P.O.V. Alex.

– Ai! — Gritei. — Lola, você me chutou.

– Desculpa.

– Calma meninas, devagar. — Disse minha mãe nos ajudando a levantar com o auxilio de Nate. Meu Deus, que vergonha!

– Desculpa mãe, é que eu estava curiosa.

– Exatamente, a ideia de espionar foi dela.

– Cala essa boca, Lola! — Gritei. Lola sorriu e piscou.

– Tudo bem querida. Agora vocês podem subir que ainda temos muito que conversar.

– Na verdade...

– Diga.

– Eu queria comer alguma coisa antes de subir para o meu quarto. — Eu tentei sorrir, mas quando todos da sala ficaram me olhando como se eu fosse louca, ficou difícil.

– Ok. — Minha mãe disse.

Estava me dirigindo à cozinha junto com a Lola, quando ela me parou e pediu para fazer o jantar para os convidados.

– Mas, mãe, eu não sei cozinhar muito bem e a senhora sabe disso.

– Mas a Lola sabe.

– Mas a Lola o quê? — Lola perguntou.

– Você ouviu. — Minha mãe piscou para nós duas e foi para a sala.

– Não acredito nisso. — Lola resmungou.

– Não reclame, você vai me ajudar e de boca fechada.

– Não comece.

"Então, o que farei?" Pensei. "Não sei nem quanto tempo tem que cozinhar um legume."

Peguei alguns ingredientes e eu e Lola decidimos fazer alguns aperitivos. Lola foi me dando as instruções da receita enquanto eu, desastrosamente tentava fazer tudo de acordo com o que ela estava pedindo.

– Precisam de ajuda? — Brendan disse sentando-se no balcão.

Lola o abraçou e lhe deu um beijo lento demorado.

– Com licença, estamos em uma cozinha. — Eu sussurrei.

Eles continuaram se beijando.

A vontade que eu tinha era de gritar, mas minha mãe estava com todos da produção do filme. Não queria fazer minha mãe passar vergonha por minha causa.

Então decidi apelar para o golpe baixo, joguei água neles.

– Que merda Alex! — Lola grunhiu, enquanto Brendan saiu de cima do balcão no salto.

– Desculpe-me. — Me fiz de inocente. — Só estava tentando apagar o fogo, se não vão acabar se queimando. — Sorri.

Lola bufou e voltou a fazer seu trabalho e eu convidei Brendan para nos ajudar. Ele aceitou e ainda chamou Nate para ajudar.

"Isso não vai dar certo" Pensei.

– Ok, o que vocês pensam que estão fazendo? — Nate perguntou.

– Pra falar a verdade, nem eu sei. — Eu disse.

Ele riu.

– Querem ajuda? – Ele perguntou.

– Não precisa.

– Claro que precisa. Quanto mais mãos, melhor.

– Ah claro. Quanto mais mãos, melhor. – Repeti imitando a voz dela. – Enquanto ficamos aqui no fogão, vocês vão ficar aí se agarrando.

– Nossa amiga! – Lola ironizou. – Falando assim, faz parecer que eu sou uma vadia.

– Talvez porque você seja. – Pisquei.

– Vocês duas me dão medo de vez em quando.

Nós duas rimos.

– Nos falamos assim o tempo todo. – Disse Lola.

– Da próxima vez, avisa. – Nate disse voltando para o fogão.

– O jantar já está pronto, meninas?

– Não. – Dissemos em coro.

Continuamos a fazer os aperitivos enquanto minha mãe estava na sala conversando. Eu tentava fazer o recheio da torta do meu jeito enquanto tinha que aturar Nate rindo de mim e Brendan e Lola se olhando a cada segundo.

Acabando a torta, chamamos os outros para se juntar a nós na cozinha.

– Nossa, isso está delicioso. – Frederick nos elogiou.

– Obrigada, é uma receita de família.

– Que eu fiz na maior parte do tempo!

– Não comece Alex, foi minha ideia de fazê-la.

– Sim, mas eu fiz quase tudo enquanto você... – Hesitei em dizer que ela e Brendan ficaram se olhando e se beijando na cozinha por respeito a minha mãe.

Nate riu enquanto Brendan fingia uma tosse.

