O Príncipe e A Plebéia
17 Capítulo 17
Já era 10h20min da manhã quando eu acordei. Olhei para o lado, e não tinha visto Lola. Coloquei meu short jeans e minha blusa azul e desci. Lá estavam, Lola e minha mãe, assistindo TV.
- Bom dia. — Disse minha mãe encarando a televisão.
- Bom dia. — Disse me dirigindo à cozinha. Eu não estava entendendo, minha mãe encarava a televisão ligada séria, e Lola tentava segurar o riso. Eu peguei o copo com o suco de laranja e me dirigi até a sala. Acabei cuspindo o suco que estava bebendo quando vi o que minha mãe estava assistindo com a Lola. Era um programa onde dava apenas notícias sobre famosos. E estava dando a notícia sobre o filme, sobre o elenco, sobre minha mãe e... Eu? E a Lola?
"Nossos paparazzi flagraram a saída do ator Nate L. Smith do aeroporto de Londres com duas garotas misteriosas. Na foto, aparece a garota morena e a garota loira de braço dado com ele, entrando no carro do ator. Um dos nossos fotógrafos conseguiu descobrir algumas informações. A garota morena se chama Maria Alexandra Richards, filha de Elaine Martinéz, Produtora do novo filme de Nate. E a garota loira seria uma amiga dela. Nós ainda não descobrimos seu nome, mas nós descobrimos que elas passaram o tempo com ele e outras pessoas do elenco."
- Cruzes! — Gritei. Lola gargalhou, e minha mãe me fitou séria.
- O que foi agora?
- O que foi? Agora eles acham que vocês estão tendo alguma coisa. – Minha mãe disse indignada.
- Mãe, eles acham. Mas nós não estamos, e a senhora sabe disso. — Disse me sentando ao seu lado. Ela respirou fundo, expirou, se levantou e foi pra cozinha. Ela abriu a geladeira e abriu sua garrafinha de água. Lola chegou perto de mim e sussurrou:
- Amiga, estamos famosas!
- É, mas não por muito tempo. — Tentei fazer com que minha amiga sonhadora parasse de voar tão alto. Mas acho que não adiantou.
- Hum, não sei não. — Disse sorrindo. Eu rolei os olhos e encarei o grande relógio na parede da sala.
Demorou um pouco pra saber que já eram 12h00min, já que, eu não era muito chegada em relógio de ponteiro. Minha mãe já estava preparando o almoço, quando ouvi o telefone tocar.
- Alô? — Lola atendeu. Ela sorriu e deu o telefone na minha mão.
- Adivinha quem é? — Sorriu. Eu rolei os olhos mais uma vez.
- Olá. — Disse com entusiasmo.
- Oi linda. — Disse ele. Senti um arrepio na minha espinha.
- A que devo a honra? — Disse, ele riu.
- Só queria saber se a farra está de pé.
Eu sorri, afinal eu achei que ele tinha esquecido.
- Claro. — Ele parecia está sorrindo.
- Está bem. Então, no horário que combinamos?
- Sim, 17h30min. — Disse olhando para o relógio. Já eram 13h05min da tarde. Nossa! O tempo aqui em Londres passava rápido.
- Ok. Então te vejo daqui a algumas horas. — Ele disse, eu senti um arrepio na espinha.
- Está bem, tchau. — Disse sorrindo, com a voz mais doce que eu fiz, e desliguei.
- E aí? — Lola perguntou, vindo da cozinha com um prato de arroz e filé.
- E aí? — Disse indo para a cozinha e peguei um prato de comida.
- É, e aí? O que o Nate queria?
- Bom, ele queria confirmar a "farra em grupo". — Disse fazendo uma careta. Ela bateu palminhas e soltou um gritinho. Minha mãe saiu do quarto dela com um vestido preto curto, decotado.
Eu fitei minha mãe de cima a baixo e sorri.
- Nossa mãe, onde você vai com esse vestido?
