O Preço De Ser Uma Malfoy
5 I dare you to lift yourself up off the floor
Notas iniciais
~ Aproximadamente 4 anos atrás ~
Pouco mais de um ano depois do dia em que eles achavam que Summer tinha morrido, Pansy tinha chamado Hermione para jantar com ela no que ela disse ser um ótimo restaurante mexicano bem longe do centro de Londres. Ela deu o endereço para a amiga e mandou se encontrar com ela lá ás 20 horas.
Quando Hermione chegou, viu Pansy parada na entrada de um prédio.
— Ei, – ela falou – pensei que estávamos nos encontrando para jantar. Que lugar é esse?
— Aqui é... hum... – Pansy parecia sem saber por onde começar a falar — Hermione, você tem que me prometer que não vai ficar brava.
— Ok. Não me dê motivos para ficar brava. – Hermione replicou, se sentindo apreensiva.
Pansy se aproximou, desejando não estar tendo aquela conversa na calçada. Mas sabendo que precisava explicar para Hermione antes que elas pudessem entrar.
— Olha, eu sei que esse é um assunto delicado... Mas você é minha melhor amiga e eu sei que, bom... eu sei que você não tem estado nada bem.
Hermione balançou a cabeça negativamente e abriu a boca para falar algo, mas Pansy a interrompeu.
— Não adianta negar. – ela segurou seu braço – Não me subestime. Nós já passamos por muita coisa juntas. E eu sei que tem acontecido muita coisa na sua vida e que tudo está mudando mas não quero que você se sinta como se não pudesse conversar comigo sobre isso. Eu sei que você está triste. Que não tem estado nem um pouco melhor desde o que aconteceu, apesar de todas as vezes que disse que estava bem. Não sei porque quer esconder isso e eu tenho certeza que acharia o motivo dessa sua necessidade de tentar parecer feliz o tempo todo muito interessante, mas não importa. O que importa é que...sinceramente, eu acho que você está deprimida, Hermione.
— Pansy...
— Cala a boca. Me ouça. – Pansy a olhou nos olhos – Você não é estúpida, eu sei que você sabe também. Você está pálida, você quase não dorme e eu tenho certeza que você não come. Você emagreceu muito nos últimos meses.
Hermione não falou nada durante alguns segundos, apenas encarou o vazio. Quando voltou a olhar pra Pansy, perguntou:
— O que isso tudo tem a ver com esse lugar?
— Essa é a parte em que você não pode ficar brava. Mas eu procurei um grupo de apoio pra você. Pra mulheres que perderam seus filhos.
— Pansy!
— Me desculpe, mas você precisa de ajuda.
— Como você pode saber do que eu preciso? – uma lágrima escorreu pelo rosto de Hermione e ela logo a limpou – Você não sabe o que eu estou sentindo!
— Você tem razão, eu não sei. Mas você precisa lembrar que eu já perdi um bebê também...
— Isso não...
— Eu sei que não é a mesma coisa. Eu sei que no seu caso, é tudo dez mil vezes pior. E é justamente por saber isso, que eu também sei que você precisa de ajuda. Porque eu me lembro de como eu me senti. E se o que você está sentindo é dez mil vezes pior, não posso nem imaginar pelo que você está passando. Então é assim que eu sei que você precisa disso, Hermione. Você precisa de alguma coisa pra extravasar a raiva e a tristeza que você está sentindo. Draco está fazendo isso no quartel dos aurores, socando caras malvados. Você precisa achar algo pra você.
— Mas um grupo de apoio? Eu posso socar caras malvados também!
Pansy sorriu.
— Tenho certeza que pode. Mas essa não é você. Draco pode se sentir melhor socando pessoas, mas você não. O que te ajudou a melhorar quando você se meteu naquela confusão toda no ano retrasado? – Hermione não respondeu – Eu sei que você sabe, Hermione. Foi quando você começou a falar e ser honesta com os seus sentimentos. Quando você se fechou para o mundo, você só se enterrou mais ainda. E eu sei que você não quer cometer esse erro de novo.
— Eu quero falar mas... – ela hesitou – vocês todos tem estado tão bem... Não quero levar meus problemas pra vida de vocês. Não de novo.
— Nós somos seus amigos. Não acredito que você está me fazendo dizer algo tão idiota, mas seus problemas são nossos problemas.
— Eu também não acho que vocês vão poder fazer nada pra ajudar, Pansy... Vocês não entendem...
— Eu sei. E é por isso que eu quero que você entre aqui comigo e fale com pessoas que entendem.
— Mas eu não quero falar com estranhos.
— Você não precisa falar hoje, se não se sentir confortável. Na verdade, eu confio que você saiba o que vai te fazer bem ou não então se você se sentir completamente desconfortável, nós não precisamos nem voltar. Mas eu quero que você entre aqui comigo hoje.
Hermione suspirou e Pansy a deixou pensar por alguns minutos.
— Ok. Vamos entrar. Mas eu não prometo nada.
— Não quero que prometa nada.
— Outra coisa. Draco não pode saber. Não quero que ele ache que eu não estou bem.
— Ok. Tenho certeza que ele sabe que você não está bem, de qualquer maneira. Mas nós não precisamos contar pra ele.
