Na manhã seguinte Valdim acordou muito antes do sol nascer. Decidindo que seria a hora de um treino matinal, colocou algumas roupas e desceu para o salão. Ao chegar na porta, viu que a chave estava nela, ao abrir, sentiu o ar matinal entrar pelos pulmões. Não conseguia conter a euforia de correr até cansar, mas tinha que voltar em duas horas para que ninguém sentisse sua falta. Fechou a porta e disparou a correr até a floresta.

Ao chegar na primeira árvore continuou a correr por mais alguns metros até parar, tirar a roupa e mudar de forma, pois precisava exercitar seu corpo selvagem, pois vivera assim por longos anos, e esse exercício o manteria sempre em forma. O lobo que aparecera era negro como a noite sem luar, e os símbolos que demostravam sua raça era de um vermelho nunca visto, seus olho cores de sangue brilhavam na expectativa de carne nova.

Nesta forma ele decidiu que era hora de caçar, pois seu sangue estava excitado pela floresta a sua volta. Correndo pelo mato e pulando riachos, encontrou um grupo de coelhos. — Uma caça difícil para um lobo solitário, porém serão um bom treino durante a manhã, além de ser uma carne suculenta, vou ver se pego alguns para mim e alguns para levar para a pensão. Carne de coelho é uma delícia. — Pensou ele.

Seu pelo o ajuda a se disfarçar nas sombras. Andando silenciosamente pela floresta vira alguns alvos que seriam pegos antes deles terem a notícia. — Dois coelhos para mim nesta manhã, será um dia de sorte. — Pensou o lobo com toda a adrenalina começando a correr pelo sangue. No primeiro ataque, pegara um dos coelhos que estava mais longe do grupo e o matara com um único golpe de sua mandíbula. Alguns coelhos já estavam de alerta, porém o segundo ataque não veio do mesmo lugar de antes. Veio do outro lado. — Dois coelhos para mim. Como a manhã esta sendo produtiva. — Após esse ataque, todos os coelhos perceberam que havia um predador ao redor e começaram a correr. — Não vão não. — Pensou enquanto disparava atrás deles. Após 10 minutos de perseguição conseguira apanhar mais dois, quatro, um número muito bom. Devorara os dois primeiros que pegara, pois eles lhe serviriam de energia por um tempo.

O sangue que sujava o pelo negro do lobo Valdim refletia nos olhos dele, que agora haviam se transformados em duas bolas de fogo brilhantes. O gosto da carne de coelho lhe enchera a boca quando comera os dois que pegara para si, o sangue quente lhe descendo a garganta demonstrava mais uma vez que ele era um caçador. Pegando os outros que matara para a senhora Hilda, voltou ao riacho que antes tinha cruzado com um pulo e decidiu que era hora de se lavar, pois estava completamente sujo de sangue e pelo de coelho. Algum tempo depois voltara para o lugar onde deixara as roupas, e voltara a forma humana, vestiu-as e voltou para casa.

–Bom espero que elas pensem que foi morto por uma armadilha que coloquei, pois é possível ver as marcas de meus dentes aqui. — Pensara ele. Mas como usei um golpe fatal na cabeça, creio que tudo ficará bem. Pois acho que ninguém come ela, exceto nós.

Quando voltara a casa, vira que a senhora Hilda e Melon, já tinham levantado.

–Bom dia Melon. — Apresou em falar o jovem.

–Bom dia Valdim.- Respondeu-lhe a garota, com um pouco de medo na voz, pois os olhos dele estavam muito mais brilhantes do que quando olhara no dia anterior. Ao olhar para as mãos do jovem vira dois coelhos gordos que tinham sido pegos essa manhã. — Saíra para pegar coelhos? Não sei como pode pensar em carne logo pela manhã.

–A carne é boa e macia.-Disse com um estranho prazer evidenciado na voz.-Sempre que conseguia, comia elas. Servem para me manterem forte. — Respondeu.- Sabe se a sua avó gostaria de fazer algo com eles?

–Sim eu gostaria de ficar com eles, já que teve todo o trabalho de pegá-los e trazer até mim, vou assar uma torta com eles. Ela ficará uma delícia. — Respondera Hilda. Que estava ouvindo tudo na cozinha. — Venha meu jovem, parece que tem fome.

–Obrigado senhora Hilda. E sim, estou com fome novamente. — Respondeu prontamente o rapaz que levava os coelhos para a idosa.

–Bom os coelhos realmente parecem saborosos, vejo que estão bem gordos. E pelo cheiro, que foram mortos agora cedo.- Disse a velha senhora que olhava de forma curiosa para os coelhos.- Seus pelos não estão totalmente brancos, e pela forma de como foram mortos, posso jurar que foi um lobo.

–L-Lobo, não seja sem graça, nenhum lobo conseguiria matar um coelho só atacando a cabeça dele. — Disse com uma grande convicção. Exceto pela minha família. Pensou. -Acho que foi a armadilha que deixei ontem antes de vir para cá, mas como já era tarde quando eu coloquei, creio que estes só foram pegos hoje de manhã. — Contou tentando disfarçar que fora ele, um lobo, que matara.

–Já que tem certeza disso.-Disse a senhora sem certeza.- Mas só para saber. Por que seus olhos estão mais vermelhos que o normal? Teve uma noite de sono ruim?

–Ah, não foi nada, tive alguns pesadelos durante a noite, mas não era nada que eu não pudesse dar conta. Então, eu voltarei na hora do almoço. Tenho que ganhar um pouco de dinheiro para continuar a viver aqui na cidade, não posso depender somente da quantidade que tenho em mãos agora.