- Hum, tia Elaine! — Lola levantou, pegou minha mãe pela mão e a rodopiou. Ela riu.
- Vou a um jantar de negócios. — Disse ela sorrindo. Eu arquei uma sobrancelha.
- Hum, jantar?
- Sim. — Disse ela séria fitando-me. — Vocês acharam que eu ia ficar aqui em casa sozinha enquanto vocês se divertem com seus amigos famosos? — Eu e Lola rimos. Eu rolei os olhos e a abracei.
- Ah, mãe.
- Bom, agora com licença, vou trocar de roupa para almoçar.
- Agora falou igual uma britânica. — Disse brincando
- Falando em britânico, vê se você não demora pra se arrumar né, Senhorita? Sabe que os Ingleses são pontuais.
- Claro mãe. — Disse rolando os olhos e dando uma garfada no filé, que por sinal estava uma delícia. Lola terminando de almoçar, colocou o prato na pia e se sentou novamente, me esperando terminar de comer.
- E então? — Disse ela.
- E então? — Repeti.
- Amanhã vamos ver aquela parada?
- Que parada? — Pela primeira vez eu não estava entendendo o que a Lola estava querendo me dizer.
- Ei, a faculdade! — Disse fazendo uma careta.
- Mas eu nem sei o que quero fazer.
- Mas eu sei.
- Nossa! — Disse confusa. — Você sabe o que quero fazer?
- Claro que eu sei. Você vai fazer música. – Disse ela num tom de autoridade. Eu ri.
- Ah tá, valeu mãe. — Disse sarcasticamente. Ela riu e balançou a cabeça.
- Estou brincando amiga, mas você tinha me dito que queria muito fazer música.
- Eu sei. Mas, depois que o meu pai morreu, eu parei de tocar. E comecei a me desencanar da música. — Disse encarando o prato vazio na mesa e bebendo o suco de laranja.
- Amiga, me desculpe. Mas o seu pai morreu há sete anos. Já faz tempo, e... Desculpa se estou sendo muito insensível, mas, acho que já está na hora de você tocar sua vida, cara! Sua mãe já está fazendo isso, porque você não faz também? — Disse colocando sua mão no meu ombro.
Eu senti uma lágrima descendo no meu rosto. Ela tinha razão, meu pai morreu há muito tempo. Ele não morreu ontem, nem mês passado. Já fazia exatamente sete anos. E eu, por mais que eu não queira, eu ainda estava de luto. Mas não é minha culpa, eu amava meu pai. Isto é, eu amo meu pai, amo muito. Mas eu não podia deixar a ausência dele tomar conta do meu futuro.
- Lola, tem toda razão. — Disse secando a lágrima que ainda caia.
- Como? Você disse que eu tenho razão? — Disse ela espantada. Eu sorri.
- Claro amiga. Tenho que pensar no meu futuro, tenho que tocar minha vida. — Disse me levantando. — Pode deixar, amanhã vamos ver "aquela paradinha". — Sorri. Ela bateu palminhas e me abraçou. Eu olhei o relógio e já eram 16h12min da tarde. Nate iria passar aqui às 17h30min, tinha que me preparar mais cedo.
- Lola vamos para o quarto que tá na hora.
- Hora de quê ? — Lola estava distraída com o suco, quando eu fiz uma careta e ela percebeu sobre o que eu estava falando.
- Ah, tá. Entendi. — Disse sorrindo e subindo comigo para o quarto nos arrumar. Lola foi a primeira a tomar banho, já que ela é que mais demora a se arrumar. Eu fui em seguida, lavei o meu cabelo tranquilamente, saí do banho, e fui para o segundo processo. Coloquei o vestido rosa, tirei a toalha enrolada na minha cabeça, penteei, passei mouse capilar pro meu cabelo ficar bem ondulado.
