Notas iniciais
Novidade por aqui! :DEssa é minha primeira fic de humor-negro e é totalmente nonsense e meio bobinha, então não a levem tão a sério, aushauhsuahsuahsua.Foi mais uma ideia fixa que amanheceu na minha cabeça, e eu precisei executá-la imediatamente. Eu nunca tinha me aventurado nesse estilo antes, então sejam piedosos com as pedradas, por favor, kkkkkkkkkkkkkkk.Boa leitura! ;)

Não era pra ser assim.

Hinata sempre foi a maior companheira de Sasuke, em tudo. Eram amigos desde crianças. Haviam descoberto a vida juntos. Brincaram juntos. Receberam juntos o primeiro castigo, após explodirem um cano de esgoto da casa de Sasuke, com uma bombinha afanada dos pertences de Itachi, seu irmão mais velho. Estudaram juntos. Cresceram juntos. Trocaram juntos o primeiro beijo, em um jogo da garrafa feito no aniversário da filha dos Sabaku. Se formaram juntos no colegial. Entraram para a mesma Faculdade.

Por terem sempre compartilhado tudo, Sasuke imaginou que continuaria sempre assim. Hinata continuaria dando broncas em Sasuke por cada coração que ele partisse, e Sasuke continuaria fazendo escândalo e querendo bater em cada namorado de Hinata que a magoasse. Talvez um dia fossem padrinhos do filho um do outro. Talvez morassem no mesmo asilo, quando fossem velhos.

Mas não aconteceria. Porque Hinata o havia abandonado. Ela estava morta.

Sasuke fitou no espelho a própria expressão vazia, após apertar o nó da gravata. Não havia conseguido chorar, estava em choque desde que a irmã de Hinata, Hanabi, havia o telefonado aos prantos, contando que a garota havia sido encontrada morta em seu banheiro particular. Não sabia como reagiria, quando chegasse na sala da casa ao lado e a visse, inerte entre quatro velas.

–Vamos, querido? – Mikoto Uchiha bateu de leve na porta do filho e o chamou, com a voz embargada. –Precisamos ir... Hiashi e Aymée estão desesperados.

Respirou fundo e foi, a mesma expressão apática, sem dizer uma palavra. Sentiu a mãe tocar em seu ombro, querendo apoiá-lo.

A enorme casa dos Hyuuga era ao lado da dos Uchiha, de modo que em apenas alguns passos, Sasuke e os pais já estavam lá. No quintal, avistaram Neji, primo de Hinata, fumando. Ele tinha os olhos vermelhos, e o corpo estava trêmulo.

–Olá, rapaz. – Fugaku o cumprimentou, com um aperto de mão.

–Óh, Neji... – Mikoto deu um abraço apertado no jovem, se debulhando em lágrimas. –Eu não posso acreditar, eu tinha essa menina como uma filha! Por que ela foi fazer isso?

Neji secou uma lágrima.

–Ela andava muito nervosa ultimamente, se sentindo pressionada. Mas não imaginamos que chegaria a tanto. Talvez tenha sido esse o nosso erro... – Neji se interrompeu, ao notar como Sasuke estava. -Sasuke?

Fugaku suspirou.

–Ele está assim, desde que soube. Não chorou, e não disse nenhuma palavra. Só fica andando pelos cantos...

–Droga... – Neji bateu de leve no ombro de Sasuke, tentando consolá-lo. –Hinata sempre teve medo de perder o Sasuke. Mas foi ele quem acabou a perdendo...

Sasuke continuou mudo, e os Uchihas também não disseram nada. Apenas entraram na casa, aquele ambiente mórbido detestável. Observar aquilo dava náuseas em Sasuke.

Hanabi chorava alto e descontroladamente, sentada em uma cadeira e com as mãos sobre o rosto. Estava cercada por algumas amigas de Hinata... e descansava a cabeça no ombro de Itachi. Sim, seu irmão estava consolando Hanabi. Sempre teve uma queda pela caçula dos Hyuuga, aquele sacana. Tsc.