– Enfim... – Continuei. – Obrigada pelo elogio Frederick. Eu quase não cozinho.

– Quase?

– Mãe...

Ela sorriu e piscou. “Desde quando minha mãe é a ‘piadista’ entre nós duas?” Pensei.

– Ok meninas... – Frederick levantou-se. – Vocês fizeram o jantar, nós lavamos a louça.

– Obrigada. – Lola e eu dissemos em coro e saímos da sala de jantar e fomos diretamente até a sala de estar.

– Espere... – Nate pegou minha mão.

– O que foi?

– Vamos ficar um pouco lá fora, quero falar com você.

Fiquei apreensiva. O que Nate queria falar comigo que não podia falar na frente dos outros? E mais, Brendan e Lola na sala, sozinhos? Isso não me deixou confiante. Nenhum pouco. Mas eu disse:

– Tudo bem.

Ele abriu a porta para que eu pudesse passar primeiro, e antes que eu pudesse descer outro degrau, ele tomou-me em seus braços e me beijou.

– Espera... – Tentei dizer, mas ele não parava de me beijar. O fazer se não me render?

Ele sorriu.

– Espera! – Eu o empurrei. – Aquilo de que você queria falar comigo...

– Ah sim.

– É importante?

– Sim. – Ele disso.

– O que é?

Ele se aproximou de mim, acariciou meu rosto e sorriu.

– Você é a garota mais linda que eu já vi.

– Aham...

– E você sabe, eu já conheci muitas garotas.

– É mesmo?

Ele sorriu.

– Mas nenhuma delas é como você.

– Claro, eu sou latina.

– E sabe cozinhar.

– Pois é, descobri isso hoje.

– E é musicista.

– Também.

– E humilde.

– Às vezes.

– E tem olhos hipnotizantes.

Ok, porque ele sempre faz isso comigo? Agora estou sentindo minhas bochechas queimarem.

– E fica fofa quando está com vergonha.

– Por que os garotos sempre falam isso para as garotas?

– Não sei. – Ele disse fazendo careta. – Mas no seu caso é verdade, porque quando você abaixa a cabeça e uma mexa do seu cabelo cai, fica fofo.

Eu sorri.

– Fiquei orgulhosa de você.

– O que eu fiz?

– Esqueceu que eu ouvi toda a conversa?

– Até a parte que eu falei?

– Sim.

Ele sorriu tímido como sempre.

– Tinha que falar alguma coisa.

– Claro.

– Na verdade, eu nunca me senti tão envolvido em um projeto como esse. Posso te contar um segredo?

– Pode.

– Eu ia recusar o papel.

– Sério? Por quê?

– Eu largar tudo.

– O quê? – Gritei. Logo ele fez o sinal de silêncio.

– Mas, por quê?

– Porque eu estava cansado. Eu trabalho desde os sete anos de idade, eu não tive uma vida normal em nenhum momento da minha vida. Por sorte consegui terminar o colegial e agora, a universidade. E ainda teve algumas polêmicas que eu me envolvi. É um saco você ser vigiado por todo mundo. – Desabafou.

– Nem consigo imaginar como deve ser estressante.

– Pois é. E é por isso que eu tenho medo, por você.

– Por mim?

– Sim. Sei que eles irão te perseguir, vão fazer de tudo para te tirar do sério para ter algo para colocar nas revistas. Se bem que, você sabe se virar, né? Pelo que eu vi na televisão hoje mais cedo.

“Ah, meu Deus. Ele me viu xingando um paparazzo.”

– Você também viu?

– Vi. – Ele riu. – Não se preocupe, eu entendo.

Eu sorri e abaixei a cabeça.

– Você é tão forte que nem percebe isso. E essa é uma das coisas que mais admiro em você.

Nossa, ele sabe como me fazer sorrir.

– E o que te fez mudar de ideia sobre a sua carreira?

– O roteiro do filme. Desde que... – Ele hesitou e desviou o olhar. Ele ia falar do meu pai.

– Enfim, desde então, Fred nunca mais produziu ou escreveu nada, porque, a verdade era que, ele e seu pai eram uma...

– Dupla implacável. – Completei. – Minha mãe dizia isso sobre eles.

