrou Julie. — Não sei como vai dizer a sua mãe. Heather o adora isto a destroçará — de repente, começou a chorar. — Olhe será melhor que te deite um momento em minha cama. Eu tenho que fazer o papel de anfitriã, mas pedirei a John que fique atento a Brady — ofereceu Julie, quando a Gina já não restava lágrimas.

Perdida em sua tristeza, Gina se deitou na escuridão, com os olhos abertos, escutando a música, as vozes e as risadas da suíte contígua, até que o ruído começou a diminuir e Julie voltou para lhe comunicar que a festa estava terminando.

— Temos um pequeno problema. John tentou chamar um táxi, mas Brady insiste em conduzir. Está esperando no carro; está muito bêbado, tem que lhe impedir.

Gina colocou o casaco e John a acompanhou para fora.

— O chão está escorregadio, será melhor que te apoie em meu braço.

Quando chegaram ao carro, o motor estava ligado, e Brady estava meio deitado sobre o volante.

— Vamos, amigo — pediu John. — Não está em condições de conduzir. Sai e chamarei um táxi.

— Não penso em sair. Vamos de carro — resmungou Brady em tom beligerante.

— Então, passe ao outro assento e me deixe conduzir — suplicou Gina.

Para sua surpresa e alívio, concordou. Seu único pensamento era levá-lo para casa são e salvo, e desceu pela Rua Tahlequah em direção à ponte elevada...