Liverpool, Londres — P.O.V. Nate

Sábado. Acordei com o meu celular tocando.

- Alô? — Disse zonzo

- Acorda preguiçoso! — Era o Brendan

- Ah, o que foi cara?

- O que foi cara? Esqueceu-se de que todo sábado saímos pra caminhar? — Bati na minha testa.

- Caramba, eu tinha me esquecido. — Disse me levantando e indo direto pro meu guarda-roupa. — Onde você tá?

- Onde eu estou? Aqui na porta cara!

- Tão cedo?

- Você sabe que horas são? — Eu olhei para o relógio do lado da minha cama e já era 09h12min da manhã.

- Deus! — Gritei.

- Ai Nate, não grita.

- Ah, foi mal cara. É que eu fiquei jogando vídeo game com o meu irmão até tarde, e acabei esquecendo da caminhada de hoje. — Disse me vestindo.

- Nathan, Nathan, Nathan. Você ultimamente anda com a cabeça no mundo da lua.

- Ou talvez, com a cabeça em Porto Rico. — Disse sorrindo. Desde a coletiva de impressa, eu não paro de pensar na Alex. Eu estava ansioso com a chegada dela. Mas eu despertei dos meus pensamentos com as risadas do Brendan.

- Nate olha lá hein. Fica se engraçando com a filha dos outros.

- Já estou descendo. — Disse desligando o celular. Fiz minhas higienes matinais e peguei meu boné e meus óculos.
Passei pela sala, estavam Ash e Frederick sentados à mesa tomando café.

- Bom dia. Tchau. — Disse passando pela mesa pegando apenas uma torrada.

- Oi e Tchau. — Disse Ash e Fred em coro. Cheguei ao portão estava Brendan sentado na calçada.

- Até que enfim. — Disse se levantando

- Pronto cheguei. Vamos?

- Vamos. — Começamos a caminhar. Mal chegamos à esquina e já tinham três paparazzi.

- Preparado para o show de flashes?

- Sempre. — Disse sorrindo sarcasticamente e continuamos a caminhar. Os paparazzi ficaram nos seguindo durante um bom tempo, Mas nós andamos tão rápido que eles se cansaram de nos seguir. Nós rimos daquilo e paramos em uma barraquinha de cachorro quente.

- Desse jeito você nunca vai ficar como eu. — Disse Brendan exibindo seu abdômen. Eu quase vomitei o cachorro quente que estava descendo pela minha garganta e fiz cara de nojo.

- Eu não preciso. Sou melhor do que você. — Disse sorrindo. Ele ameaçou a jogar o ketchup em cima de mim. Eu estava muito distraído naquele instante e não tinha percebido que minha boca estava suja de mostarda, mas tinha notado quando vi Brendan rindo e apontando pra minha boca.

- Nate?

- Fala.

- O que tá havendo? Você anda meio... Distraído.

- Distraído? Eu?

- É cara. Quando estávamos caminhando você estava meio pensativo e agora, você nem notou que estava sujo de mostarda. O que tá havendo?
Eu estava realmente distraído. E eu não sabia por que. Parte de mim falava que era porque eu tinha acabado de acordar. A outra parte dizia que, era por causa da Alex, eu estava quase acreditando nessa hipótese.

- Nate? — Brendan gritou.

- Ah, oi, fala.

- Tá vendo? É isso que eu estou falando. Você está no mundo da lua.

- Ah, é que eu acabei de acordar.

- Ou... — Disse sorrindo maliciosamente.

- Ou... O quê?

- Ou é por causa da...
— Alex. — Disse cortando-o sorrindo. Ele também sorriu.

- Aaaaaah, Nathan. — Disse me empurrando. — Você está “gamadinho” na filha da Elaine.

- Eu? Não, não estou.

- Tá sim!

- Claro que não. Eu nem a conheço.

- Nem precisa. Só de ouvir a voz dela você fica todo derretido. — Ele gargalhou e eu sorri.

- Por que não liga pra ela?

- Ligar? — Disse fazendo uma careta.

- Sim.

- Agora?

- É. — Disse elevando um pouco mais a sua voz.

- Tá bom, não precisa gritar. — Disse fazendo beicinho. Ele me bateu. Mas agora deve está de noite. Pensei. Mas, Brendan tinha razão. Eu estava "viajado", e era por causa da Alex. Eu não parava de pensar nela um minuto se quer, eu não parava de falar nela com ele. Eu peguei meu celular e disquei o número. Tocou uma, duas, três, até que ela atendeu:

- Alô? — Eu senti um arrepio na espinha. Brendan riu e eu dei um empurrão.

- Alô.

- Oi Nate. — Pelo tom de voz, parecia que ela estava sorrindo. Eu tinha ficado impressionado por ela ter reconhecido minha voz.
— Caramba, como sabia que era eu? — Disse fazendo uma careta pro Brendan, que sorriu.

- Reconheci sua voz suave. — Disse ela. Ela achava minha voz suave? Nossa, eu sorri, e senti que meu sorriso chegava até a minha orelha. Senti minhas bochechas corarem.

- Acha a minha voz suave?

- Acho. — Eu não aguentei o riso, nem o Brendan. Acho que ela estava sorrindo também, Nossa! Eu e Brendan continuamos a caminhar.

- E, a que devo a honra da sua ligação? — Ela disse, eu sorri.

- Queria saber se você está bem?

- Sim. E você?

- Também. Namorando? — Brendan elevou sua mão até a testa e bateu nela. Eu fiz uma cara de "qual é o problema?”

- Hum... Não. — Respondeu. — Por quê?

- Nada não. — Brendan rolou os olhos. Eu ignorei. — Se você quiser saber, eu também não estou namorado. — Ela riu.