–Vá meu rapaz, mas cuidado com trabalhos duvidosos e faça algo que realmente gosta. Mas vejo em você muito mais do que em qualquer um na cidade. Um jovem com cabelos negros, olhos cor de sangue, pele morena, músculos definidos e de porte menor que o normal, 1,68 de altura, lhe peço, não faça nada perigoso. Não quero perder um dos meus hóspedes. -Dissera-lhe a senhora.

–Sim, pode deixar, farei um uso melhor das minha habilidades e quanto aos coelhos, acordei umas duas horas antes de voltar para cá, pois decidi que era hora de dar uma olhada nas armadilhas. Talvez eu cace e venda a carne que conseguir, sei de muitos animais que são bons. Não me envolverei em nada perigoso. Estou indo senhora Hilda.

–Tenha um bom dia Valdim. — Disse a senhora que se despedira dele. Após sua partida Hilda chamara sua neta.- Melon, notou algo estranho nele esta manhã?

–Sim vovó, vi que seus olhos estavam mais vermelhos, como se estivesse pronto para matar, eu me senti assustada, pois uma sede de sangue de um grande lobo daqueles olhos.-Disse a menina com certo medo. Pois nunca tinha visto alguém ser tão selvagem.

–Melon, o que você viu não era nada. Pois penso que ele guarda um segredo maior ainda, mas ele próprio não descobriu, e vejo que as folhas estão começando a sussurrar para o vento algo que deve ser dito para toda natureza. E este reino irá mudar. — Disse Hilda enquanto limpava os coelhos e reparava novamente nos cortes. Se não foi um lobo que matara este animal. Sua armadilha deve ser muito eficiente, pois o matara sem deixar que sofresse. Pensou.

–Vovó, por que ficou tão silenciosa? Seus pensamentos são diferentes do meu ou algo assim?-Pressionava a menina.

–Não é nada Melon, só pensava qual foi a armadilha que usou para pegar os coelhos. Veja esses cortes.-Disse apontando para o pescoço do animal.- Parecem que foram feitos por dentes de um animal, não por uma armadilha. E por algum motivo nosso hóspede estava feliz essa manhã. E nem vi a hora que ele saiu, quando acordei e desci as escadas para o salão as portas já estavam abertas. Provavelmente ele tinha saindo a alguns minutos.

–Achei que ele tinha acordado depois da senhora. Pois é sempre a primeira a acordar. Ele levantou muito cedo. Algo deve tê-lo tirado da cama e ele foi verificar as armadilhas...-Pensou Melon sem acreditar em quase nenhuma de suas próprias palavas.

Longe da li, o hóspede já estava a procura de um emprego, pois sabia que na cidade não se pode viver sem um, pois ali tudo precisava ser pago com dinheiro.

Enquanto caminha reparou que havia um grande número de pessoas com algum tipo de proteção no corpo que refletia a luz do sol enquanto andavam. Movido pela curiosidade colocou-se a seguir um deles. Pois queria saber o que eles faziam.

–Jovem, é melhor não segui-los. Eles são os guardas da rainha. E ela está muito estressada ultimamente. — Disse o velho que estava sentado no chão.

–A rainha está preocupada com algo?

–Você quer ouvir a história que parece cercar esse reino?

–Se possível, sim. -Respondera com entusiamo o garoto lobo.

– Há alguns anos a rainha perdera seu marido, o rei, para um assassino, porém essa pessoa sem coração roubara o filho dela e o escondera. Ela conseguiu pegar o assassino e ladrão, mas uma coisa ela nunca recuperou, seu filho, pois ninguém sabe onde ele pode estar. Mas após um tempo de luto, ela começou a se relacionar com outro rei das terras vizinhas. Estes dois acabaram se casando e acabaram por unir ambos os reinos, mas houve algo que ninguém gostou, o antigo reino de Siria começou a sobrepujar o poderio de nosso reino, porém a rainha nada fez sobre isso. E hoje, pelo que parece ela foi visitar uma vidente que lhe tem mostrado o futuro. Esta vidente parece saber que um príncipe que deveria estar morto está na cidade. E a rainha está muito estressada pois esse príncipe pode ser o seu filho desaparecido. Se quiser confirmar algo sobre isso. Vá até o palácio, mas não recomendo a ninguém entrar lá. O local parece estar amaldiçoado.

–Não acredito em maldições, mas não quero chegar perto do castelo. Não me pergunte o porque, pois nem eu seu a resposta, só sei que meus instintos não me enganaram nunca. Muito obrigado pela informação meu senhor.-Despedindo- se do idoso, decidiu que era hora de voltar a pensão, a comida já deveria estar pronta neste momento.

No caminho encontrara algumas pessoas olhando para ele. Pois ele tinha olhos incomuns, e uma movimentação pouco usual, como se ele evitasse fazer barulho para pegar uma presa. Mas nada era percebido por ele, pois este sempre fora um hábito.

Chegando na pensão vira que a movimentação aumentara nos poucos minutos que tinha ido dar uma volta. Hilda continuava na cozinha, mas agora ela tinha ajuda de Melon e de Muriel, todas ocupadas em alguma coisa, Gregor estava fora de casa cortando madeira, e foi para lá que Valdim seguiu, pois sabia que alí ele poderia ajudar em algo.

–Senhor Gregor, quer minha ajuda para corta a lenha ou não precisa, não gosto de ficar sem o que fazer.-Disse o garoto de olhos vermelhos.

–Sim aceito sua ajuda, preciso que pegue mais madeira para cortar, pois assim teremos o suficiente para hoje.-Disse apontando para uma outra machadinha próxima a uma leva de madeiras.

–Irei até a floresta pegar lenha se o senhor desejar.-Prontificou-se.

