O Príncipe de Amicitia

1 Prólogo - Mar Vermelho


Notas iniciais
Oie :) Esta é minha primeira Fanfic. Não foi fácil escrever, ainda falta muita experiência mas estou me divertindo escrevendo. Espero que goste, pois estou fazendo com muito carinho :) A foto do capitulo é um mapa que fiz, eu sei que está meio esquisitinho mas acho que serve por enquanto rsrsrs :) Enfim, vamos lá...


Jimin corria desesperado pela floresta densa e sombria, seu coração martelando no peito enquanto suas pernas tremiam a cada passo. O pavor o consumia, e a escuridão da noite, obscurecida por nuvens pesadas, tornava impossível enxergar o caminho à frente. Ainda assim, ele não parava. Não poderia parar. Sua vida dependia disso.

Algo — ou alguém — o perseguia. O som de passos pesados ​​se aproximava, acompanhado pelo estalar seco de árvores sendo derrubadas atrás de si. O medo era tão avassalador que ele sequer ousava olhar para trás, apenas corria, impulsionado pelo desespero. Mas então, em um instante de hesitação, seus olhos se voltaram para trás, e foi o bastante para que tropeçasse em uma pedra. Seu corpo foi lançado ao chão.

O impacto lhe roubou o fôlego, mas o verdadeiro golpe veio quando assistiu o silêncio ao seu redor. Ele naturalmente olhou em volta, ofegante, e sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Não havia ninguém ali. Estava completamente só.

Quem ou o quê o perseguia? Seria apenas uma ilusão criada por sua mente? Estaria enlouquecendo?

Com as mãos trêmulas, Jimin tateou o chão em busca de apoio, mas algo gelado escorreu entre seus dedos. Por um instante, pensou ter caído sobre uma poça d'água. No entanto, ao erguer as mãos perante a luz fraca da lua, o choque o atingiu como um golpe brutal: elas estavam cobertas de sangue.

O terror se intensificou quando as árvores ao seu redor foram sugadas para baixo, uma a uma, como se fossem tragadas pelo próprio solo. O chão firme tornou-se líquido, uma substância espessa e vermelha que consumia tudo em seu caminho. Em questão de minutos, a floresta deixou de existir, transformada em um mar de sangue.

Jimin tentou lutar, mas seu corpo já afundava. Debateu-se em agonia, os pulmões implorando por ar. Tentou gritar, mas sua voz estava presa em sua garganta. Com os braços erguidos, lutava para alcançar a superfície daquele oceano viscoso e fétido, que minutos atrás fora apenas uma floresta comum.

O desespero logo deu lugar à exaustão. Cada movimento parecia inútil. O cansaço o envolveu como correntes invisíveis, puxando-o para baixo. Sem forças para continuar lutando deixou-se afundar, até que o último sopro de ar lhe escapou dos pulmões.

....

— Príncipe Jimin? O Senhor está bem?

Jimin despertou com um sobressalto, o coração martelando contra o peito, o ar escapando em uma respiração curta. Seus dedos segurando fortemente o colar que nunca abandonava, como se aquilo fosse a única âncora que o prendia à realidade.

Diante dele, um jovem alto o observava com preocupação. Sua pele bronzeada contrastava com os cabelos louros meticulosamente penteados para trás, e as vestes elegantes da guarda real conferiam-lhe um ar imponente. No entanto, a seriedade da sua postura era suavizada pela inquietação evidente nos seus olhos.

— Foi apenas um pesadelo, Namjoon — Respondeu Jimin um pouco cansado.

— As coisas vão melhorar, Alteza. Nenhuma escuridão pode durar para sempre, o amanhã virá novamente e os pesadelos serão apenas lembranças ruins que logo passarão — Namjoon tinha um sorriso amistoso que sempre trazia paz ao coração de Jimin — Assim como seu pai foi um bom Rei, o Senhor também será.

Vendo o suor escorrendo da testa de Jimin, Namjoon mediu sua temperatura com o dorso da mão e sua expressão ficou ainda mais preocupada.

— O Senhor está febril, precisamos chamar um médico.

— Não, não precisa, por favor. Obrigado pela preocupação, Namjoon… mas estou bem.

Jimin levantou-se, inspirando fundo antes de se preparar para descer ao salão principal. Passou-se uma semana desde a morte de seu pai, e a próspera cidade de Somnium encontrava-se em um misto de agitação e preocupação.

O luto pairava sobre a cidade como uma sombra densa. Muitos choravam a perda do rei amado, enquanto os comerciantes murmuravam preocupações sobre o futuro, não apenas de Somnium, mas de todo o Reino de Amicitia. A incerteza se espalhava como um fogo invisível.

Mas Jimin não poderia se dar ao luxo de lamentar. O peso da coroa estava sobre seus ombros, e não havia espaço para hesitação. Seu reino precisa de um líder, não de um jovem perdido na dor. Ele precisa ser forte e inabalável. Precisava mostrar ao povo que estava ali, pronto para guiá-los. Eles precisavam de um rei em que pudessem confiar. E o Príncipe Jimin não os decepcionaria.

Mas a vida já não era um mar de rosas. Ele precisaria enterrar as ilusões antes que elas o consumissem por completo. O caminho à frente seria longo e árduo, e, embora estivesse preparado para enfrentar os desafios, não queria fazê-lo sozinho. Se ao menos houvesse alguém ao seu lado, alguém da sua própria carne e sangue, talvez tudo parecesse menos sufocante. Namjoon era um amigo leal, um conselheiro inestimável, mas não era família. Não compartilhava o mesmo peso da coroa, não carregava o mesmo sangue real em suas veias.

E Jimin sentiu esse vazio como uma lâmina afiada contra sua alma. O trono era solitário. Caminhar com a coroa nunca pareceu tão pesado.