- Que bom. — Disse ela sarcasticamente. Eu gargalhei pelo telefone. E tentei puxar assunto. Bom, eu nunca fui disso. Já que eu sempre ia ao ponto. Entendeu né?!

- Olha só, eu tenho que te dizer que sua mãe cozinha muito bem.

- Sério?

- Verdade. No almoço na casa do Fred, ela preparou um prato típico daí. Eu comi dois pratos — Ela riu. Eu continuei.

- E aí, quando você vai vir pra cá?

- Quarta — Feira. — Mas ela não ia vir amanhã? Ah meu Deus! Eu estava tão ansioso com a chegada dela, e agora eu tenho que esperar.

- Ainda? Mas eu pensei que você viesse amanhã.

- Sim. Mas, houve uma mudança de planos.

- Ah, então tá bom. Vou te esperar. — Disse sorrindo.
— Vai me esperar?

- Vou, quero te apresentar uns amigos meus. — Eu pisquei pro Brendan, que estava ficando interessado em conhecê-la. Eu percebi a mensagem que ele queria me mandar.

- Tem como trazer sua amiga também?

- Obrigado. — Sussurrou fazendo um sinal com as mãos como se fosse rezar.

- Hum, vou ver se vai ser possível. — Ela disse, Eu sorri.

- Então tá. Agora eu tenho que desligar. Vou sair com um amigo meu.

- É por acaso o Brendan? — Eu sorri e mostrei a língua pro Brendan, que mostrou o dedo do meio.

- Você sabe de tudo né? — Disse mordendo meu lábio inferior.

- Talvez. — Nossa! — Agora vai lá. Seu amigo está te esperando.

- Tá bom. Beijo. — Disse me despedindo

- Beijo. — Desligou. Brendan sorriu maliciosamente pra mim.

- O quê? — Disse fazendo uma careta.

- Nada. — Sorriu. — Só que... Você está apaixonado!

- Ah, que isso! — Disse andando na frente.

- Que isso digo eu. Você não para de sorrir, e tá todo corado. — Disse me fazendo cosquinha. Ele estava certo, eu que não queria acreditar.

- Não. — Disse parando na calçada.

- Não, o quê?

- Eu não posso está apaixonado, de novo. — Disse balançando a cabeça.

- Ah, Nate. — Disse ele se sentando ao meu lado. — Qual problema de engatar num segundo romance?

- Problema nenhum. É que... — Hesitei, e respirei fundo. — O problema sou eu. — Brendan sorriu.

- Ah, Nate. Ela gosta de você, acredite.

- Você acha?
— Claro. Ela deve ficar um pouco tímida, afinal, você é um astro do cinema e é mais velho do que ela. — Disse sorrindo.

- É, talvez possa ser isso. — Disse sorrindo timidamente.
Quando voltei pra casa, já era uma hora da tarde. Ash saiu com alguns amigos, mas eu não gostava muito deles. Mas Fred disse que era pra eu ficar despreocupado, pois ele tinha levado o celular. Eu contei a ele que eu tinha ligado pra Alex e sobre as coisas que eu estava sentindo sobre ela:

- Hum. — Disse apenas isso. Eu continuei.

- E o Brendan acha que eu estou apaixonado por ela.

- Eu também acho. — Disse abrindo a geladeira.

- O quê?

- Nathan, por favor. Você tem 21 anos, não é mais um adolescente. Já devia saber que o que você está sentindo é amor. Afinal, você já sentiu isso antes, com a Tiffany.

- Não. — Disse fitando-o sério. — É diferente. — Sorri.

- Diferente, como? – Ele disse se sentando no meu lado.

- Bom, eu não sei direito. Com a Tiffany era tudo tão... Fácil, tão prático. Ela me fazia sentir bem, mas apenas isso. Eu não era "feliz" com ela, do jeito que eu queria. Estando com ela era o mesmo que estando com alguma amiga, mas eu gostava dela. Entende?

- Entendo.

- Já a Alex... — Sorri novamente. — Eu não sei, Eu ouço a voz dela no telefone e fico pirado num instante. Ela me enlouquece, e eu ainda não a conheço. Por isso que eu acho estranho.

- Não conhece entre aspas, né? Você já viu uma foto dela, já ouviu a voz dela, e sabe um pouco da vida dela. — Disse sorrindo. Eu sorri, estava ficando ainda mais convencido de que, eu estava ficando "apaixonado" pela Alex, sem nem ao menos conhecê-la.
— Mas, e se não der certo?

- Ah Nathan, vai dar certo sim. Eu conheço a Alex tanto quanto conheço você. Vocês praticamente gostam das mesmas coisas, das mesmas músicas, dos mesmos filmes. É claro, existem as diferenças. Mas perto das semelhanças, as diferenças não aparecem. — Disse me abraçando.

- Sério?

- Claro.

- Tá bom. — Eu sorri. — Sabe, eu acho uma pena o senhor não ter filhos. Você daria um ótimo pai. — Dizendo isso, ele olhou pra mim com compaixão e me abraçou tão forte que eu achei que ele ia quebrar todos os meus ossos.

- Não faz mal, não tenho um filho biológico, mas tenho um de coração, Você. — Disse. Eu senti meus olhos marejados. Caíram muitas lágrimas dos meus olhos, afinal, eu não via meu pai há dois anos e meio, desde que... Ah, você sabe. E eu queria ter tido essa conversa com ele. Mas, eu amava o Fred. O amava como meu pai. E ele me amava como um filho, e eu já estava feliz por isso. Metade da minha felicidade estava comigo, e a outra metade estava em outro país.