–Não é preciso, temos uma enorme quantidade de lenha seca ali atrás, só preciso que pegue algumas e que traga-as para frente.-Disse o grande homem.

–Certo, de quantas mais o senhor acha que será necessário para hoje?

–Umas 20 toras grandes devem ser suficientes por hoje.

–20?- Disse com espanto.- Não sei como pretende gastar tudo isso. Mas recomendo economizar. Pois logo mais entraremos na época das chuvas, e ela não deixará a lenha ficar completamente seca.- Disse observando o céu.

–Tem toda a razão, mas hoje é um dia especial. E como todos ajudam nesses dias, é melhor andar e pegar as lenhas, assim que pegar, me ajudará a cortar em pedaços menores.-Disse o velho senhor.

Pegando e cortando lenha, essa foi a manhã do jovem de cabelos negros, e do adulto que estava ao seu lado, ambos cortavam em um ritmo constante, nunca muito rápido, nem muito devagar, num ritmo que poderia criar música, se você parasse para ouvir. Pois os sons dos machados, dos golpes, das diferentes intensidades, criavam uma harmonia que somente poucos poderiam criar. Uma canção era firme e com um ritmo que lembrava uma linda jovem que se arrumava para encontrar seu amado, e a outra era uma dança selvagem, na qual lembrava a caça de um cervo altivo, onde se devia ter cuidado para não ser atingido pelos chifres e cascos do animal, pois eles poderiam ferir gravemente os descuidados.

Ao terminar, e levar a lenha para dentro da pensão, Valdim decidira tomar um banho no rio da floresta, pois lá poderia se refrescar, e poderia encontrar algo para fazer enquanto esperava o almoço ficar pronto. Já que a comida só ficaria termina dentro de uma hora.

Despediu-se rapidamente de todos, pois não queria ficar no caminho de ninguém enquanto preparavam a refeição e correu para a floresta.

Seguindo para o lugar onde capturara os coelhos, avistou o rio que procurava, retirou a roupa e mergulhou nele na sua forma humana, porém ao emergir, ele já não era humano, não totalmente. Mesmo que mantivesse a aparência externa, agora ele possuía um par de orelhas de lobos, uma cauda e uma mandíbula formada de dentes afiados. Mas isso não o perturbava, pois estava sozinho e não precisava se preocupar com a forma, porém ele não poderia ficar muito tempo assim, pois logo teria que voltar a sua morada, pois sabia que lá haveria uma grande quantidade de comida, pois ele sabia que o cheiro que o atraíra para a cozinha aquela manhã estava divino, e este almoço, não seria comparado com nada que ele já tinha comido.

Com um estranho grito sufocado, ele olhou para cima e vira um linda jovem de cabelos ruivos e olhos verdes. Ela estava deitada ali antes, pois ele não notara nada fora do habitual, mas uma coisa estava errada com ela. Ela parecia ter medo dele, pois as orelhas e a cauda estavam a mostra, e ele decidiu esconder rapidamente as partes lupinas.

–Por que está sem roupas?- Perguntou a jovem. -Ninguém anda por aí sem roupas.

–Eu vim tomar um banho no rio para me refrescar. Me desculpe senhorita, se soubesse que tinha alguém aqui antes, eu não teria feito isso.

–Não se preocupe com isso. Eu é que cheguei após você entrar no rio, portanto não te culpo. Mas me diga, o que vi era real ou era só minha imaginação? -Perguntara a ruiva.

–Não estou entendendo o que a senhorita quer saber com isso. Se for sobre o meu corpo, tudo que está vendo agora é verdade. -Disse o garoto virando-se para ela para que ela visse seu corpo forte. Porém ela virara o rosto para não olha-lo nu. -Mas se for sobre algo que não pode ser visto, creio que pode ter imaginado.

–Posso realmente ter imaginado, pois não é possível existir humanos com caudas e orelhas não é?-Respondeu ela, ainda sem virar o rosto para ele.

–Não é possível. Mas creio que estou sendo um incomodo para a senhorita, realmente me desculpo sobre o que vira de mim, mas não fique envergonhada por mim. Mas como já tenho que ir, vou me vestir.

–Tudo bem, e me desculpe por chegar assim de fininho. Não esperava encontrar ninguém aqui.- Respondeu ela com uma sincera desculpa.

–Não se preocupe, pois eu estava esperando a mesma coisa. Mas tem algo em você que me chama atenção.-Dissera o jovem de cabelos negros. Enquanto colocava a roupa sobre o corpo.

–E o que seria esse algo?-Dissera a ruiva, que agora já podia ve-lo pois este colocara as calças.

–Aí é que está, eu não sei. Só sei que a senhorita chama minha atenção. E antes de eu ir embora.-Disse como se tivesse pensado subitamente naquilo.- Poderia me informar seu nome? Mas antes, creio que devo me apresentar, eu sou Valdim Wolran.

–Obrigada por se apresentar antes.-Disse com um sorriso na voz.- Eu me chamo Leaf, Leaf Inari.

–Me desculpe ter feito a senhorita ficar envergonhada. Creio que não acontecerá novamente. Mas agora tenho que ir andando, pois já devem estar na minha espera. Até mais senhorita Leaf Inari.

–Não se preocupe com isso, a culpa também foi minha, até mais, Caçador Valdim.

Aquilo o assustara, pois ela parecia saber quem ele era, mas que não queria dizer em voz alta, pondo-se a caminho da pensão repreendera-se por não verificar o perímetro antes de dar um pulo na água, mas agora, esse seria um erro que não cometeria mais.