Hermione e Pansy entraram e como Pansy esperava que acontecesse, voltaram muitas vezes depois disso. Na terceira ou quarta vez, Hermione falou pela primeira vez. Ela chorou tanto naquele dia, como Pansy nunca tinha visto a amiga chorar. Pansy segurou a mão dela por todo o discurso e chorou também. Aos poucos, Hermione foi melhorando. Ela nunca mais foi a mesma depois daquilo, mas Pansy nunca esperou que ela fosse. Mas ela chegou em um ponto em que pôde continuar a viver a vida normalmente, e isso é tudo que elas poderiam pedir.
**********
~ Presente ~
Morgan Campbell sorriu ao ver Summer correndo em sua direção.
— Bom dia, luz do dia.
— Você viu Lucy, Mo? – ela perguntou observando enquanto a senhora já de idade cuidava do seu jardim de sakuras melhor do que cuidava da própria vida.
Aquele era o lugar preferido de Summer no orfanato inteiro. Além de ser, na maior parte, da sua cor preferida – rosa -, a maioria das crianças não costumavam ir ali porque achavam o playground ou a sala de jogos mais interessante. Summer não. Ela e Lucy passavam horas brincando ali, e ajudando Mo a cuidar do jardim. As outras crianças não gostavam quando elas ficavam por perto de qualquer jeito, e ali elas nunca se metiam em problema – como geralmente acontecia quando a Srta. Meg as faziam para tentarem “se enturmar”. Srta. Meg era a diretora do orfanato, e podia ser muito legal, se não estivesse brava nem nervosa com alguma coisa.
— Lucy vai passar o dia com a nova família dela hoje, querida...
— Ela vai mesmo embora? – a menina perguntou, triste.
Morgan olhou para ela.
— Temo que sim.
A garota olhou para o chão.
— Quando vai ser?
— Logo, meu amor.
— Todo mundo vai embora, Mo. – ela olhou para o chão e sua voz saiu embargada – Todo mundo, menos eu. Lucy era a minha preferida. Ninguém mais gosta de mim.
— Isso é porque você é especial, Sum. E Lucy também é.
— Nunca mais vou ver ela de novo?
Morgan, pegando uma flor, se abaixou para ficar da altura dela.
— Você vai vê-la de novo. Senão agora, com certeza um dia. Porque vai chegar uma época em que você e Lucy vão entrar para a mesma escola. E lá vocês vão ser ainda melhores amigas do que são agora. – concluiu, colocando a flor atrás da orelha dela.
— Mas eu quero uma família pra mim também, Mo. Ninguém nunca vai me levar?
— Com certeza, Summie. Melhor que isso, a sua família vai levar você. Eles não vão demorar agora.
— Você sempre diz isso. Mas eles nunca vêm.
— Eles estão perdidos também, bebê.
A menina ficou em silêncio e Morgan tirou algo do bolso.
— Sabia que estaria triste hoje, por isso preparei um presente.
— Um presente?
— Sim.
Morgan lhe entregou um colar, que era na verdade um relicário. Summer teve dificuldade para abrir mas quando conseguiu, suas sobrancelhas se uniram.
— Quem são esses? Eu já vi eles.
Morgan franziu o cenho.
— Já os viu, Summer? – ela se aproximou da menina – Aonde?
— Eu os vejo sempre. Quando vou dormir.
Morgan a encarou um pouco assustada.
— Nos seus sonhos?
— É. Essa mulher está sempre chorando... – ela olhou para o relicário – E o moço... tão triste... Qual o nome deles?
Morgan sorriu.
— Essa mulher se chama Hermione. – ela apontou para a foto do lado esquerdo do relicário.
— Hermione? Que nome engraçado.
— Porque você ainda não ouviu o nome dele. – ela apontou para a foto do homem ao lado – Draco.
— Uou.
— Significa dragão. E é também uma constelação.
— O que tem eles?
— Bom... Essa mulher... Hermione, não esqueça o nome dela... Cresceu acreditando que todos os seres eram iguais, independente de todas as diferenças que existissem entre as pessoas. Ela sempre soube que todos eram importantes de algum jeito. O homem, Draco, não tinha essa crença. Desde que podia se lembrar, ele tinha sido ensinado que algumas pessoas, pessoas como ele, eram mais importantes que as outras. Até Hermione aparecer e lhe mostrar que a maior parte das coisas que ele pensava estava errada. Então eles se apaixonaram. – Morgan a olhou – E você nasceu, Summer.
Os olhos de Summer se arregalaram.
— Meus pais?
— Eles mesmos. Você não precisa achar outra família. Você já tem uma. E eles são loucos por você. Mesmo sem te conhecer. Você só tem que perdoá-los pela demora, porque a culpa não é deles. Eles também estavam um pouco perdidos.
Summer sorriu.
— Quando eles vão vir me achar, Mo?
— Logo, Summer. Eles não vão parar enquanto não te acharem.
**********
Hermione teria ficado um pouquinho menos irritada se seu querido marido tivesse a deixado em paz e ela pudesse sair do ministério sem nenhum outro confronto. Mas seu marido era Draco Malfoy e ele vivia para irritá-la desde que os dois se conheceram. Então não.