Lola colocou o vestido preto e pediu para que eu fizesse chapinha naquele cabelo enorme dela. O cabelo dela ficou todo liso com uma franja. Quando acabei com o cabelo dela, já era 17h15min, e ainda faltava a maquiagem. Eu passei um lápis preto nos olhos, rímel preto e um brilho labial. Lola passou lápis, sombra e rímel. 17h20min da tarde, a campainha tocou. Ouvi minha mãe atender a porta e fiquei surpresa quando ouvi a voz do Frederick.
- Nossa Elaine, você está linda. — Ouvi Frederick dizer. Fiquei escondida na escada os ouvindo conversarem.
- Ah, obrigada Fred. — Fred? Desde quando minha mãe o trata desse jeito? Ela me viu na escada e me chamou.
- Já estou indo. — Disse me fitando e cima a baixo e sorrindo.
- Você está linda filha.
- Ah, mãe. — Disse sorrindo. — A senhora também está muito bonita.
- Obrigada. — Disse dando um giro. Ela realmente estava linda com aquele vestido preto e o cabelo preso com rabo-de-cavalo.
— O senhor também está muito elegante Frederick. — Tinha que elogiar o cara também né?
- Você também está linda Alex. — Disse ele sorrindo. Minha mãe pegou o casaco e Frederick abriu a porta.
- Lembra-se do que nós conversamos?
- Sim mãe. — Disse rolando os olhos.
- Você e a Lola se comportem. — Disse piscando o olho esquerdo, me fazendo rir. Ela saiu e eu encarei os dois pela janela conversando e rindo, Frederick abrindo a porta do carro pra ela e ela sorrindo, me fez sorrir também. Eu escutei um cacarejo, me virei e vi Lola descendo as escadas, toda arrumada, jogando os cabelos "lisos".
- E aí? — Disse fazendo uma pose. Eu ri.
- Está uma gata. — Disse, ela sorriu. Logo ouvi o barulho do motor na frente de casa.
- Acho que eles chegaram. — Disse ela olhando pra janela. Eu subi as escadas correndo.
- Garota, pensei que já estivesse pronta.
- E eu estou. Só tenho que procurar minha jaqueta. — Disse entrando o quarto depressa e abrindo o armário. Achando a jaqueta, peguei minha sapatilha e esperei a Lola me chamar.
Fiquei na porta do quarto ouvindo a foz dele. Nossa! Senti um calor incontrolável na minha nuca. Eu queria que minha mãe estivesse aqui pra me falar alguma coisa, pra me dá alguma instrução sobre o que é isso.
- Lola, você está uma gata com esse vestido. — Era a voz do Brendan. Ela deve ter ficado toda bobada.
- Ah, eu faço o que posso. — Eu não acredito que ela disse isso. A Lola não perde uma.
- Realmente você está linda Lola. — Nate disse. Senti uma pontadinha de ciúmes, afinal, Lola é muito bonita. Parece uma daquelas modelos da Victória Secrets. Mas eu sorri quando ele perguntou por mim e se eu já estava pronta.
- Alex! — Ela gritou.
- Fala!
- Já achou sua jaqueta?
- Já.
- Então vem logo. Os meninos estão esperando! — Disse por fim. Peguei minha jaqueta jeans clara, coloquei a sapatilha nos pés e saí do quarto. Senti um frio na barriga quando cheguei à escada. Vi Brendan, já abraçado com a Lola, que estava sorrindo pra mim. E o Nate, tão lindo, me olhando descendo as escadas correndo e mexendo no meu cabelo, que estava todo ondulado.
- Oi gente. Desculpa a demora, estava procurando minha jaqueta. — Disse fitando o chão. Lola me fez um sinal (in) discreto pra eu poder olhá-lo. Mas eu estava com vergonha, não sei por que, mas o jeito que ele me olha me deixa sem jeito. Era um jeito diferente, um jeito que eu sempre quis que alguém me olhasse. Mas eu tomei coragem e o olhei. Ele sorriu.