Próximo ao rio, Leaf Inari ainda olhava para o lugar para onde ele sumira. E se perguntava o porque de encontrar uma pessoa tão estranha em um momento estranho de sua vida. Ela sabia que tinha que ir para o rio, pois assim seu instinto tinha dito, mas não sabia que era para encontrá-lo.- Se você para te encontrar, preferiria ter vindo como uma mulher normal, não como uma dama que sai para um passeio na floresta.-Dissera ela em voz alta, pois veio vestida como uma filha de nobre. Mas nem toda sua vida fora assim.

O almoço da pensão fora feito de tal forma que é impossível descrever sem que se perda alguns traços, pois toda a refeição tinha um cheiro saboroso e havia um grande porco no centro da mesa com uma maçã na boca, havia pratos e mais pratos de carnes, tais quais aves, os coelhos daquela manhã e uma porção de carne de boi. Havia comidas típicas da vila, arroz, que pelo visto estava em quase todas as refeições, pães saídos diretamente do forno, saladas, frutas, e muitas outras delícias estavam na mesa. Todos comiam com grande vontade a comida de uma, se não a melhor, cozinheira de toda a vila. Só se sabe que todos que provam a comida da senhora Hilda, querem sempre mais, portanto, se ela te oferecer comida aceite, mas somente o que conseguir comer. Nunca pegue mais do que isso, ou ela ficará realmente brava, pois ela não gosta que sobre comida em um prato, para ela, aquilo é sagrado. Nesta refeição, havia alguma coisa especial, pois ninguém estava comendo, mesmo com aquela grande quantidade de comida, e todos estivessem com fome, pois parecia que estava faltando algo ou alguém no grupo, mas ele não demorou a chegar, assim que o novo inquilino abriu a porta todos se levantaram para cumprimentá-lo pois esta era a festa de boas vindas dele, e ninguém poderia começar sem o principal, o convidado.

Todos o cumprimentavam e davam-lhe as boas vindas. Mas o que realmente chamou a atenção dele foi a mesa que estava em frente a ele. E todos perceberam que ele estava com fome, pois podiam ver isso em seus olhos, ninguém conseguiu segurar o riso já que não esperavam aquela cena vinda dele. O olhar atordoado que ele dirigiu a todos foi o que pois mais lenha na fogueira, após algum tempo, ele começara a rir, pois entendera o porque deles estarem rindo.

Algum tempo se passou até que todos ficassem quietos, um olhar de relance para Hilda, mostrava que ela estava impaciente. Sua comida estava esfriando, e ela não queria que a comida ficasse fria.

–Todos vamos comer antes que a comida fique fria!-Disse Hilda com um toque de raiva em sua voz. Que por sinal fez o efeito que queria. Todos se sentaram a mesa e começaram a se servir, e tão logo começaram a comer o elogios começavam a voar sobre a mesa.

–Os coelhos estão ótimos... Nunca comi um frango tão bom... A carne de porco está com um gosto bom e mais adocicado que o normal...-E assim foi todo o almoço. E não sobrara nada nas travessas e panelas que estavam sobre a mesa.

Todos os residentes estavam satisfeitos e prontos para se levantar, quando Hilda fez-se ouvir sobre todo o barulho.-Sente-se, o almoço ainda não terminou.-E se levantou e foi a cozinha, e quando voltou, estava com uma grande tigela com um doce que sempre trazia água na boca de todos os moradores da cidade. Um belíssimo pavê estava na frente de todos, e que os deuses abençoe as mãos dessa senhora, que comida deliciosa, talvez até mesmo os deuses tinham dado este dom a ela, para que todos na Terra pudessem provar de sua comida divina.

Após o almoço Valdim acabara comendo muito, portanto aproveitaria o bom tempo para subir na árvore próxima a pensão e decidiria se iria tirar um bom cochilo ali em cima dos galhos. Ao sair para o jardim foi andando até a árvore que podia ser vista da sala de jantar, ali escalou a árvore com enorme rapidez, porém ao chegar no galho que escolhera, viu que Melon estava olhando da janela enquanto subia a árvore. Ela demostrou sinais de ter sido vista, pois se virara e sumira da visão dele, mas alguns momentos depois ela estava próxima a árvore.

–Valdim, como conseguiu subir tão rapidamente? Mesmo morando aqui há anos, nunca consegui subir tão alto.-Dissera a menina.

–Costume Melon, sempre fiz isso com minha ma... família, por isso estou acostumado a subir e descer árvores e pedras, não se preocupe. Quando se vive muito tempo no lugar onde fui criado pega-se os movimentos certos para isso.-Respondera ele com um sorriso no rosto.

–Cuidado para na...-Ela não chegara a completar a frase, pois ele "caíra" do galho que estava, mais ou menos a uns 5 metros de altura. Mas ele não chegou a se machucar ao chegar ao chão ele simplesmente rolou e se levantou como se isso não fosse nada.-Você quase me matou de susto!-Gritara ela.

–Me desculpe... não sabia.. que sua... reação seria... tão engraçada assim... pensei que sabia... que não iria... me machucar...-Dissera ele quase sem fôlego de tanto rir da expressão dela.

Melon acabou por virar e ir para dentro da casa, porque se não o fosse para lá, acabaria por dar um tapa no rosto do garoto de cabelos negros que estava rindo dela.- Quem não se assustaria com uma queda daquelas? Claro que eu iria me assustar! Ele não precisava rir tanto!- Saiu resmungando.

Após o riso ter acabado, o garoto voltara a subir para tirar sua soneca pós almoço, pois agora estava satisfeito, mas sabia que logo mais teria que ir caçar novamente.-Posso vender uma porção das minhas caças para ganhar dinheiro, seria um bom método, mas não será bom eu caçar como lobo. Parece que a senhora Hilda já desconfia de mim, melhor me manter vigilan...-com esse pensamento caíra no sono.