Quando ela estava entrando no elevador do Ministério, ele conseguiu se enfiar lá dentro com ela.
— Hermione, eu sei que você está me odiando no momento e eu entendo mas por favor... Nós precisamos conversar. Isso é muito importante. Eu preciso te explicar e... Te contar outras coisas. Uma coisa que eu descobri essa semana.
— Tem mais? – ela perguntou numa tentativa de ser sarcástica, enquanto tentava enxugar as lágrimas.
— Agora tem...
Ela ficou calada e ele falou, olhando em volta:
— Eu acho que a gente deveria ir para um lugar mais...
— Fala logo, Malfoy! – Hermione exclamou.
Ele suspirou e sua voz soou baixa e hesitante:
— Tem uma possibilidade... Uma grande possibilidade, eu acho... De Lúcio não ter realmente... A matado...
Hermione o olhou de olhos arregalados e desistiu de tentar controlar o choro.
— Isso é algum tipo de brincadeira? – ela perguntou com a voz trêmula.
— Não. – ele respondeu, tentando ser firme e mostrar pra ela que não estava mentindo ou omitindo mais nada – Eu falei com Greyback... Ele estava sob o veritasserum... Ele disse que Lúcio não desperdiçaria tanto poder... Na época, você ainda não tinha desistido dos seus poderes e junto comigo...
— Ele quer usá-la como algum tipo de arma? – ela perguntou, parecendo enojada.
Draco balançou a cabeça.
— Essa foi exatamente a palavra que Greyback usou. Depois que eu falei com ele, me submeti a exames no St. Mungus porque Potter sugeriu que Lúcio devia ter, de alguma forma, colocado uma lembrança falsa na minha mente. E ele estava certo.
Hermione se encostou na parede do elevador e cobriu seu rosto com as mãos. Achava que ia ter um colapso nervoso a qualquer instante.
Sentiu a mão de Draco tocá-la e se esquivou, perdendo a expressão de dor no rosto dele ao fazê-lo.
— Hermione... Eu sinto muito que você tenha que passar por isso. E descobrir tudo desse jeito.
Ela o olhou.
— Como você pode estar tão calmo?
— Eu não estou. Eu quero gritar e socar algo, mas sei que isso não vai ajudar em nada. Eu preciso me focar em trazê-la de volta...
— Isso ao menos é possível? – Hermione perguntou – Você tem procurado Lúcio há anos...
— Se não for possível, eu vou fazer ser. Eu não me importo com o que eu tenho que fazer. Eu não vou deixar aquele psicopata fazer mais nenhum mal pra ela. Eu juro.
Hermione ficou em silêncio, sem encará-lo. Nunca tinha achado o elevador do ministério tão lento.
— Você está indo pra casa?
Ela levantou a cabeça lentamente e o encarou.
— Eu quero ir pra longe de você.
— Hermione...
— Eu não quero falar agora. Eu quero ficar longe de você. Eu não acredito que isso está acontecendo. – ela colocou as duas mãos na cabeça e começou a chorar livremente – Eu devo estar tendo um pesadelo, isso não pode ser verdade.
A porta do elevador abriu no térreo mas nenhum dos dois saiu.
— Hermione... – ele tentou se aproximar dela novamente, querendo mais do que tudo poder abraçá-la – Eu sinto muito. Me deixa te levar pra casa, eu...
— Não, Draco. – ela falou, mais firme agora – Não está vendo? Eu não consigo nem olhar pra sua cara.
Draco se assustou e sentiu seu coração doer ao ouvir aquilo. Quando viu, Hermione já tinha ido embora.
**********
Antes de Hermione saber o que estava fazendo, ela se viu chegando à casa de Lucas e Pansy. Empurrou a porta da frente e entrou no hall, ouvindo logo a voz de Lucas vinda da sala de jantar.
— Você quer ir lavar as mãos de uma vez para que todos nós possamos jantar, Mike?
Ela foi até lá e Pansy, Lucas e Sarah estavam sentados à mesa. Mike devia ter ido lavar as mãos.
— Ei. – Pansy sorriu ao vê-la – Não sabia que vinha jantar com a gente.
— Tinky, — Lucas falou para o elfo doméstico que tinha acabado de entrar – coloque mais um prato na mesa pra Hermione.
— Senta aqui, tia. – Sarah bateu a palma na cadeira ao seu lado e Hermione tentou sorrir, indo fazer o que a menina sugeriu.
— Você está bem? – Lucas perguntou e ela sentiu Pansy a analisar.
Hermione mordeu o lábio. Não era a hora.
Mike chegou e o jantar seguiu tranquilamente. Hermione tentou ouvir as histórias das crianças e se deixar descontrair pelas implicâncias comuns de Pansy e Lucas e imaginou que tinha feito um bom trabalho, já que a amiga parou de olhá-la daquele jeito estranho.
Quando a refeição acabou, Pansy e Lucas subiram para colocar as crianças na cama e Hermione foi esperá-los na sala de estar.