- Você está linda. — Aquele tom de voz dele ecoou no meu ouvido como uma doce melodia.
- Obrigada. — Respondi na mesma intensidade que a voz dele. Ele sorriu, e Lola fingiu um tossido, estragando a magia.
- E então, aonde os senhores vão nos levar? — Disse ela se levantando e olhando pro Brendan. Bom, ao que parece, eu acho que ela quer mesmo é dar uns pegas nele. Brendan e Nate se olharam e riram.
- Ai caramba, agora fiquei com medo. — Brinquei.
- Não se preocupe Alex, nossos bons meninos. — Nate sorriu e envolveu seu braço no meu ombro, me fazendo sorrir.
- Vamos? — Eu disse.
- Vamos. — Brendan e Nate disseram em coro.
- Oba! — Lola gritou. Saímos de casa e entramos no carro do Nate novamente.
- Quer dirigir Alex? — Perguntou sorrindo. Lola arregalou os olhos, numa feição de pânico. Eu apenas balancei a cabeça negativamente.
Passeamos por quase todas as ruas de Londres. Tinha muitos lugares que não conhecíamos. Muitos lugares que eu achei lindo. Aliás, Londres é linda. Já eram 19h35min da noite, ele parou o carro.
- E aí, onde vocês querem jantar? — Nate nos perguntou sorrindo.
- Bom... — Fitei a Lola.
- Ah, vocês escolhem. — Lola sorriu. — A gente não conhece nada por aqui mesmo. — Eu rolei os olhos e encarei a janela.
- Já sei. — Disse ele ligando o carro e nos levando a um restaurante perto da onde estávamos. Lola falava alguma coisa com o Brendan sobre o nosso colégio. Eles riam à toa, e eu via como o ele estava feliz, conversando com a Lola, e ela estava gostando e conversar com ele. Em alguns momentos me peguei encarando Nate, eu encarava a janela e sentia que ele me olhava também.
Chegando ao restaurante, todos nos olhavam e cochichavam entre eles. Nate rolava os olhos e sorria pra todos, enquanto Brendan dava autógrafos pra algumas meninas e apresentava a Lola, e ela se exibia toda linda. Ah, Lola.
O recepcionista nos avistou e chegou até onde estávamos. Ele era alto, moreno, cabelo enrolado preto e aparentava ter uns 35 anos.
- Senhor Smith, Quanto tempo o senhor não vem aqui. — Disse com um sorriso super simpático. Pelo seu sotaque ele não parecia ser britânico.
- Oi Santiago, pois é. Faz muito tempo mesmo que eu não venho aqui.
- E trouxe acompanhante! — Disse olhando pra mim.
- É. — Disse colocando seu braço no meu ombro. Eu sorri, e ele continuou:
- Na verdade, eu trouxe mais de um. — Disse acenando pro Brendan e pra Lola. Eles chegaram mais perto e cumprimentaram o recepcionista.
- Então, mesa pra quatro. — Disse ele sorrindo pra nós.
- Sim. — Nate sorriu.
- Ok. Venham comigo. — Disse ele dando de costas.
Nós o seguimos até a parte dos fundos do restaurante, que por sinal, era enorme. Tinha uma varanda com as mesas e a vista era linda, tinha até um laguinho. Nós ficamos entre o salão e a varanda, e o recepcionista nos deu o cardápio. Eu pedi um frango grelhado, com salada e arroz, e um suco de morango. Lola pediu o mesmo, mas pediu suco de abacaxi com hortelã. Nate e Brendan pediram bife a milanesa e arroz, com refrigerante. Nós jantamos e Brendan pediu pra Lola falar pro Nate sobre o colégio onde estudávamos. Ela sempre foi mais extrovertida do que eu. Ela começou a falar dos nossos professores, e, principalmente dos alunos.
- Nós tínhamos uma professora, que ela de vez em quanto falava com a gente sobre sexo.