Valdim acordara uns 30 minutos após ter cochilado, pois sabia que agora seria um ótimo momento para sair atrás de algum trabalho, do qual não usasse somente da caça. Ele decidira partir para a cidade atrás de algo que saberia fazer, mas antes, era melhor avisar a sua proprietária.

Decorridos alguns momentos ele estava rondando no centro da cidade, olhando em todos os lugares que Hilda tinha falado com ele, não encontrara nada que lhe caísse bem. -Acho que terei que ir ver se pego um trabalho com o senhor Gregor, ele disse que poderia ajudá-lo.-Pensara o jovem.

Andando pelas ruas a procura de Gregor, Valdim acabou por encontrar uma pessoa estranha, pois ela andava devagar, e sua roupa, um jaleco branco arrastava no chão como se estivesse cansado da vida que levava, todos desviavam de seu caminho e o olhavam de forma assustada, pois ele inspirava medo. Era mais alto que Valdim, mas uma coisa que chamou atenção dele eram seu machucados nos braços, parecia que andara brigando novamente com alguém, mas não sabia dizer se tinha vencido ou ganhado, pois sua postura nada indicava. O garoto decidira seguir o estranho, pois algo nele o chamara a atenção.

Na próxima esquina, o estranho virou para a esquerda com Valdim atrás dele, e o local era um beco sem saída. Só tinha a entrada como caminho, quando o jovem entrou no mesmo lugar que o rapaz de jaleco ele quase recebera um soco no queixo que teria nocauteado qualquer pessoa, mas como Valdim não era uma pessoa normal ele conseguira se esquivar com a mínima distância e energia perdida.

–Vejo que arranjaram alguém melhor dessa vez para lutar comigo.-Disse o homem de jaleco e como era a primeira vez que o via de frente ele estava com óculos escuros.- Meu nome é Carrien Desert, mas todos me chamam de Crash. Se quiser lutar se prepare, pois acabarei com você, não importa quanto tempo leve. Mas grave minhas palavras, nunca perderei! Sou um inventor, cuidado com o que tiro do meu jaleco, nunca se sabe o que tem neles!-Ele desviou o rosto, parecendo embaraçado enquanto murmurava.- Às vezes nem eu sei o que tem aqui dentro.

–Calma não quero fazer mal a você só estava te seguindo porque acho que você seria uma pessoa muito legal de se conhecer.-Disse o garoto de olhos vermelhos.-Só estou procurando alguém.

–Cale-se já ouvi essa desculpa esfarrapada, venha, me convença com seus punhos, que você não quer brigar comigo! Mas se apresente antes, assim como fiz, para que possamos brigar e derrotar o adversário sabendo que a honra daquele foi manchada com uma derrota! No caso, essa seria a sua honra!

–Certo, me apresentarei antes de tudo. Meu nome é Valdim Wolfran àquele que morou na Floresta Uivante, caçador, grave seu choro em sua mente, pois todos aqueles que me viram em uma luta nunca sobreviveram até o final para saber como é!-Virando o rosto disse.-Mas uma coisa é fato, não matarei nenhum humano.-Voltando a encarar a pessoa na sua frente.-Espere minha piedade, pois se ficar vivo, saiba que já foi uma grande vitória!

Ao ouvir o nome da floresta um frio repentino tomou conta do lugar, como se algo que não deveria ter sido ecoado no meio de um lugar como aquele, era um nome para se manter em segredo, mas logo o frio desparecera, como se nunca tivesse estado ali.

A luta começara com o desaparecimento do frio, algo que Valdim já esperava, pois esse frio fora trazido por ele, sua natureza era desnortear a presa, mas agora ele não poderia matar, apenas mutilar ou ferir gravemente já seria suficiente.

Percebendo um pequeno movimento Crash deu um passo para trás pois seus instintos diziam que era o certo. Mas se não fosse por isso, creio que estaria seriamente ferido no momento, pois o ataque de Valdim não fora nada que ele já tinha visto, foi um simples tapa no chão, mas que tapa fizera uma pequena cratera onde sua mão tocara o chão.

–Creio que com você não devo começar brincando, pois se isso me acertasse, estaria no chão, por no mínimo uns 3 meses.-Disse Carrien tirando algo de seus bolsos, enquanto puxava a invenção que se mostrava um pedaço de ferro dobrado, mas para o espanto de Valdim, o pedaço se desdobrou e virou uma tonfa, e de um outro bolso a mesma arma aparecera. Olhando para as mãos ele começou a rir, pois não lembrava que elas estava ali.-Sério, mano, você e seu tapa não seram fortes para aguentar o tranco disso aqui. Ninguém aguentou por muito tempo, só não sei como elas estavam aqui...

Partindo para o ataque Carrien disparou numa investida rápida, mas Valdim sabia que agora ele teria um alcance maior, e decidiu dar um pulo para o lado. E foi a decisão certa, o golpe que seria da altura de seu ombro acabou numa explosão, mas esse não foi o ponto, a arma explodira, como se aquele fosse o fim dela, não sem antes deixar uma marca no seu inventor.

–Mais um fracasso. Terei que pegar outra coisa nesses bolsos.-Disse enquanto retirava alguns frascos de seus bolsos.-Acho que ácido deve ser o melhor para te enfrentar, já que não poderá me tocar assim.

Atirando alguns na direção de Valdim que rapidamente saíra do lugar que se encontrava e partira para mais um ataque, que fora impedido por um cheiro muito forte. O cheiro de algo queimando. Ao olhar para onde o frasco se partira ele vira um pequeno buraco no solo.