Em cima da lareira, havia dezenas de porta-retratos. Hermione sempre se surpreendeu por caber tantos em um lugar só. Pansy sempre dizia que nenhuma das fotos podia ser descartada e Hermione concordava. Havia fotos de Draco, Lucas e Pansy quando crianças, adolescentes, e também de um grupo bem maior, se divertindo em uma viagem ao Havaí no verão, cinco anos atrás. Havia a foto do casamento de Lucas e Pansy, e de quando Sarah e Mike nasceram, e então de como a família deles foi se desenvolvendo com o passar do tempo. Ver aquilo naquele momento fez as lágrimas voltarem aos olhos de Hermione. Seus amigos tinham uma família linda e essa possibilidade havia sido tirada dela porque o pai de Draco era um psicopata... E agora... Agora tudo estava confuso.
Um soluço brotou no fundo da sua garganta e ela sentiu uma dor tão profunda no coração que teve que escorar a mão na lareira e levou a outra a cintura, tentando controlar sua respiração. Ela tinha lido sobre isso, estava prestes a ter um ataque de pânico.
Ela tinha começado a chorar copiosamente.
— Hermione?
Respirou fundo ao ouvir a voz de Pansy e limpou seu rosto antes de se virar para encarar a amiga. Como se isso fosse ajudar.
Pansy arregalou os olhos ao ver o estado de Hermione.
— O que aconteceu? – ela perguntou se aproximando.
Hermione balançou a cabeça negativamente. Ela tinha ido até lá, achando que precisava falar sobre isso, mas agora nem achava que conseguia.
— Você tá chorando. – Pansy tocou seu braço, alarmada. A última vez que tinha visto Hermione chorar daquele jeito...
— Pansy. – Hermione se forçou a falar em meio às lágrimas – Draco mentiu pra mim esse tempo todo. – ela continuou, tentando se fazer clara quando mais soluços ameaçavam saírem pela sua garganta – Nossa filha está viva. Ela foi sequestrada e eu não sei onde ela está...
— O quê? – Pansy arregalou os olhos alarmada – Draco mentiu pra você que ela estava morta?
Hermione balançou a cabeça negativamente de novo. Ela não estava bem pra explicar a história e tinha misturado tudo.
— Você precisa se acalmar. Vem, sente-se aqui.
Ela colocou Hermione sentada e conjurou um copo d’água para ela. Esperou pacientemente e em silêncio enquanto Hermione se acalmava, sabendo que era algo que ela precisava fazer sozinha. Aquele era o motivo que Hermione tinha ido procurar Pansy. Ela não estava a olhando com pena e nem a tratando tipo “deixe-me abraçá-la”. Ela sabia o que se passava na sua cabeça.
— Agora me diga, o que aconteceu?
— Lúcio fez Draco acreditar que tinha matado Summer no dia em que ela nasceu. – ela falou automaticamente, tentando não pensar na situação, só passando os fatos — Ele a pegou e colocou uma lembrança na mente de Draco. Ele escondeu isso de mim por todos esses anos. Mas agora ele descobriu que a lembrança era falsa e que Lúcio a manteve viva. Em algum lugar, ele não sabe aonde.
Elas ouviram passos e Lucas entrou na sala. Pela expressão dele, tinha ouvido tudo.
— Você sabia disso? – Pansy perguntou a ele de forma acusadora.
— Só a primeira parte. – ele falou, se aproximando – Eu sinto muito, Hermione. Nós dissemos a Draco que ele deveria te contar.
— Como assim ‘nós’? Quem mais sabia disso? – Pansy perguntou.
— Só Potter e eu.
Hermione não estava com raiva deles. Não era a posição deles dizer nada a ela, era de Draco.
Pansy não parecia tão compreensiva. Nem com Draco nem com Lucas.
— Como ele pôde fazer isso? – ela perguntou, mais pra si mesma. – E agora... O que vocês vão fazer para encontrá-la? E se ela não estiver mais...?
— Pansy. – Lucas a interrompeu.
— Viva? – Hermione completou. Nenhum dos dois respondeu. Seu lábio inferior tremeu e ela fez de tudo para não recomeçar a chorar – Eu não sei... Eu não sei nem o que estou sentindo... Eu estou com tanto ódio de Lucio por nos colocar nessa situação e... Fazer isso com minha filha... – ela limpou algumas lágrimas que teimaram em cair – Ódio mesmo. De verdade.
— Agora podemos entender a obsessão de Draco em encontrá-lo... – Pansy falou.
Hermione concordou.
— E também estou tão brava com ele. Eu... Não sei o que fazer... – ela encarou os dois amigos que a olhavam atentamente – Não sei como vou perdoar ele por isso.
Nenhum dos dois respondeu. Uma mentira daquele nível era sequer perdoável? Hermione não tinha como saber.
— Eu acho que... Eu preciso ir embora agora...
Pansy observou com o cenho franzido enquanto a amiga se levantava.
— Embora pra onde?
— Não sei... Só sei que eu preciso... – ela balançou a cabeça e Lucas a olhou com preocupação – Draco vai estar aqui logo. Eu não quero vê-lo. Vou passar a noite em algum hotel ou... Não sei, vou pra casa dos meus pais... – então ela se lembrou – Mas Draco vai me procurar lá também então... É o hotel mesmo...