Aymée Hyuuga, mãe de Hinata, estava imersa em uma xícara de café servida por Tenten, esposa grávida de Neji. Tremia segurando o objeto, e deixava as lágrimas escaparem silenciosamente pelo rosto. O marido, Hiashi, estava ao seu lado, em silêncio e torcendo as mãos. Em sua volta, Inoichi Yamanaka e Kakashi Hatake, amigos de longa data.

E no centro da sala... o caixão, suspenso por tripés, e cercado de flores e velas. Mesmo a distância, era possível ver Hinata dentro dele. Olhos fechados, rosto pálido e mãos cruzadas sobre o ventre.

Sasuke recuou, e sentou sobre uma cadeira. Não tinha condição alguma de ver aquilo agora.

–Sasuke... – Fugaku o chamou, com tato. –Precisa ir dar os pêsames aos pais dela, meu filho...

Nenhuma resposta.

–Deixe-o, Fugaku. – Mikoto pediu. –Ele não precisa fazer isso agora. Deixe-o quietinho um pouco, assimilando tudo.

Sasuke permaneceu na cadeira durante todo o tempo do funeral. Preso em sua própria mente, observando pessoas chegando e saindo da casa dos Hyuuga, xícaras de chá e café serem servidas, colegas e professores de Hinata aparecendo, e os dois ex namorados mais sérios dela – Naruto e Kiba – aparecerem. Kiba, chorando baixinho e abraçando longamente os ex sogros. Naruto chorando escandalosamente, lamentando que a ex tivesse ido tão jovem e aproveitado tão pouco a vida.

“Realmente ela aproveitou bem pouco, já que perdeu um bom tempo com você, né, seu canalha...” Sasuke guardou os pensamentos para si mesmo.

Sasuke ficava intrigado com a ânsia que as pessoas tinham, em ver os mortos dentro do caixão. Não sabia se era simplesmente um ritual, uma coisa de “ver pra crer”, ou só curiosidade mórbida, mesmo. De que valia aquela despedida? O falecido não veria coisa alguma...

Naqueles pensamentos malucos e tortos, misturados às melhores lembranças ao lado da melhor amiga, o tempo passou sem que Sasuke se levantasse da cadeira uma única vez.

–Filho... – Mikoto se aproximou. –Filho... Óh, querido, você está chorando... finalmente. – a mulher segurou as mãos dele.

Sasuke mordeu os lábios, e sentiu as lágrimas queimarem sua pele.

–Eu a amava... – falou baixinho, como em uma confidência. –Eu amava Hinata, mãe...

Deixou-se ser abraçado pela mãe, que lhe beijou o topo da cabeça.

–Óh, meu bem, eu sinto muito...

–Venha, Sasuke... – Itachi se aproximou e murmurou, com pesar. –O caixão já vai ser fechado. Seja forte, meu irmão...

Não dava mais pra adiar. Respirando fundo e apoiado pela mãe e o irmão, Sasuke secou rapidamente as lágrimas e se levantou, caminhando em direção ao caixão.

Era só um cadáver, mas ainda era Hinata, afinal. Os cabelos cuidadosamente ajeitados para trás, o corpo delicado enfiado em um vestido todo branco (que ela provavelmente detestaria), e o rosto surpreendentemente corado, com uma pele brilhante. O que uma boa maquiagem não fazia...

–Ela continua muito bonita, senhor Hiashi... – Sasuke murmurou, embolando as palavras. O pai da morta apenas assentiu, notando que o rapaz estava totalmente perturbado.

Sasuke se aproximou calmamente, passando de leve os dedos no rosto de Hinata, desenhando delicadamente os traços dela. Era incrível, ela parecia apenas dormir. Era como vê-la ressonando em seus braços após assistirem um filme, como já haviam feito tantas vezes. A pele continuava macia, e os cílios longos continuavam fazendo sombra nas maçãs do rosto.