–Como fez isso? É um tipo de arma ou algo assim?-Perguntou o garoto de olhos vermelhos.-Nunca vi algo assim antes. E eu não quero continuar essa luta, já vimos o quanto somos fortes, acabaremos em algo muito ruim se continuarmos.

–Que nada é fácil de se fazer, se você for eu.-Dissera o jovem de óculos escuros.-Bom, então lutaremos até ficarmos cansados ou que um caia, nunca admitirei uma derrota!-Enquanto retirava algumas bombas de seu jaleco.-Uma das minhas melhores invenções.-Disse apontando para os bolsos.-Carrego de tudo aqui!

–Então me mostre o que pode fazer quando fico sério.-Disse o jovem assumia a forma de uma lobo com um pequeno encanto.-Lobos que olham a Lua, Lua que nos olha dos céus, mostre minha verdadeira forma a esse ser descrente nos guie, seus filhos, a uma terra onde podemos prosseguir e reinar!-Ao termino desse pequeno encantamento ele estava em uma forma meio humana. Mas o mais estranho era que Crash estava excitado com tudo isso.-Então sente medo quando vê um meio lobo em sua frente? Pois se não sentir, os olhos de um lobo o deixarão completamente cego!

–Cara, você tem que deixar analisar isso! E olha que os lobisomens só deviam aparecer em noite de lua cheia! Estamos de dia e aqui estou, na frente de um!-Apontando para Valdim esquecendo das pequenas bombas que carregava. Que por sinal, já estavam acesas.-Ah, esqueci que estamos lutando me desculpe.-Ao se desculpar as bombas explodem, só que elas só fazem uma explosão minima.-Não, esqueci das bom... Por que elas só fizeram isso? Elas tinham que ter explodido com forças! Acho que foi pouca nitroglicerina. Mas deixando isso de lado, irei com algo mais Aceitável, só espere um momento.-Disse enquanto colocava o braço todo dentro de um bolso.-Espere, não achei nada ainda.-Carrien retirou o jaleco e estendeu ele no chão enquanto se curvava e metade de seu corpo entrava no bolso escolhido por ele.

Enquanto Valdim ouvia a excitação de Crash ele esperava que as bombas funcionassem e derrubassem Carrien para ele mas para seu desapontamento as bombas eram muito fracas, e para sua surpresa Crash não só enfiara o braço num bolso, mas como ele entrará quase todo nele! Isso era assustador, não tanto quanto a sua mãe brava, ela podia derrotar até o Sol se assim desejasse.

–Achei!-Exclamou Carrien enquanto retirava um bastão de seu bolso.-Com ele posso te derrotar, foi uma das poucas experiências que deram certo, se eu te derrotar você deixará que eu te analise. E se eu perder, te ajudarei em qualquer coisa!

–Fechado, então que a luta séria comece!-Valdim respondeu com um enorme prazer em sua voz, pois assim poderia lutar com toda sua força sem se preocupar.

As garras do lobo bateram com força no bastão e uma pequena corrente elétrica passou pelo corpo do lobo. Mas o choque foi pequeno, porque os pelos dissiparam uma boa parte da descarga elétrica provocada pelo bastão. Mas mesmo assim o susto que Valdim foi a abertura que Crash esperava, e se aproveitando dela ele chutou o outro com uma enorme força que o fez dar um bom pulo para trás batendo com as costas numa parede próxima. Esse golpe acabou por acordar o garoto-lobo de seu choque.

Recuperado, agora ele avança com um ataque com suas garras prontas para acabar com aquele bastão. Porém Carrien esperava esse movimento por isso atacou usando o bastão, mas ele não percebera a finta que estava escondida no golpe do garoto, a aceleração do lobo surpreendeu e o delinquente enquanto esse levava 3 poderosos chutes em seu estômago, e o tempo entre ele era muito curto e cada um tinha a força de um martelo.

Crash acabara por se atirado na outra parede que formava o beco, mas uma outra arma já estava em suas mão, pois ele perdera o bastão para os chutes de martelo do garoto. Um par de luvas de boxe já estava no lugar e prontas para serem usadas.-Agora também lutarei como você usando as mãos, mas não esqueça, essa luva não é normal.-Disse o inventor, sem ar.

Mesmo com algumas costelas quebradas, e seu bastão jogado longe, Carrien lutaria até não ter mais forças, porém Valdim também não tinha a mesma força do inicio da luta, o golpe do bastão e o chute já tinham cobrado um preço dele.

–Melhor acabar com tudo no próximo ataque.-Disseram Desert e Wolfran ao mesmo tempo.

–Vejo que não está na melhor forma.-Disse Carrien com sarcasmo em sua voz.

–Eu, grrrrr, opa, desculpe, nesse momento estou tentado a destroçar a sua garganta.-Respondeu o outro.

Correndo em direção ao outro, cada um preparando um próximo ataque, um soco cruzado, era o golpe que eles estavam preparando para usar, porém no último instante o lobo trocara o poderoso soco por um golpe no a palma da mão, o mesmo que antes fizera um buraco no chão. Já Crash estava usando luvas com pesados ferros e seu golpe teria uma grande força, mesmo que não quebrasse o chão faria um bom dano no mesmo.

Ambos receberam os golpes como homens, sem recuar, pois mesmo tendo a força para escapar, seus corpos já estavam bem danificados. Mesmo assim, a força que ambos aplicaram no oponente acabou por ser o suficiente para nocautear o outro, pois os golpes, no momento do acerto, acabou por diminuir a força do outro.