Ele sorriu.

– Pois é. E a história do filme era tão inspiradora, nunca tinha ficado com nó na garganta por causa de nada. Mas esse roteiro... Tem algo de especial nele que me fez pensar: Por que não? E aí eu conheci você.

“Eu?” Pensei. Mas fiquei calada e o deixei continuar.

– Você fez crescer algo novo dentro de mim, algo que eu nunca havia sentido antes. Me sinto mais confiante e otimista em relação a mim e aos outros.

– Mas...

– Mesmo perdendo a pessoa mais importante da sua vida, você fez sua mãe aceitar a proposta de vir aqui na Europa trabalhar com gente tão diferente dela. Você a incentivou a mudar de vida, não só ela, mas também sua amiga, e eu. Você é uma sonhadora, mesmo não admitindo isso. É otimista e ao mesmo tempo realista. No meu quarto, quando você me disse que me ama e que não se importava com o que a imprensa falava de mim, me fez perceber que nada nesse mundo importa mais do que a mim, o que eu amo e quem eu amo. Me fez entender que o que eu faço é por amor a arte. Um amor que eu posso compartilhar com você.

Nossa, eu fiz isso? Nate L. Smith dizendo que eu sou uma das razões dele continuar a atuar? Só pode ser um sonho.

– Parece até que você é um anjo.

Eu ri. Meus olhos estavam marejados, minha respiração estava ofegante e meu coração parecia que ia atravessar meu peito.

– E você é um galanteador.

– Eu?

– Sim, você.

Ele sorriu.

Eu sorri.

De repente tudo ficou em câmera lenta, como se a gravidade não existisse. Estava flutuando. É essa a sensação que uma pessoa tem quando se está realmente apaixonado?

– O quê?

– Gosto do seu sorriso.

– E eu amo o seu. – Ele disse, e me beijou.

E nos beijamos durante muito tempo.

– Você é tão linda.

– Você já disse isso.

– Eu te amo.

Eu sorri, e tive aquela sensação de novo.

– Eu também te amo. – Respondi.

Ele sorriu e voltou a me beijar.

– Com toda essa confusão, nem deu tempo de aproveitar.

– Aproveitar o quê?

Ele sorriu. O mesmo sorriso que ele deu no apartamento no dia da chuva.

– Você é ridículo.

– Desculpa.

Ele sorriu e me beijou de novo. E quando estávamos finalmente curtindo, Frederick o chama para ir embora.

– Mas já?

– Vamos Romeu, está tarde.

– Vai.

– Tudo bem. Nos veremos amanhã?

– Claro. – Dei-lhe um beijo de despedida e entrei em casa.

Encostei minha cabeça na porta e me peguei suspirando e pensando naquela tarde em seu apartamento.

– Alguém está apaixonada. – Minha mãe cantarolou.

– Concordo. – Eu disse e pisquei.

– Não entendi.

– Te explico amanhã. Boa noite. – Disse subindo as escadas.

Chegando ao meu quarto, percebi que Lola estava lá. Ela estava apreensiva.

– Lola? Você está bem?

– Sim, estou. – Disse dispersa.

– Não parece.

Sentei-me ao seu lado.

– O que houve?

Ela começou a chorar.

Eu a abracei. Estava ficando desesperada.

– Lola, pelo amor de Deus, o que houve?

Estava com vontade de chorar também.

– O que o Brendan fez? Terminou com você? Se for isso, eu falo com o Nate e nós dois damos um jeito e...

– Ele não terminou comigo. – Ela disse séria.

– Então... O que ele disse? O que ele fez?

– Ele não fez nada. Eu que fiz.

– Ah, Lola... O que você fez.

– Eu menti pra ele. – Ela voltou a chorar. – Na verdade eu menti pra todos vocês.

– Sobre o que você mentiu?

Ela se levantou e pegou um pacote. Dentro desse pacote tinha uma espécie de espátula branca e ela deu aquilo na minha mão.

Quando percebi o que era aquilo, meu cérebro parecia que ia explodir.

– Lola! – Disse apavorada. – Você...

– Pois é. – Ela cruzou os braços e respirou fundo. – Estou grávida.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.