Ninguém interferiu naquele momento comovente, em que aquele rapaz notavelmente apaixonado passou longos minutos acariciando o rosto da jovem Hyuuga. Entre algumas mulheres presentes menos próximas da família, os cochichos:

–Esse era o namorado dela? – perguntou Chiyo Akazuna.

–Não, o namorado dela era o Naruto Uzumaki. – respondeu uma outra senhora.

–Meu neto foi namorado dela, mas os dois terminaram já tem algum tempo. – disse Mito Uzumaki. –O namorado atual era o Kiba Inuzuka.

–Você está ficando caduca, Mito. – provocou Tsume Inuzuka. –Meu filho namorou ela antes do Naruto.

–Então quem era o namorado dela? – perguntou Mei Terumi.

–Acho que era o Neji...

–Neji era primo dela, dona Chiyo! – disse Anko Mitarashi, incrédula. –E ele é casado com a Tenten Mitsashi, aquela mocinha ali, que está quase soltando o filho pela boca.

–Ah, é...

Minutos depois, Sasuke ainda se encontrava acariciando o rosto de Hinata e a olhando com adoração. Ninguém dizia nada, ninguém interferia. E apesar da incredulidade, ninguém interferiu quando o rapaz se curvou e abaixou a cabeça em direção à jovem no caixão, para beijá-la.

–Adeus, pequenina. – e tocou os lábios dela com os seus, se demorando mais do que o apropriado, quando sentiu a maciez deles, e o suave movimento que fizeram, quando ela correspondeu o selinho.

Espere aí... O QUE? ? ?!

Abriu os olhos, e deu de cara com os olhos claros de Hinata bem abertos, o encarando com curiosidade.

–Sasuke... ?

O rapaz deu um salto para trás, assombrado, com os olhos e agora com a voz da garota que estava prestes a ser sepultada.

–Sasuke... o que houve? – ela perguntou, se sentando no caixão e esfregando os olhos, borrando a maquiagem pesada que lhe haviam feito.

–AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHH! – Hanabi berrou, caindo desmaiada instantaneamente.

–M... meu D-Deus... O que é i-isso? – Chouji Akimichi cobriu a boca, com uma expressão de pavor.

Hinata olhava em torno, confusa com a quantidade de pessoas na sala, e com as expressões chocadas de todos. Estaria acontecendo alguma festa em sua casa? E por que ela estava deitada ali no meio? Estranho...

–Gente, o que está acontecendo? – a jovem perguntou coçando a cabeça, e em seguida olhou para o próprio corpo. –E por que estou com essa roupa branca? Mãe, o que é isso? Onde estão minhas roupas pretas?

–Santo Deus! – Aymée Hyuuga gritou, com as mãos na cabeça.

–Eu avisei que a tia não ia gostar desse vestido... – disse a pequena Sasame, filha de cinco anos de Neji e Tenten. –Ai, mãe, não precisa me beliscar!

–Hinata! – Sasuke voltou a se aproximar, com os olhos esbugalhados. –Hinata! Hinata! – segurou a moça pelos ombros, quase a sacudindo. –HINATA!

–Ai! O que foi, Sasuke? Eu, hein...

–Você está morta, Hinata! Como pode estar acordada, respirando e falando? O que você tem?!

–Morta... Hã? ? ? – exclamou ela, incrédula. –Ficou louco, Sasuke? Eu estou ótima! E me sinto forte! – a jovem então expirou, expulsando dois chumaços de algodão das narinas, que caíram sobre seu colo. –Que merda é essa?!

Hiashi Hyuuga, que estava em choque até aquele momento, pôs a mão no peito e caiu de joelhos, com dificuldades para respirar.

–Ajudem, ajudem, ele está enfartando! – gritou Inoichi Yamanaka, e então Kakashi, Kiba e Neji correram para socorrer o homem, acompanhados da medica da família, Tsunade Senju.

–Cara, isso é muito melhor que The Walking Dead... – comentou Konohamaru, pescando um amendoim no saquinho. Udon concordou.

–Pai! – gritou Hinata. – O que diabos está acontecendo aqui? Por que estou deitada? E por que Hanabi desmaiou, e meu pai está enfartando?