— Ok. – Pansy se aproximou dela – A gente entende. Só mande uma coruja quando souber o hotel que vai ficar, ok? Já que é de se imaginar que ele vai procurá-la no Caldeirão Furado também...
Hermione riria, se a situação não fosse tão drástica.
Pansy a abraçou.
— Fica bem, ok? Tira essa noite pra pensar e... Tentar clarear a mente...
— Tudo bem.
Ela se afastou e Lucas a abraçou.
— Se cuida, Granger. E tente se colocar no lugar dele, ok?
Pansy revirou os olhos.
— Não acredito que você está defendendo o Draco.
— Eu não estou defendendo ele. – Lucas falou, se afastando de Hermione – Só estou dizendo que nada disso é fácil pra ele também.
Hermione suspirou e se afastou.
— Eu aviso quando encontrar um lugar, pessoal.
*********
Mais tarde, Pansy estava sentada no escritório da sua casa, tentando organizar alguns documentos apesar de não conseguir parar de pensar em tudo que Hermione tinha lhe dito, quando Draco entrou.
— Pansy. – ele chamou, fazendo-se notar.
Pansy levantou os olhos.
— Ela não está aqui.
Draco suspirou.
— Mas ela esteve?
Pansy se levantou e foi até ele.
— Sim.
— Você sabe onde ela está agora?
— Não.
— Se soubesse, me contaria?
— Provavelmente não. – ela cruzou os braços e o encarou – No que você estava pensando?
Draco bufou.
— Sinceramente, Pansy... Não preciso que você comece a brigar comigo agora. Você pode, por alguns segundos, deixar de ser só amiga de Hermione e ser minha também?
Pansy suspirou e se sentiu um pouco culpada. Apesar de continuar muito próxima de Draco, ela sabia que em todas as vezes que precisou escolher, sua lealdade tinha sido dada sem dúvida alguma completamente para Hermione.
— Como você está? – ela perguntou, fazendo sinal para ele se sentar.
— Como você acha que eu estou? – ele perguntou – Minha esposa me disse que não consegue olhar na minha cara.
Pansy não respondeu e Draco não se surpreendeu. Não esperava nenhum pingo de simpatia
— E você acha que ela está certa. – ele completou, amargurado. – Que eu fiz por merecer. No lugar dela, você não teria nem considerado a hipótese de continuar comigo.
— Não, Draco...
— Eu te conheço, Pansy. Sei o que você está pensando. Você toma atitudes drásticas.
Pansy suspirou. A verdade é que aquela história toda tinha mexido muito com ela também. Draco tinha guardado aquele segredo tão grande de Hermione, mesmo amando-a tanto, que a mente dela estava girando, pensando nas coisas que as pessoas podem querer encobrir pra não decepcionar a pessoa amada. Aquilo com certeza a estava fazendo querer tomar uma atitude drástica.
— Você realmente achou que conseguiria guardar um segredo desse pra sempre?
— Eu não sei o que eu pensei! Tudo se transformou numa bola de neve, ok? Eu não consegui contar a verdade quando aconteceu e depois... Não tinha como eu contar depois!
Eles ficaram em silêncio por um tempo.
— Bom, agora não dá mais pra chorar pelo leite derramado...
— O que eu faço, Pansy? O que eu faço pra Hermione me perdoar?
Ela deu de ombros.
— Sinceramente, Draco... Eu não tenho ideia. Por mais que eu odeie clichês, só posso dizer pra você dar tempo ao tempo...
Draco suspirou.
— Eu já vou indo. – ele disse, quando viu que não havia mais nada pra fazer ali.
Mas antes de sair pela porta, Pansy o chamou.
— Draco? Eu sei que a situação de vocês parece bem ruim agora... Mas como amiga dos dois, já vi vocês passando por muita coisa. Coisas que eu e muita gente chegou a achar que vocês não iam superar. E até hoje, tenho certeza que tem gente que se pergunta como vocês chegaram tão longe... Então se tem um casal que pode superar isso, é vocês.
*********
Depois de ir na casa de Pansy e Lucas, Draco tinha ido pra sua própria casa e decidido parar de procurar Hermione. Pelo menos por aquele dia. Conhecia ela muito bem e, apesar de querer desesperadamente explicar o que tinha se passado pela sua cabeça quando escondeu a verdade dela, sabia que Pansy estava certa e ela precisava de um tempo.
Sentou na sala de estar e com uma garrafa de firewhisky na mão, tentou afastar sua mente um pouco de Hermione para descobrir qual deveria ser seu próximo passo na busca da sua filha. Ele sabia que não podia tirar mais nada de Greyback. Aquele ali já devia ter falado tudo o que sabia, o que não era muito. Tinha recebido notícias mais cedo do St Mungus, mas nada muito encorajador. Eles tinham tentado repor suas lembranças mas tudo que conseguiram foi uma memória confusa e desfocada.
O que sempre lhe inquietou nessa história toda é da onde Lucio vem tirando dinheiro para se manter durante todo esse tempo. Draco sempre imaginou que ele estivesse escondido em algum lugar, quase morrendo de fome ou algo do tipo, mas pelo que Greyback lhe falou, ele anda fazendo refeições no Caldeirão Furado com Bellatriz.
