A estrada que pegamos em direção ao norte me parece um pouco deserta, não há nenhum movimento intenso de automóveis. Logo a frente avistamos um pequeno vilarejo. Rick resolveu parar e dar uma olhada.

– Essa cidade me parece abandonada. – disse Rick saindo do carro.

– Estranho... Não há ninguém por aqui. E as coisas estão tudo em ordem. Pelo menos no lado de fora.

– Realmente. Vamos olhar em algumas casas, quem sabe descobrimos alguma coisa. – Rick como sempre tomou a frente e seguiu em direção a casa que ficara ao lado da igreja.

Ao abrir a porta vimos que estava muito bagunçado por dentro; móveis revirados e alguns até quebrados; subimos então pelas escadas que nos levávamos até os quartos e senti algo estranho, nós não estávamos sozinhos naquele lugar.

– Rick!!!

– O que foi Liria? – respondeu Rick sério.

– Tem mais alguém aqui.

– Não, há mais ninguém neste lugar, a casa está toda bagunçada, a comida está estragada não tem como alguém estar aqui.

– Rick, tem alguém aqui dentro sim!!!

– Tem? A onde?

– não sei... Eu não consigo vê-lo eu apenas sinto.

– Sente? Como?

– É uma força sobrenatural, realmente não dá pra explicar. É algo que me deixa confusa.

– Me diz algo que não te deixe confusa, Liria?

Quando Rick disse isso a mim, ele me olhava fixamente nos olhos, quando mudaram de cor, além disso, era um olhar de questionamento e obtenção de respostas ao mesmo tempo. Ele virou as costas e saiu da casa em direção ao carro novamente sem olhar para trás e nem para os lados, então o segui para que possamos retornar ao nosso destino. A longa estrada nos esperava naquele momento. Já que a viagem seria demorada resolvi pensar e entender qual e de quem era a presença naquele lugar, era uma força diferente, uma força que eu desconhecia, mas a vila estava abandonada... Quem poderia estar lá? Quem ainda voltaria para aquele lugar? Essa questões me incomodavam de uma certa forma.

Rick dirigia calmamente mas seus olhos estavam distantes, observando bem, ele era um rapaz bem apresentável, cabelos ondulados, um pouco comprido mas não chegavam até os ombros; ele também tinha os olhos bem negros, e sua pele era um pouco bronzeada e seu tipo físico, ele era bem forte, bem forte mesmo.

– O que você está olhando pra mim?

– Eu? Não, não estou olhando para você! – Ai! Ele viu que eu estava o observando.

– Estava olhando para onde então? — perguntou ainda sério, sem tirar sua atenção da estrada

– Não estava olhando para lugar algum, Rick. – disfarcei, e peguei minha mochila para pegar algo e me distrair.

Estamos próximo a cidade de Kansas, é uma cidade legal, gosto muito daqui, e tenho boas lembranças. Boas mesmo.

As vezes me pego recordando das coisas que passei por aqui, e das quais me privei, e no final acabou me fazendo bem, de uma certa forma....

Enfim, resolvemos parar em hotel para descansarmos, já se passara das 23 horas, ficamos o dia todo viajando, já estava realmente na hora de descansarmos.

Descemos do carro para pegarmos as nossas coisas, eu estava somente com uma mochila, para uma menina normal uma mochila não quer dizer nada, mas não costumo ser uma garotinha fofa e normal, portanto uma mochila apenas já é o suficiente para mim, já Rick era bem diferente. Ele carregava consigo duas mochilas e uma “mala” um pouco maior, parecia um pouco pesada, mas não quero deduzir o que existe lá dentro.

Assim que chegamos á entrada do hotel, fomos bem recebidos, eu e Rick optamos por dormir em quartos separados, porém nossos apartamentos eram vizinhos, caso de emergência seria mais rápido um recorrer ao outro.O apartamento era algo simples, nada de tão sofisticado, claro isso nem precisaria mesmo, era apenas uma noite, hoje posso dizer que terei minhas energias todas de volta, faz um bom tempo que não me alimento bem, as vezes eu preciso de coisas quentes, coisas que pegam fogo, isso faz bem para o meu eu; fico pensando de como Rick reagiria em saber que sou uma pessoa totalmente fora do comum e estranha, uma garota que possui fogos nas próprias mãos.

Por algum motivo não quero me afastar de Rick, e ele não parece ser diferente de mim, mas se for, ele consegue disfarçar bem.

Mas isso não me importa mais, apenas sei que estou chegando mais próxima de Elizabeth Clauss, a mulher que o meu pai pediu para procurá-la, o porquê disso? Eu sinceramente não sei, as vezes acho uma loucura para realizar meros caprichos de meu pai.

Meu pai era um bom homem, e morreu para que eu pudesse ser salva, de alguma maneira sei que ele deixou algo comigo, algo que eu gostaria de entender.

Pensamentos e questionamentos a parte, preciso dormir.
E espero que amanhã seja muito melhor do que o dia que passei hoje.

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