–Será por que você se levantou do próprio caixão, criatura? – comentou Sai, namorado de uma amiga de Hinata, a Ino.

–...Caixão... ? – só então ela reparou melhor onde estava. Um caixão branco de luxo, e coberta de flores. –O QUE? MAS QUE PALHAÇADA É ESSA? ME TIREM DAQUI! AGORAAAA!

Sasuke e Naruto se aproximaram, e ambos tentaram ao mesmo tempo pegá-la nos braços.

–Saia daqui, Naruto!

–Saia você, Sasuke, o grande amor da vida dela fui eu! Tebayo!

–Não mesmo!

–Eu estou dentro de um caixão, e vocês dois estão brigando?! – berrou ela. –Shikamaru, me tire daqui, por favor!

–Isso só podia ser coisa sua, sua problemática... – disse o jovem Nara, enquanto pegava a amiga nos braços e a retirava rapidamente da caixa de madeira.

–Pai! – chamou ela, tropeçando nos próprios pés e quase caindo, sendo segurada pela mãe.

–Filha! – Aymée abraçou Hinata, deixando que as lágrimas escorressem. –Você está viva, minha querida! Não posso acreditar!

–É claro que eu estou viva, mãe! Dãã! – e ela pegou a mão da mãe e pôs sobre o peito. –Sinta, meu coração está batendo! E estou respirando! De onde vocês tiraram que eu estava morta? Credo! – e então ela se equilibrou novamente e andou em direção à poltrona em que haviam colocado Hiashi, se abaixando ao lado dele. –Pai! Fale comigo, por favor!

–Hinata, por favor... – Kiba a puxou pela cintura e foi levando-a para longe de Hiashi. –Se ele acordar e te ver conversando com ele, é capaz de enfartar de novo...

–Venha, Hinata. – disse Ino, e então ela e outra amiga de Hinata, Sakura Haruno, cercaram a moça e a levaram cada uma segurando em um braço. –Vamos até o banheiro.

–Banheiro... Sim, preciso ir... – disse ela. –Estou morrendo de fome, e com sede! Mas também estou sentindo algodões em todos os meus orifícios. Que droga!

Sakura fez o sinal da cruz, e as três seguiram para o banheiro.

–Ei, doutora Tsunade! – chamou Shino, um colega de Hanabi. –Hanabi acordou, mas viu Hinata andando e desmaiou de novo!

–Céus! – disse Tsunade. –Não posso largar o Hiashi agora... Por favor, alguém ligue para minha enfermeira particular, a Shizune, e peça que ela venha cuidar da Hanabi... – a médica secou o suor da testa. –Hinata também precisa ser examinada. CÉUS, O QUE FALTA ACONTECER?!

–Neji... – chamou Tenten, com a respiração entrecortada e andando com dificuldade. –Acho que minha bolsa estourou...

Ôh-ôh. Tsunade havia falado cedo demais.

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No banheiro, Hinata praticamente se banhava na pia, nervosa.

–Ai, que horror! – disse ela, jogando água no rosto e nos cabelos. –Estou cheirando a flores de cemitério! Argh!

–Agradeça ao seu pai depois, por não ter autorizado a Autópsia. – comentou Sakura, fazendo Hinata engolir em seco.

–Acabei de postar no Facebook que a Hinata está viva, e já tem um montão de curtidas! Aposto que você vai virar celebridade, Hina! – disse Ino, sorridente, como se tivesse tido uma grande realização.

–Meu Deus, eu quase fui enterrada! – Hinata se arrepiou, enquanto pegava a toalha que Sakura lhe alcançava. –Só de pensar em acordar lá, dentro de uma tumba e sem ter como chamar ninguém... Ainda bem que acordei a tempo...

–Tia, tia! – a pequena Sasame entrou no banheiro, sorridente. –Meu irmãozinho vai nascer!

As três moças ficaram mudas, e não sabiam exatamente o que as espantava mais: Se a notícia de que o bebê de Neji e Tenten nasceria justo naquele momento, ou a naturalidade com que aquela criança conversava com a tia recém “ressuscitada”, enquanto todos os adultos demonstraram quase pânico, ao vê-la.