- O quê? — Nate e Brendan disseram em coro e riram.
- Sério, não é Alex? — Ela piscou pra mim. Eu apenas assenti com a cabeça e ri.
- E a galera de lá? Tinha gente do mal? — Brendan me perguntou. Eu não respondi. Era uma coisa que eu queria ter deixado pra lá, mas não, Lola falou sobre eles, incluindo duas pessoas que eu queria apagar da minha mente.
- E se tem. Uma dessas pessoas era o Eddie.
- Hum. — Brendan resmungou. — Que é esse Eddie?
- Olha, Brendan com ciúmes. — Nate disse sorrindo. Brendan mostrou o dedo do meio.
- Eddie é o ex-namorado dela. — Eu disse.
- Hum, ex? — Brendan a encarou.
- Ex. — Lola sorriu, e ele também. Eu tentei segurar o riso, mas não aguentei quando Nate sorriu pra mim.
- Então, você também tem ex-namorado? — Ele perguntou, e Lola riu.
- Ah, não.
- Não? — Nate disse surpreso. — Nunca namorou?
- Nunca. — Disse encarando o copo de suco. Eu estava ficando incomodada e envergonhada com aquela conversa.
- Os garotos daquele colégio só gostam de meninas altas e magricelas. Sem ofensas amiga. — Disse piscando pra Lola e ela mostrou a língua. Os meninos riram.
- Não tem ex, mas tem um candidato. — Lola disse piscando pra mim. Nate e Brendan ficaram sem entender e eu voltei a encarar o copo, que agora estava quase vazio.
- Candidato? — Nate perguntou confuso
- Ixi Nathan, você tem concorrente! — Brendan gritou, ele fez um sinal de silêncio e eu bufei.
- O que houve? — Nate perguntou pegando na minha mão. Eu sorri.
- Nada. — Disse
- Gente, acho melhor mudar de assunto. — Lola disse preocupada. Ela sabe que eu não gosto quando falamos do Nick e sua patrulha. Mas eu estava decidida a parar de ficar preocupada com esse povinho.
- Não, tudo bem. — Disse sorrindo e decidi contar:
- Bom, eu gostava de um garoto da minha sala chamado Nicholas... — Nate ficou sério. Eu continuei, e a Lola me ajudou.
- Mas ele estava com a Natalie, e...
- Interrompendo... — Brendan disse levantando a mão. — Quem é Natalie?
- Ah, simplesmente a naja da escola. Ela é uma piranha desgraçada, filha-da...
- Lola! — Eu a repreendi.
- Desculpe. Continue amiga. — Disse sorrindo.
- Então, ela ficou sabendo que eu ia vir pra cá com a minha mãe e espalhou pra todo mundo do colégio.
- Não gostei dessa garota. — Brendan disse como se fosse uma garota, fazendo a gente rir.
- E aí, o Nicholas disse que gostava de mim e me beijou. — Dizendo isso, Nate fitou a mesa e brincou com a faca. Lola e Brendan arquearam a sobrancelha e Lola e encarou séria.
- E... Você gostou do beijo? — ele perguntou timidamente. Eu achei aquilo tão fofo e, isso criou uma esperança de que, o Nate gostasse mesmo de mim.
Fiquei com medo de responder.
- Bom, eu gostei, mas... — Nate tirou os olhos da mesa e me encarou. Se eu não estava ficando louca, ele me olhava triste. Ah, meu Deus!
- Mas, eu esperava mais. — Disse por fim. Ele franziu a testa, Brendan riu e Lola sorriu pra mim.
- Como assim? — Nate perguntou, mais uma vez tímido. Eu adorava quando ele ficava assim comigo.
- Ela quer dizer que ela não sentiu aquilo. Entendeu? — Lola alterou a voz, eu fiz um sinal de silêncio.
- Desculpa, pode me explicar o que é aquilo? — Brendan perguntou rindo.
