O Preço Da Liberdade

1 Capítulo 1 - O encontro -


Notas iniciais
Meu nome é Liria Garth; e não sei como vim parar aqui, todo esse silêncio me fez parecer que eu não era mais a mesma, porém, algo me trouxe a tona novamente, então foi onde percebi que eu não estava sozinha, e não era a única naquele lugar...

Naquela noite, cinco homens invadiram a minha casa em busca de algo que os meus pais estavam escondendo, sinceramente não sei explicar o que era, mas de alguma maneira, eu estava relacionado a isso; antes de ouvir pela ultima vez a voz de meu pai, ele me disse que deveria tomar cuidado e partir para Nova York e encontrar uma mulher chamada Elizabeth Clauss, e por fim ele me entregou uma corrente que junto dela havia um pingente em formato de uma gota, então guardei junto comigo, me despedi de meu pai, e fugi.

Correr debaixo da chuva e nessa terra conseqüentemente molhada, não é algo que ajuda muito nessa ocasião, me sinto muito fraca por saber que não pude descansar e recuperar todas as minhas energias, isso me fez ver o quanto preciso cuidar de minhas habilidades e praticá-las mais, confesso que sou um pouco preguiçosa quanto a isso. Mas parar não é a melhor solução por enquanto.

Lembro-me de quando era pequena, quando brincava com o meu pai no quintal de nossa casa, costumávamos correr muito, e se sujar muito também, mamãe ficava um pouco brava por ver as nossas roupas sujas, mas depois entrava na brincadeira para se distrair um pouco. Minha mãe era uma bela mulher, ela gostava de usar vestidos e os cabelos soltos ondulados escuros, ressaltavam a pele clara que ela tinha, às vezes ela brincava comigo de um jeito diferente, ela me fazia sentir que eu era uma criança normal como todas as outras, mas essa sensação não era muito duradoura, eu tinha que me controlar para não fazer as coisas levitarem, e nem sair fogo pelas minhas mãos quando eu ficasse nervosa, sem contar as inúmeras vezes que os “homens” vinham atrás de nós. Meus pais nunca me explicaram o porquê e o que eles queriam, a única coisa que eu sabia é que eu realmente tinha que fugir. E ser discreta, para que nenhuma suspeita fosse levantada sobre mim em qualquer lugar que eu fosse.

– Hey! Senhorita? Está tudo bem? Acorde!! Hey – Escutei uma voz distante me chamando.
– Ah, Oi! Parece que eu cochilei no meio do caminho. Quem é você ? – Parece que ele percebeu meu olhar de desconfiada. Me afastei um pouco para trás.

– Desculpe Senhorita, deixa-me apresentar, meu nome é Rick, estava passando por aqui e te encontrei deitada na estrada. E estava pálida, então resolvi parar e ver se havia acontecido alguma coisa. Estou indo para o norte, e você? – Ele me olhava com um ar de curioso, mas me parecia inofensivo.

– Eu aceito sua carona, também estou indo para o norte. – Entrei em seu carro, e permaneci ali quieta.

Ele não me parecia nenhum dos homens que foi atrás dos meus pais, ou que passou a vida inteira me procurando. Esse tal de Rick tem um jeito todo desastrado e preguiçoso, principalmente para dirigir. O que mais me chamou atenção foi que ele não ficou perguntando muita coisa sobre a minha vida, o que me deixou extremamente aliviada, pois eu não sabia bem o que dizer, e se eu falasse alguma coisa, obviamente não seria a verdade.

– Hey, qual é o seu nome? – Ele perguntou com uma voz baixa em meio do silêncio.

– Me chamo Liria.

– Nome diferente, o que significa?

– Não faço a mínima idéia, quem escolheu o nome foi o meu pai. — respondi.

– Sei, seu nome me lembra flores, gosto de flores – Disse ele com um sorriso estranho.

Eu não disse nada quanto a isso, resolvi me calar, e cai no sono novamente. Preferi assim.

– Liria!! – Ouço alguém bater no vidro do carro e chamar o meu nome!

– Diga Rick, o que quer?

– Não está com fome? Parei em uma conveniência para comermos... Sai desse carro e vem tomar um ar aqui fora, viajamos a noite inteira, e estou com fome, não estou afim de sentar sozinho.

Sai do carro e observei tudo que estava ao meu redor, peguei minha mochila e o segui.

Rick tinha um ar de bom moço, mas isso era fachada para realmente não descobrir o que havia por trás desse bom homem.

Quando entramos na conveniência, haviam 3 caras sentados de frente para o balcão, lembravam bastante os homens que me perseguia, porém, naquele mesmo instante, Rick os encarou profundamente, então foi onde eles pararam de nos olhar.

– Hey Rick! Como andam as coisas no novo México? – Disse o homem já de idade e olhos fundos que estava por trás do balcão.

– Bob! As coisas andam de mal a pior lá ! Estou partindo para o Norte.

– São os... ? – perguntou bob com um ar de assustado e confuso se devia ou não continuar a pergunta.

– Sim, são eles. Uma nova guerra vai começar, e é melhor estarmos preparados. Mas eu estou com muita fome para pensar nisso agora. Me vê dois refrigerantes e 3 lanches, põe na conta, por favor.

Rick nesse momento estava com um ar sério e uma cara de poucos amigos, o que me surpreendeu.

– Aqui está Rick ! Boa viagem.
– Valeu Bob. Aliás, me faça um favor? Não deixe rastros do nosso cheiro neste local ok? – Disse Rick com uma voz séria.

O deixei tomar o caminho primeiro, e fui logo atrás, quando Bob me puxou e disse que eu não deveria deixar Rick agir nada sozinho.

Resolvi não dizer e nem perguntar nada ao Bob, no fundo sabia que Rick era como eu, fugindo de algo, e Rick sabe como eu sou, e ele sabe quem são as pessoas que estão atrás de gente como nós.

Sinceramente não sei o que pensar, a confusão mental se torna sua maior inimiga quando algum momento exige um pouco mais de raciocínio e atenção. Eu preciso de mais algumas horas de sono, e então poderei realmente ir atrás daquilo que eu quero.