–Querida, isso é maravilhoso! – Hinata por fim se abaixou e abraçou a pequena, que estava agarrada em suas pernas. Mas então lembrou que ainda estava usando o vestido fúnebre, e se afastou. –Opa, desculpe, Sasame. Deve estar sendo desagradável me abraçar, agora.

–De jeito, nenhum, tia Hinata! Agora sei que você é uma princesa!

Sakura e Ino se entreolharam, e Hinata fitou Sasame, confusa.

–Como assim, meu bem?

–A tia é uma princesa! – sorriu ela. –Você estava igual à Bela Adormecida, mas acordou, quando Sasuke lhe deu um beijo na boca, hihihi. Acho que Sasuke é o seu príncipe, tia Hinata! – e a menina saiu saltitando, após lançar aquela “teoria” no ar.

Hinata levou alguns segundos para assimilar o que Sasame havia dito, e então se levantou, encarando Sakura e Ino.

–Vocês ouviram isso? – perguntou.

–Não só ouvimos, como VIMOS o beijo que o Sasuke te deu. – respondeu Ino, com um sorriso malicioso.

–Sinceramente, acho que a Sasame tem razão, Hinata – disse Sakura, emocionada. –Você estava morta, e acordou quando o Sasuke a beijou, por mais desajeitada que tenha sido a situação. Acho... que ele é mesmo o seu “príncipe”.

Hinata sorriu. Será?

Claro que sim. Que prova maior poderia haver?

Sorriu ainda mais.

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–E então, Hinata, como está se sentindo? – perguntou a enfermeira Shizune, medindo a pressão da “ex-morta”. Hinata já havia se banhado e trocado, e neste momento estava em uma poltrona da sala, usando calça jeans e um moletom preto. Os funcionários da Funerária recolhiam o caixão e as coroas de flores.

–Bem... – respondeu ela. –Estou morrendo de fome e de sede, mas de resto estou ótima, muito bem mesmo. Mais forte, inclusive.

–Humm... – Shizune anotou algo na prancheta. – Isso é normal. Bom, você já está liberada para comer e beber alguma coisa. Mas você precisa ficar em observação, então vou passar a noite aqui hoje, já que não há necessidade de interná-la. Há acomodações, Senhora Hyuuga?

–Mas é claro, fique a vontade! – disse Aymée, sentada no braço da poltrona onde estava seu marido, já recuperado e bebendo uma xícara de chá. A euforia por ter a filha de volta não cabia em sim.

Àquela altura, a maioria das pessoas que foram acompanhar o funeral já haviam ido embora. Estavam presentes na sala apenas a enfermeira, os pais de Hinata, Hanabi – sentada no sofá ao lado de Itachi, que não parava de paparicá-la -, o Senhor e a Senhora Uchiha, Sasuke – calado e de pé, encostado em uma parede e com os braços cruzados – e Asuma Sarutobi, advogado dos Hyuuga, que fazia algumas perguntas à Hinata e à família.

–Senhorita Hinata, em seu Atestado de Óbito consta overdose intencional de Diazepan, ou seja, suicídio. Acredito então que você tenha tentado se matar, porém não conseguiu...

–O que? Mas isso é ridículo! – interrompeu ela. –Por que eu me mataria? Que ideia mais idiota!

–Eu encontrei você caída no banheiro, apagada e com o vidro vazio de remédio na mão, sua louca! – exclamou Hanabi. –Sofri tanto por você, e pra nada!

–Óh, desculpe o incômodo, irmãzinha. – provocou Hinata, sarcástica. –Da próxima vez, prometo morrer de verdade.

–CALE A BOCA, HINATA! – gritou Aymée, de um jeito que fez todos os presentes pularem de susto. –Todo tipo de remédio está proibido nessa casa, ouviu bem? Até mesmo Aspirina e Lacto Purga! E considere-se de castigo pelo resto da sua vida!