- Pensou besteira, né? — Lola disse o beliscando.
- É... — Tentei explicar, mas eu não parava de rir. — Pelo beijo, eu descobri que não é dele que eu gosto. — Nate encarou a mesa mais uma vez e deu um meio sorriso. Eu não pude deixar de sorrir também.
- Ah, que fofinho. Beija, beija, beija! — Lola gritava batendo palminhas.
- Cala a boca Lola! — Gritei. Brendan e Nate não paravam de rir.
- Ai, tá bom. Só vou parar quando vocês se beijarem. — Lola estava a fim de me provocar. Eu a fitei séria, e ela parou.
- Desculpa amiga. — Lola disse sem jeito. Nate e Brendan se olharam espantados e nós duas caímos na gargalhada.
- Caramba, não fazem mais isso. Por favor. Eu já estava quase chamando os seguranças. — Nate brincou e nós rimos.
Brendan pediu a conta, eles pagaram e saímos do restaurante. Lola e ele saíram na frente, de mãos dadas. Nate estava com a mão no bolso, e eu estava de braços cruzados.
Nós entramos no carro e eu não pude deixar de olhar pra trás. Tive uma leve impressão de que eles estavam se beijando, mas pude enxergar direito e vi que ela estava com a cabeça deitada no ombro dele. Eu encarei a janela e ri discretamente. Algumas vezes, Nate olhava pra mim, mas eu não o olhei de volta. Quando nós chegamos em casa, vi que minha mãe já tinha chegado. Tentei ser rápida na despedida, mas a carinha de carente do Nate me fez ficar dentro do carro junto com ele. Ai meu Deus! Lola e Brendan saíram do carro e ele a levou até a porta.
- 5 minutos. — Lola disse pra mim e eu sorri. Vi eles indo até a porta e eu senti os olhos do Nate sobre mim. Senti minhas bochechas queimarem. Eu me virei lentamente e sorri pra ele, ele sorriu de volta.
- E então? — Disse encarando o volante.
- E então. — Repeti fitando as minhas mãos.
- Gostou do passeio?
- Adorei. — Sorri.
Quando encarei a porta pra sair, vi Lola e Brendan se beijando. Não pude deixar de rir. Nate também ria saindo do carro e abriu a porta pra que eu pudesse sair também. Eu encarei os olhos dele mais uma vez, eu queria que ele me beijasse, queria muito. Mas ele não beijou, não onde eu queria. Ele beijou minha testa, eu sorri e dei de costas quando ele segurou minha mão. Eu senti um arrepio na minha espinha e vi que minha mãe estava na janela me observando. Que droga!
Eu tentei encará-lo, mas o rosto dele estava tão perto do meu, que eu não podia levantar minha cabeça, se não, era beijo na certa.
- A minha mãe está na janela. — Sussurrei. Ele se afastou um pouco e sorriu. Tão fofo!
- Quando vou te ver de novo?
- Ah, eu não sei. — Disse fitando o chão. Eu e ele ficamos flertando enquanto Brendan e Lola estavam num maior amasso na porta da minha casa. Ele me abraçava e beijava meu rosto, e a gente ficou assim, agarradinhos como dois namorados.
- Quer sair comigo? — Sussurrou no meu ouvido. Eu fiquei sem jeito, eu não tinha acabado de sair com ele? Tá, não estávamos sozinhos.
- Sair? De novo? — Foi o que eu consegui dizer. Idiota!
- Não. Só nós dois. — Disse com entusiasmo, sorrindo. Ah meu Deus!
- Nós dois? Sozinhos? – Sua anta, é claro que sozinhos. Como eu sou burra!
- Sim. — Respondeu ele sem jeito. Eu sorri.
- Aceito. — Disse abraçando-o. Ele sorriu e ficamos abraçados de novo.
- Eu tenho que entrar. — Sussurrei.
- Tá bom. — Sussurrou no meu ouvido. Mas ele não me soltava
- Nate.
