O Preço De Um Adeus
9 Capítulo 9
_ Não imaginava que algo assim pudesse acontecer! – uma voz baixa começou a fazer sentido em sua cabeça.
_ Não pode se culpar! – uma voz mais distante ainda ecoou no escuro.
_ Xiuuu... Vão acordar os pacientes! – uma terceira pessoa se juntou a conversa.
_ Pelo que os relatórios dizem, ele fazia parte de um grupo de elite de magos, mas foi morto em batalha por um monstro. – sussurrando o dialogo continuou.
_ A culpa não é sua, pela última vez! – imagem embaçadas começaram a tomar forma uma sombra abraçada nos próprios joelhos na cama ao lado e outra esguia e alta, aparentemente segurando-lhe no ombro.
Com o passar de mais alguns minutos ele já estava vendo nitidamente, Flame e Alice abaladas, e numa forte dor de cabeça e com muito esforço ele sentou na cama, sentindo seu corpo todo latejar.
_ O que está acontecendo aqui? – disse ele com muito esforço.
Ambas se olharam e ele sentiu uma mão pesada em seu ombro.
_ Deveria ficar deitado, você consumiu todo o seu poder magico e está em coma a 4 dias. – uma mulher loira de roupa branca e um olhar calmo que provocou-lhe certa angustia.
Allan fechou os olhos e pressionando a mão contra a testa, tentava controlar a dor de cabeça que começou a piorar e em um redemoinho, suas lembranças da última batalha vieram atordoar o pensamento, até o momento em que ele perdeu o controle.
_ Yui... – como um lapso ele pronunciou o nome – Yui, onde está Yui! – falou ele agora com raiva no olhar para Flame e Alice. A enfermeira interveio e apenas com a ponta do dedo indicou uma cadeira no canto do quarto, próxima aos pés da cama de Allan, onde um garoto de cabelos negros extremamente bagunçados repousava encolhido e no lugar de seu olho um curativo.
_ Ele está aqui desde que acordou da anestesia! – falou ela explicando.
Ela notou o olhar angustiado de Allan quando percebeu o tapa-olho branco que o menino usava.
_ Não se preocupe, não conseguimos recuperar o olho, mas com um transplante, ele retornou a enxergar. – Allan baixou o olhar para suas mãos e mesmo com aquelas palavras o grito do rapaz não deixaria sua memória tão cedo.
Ele fez menção de levantar, mas Alice o impediu.
_ Onde pensa que vai?
_ Tenho um trabalho a fazer! – ele a encarou como nunca tinha feito em sua vida.
_ E o que pretende fazer nesse estado? – ela tocou em um ponto crítico, já que estava claro que não conseguiria dissuadi-lo a desistir de uma vingança.
_ Farei o que puder! – demonstrou desprezo no olhar.
Alice engoliu em seco, antes de uma lembrança dar-lhe uma ideia.
_ E o casamento de sua irmã? – ela perguntou, vendo-o agora sentir a garganta rasgar com um gole de saliva.
Ele fechou os olhos e pensou um pouco, olhou mais uma vez para o rapaz e acomodou-se na cama.
Alice e Flame trocaram olhares aliviadas, até um mensageiro entrar rasgando a porta, quebrando a paz do local, dirigindo-se a Alice e sussurrando em seu ouvido, fazendo-a sair dali de imediato.
_ Tirem um mês de folga! – finalizou ela antes de passar pela porta.
Allan olhou para Flame que desviou o olhar pesaroso de culpa, e ele então entendeu que ela se sentia tão inútil quanto ele próprio.
Em um suspiro ele se pegou admirando o menino que mesmo com aquele curativo, não perdera um traço de beleza.
Yui abriu lentamente o olho e quando viu Allan acordado não se conteve e se atirou em um rápido e descuidado abraço, fazendo ele gemer de dor.
_ Eu estou bem – falou Allan, contendo lágrimas.
Ele olhou para Allan e desabou em um choro profundo, fazendo sorrir o enfermo, enquanto esfregava cuidadosamente o emaranhado de cabelos negros que ocupavam seu colo.
_ Vamos ver a minha irmã? – falou ele tentando fazer o garoto parar.
O moreno levantou a cabeça e com um suave sorriso afirmou, antes de deitar mais uma vez no colo de Allan e pegar no sono.
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