–...Mãe, eu tenho vinte e seis anos...

–Foda-se! – exclamou Hiashi, e então foi a vez de todos os presentes entortarem a cabeça para olhá-lo. Hiashi Hyuuga havia soltado um palavrão. –Nem em toda a sua infância e adolescência você foi capaz de aprontar tamanha travessura, então você está de castigo sim! E não me contrarie!

–...Ok...

Asuma pigarreou.

–Muito bem, você alega que não tentou se matar... Mas os remédios foram encontrados no seu sangue, e sua irmã alega tê-la visto com o vidro vazio. Você ingeriu ou não os comprimidos, Hinata?

–Ingeri, ué, mas apenas porque eu precisava dormir, mesmo. – ela deu de ombros. –A Editora está me pressionando direto pela entrega do próximo livro, e tinha mais de dois meses que eu não dormia quase nada, pois virava noites escrevendo e não conseguia progredir...

–...Por isso ela andava tão nervosa, irritadiça e desanimada, como Neji comentou. – disse Itachi. –Era puro estresse e falta de sono.

–...Eu estava desesperada de cansaço, e então tomei três pílulas de Diazepan de uma vez. – continuou ela. -Ou talvez tenham sido quatro, sei lá... Enfim, eu não tentei me matar, isso é um absurdo! Apesar da correria, eu adoro a minha vida, amo a minha família e os meus amigos! O que aconteceu é que provavelmente tomei demais, mesmo, e acabei dormindo profundamente e caindo no banheiro. Foi isso.

A família Hyuuga, a família Uchiha, Shizune, e até mesmo Asuma olhavam Hinata, pasmos.

–Ela estava apenas dormindo pesado, então... – murmurou Shizune, incrédula.

–Que raios de IML é esse, que dá minha filha adormecida como morta?! Ela quase foi sepultada, pelo amor de Deus! — bradou Hiashi.

–É isso mesmo que quero saber. – disse Asuma, organizando a pasta e se levantando da cadeira que ocupava. –O Instituto e a funerária serão indiciados pelo que aconteceu com Hinata. Vou registrar o caso agora mesmo.

–Faça isso, por favor. – pediu Aymée, se levantando e apertando a mão do advogado. –Quero que paguem pelo que fizeram com minha menina. Por causa disso, nós quase a perdemos de verdade. – a mulher beijou o topo da cabeça da filha, com carinho.

–Contem conosco para o que precisarem. – disse Fugaku, e Hiashi o agradeceu.

Asuma ia dizer mais alguma coisa, mas foi interrompido por um choro alto de bebê, e comemorações das pessoas na sala. Um minuto depois, Neji e Sasame apareceram, com sorrisos de orelha a orelha. Ele com manchas de sangue pela roupa, e um pequeno embrulhinho nos braços.

–Nasceu meu garotão! – comemorou o rapaz, e então Aymée, Hanabi e Mikoto cercaram alegremente a dupla – ou melhor, trio.

–Tenten teve o bebê aqui?! – perguntou Hinata.

–Ela já estava coroando, então a Doutora Tsunade não achou seguro removê-la e decidiu fazer o parto aqui mesmo, em um dos quartos de hóspedes. Ela e o bebê irão para o hospital agora, para fazerem os exames necessários. — respondeu Shizune.

–No mesmo dia, fui abençoado pela volta da minha filha perdida, e ainda ganhei mais um sobrinho. Não poderia haver felicidade maior. – falou Hiashi, orgulhoso.

Em meio a todos os sorrisos e felicitações, ninguém notou as constrangidas trocas de olhares entre Sasuke e Hinata.

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Sentado na cama, com as janelas da varanda escancaradas e ar fresco entrando no quarto, Sasuke se perdia em seus próprios pensamentos. Sua janela era de frente para a de Hinata, com as sacadas quase encostadas, e de onde estava conseguia vê-la sentada confortavelmente na própria cama, zapeando com o controle remoto por todos os canais da televisão, e parecendo bastante entediada.