- O quê.
- Eu tenho que entrar.
- Tá bom.
- Então me solta. — Disse sorrindo. Ele me soltou, mas segurou minha mão.
- Nathan, eu tenho que ir. — Disse e ele soltou minha mão.
- Amanhã eu te ligo. — Disse ele.
- Eu não vou esperar sua ligação. — Sorri, ele sorriu. Eu dei de costas e empurrei a Lola, que estava "grudada" no Brendan e a arrastei pra porta.
- Ah, mas já? — Lola e Brendan disseram em coro, fazendo a gente rir.
- Vamos Brendan, temos uma gravação amanhã.
- Sim. E nós temos que ver a faculdade, Né Lola? — Disse cutucando-a, a fazendo rir. Ela me empurrou.
- Mais dois minutinhos. — Ela implorou
- Não. — Disse risonha. Ela beijou Brendan mais uma vez e eu a empurrei novamente. Ela entrou primeiro jogando beijinhos pra ele, e ele ria e mandava beijos também. Nate e mandou beijo e eu, apenas sorri e acenei. Quando entramos em casa, Lola fez a festa, mas minha mãe chegou na sala como se fosse um fantasma.
- E aí, como foi?
- Lola e Brendan se beijaram. — Disse dando de costas até a cozinha pra beliscar alguma coisa. Minha mãe a olhou séria enquanto Lola suspirava deitada no sofá.
- É, eu vi. — Disse minha mãe se sentando ao lado dela.
- É. Eu também. — Disse saindo da geladeira com um copo de suco de maracujá e um pacote de biscoito recheado.
- Me conta. O que ele te disse pra você ficar tão suspirosa assim? O melhor, o que você fez?
- Eu? Eu não fiz nada. Ele me disse que estava interessado em mim e me beijou. E ele beija tão bem. Ah, eu nunca pensei que fosse me sentir assim. — Disse Lola. Eu estava feliz por ela, nunca a vi assim. Nem quando ela estava com o Eddie.
- E você filha?
- Eu o quê?
- Você e o Nate. — Disse ela sorrindo. Ah, tem horas que minha mãe é uma comédia.
- Ah, ele me chamou pra sair. De novo. — Disse sorrindo.
- De novo? — Minha mãe e Lola disseram em coro.
- Sim. Mas, desta vez sozinhos. — Disse mexendo no meu cabelo.
- Uhul, sozinhos. Que sexy. — Disse Lola mordendo o Lábio. Minha mãe me fitou séria.
- Sozinhos? — Disse ela. Eu não disse nada, apenas balancei a cabeça positivamente.
- Hum, quando?
- Eu não sei, ele vai me ligar amanhã. — Disse tirando a sapatilha.
- Depois a gente conversa mãe, vou dormir. — Disse abraçando-a
- Boa noite querida, — Disse ela retribuindo o abraço.
- Boa noite tia Elaine. — Disse Lola me seguindo, subindo as escadas. Entrando no nosso quarto, Lola gritou e me abraçou.
- Ah amiga, estou tão feliz.
- Eu também. — Disse tirando o meu vestido e entrando no banheiro para tomar um banho.
- E aí, agora acha que eu estou exagerando?
- Exagerando? — Disse saindo do banheiro vestindo minha camisola azul.
- É. Eu disse que o Nate iria gostar de você. — Ela sorriu e me abraçou.
Eu estava nas nuvens. Nate gostava de mim, pelo menos eu achava que sim. E ele era encantador, lindo, e um príncipe comigo. Ele me tratava como rainha, e estava ficando cada vez mais encantada com ele. Mas, eu estava com medo. Estava com medo de que aquilo fosse tudo um sonho. Fiquei até com medo de dormir, com medo de acordar no dia seguinte e está em Barza de novo. Mas eu dormi, e rezei pra que, quando eu acordar, eu possa estar no mesmo lugar.
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