E agora, para manter uma criança? Da onde eles estavam tirando dinheiro? Todas as contas em Gringotes dos comensais foram canceladas assim que eles foram reconhecidos como tais. Mas pensando nisso, Draco concluiu que de algum forma o dinheiro só poderia estar vindo de lá. Lúcio não conhece nenhuma outra forma de conseguir dinheiro.
Foi pensando nisso que Draco caiu no sono, e quando acordou no dia seguinte, o sol forte entrava pelas enormes janelas de vidro da sala e a porta da frente da casa estava sendo aberta.
*************
Assim que Hermione entrou no hall da mansão, Draco apareceu na porta da sala. Ela bufou irritada, porque estava na esperança de que ele não estivesse em casa.
Bateu a porta e se encaminhou para a cozinha.
— Hermione, nós precisamos conversar.
Ela não parou para olhá-lo.
— Oh, então agora que ele quer conversar, eu sou obrigada a parar pra falar com ele. Isso não é ótimo? — ela abriu um armário e começou a tirar panelas de lá — Muito interessante essa sua linha de raciocínio, mas eu estou morrendo de fome e só quero comer alguma coisa em paz. Vou para a casa dos meus pais logo logo.
— Hermione, eu sei que eu mereço isso mas...
Ela apenas o olhou de relance:
— Você acha?
— Onde você passou a noite? Eu fiquei preocupado... Você está bem?
Hermione suspirou alto.
— Não, Draco, eu não estou bem. Porque pela primeira vez em anos, nós não estamos bem... — ela fez uma pausa e sua voz saiu embargada — Nada bem...
— Hermione, eu sinto muito... Sinto muito mesmo... Mas eu preciso que você me ouça, que tente entender... Eu fiquei com medo...
— Medo de quê?
— De você me odiar!
— Essa é a desculpa mais esfarrapada que eu já ouvi em toda a minha vida... Como você pôde pensar, depois de tudo que a gente passou junto, que eu iria te odiar? Você sempre soube que eu nunca consegui! E de qualquer maneira, por que eu iria te odiar? Não foi sua culpa!
— Foi minha culpa sim! E isso era diferente! Não se tratava de algum jogo estúpido que um de nós terminou magoado ou sobre alguma coisa que você fez que partiu meu coração ou vice-versa! Se tratava do fato do que meu nome significava... Do que eu ser quem eu sou significava... E isso machucou você? Sim. Mas não diretamente... Machucou nossa filha e por consequência machucou você... Ela estava morta por minha culpa! Por eu ser quem eu sou! Nem eu conseguia me perdoar por isso, Hermione... Como você poderia?
Ouvir aquilo a irritou tanto que ela não pôde evitar gritar:
— E por isso você me deixou sentir culpada no seu lugar? — ela se encostou na bancada da cozinha, sentindo como se sua cabeça fosse explodir. Lágrimas começaram a cair livremente e ela tentou se acalmar e fazer com que sua voz saísse claramente — Draco, durante esses cinco anos, não teve um dia em que eu não odiei a mim mesma por não ter sido capaz de dar á luz a um bebê saudável... Você sabia que eu cheguei até a pedir um diagnóstico mais detalhado da situação porque eu achei, de verdade, que eu tivesse algum tipo de culpa nisso? — ela limpou as lágrimas brutalmente com a mão sentindo uma raiva absurda dele e de si mesma por não conseguir parar de chorar — Todos os dias eu repassava a minha gravidez inteira na cabeça... Tentando descobrir o que poderia ter dado errado, o que eu poderia ter feito de errado, que teria causado aquilo... E agora eu descubro que... Que você estava lá o tempo todo, assistindo a minha dor enquanto mentia na minha cara?
Draco não conseguia mais olhar pra ela. Se sentia a pior das criaturas.
— Hermione... Eu sinto muito... Eu não via dessa forma... Como eu deveria saber que você se sentia desse jeito se você nunca nem quis conversar sobre isso? Eu sinto como se você tivesse se afastado de mim desde que isso aconteceu, como eu iria me sentir confortável pra te contar isso?
— Oh, — ela o olhou com os olhos faiscando de raiva — então você guarda um segredo desse tamanho de mim por anos e a culpa é minha porque de alguma forma, eu estou te afastando?
— Hermione...
— Eu não estou te afastando, Draco! Eu te amo! Eu quero construir uma família com você e quero que nós fiquemos juntos pra sempre mas você não podia ter escondido isso de mim! — ela se afastou dele abaixando a cabeça e chorando desesperadamente agora.
Ver Hermione chorando daquele jeito por causa dele estava partindo o coração de Draco. Não tinha sensação pior. Ele mesmo estava lutando contra as lágrimas. Como podia ter deixado aquilo se tornar uma coisa tão gigante entre eles?
— Depois de tudo que nós passamos juntos, — ela murmurou depois que conseguiu se acalmar — eu jurei que sempre seria sincera com você, e tentei manter a minha palavra enquanto você estava guardando um segredo desse.
Ele não respondeu. Não respondeu porque não havia mais nada o que dizer.
— Você está completamente certa. – ele falou, resignado – E eu não vou mais inventar desculpas pra você. Nem pra mim. Eu fiz uma coisa terrível com você. Não acredito que eu pude fazer isso com a pessoa que eu mais amo. Eu sinto muito, você não merecia isso.