–Meu amor, trouxe um suco e uns cookies para você... – disse Mikoto, entrando no quarto com uma bandeja, sem bater, como sempre.

–Obrigada, mãe. Pode deixar em cima da escrivaninha.

Mikoto largou a bandeja sobre a mesa e já ia sair, mas recuou e se sentou ao lado dele, ao ver para onde ele olhava.

–Hinata deu mesmo um grande susto em todos nós, não é mesmo?

–É sim, mãe. Hehe.

–Por que não vai até lá, fazer companhia a ela? Acredito que vocês tenham muito o que conversar.

–Shizune disse que ela precisava descansar, então...

–Shh... – Mikoto o interrompeu, silenciando-o com o dedo. –Não seja tão inseguro, filho. Sei que você está louco para ir até lá, mas tem medo do que Hinata vai lhe dizer. Mas não desperdice essa segunda chance que a vida deu a vocês, meu bem. Além do mais, tenho certeza de que ela está esperando por você...

O rosto dele se iluminou.

–Como pode ter tanta certeza, mãe?

Ela sorriu.

–Assim como, no fundo, vocês dois sabem que nasceram um para o outro, eu também, pois sou sua mãe... – ela o beijou no rosto, e então levantou e caminhou até a porta. –Siga seu coração, Sasuke. E depois me conte como foi. – e ela piscou para o filho, e então saiu.

Sasuke não teve mais dúvidas, não pensou em mais nada. Simplesmente se levantou e saltou de sua varanda para a de Hinata, como costumavam fazer desde crianças.

–Querida, está tudo bem com você? – ouviu Aymée gritar do corredor, quando estava entrando no quarto.

–Sim, mãe, estou ótima. – Hinata respondeu. –Pensei que teria de esperar a noite toda, Sasuke. – e então ela se virou de frente para janela, mostrando ao amigo que havia percebido ele entrar.

–Desculpe... – ele murmurou. –Não queria aborrecê-la. Me perdoa, Hina?

Ela sorriu.

–Perdoo. Mas só se você me prometer que não me fará mais esperar, e nunca mais sairá daqui.

–Está prometido. – ele sorriu de volta, e então se sentou de frente para ela. Os dois deram as mãos e se olharam com carinho, até a voz de Aymée surgir novamente, e cortar o clima:

–Querida, está tudo bem com você?

–Sim, mãe, está tudo bem!

–Ela não acabou de perguntar? – Sasuke questionou, rindo.

–Acho que ela tem medo que eu adormeça, e morra de novo.

–Óh... É compreensível.

–Sim. Hehe.

Silêncio. E então foi Hinata quem recomeçou a conversa.

–Meu príncipe... – ela disse, com um ar malicioso. –Você me reviveu, com seu beijo de amor... É brega, mas é lindo.

Sasuke alargou o sorriso, e acariciou o rosto dela.

–Quando eu te vi lá, deitada, eu só conseguia pensar que daria tudo para estar no seu lugar, e lamentava todos os beijos que deveria ter te dado, e não te dei. E então eu a beijei, com todo o amor e saudade que eu tinha. E foi a melhor decisão que eu já tomei, pois foi assim que você voltou pra mim.

Hinata secou uma lágrima.

–Voltei pra ficar. Eu te amo, Sasuke. E espero com todas as minhas forças nunca faltar para você.

–E não vai. – ele respondeu. –Demorei muito para perceber que amo você mais que tudo no mundo, e jamais vou deixá-la escapar. Quando chegar a hora, subiremos juntos, um com a mão na bunda do outro.

–Há há há há há há! – gargalhou ela. –Em troca, prometo trabalhar menos e dormir mais.

–Ãh-ãh.- disse ele. –Durma mais, mas não demais.

Se beijaram apaixonadamente, do jeito que ansiavam repetir desde o primeiro beijo trocado, aos onze anos de ambos.

Assim. Era assim que devia ser.

Notas finais
Tchã-ran! Auaheuhauehuaheuahuea!Espero que tenha curtido essa minha maluquice! xD Comenten. :D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!