Algum tempo depois Valdim e Carrien acordam e ambos se veem no chão, portanto não ouve vencedor na disputa.

–Cara, agora acredito que não estava atras de mim para me matar, me desculpe. Estou sempre em encrencas por isso desconfio de todos.-Disse Crash.

–Eu tive que lutar com toda minha força para te vencer, culpa do seu bastão, ele acabou por me deixar fraco e dolorido.-Respondeu Valdim olhando para si mesmo.-Que droga, vou precisar de roupas novas, as minhas já eram!

–Quem disse para se transformar em um lobisomem? Cara você tem que deixar eu analisar isso. Essa sua transformação foi irada! E o seu estilo de luta é muito diferente do comum, normalmente se usa socos e chutes numa luta. Já você ataca com as palmas das mãos mas o dano é maior do que o de um soco.

–Ah, isso é um estilo de luta de família e agradeceria se conseguisse roupas para mim, sem que elas explodissem, como suas invenções. Creio que não posso sair daqui assim.-Disse o jovem lobo apontando para si mesmo.-A sociedade humana é muito estranha.

–Você é o mais estranho aqui. Do nada é humano e depois virou um lobisomem! Agora só falta me dizer que também pode virar outros animais.-Disse Crash com sarcasmo.

–Eu que sou o estranho com um bolso que cabe milhões de coisas que não funcionam direito. Eu realmente preciso de roupas, não posso sair como lobo, pois chamarei muita atenção, não posso sair assim, chamarei atenção indesejada.

–Moro aqui perto, se quiser, pode entrar e pegar uma muda de roupas para ir para sua casa, depois é só trazer de volta.

–Mas me diga, como chegarei até lá na sua casa sem que alguém me persiga? Sendo que para mim não há problema algum em andar assim. Não posso ir como lobo, serei morto e chamarei muita atenção.

–Hum, verdade.-Disse Carrien pensativo.-Acho que devo ter algo que possa resolver nosso problema. Só tenho que encontrar, espere um minuto.- Colocando as mãos nos bolsos e começando a tirar coisas aleatórias de lá.-Não é esse.-Retira um pincel..- Nem esse.- Crash acaba pegando uma manopla.- Muito menos esse.-Disse enquanto jogava fora uma coisa que ele inventou e não sabia para que servia.- Sei que coloco algumas mudas de roupa aqui caso as minhas acabem indo pelos ares... Será que já peguei e estou usando elas?-Disse pensativo enquanto continuava a tirar coisas de seus bolsos.

–Hã Carrien. Não tem como ser mais rápido?-Comentou Valdim.-Não quero chamar mais atenção do que já chamamos com nossa pequena disputa...

–Não me apresse, sei que tenho umas peças de roupa em algum lugar...- Disse enquanto retirava uma bicicleta, três varas de pescar, barbante, engrenagens e uma muda de roupa.- Achei! Acho que vai te servir perfeitamente, pode usar depois você me encontra e me entrega a roupa. Não é nada de mais, apesar de não sabermos quem ganhou a luta... Estarei esperando uma revanche, e dessa vez sairei vitorioso.-Gabou Crash enquanto entregava as roupas para o jovem a sua frente.

–Bom, a revanche eu aceito, mas não concordo com o vitorioso, creio que eu ganharei na próxima.-Respondera o garoto que colocava as roupas.-Obrigado pelas roupas, eu acho. Terei certeza devolver.

–Mas sabe onde moro?-Crash perguntou

–Claro que não, mas encontrarei, isso será o de menos.-Valdim respondeu enquanto continuava a andar como se nada de errado tivesse ocorrido.

Decidindo que era hora de pedir informações, o jovem de cabelos negros, entrara em uma loja para pedir uma informação e acabara por sair de lá, com todas as desejadas.

Seguindo rumo ao trabalho do Senhor Gregor, o qual trabalhava como ferreiro e Valdim ia pedir para trabalhar lá. Chegando próximo a ferraria dele. Acabara por avistar uma pequena multidão que estava ao redor de alguma coisa indistinta, pois estava completamente tapada, mas pelo cheiro, só poderia significar uma coisa, humano.

–O que aconteceu?-Perguntou a uma senhora ali perto.

–Não sei, mas parece que alguém comprou briga com Crash e acabou por ficar aqui no chão, não podemos movê-lo, se não pioramos o ferimento.

–Deixe-me ver o ferido, tenho alguns conhecimentos que podem ser úteis.-Ele disse a senhora e ia repetindo a fala para todas as pessoas que ali presentes estavam.

Ao chegar perto da vítima, vira que era um rapaz próximo a sua idade, mas seus braços e pernas não estavam na posição correta, com toda certeza era obra de Carrien, todos os membros estavam fora do lugar de um modo que o homem ficasse sentindo dor."Não sei o por que dele ter feito isso, mas sei de uma coisa, não gosto do cheiro que sai deste homem." Pensou Valdim. "Mas não posso deixar que ele sofra tamanha dor, se fosse na floresta eu já teria o degolado a um bom tempo... Ah, a sede por sangue está voltando. Melhor me controlar se não acabarei não conseguindo ajudar."

–Rapaz, me diga seu nome, se puder falar. Quero saber quem fez isso com você e se está disposto a sentir um pouco mais de dor para ser recuperar.-Disse Valdim escondendo sua vontade de cortar a cabeça do homem com um único golpe.

–Meu... nome... é Trevor... Não quero dizer... quem fez isso... todos sabem...-A respiração estava entrecortada, pois ele sentia muita dor.-Não quero sentir dor... mas estou disposto... se me curar...-Ao dizer essas palavras Valdim começa a avaliar o ponto preciso para melhor cuidar do rapaz. Escolhendo cuidadosamente onde e como aplicar a força precisa e, sem contar, com um grande barulho, o qual todos que assistiam viravam o rosto, o garoto de olhos de sangue coloca os membros de Trevor no lugar.