Ela se afastou dele e tentou voltar as suas atenções para o café da manhã. O que era uma coisa muito estúpida de se fazer, ela tinha consciência disso.
— Eu teria te perdoado no segundo em que as palavras tivessem saído da sua boca, se era isso que você precisava. – ela murmurou — Nada disso era necessário, nós teríamos passado por aquilo juntos...
Draco sentiu uma lágrima escorrer e ele foi rápido em limpá-la.
— E agora? Como a gente fica agora?
Ela não respondeu imediatamente.
— Eu não sei...
— Não sabe? O que isso quer dizer? Eu te amo, Hermione. Nós não podemos deixar isso ficar entre a gente, precisamos arrumar um jeito de superar isso.
Ela não o olhou pra ele quando disse:
— Eu também te amo, Draco... Mas... — hesitou — eu preciso de algum tempo separado...
**********
Algumas horas depois, Hermione estava chegando de carro na casa dos seus pais.
Eles ainda moravam na mesma casa de sempre, em um bairro tranquilo de Londres, e chegando lá, ela se sentiu deprimida ao perceber que ela realmente não poderia ir em nenhum lugar da sua vida sem que esse lugar lhe lembrasse de Draco. Parecia que fazia uma eternidade desde o primeiro verão em que eles passaram juntos, desde a época em que se apaixonaram...
Mais tarde naquele dia, depois de passar um tempo com seus pais, ela estava sentada na varanda olhando o ritmo lento da rua. Tinha finalmente decidido colocar seus sentimentos em relação à Draco de lado e pensar no que poderia fazer para encontrar sua filha.
Foi naquela hora que ela reconheceu o carro de Harry virando a esquina.
— Ei... – ele disse ao estacionar e sair do carro — Vim pra saber se você me odeia.
Hermione balançou a cabeça enquanto ele se aproximava.
— Não, Harry...
Ele lhe deu um sorriso triste e se sentou na sua frente.
— Como você está?
Hermione deu de ombros.
— É muito pra absorver...
— Eu sinto muito que você tenha que passar por isso, Hermione...
Pela milionésima vez, ela sentiu seus olhos se encherem de lágrimas e respirou fundo para contê-las.
— Onde está o Malfoy?
Ela deu de ombros novamente.
— Você vai dizer que eu deveria tentar entender o lado dele também? Foi o que Lucas disse...
Harry suspirou.
— A verdade é que eu não sei o que dizer, Hermione. Não posso nem começar a pensar em como você deve estar se sentindo.
— Nem eu. – ela replicou – Estou sentindo muitas coisas... Estou triste, confusa... E muito brava. E estou me sentindo... Traída. Como Draco pôde esconder isso de mim? Eu não entendo...
— Você tem que conversar com ele.
Ela balançou a cabeça negativamente.
— Já conversamos. Já gritamos. É muito cedo agora. E eu não quero nem mais pensar nisso... Nós precisamos encontrá-la, Harry.
— Eu sei. Draco está fazendo tudo que pode, Hermione.
Ela suspirou.
— Estou me sentindo tão inútil. Hoje, pela primeira vez em cinco anos, me arrependi de ter desistido dos meus poderes. Queria ser capaz de... Fazer Lúcio Malfoy pagar por tudo que ele fez. Sei que não sou nem 10% tão ameaçadora quanto eu gostaria...
— Você não é inútil. – Harry disse – Você é uma das pessoas mais inteligentes que eu conheço. Se alguém pode achar uma solução racional pra isso, é você.
**********
Assim que Draco entrou em Gringotes naquela tarde, foi direto para a mesa principal do duende que sempre o atendia.
— Quero entrar no antigo cofre da família Malfoy.
O duende olhou para ele e Draco podia jurar que viu uma sombra de nervosismo nos seus olhos.
Tinha seguido o exemplo de Hermione e passado a manhã na mansão Malfoy, com a sua mãe. Ele sabia que se alguém tinha alguma pista de onde Lúcio estava tirando dinheiro, essa pessoa tinha que ser a mulher que viveu com ele durante anos.
Ele não sabia como nunca tinha pensado nisso antes.
Foi então que Narcisa se lembrou. Os Malfoy’s não tinham somente um cofre em Gringotes. Segundo ela, seu avô era um homem muito perigoso – que surpresa – e gostava de manter suas tramoias separadas dos assuntos de família. O cofre não estava no nome dele – como era de praxe o nome da família estar no nome do patriarca atual dos Malfoy. O cofre era simplesmente da família Malfoy.
— A chave do seu cofre, senhor Malfoy? – disse o duende, estendendo a mão.
— Você ouviu o que eu disse? – Draco falou, se curvando sobre a mesa que os separava – Eu disse antigo cofre da família Malfoy. Você com certeza sabe melhor do que eu o que isso significa.
O duende olhou em volta com inquietação, como se com medo de estar sendo observado.
— Eu não acho que o senhor...
— Engraçado, porque eu não me lembro de ter perguntado se você achava alguma coisa...
— O senhor tem a chave? – ele perguntou baixo.