–Cuide de seu corpo, e ele cuidará de você.-Respondera Valdim parafraseando seu pai, que a muitos anos tinha lhe dito as mesmas palavras.-Creio que com esse seja o último para se mover, mas sei que tem muitos ferimento internos, é melhor continuar aqui enquanto alguém traz ajuda, é tudo que posso fazer.-Falou o garoto, com os olhos duros como rubis.

–Obrigado, cuidarei melhor dele, meu chefe deve estar chegando com ajuda, é melhor sair daqui e continuar a fazer o que queria, e se um dia precisar de mim, é só pedir, Olhos de sangue.

Despedindo-se rapidamente Valdim voltou a ir para a loja de Gregor, pois tinha que descobrir como era o trabalho dele e se ele iria gostar.

Chegando no local onde o pai de Melon trabalhava o jovem percebera o calor que fazia no lugar, seria um bom lugar para se ficar no inverno, mas no verão a história seria outra. Andando pelo local a procura de Gregor o lobo acaba por se encontrar novamente com Leaf, ela parecia estar trabalhando ali no local.

–Senhorita Leaf, que prazer em revê-la.-Valdim comprimentara.

–Olá Valdim, pode parar com esses honoríficos, sou apenas uma pessoa como outra qualquer.-Respodera Leaf com certa irritação na voz.

–Como quiser. Sabe se o Sr. Gregor está? Quero saber se ele precisa de ajuda no serviço.

–Está sim, mas creio que ajuda não será necessária no momento. Mas vou chamá-lo assim mesmo.-Dissera a jovem que entrou numa porta próxima.-Ele está ocupado e disse que sua ajuda seria pouca, já está no final do serviço e talvez só precise de ajuda para frente. Ele já tem seu "novo" ferreiro.

–Está bem, voltarei para conversarmos mais Leaf, até mais.

–Volte sempre, e se precisar de algo, me avise.-Respondera a menina ruiva com um sorriso. "Sei que voltará, ainda deve precisar de um trabalho."

"Acho que começarei a caçar como modo de trabalho por enquanto..."Pensou o jovem de cabelos negros enquanto voltava para a pensão.

–Cara, realmente preciso de sua ajuda, pode ter certeza que eu te pago assim que consegui o que quero.-Valdim dera um pulo ao ouvir a voz de Carrien em suas costas.-Não se assuste, só tenho um pequeno serviço para você. Não será perigoso, prometo.-Dissera o inventor com um sorriso no rosto, que obviamente era uma mentira.

–Não sei como te ajudar, mas se quiser minha ajuda, me fale o que precisa, se eu concordar antes de ouvir, tenho certeza que estarei em encrencas. Não quero me meter em confusão...

–Que nada! Não é nada perigoso. Só preciso que pegue uma coisa para mim no castelo da rainha, ela nem vai saber.

–Você é louco? Quer que eu entre lá e seja morto? Você só pode estar de brincadeira comigo! Não se deve contrariar o local do líder do bando...-Respondeu o jovem com os olhos brilhantes como rubis de sangue.

–Que nada. Tenho certeza que você se sairia bem, eu só quero algo emprestado, devo devolver logo.-Dissera Crash.-Mas por tempo indeterminado.-Esse agora foi bem baixo que ninguém ouviria.

–Mas ela sabe o que você quer? Ela concordou? Tenho certeza que Dona Hilda não aprovaria isso.

–Cara, temos que sofrer um pouco para termos algo bom para nosso lazer e trabalho, isso coloca mais adrenalina para correr do que ficar lutando que nem doido na rua. Digo por experiência, tenho certeza que a raposa poderia te ajudar, mas ninguém sabe quem é ela.-Disse Carrien enquanto falava na orelha de Valdim.

–Raposa? Que raposa?-A atenção fora pega, era tudo que Crash queria.

–Nunca ouviu falar? Ela é uma lenda, sabemos que entra na casa das pessoas a trabalho, ouvi dizer que ela é uma assassina de sangue frio. E todos que viram o seu rosto estão agora enterrados a sete palmos.

–Espero não encontrá-la, sei que vai ser uma luta difícil, mesmo que não seja o mais forte da minha matilha, devo conseguir ao menos me defender dela por tempo suficiente para escapar, principalmente se for na parte da noite, meus pelos me esconderão.

–Cara, eu realmente preciso que você rou... pegue emprestada uma pedra para mim. Ela está em forma de cristal, mas ela parece soltar uma grande quantidade de poder, gostaria muito de estudar essa pedra e se possível a utilizar em uma criação minha. Só espero que a invenção não exploda...

–Crash, sei que talvez até conseguisse pegar a pedra, o problema seria sair de lá. O lugar vai estar cheio de guardas e não quero ser preso, a senhora Hilda não gostaria disso. Durante a noite a pensão fica fechada, mas tem uma árvore próxima a minha janela, mas ela não deixaria um homem normal passar, mas eu sou menor que o normal, e ainda posso virar um lobo. O problema real seriam as roupas... elas acabam rasgando quando estou mudando de forma, igual aconteceu na luta com um certo alguém.-Disse enquanto estreitava os olhos para Carrien.

–A culpa não foi minha. Eu juro. Você que se transformou em lobisomem. Apenas estava me defendendo de uma pessoa suspeita. Mas mudando de assunto, você vai ou não me ajudar? Não será nada difícil, eu até iria, mas chamaria muita atenção, acabo sempre comprando briga com alguém.