— Não queira testar minha paciência hoje. Eu sei como antigos cofres de família funcionam e pra desgosto do meu pai, eu ainda pertenço a essa droga de família!
O duende continuava hesitante.
— Queira me seguir.
Depois de mais voltas do que o normal naquele carro inconveniente e de muitos mais feitiços de segurança do que estava acostumado, o duende desceu numa plataforma e Draco o seguiu, parando em frente a uma porta de madeira incrivelmente velha.
O duende o olhou e Draco suspirou. Tirou sua varinha do bolso e cortou a sua própria mão com uma careta. Odiava aqueles hábitos antigos. Encostou a mão banhada de sangue na parede e depois de menos de cinco segundos, ela se abriu.
Ele a empurrou devagar e quando seus olhos caíram no conteúdo do cofre, ele bufou irritado.
— Inacreditável.
Draco mal podia acreditar, mas dentro daquele cofre tinha quase tanto ouro quanto dentro do cofre principal da família Malfoy.
Sua própria família, embaixo do seu nariz, e ele não fazia ideia.
— Eu vou precisar de uma cópia do relatório de todas as transações envolvendo esse cofre dos últimos cinco anos. – o duende não se mexeu e ele o olhou – Agora.
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— Eu só não entendo como ele pode estar correndo de um lado por outro por aí com uma criança. – Hermione refletiu em voz alta – Não faz sentido.
Harry balançou a cabeça.
— Malfoy e eu pensamos exatamente a mesma coisa... Mas estou começando a pensar que talvez ele não esteja. – ele falou – Talvez... Ele a tenha deixado em algum lugar... Há dezenas de orfanatos espalhados por aí que cuidam de crianças cujos pais morreram na guerra, não é? Eu acho que temos algo aí.
Hermione pareceu pensar nisso também.
— Não. Isso seria muito óbvio, Harry. Não pode ser tão fácil assim.
— Não podemos descartar a ideia, Hermione... E também temos que considerar o fato de que ele nunca precisou ser tão cuidadoso com o lugar aonde iria colocá-la... Há dois dias atrás nem fazíamos idéia de que ela estava viva... Quem iria imaginar? Nós temos isso ao nosso favor.
— Tem razão. – ela se levantou – Vocês tem alguma lista de lugares em que pessoas parecidas com Lúcio ou Bellatriz foram visto, não tem? Eu vi algo assim nas coisas de Draco uma vez.
— Nós temos. Eu ainda não sei aonde você...
— Você pode trazê-la pra mim?
— Claro, eu...
Mas ele não pôde continuar porque Hermione entrou na casa com a velocidade da luz.
Ela foi para o escritório do seu pai e tirou de dentro de uma gaveta um mapa enorme do Reino Unido. Quando Harry a seguiu, já com a lista na mão, ela logo a tirou dele.
— Ok. Eu acho que sei o que a gente precisa fazer.
E com o máximo de calma que eles poderiam ter, eles foram marcando no mapa todos os lugares do Reino Unido em que Lúcio ou Bellatriz foram vistos no último ano. Depois de um tempo, eles logo começaram a reparar em uma tendência. Os dois, Lúcio principalmente, pareciam ter passado bastante tempo na Escócia no último ano. Era o único lugar que eles tinham estado fora da Inglaterra.
— Eu sei que é isso. – Hermione concluiu – Eles a colocaram em algum orfanato na Escócia, Harry.
— Como você pode saber disso, Hermione? Eles estiveram muito mais na Inglaterra, é muito mais provável...
— Você está pensando demais. – ela respondeu – É óbvio que eles não iriam querer passar muito tempo perto dela para não levantar nenhuma suspeita...
Harry olhou para ela e viu que os olhos de Hermione não saíam do mapa, cheios de esperança. A última coisa que queria era que a amiga se magoasse mais.
— Hermione, eu acho melhor você ir com calma...
Mas ela já estava se sentando na frente do computador e pesquisando uma lista de orfanatos na Escócia.
— Ir de orfanato em orfanato na Escócia vai ser muito trabalhoso. Sem contar que se Lúcio estiver vigiando os passos de Draco, e nós sabemos que está, ele logo vai saber...
O celular de Harry tocou e como Hermione não estava lhe dando atenção de qualquer maneira, ele atendeu.
— Alô?
— Quem é? – agora Hermione decidiu lhe dar atenção – É Draco?
— Você está com Hermione? — ela ouviu a voz do loiro perguntar do outro lado da linha.
— Me deixa falar com ele.
Tirou o telefone da mão de Harry.
— Draco. – ela encarava a tela do computador – Eu acho que Lúcio pode estar escondendo ela em algum orfanato na Escócia! – ela falou, como se Draco estivesse por dentro da busca que eles estavam fazendo na última hora.
Surpreendentemente, ele não a questionou. Ao invés disso, ele pareceu prender a respiração e por algum motivo, Hermione fez o mesmo.
— Hermione. – ele falou lentamente – Me diga. Tem uma cidade... Stirling... Tem algum orfanato lá?
Hermione passou os olhos pela lista rapidamente.
— Sim. – respondeu, sentindo seus olhos lacrimejarem – Tem sim.
Draco soltou a respiração.
— Eu acho que ela está lá.
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