Uma pequena criança fora deixada numa cabana que ficava na floresta ao nascer e após alguns dias sendo cuidado por um humano acabara sendo abandonado por este. Na noite em que Jafar parou de cuidar dele o pequeno príncipe começara a chorar e os lobos que ali viviam cuidaram dele ate o dia seguinte, mas Jafar não retornava, no segundo dia de ausência do humano, acabara por ser adotado pela matilha de lobos que, até então, estavam cuidando de sua sobrevivência até a volta do humano. Os Lobos eram brancos como a luz da Lua que, brilhava com toda a glória no céu nas noite. E os dias foram passando, e o pequeno príncipe fora sendo criado como um deles.

Os lobos o ensinaram a sobreviver, mas o destino sorriu para o príncipe, que recebera o nome de Valdim Wolfran, que significa "Para reinar com glória na toca dos lobos", pois os lobos que o criavam não era lobos comuns, porém Valdim não sabia disso, já que a sua família adotiva nunca mostraram sua forma humana a ele. Sim, os lobos era, Okamis.

Porém, com o passar das estações Valdim vinha percebendo algumas diferenças entre ele e sua família, mas algo sempre chamara a atenção dele, os lobos eram peludos, e ele, só tinha pelo na cabeça, algo que nunca passara despercebido por ele. Porém isso nunca afetara a relação que ele tinha na matilha. Ele era mais fraco que alguns, porém compensava em reflexos afiados, uma mente rápida, olfato e audição apurados.

Porém certa vez, aos 5 anos para ser mais exato, Valdim os observou durante a noite e viu algo que o deixou muito assustado. As formas humanas dos Okamis pela primeira vez e se assustou com a aparência de sua família. Porém sabia quem eles eram, pois seu olfato e audição foram mais bem treinados que os dos humanos normais, por isso conseguira identificar seus pais no meio dos outros "humanos". A partir desta data os Okamis, que eram bem versados em línguas humanas, começaram a ensinar sobre a fala, escrita e tudo mais sobre a cultura humana.

Alguns anos depois o mais importante dos rituais estava chegando, e todos os Okamis estavam se preparando para ele, quando completavam 10 anos para ganharem os mesmos poderes dos adultos. Mas nenhum dos pequenos sabia que o ritual era longo e demorado, e em média durava semanas, as vezes até meses, porém nunca havia desistências.

Esse ritual é o maior segredo entre os Okamis, pois sempre que uma nova vida nasce, seu poder está fora de controle, e para isso, as mães e curandeiras, selavam uma parte do poder, para que a criança fosse criada normalmente, até o dia em que ela se tornasse forte o suficiente para aguentá-lo.

Quando o garoto completara 18 anos os Okamis falaram de como ele fora encontrado e o motivo pelo o qual a matilha o criou. Ao saber de toda a verdade ele decidiu que era hora de ir ver o mundo dos humanos com seus próprios olhos, já que nunca saíra da floresta até então, mas antes disso, sua mãe, lhe fizera umas roupas humanas usando couro de alguns animais que ali viviam, sua família lhe ajudara a terminar sua aprendizagem e como esconder suas marcas, que era a prova que ele estava interligado aos Okamis, orelhas e cauda, esse treino nunca era rápido, sempre fora longo e muito difícil, pois sem a cauda, normalmente eles perdiam um pouco do equilíbrio.

Após alguns meses de treino e prática ele já estava pronto para se aventurar no mundo humano. Mas antes disso, 2 Okamis especias vieram dar um último presente a ele.

–Garoto, espero que sempre esteja pronto para os desafios que vierem, nunca esqueça de treinar seu corpo, pois ele sempre será seu tesouro, respeite-o e ele sempre lhe respeitará.- Dissera um homem de cabelos brancos e olhos vermelhos, sim, este era o pai dele, Shirogawa.- Vá com a minha benção, sempre que estiver em perigo, lembre-se, uma vez LOBO, sempre LOBO, nunca pense que é uma ovelha, pois poderá ser café-da-manhã.- Com isso dera um abraço em seu filho e entrara novamente na floresta, mas seus olhos ainda vigiavam uma das pessoas que ele mais amara em sua vida.

–Filho, o nosso tempo foi curto, porém, muito bom, espero que sempre tenha um lugar quente para dormir e refeições boas para alimentar sua fome. Encontre alguém que o amará, se possível, seja gentil com todos, menos àqueles que lhe fizerem mal. Seja SEMPRE educado, o mundo é daqueles que sabem mostrar respeito, poder, honra e humildade nas horas certas. Mas, se alguém lhe ameaçar...- UIVO-... saberá que uma mãe muito brava o caçará até os confins do UNIVERSO!!!!- Gritara a mulher de longos cabelos prateados, e olhos de safira. Sim, esta era a mãe dele, Himeko.- Saiba que pode sempre nos chamar, não só a nós dois, como a todos os Okamis ao redor, basta uivar, e saberemos como esta. Ás vezes nos chame para dizer que ainda está bem. Crie bem seus filhos, se tiver, e chame os avós deles para visitar.- Um largo sorriso espalho pelo rosto da dama que chorava, não de tristeza, mas ela já estava com saudades da criança que achara aos berros em um cesto no meio da floresta.

–Mãe, não chore, sempre serei aquela criança que corria na sua frente querendo atenção, aquele que fazia travessuras, aquele que pulava de árvores, ou até mesmo aquele que chorava durante uma caçada, pois não queria ficar só.- Dizia o rapaz, segurando o choro com um sorriso em seu rosto.- Prometo seguir o que disse. Chamarei a senhora sempre que estiver por perto, mas ainda, se eu esquecer, venha atrás de mim, e faça como antigamente,-disse com um sorriso que era todo dentes e lágrimas.- Me pegue pelo pescoço e me ponha num canto.- Disse abrindo ainda mais o sorriso largo que já tinha no rosto.- Pai, não pense que esqueci do senhor, nunca deixarei que meu corpo saia da rotina, mesmo que tenha que fazer escondido para que ninguém saiba de minha ligação com vocês, mas lembrem-se, nunca, mas nunca mesmo, deixarei de ser o filho dos meus pais!!!!- Gritou. Ao terminar a frase, ele abraçou a mãe, que estava ali próxima a ele, e fitou os globos vermelhos que o observavam, pois sabia que tinha uma enorme ligação com eles.

Depois dessa despedida, os outro Okamis apareceram para deixar suas bençãos, e seus avisos sobre os humanos. Assim que pode, saiu da floresta, seguindo a direção de algo que sempre o repugnara, o cheiro de fumaça, mas sabia que se andasse naquela direção chegaria a uma vila de humanos.

Quando aproximou-se do cheiro de fogo ele se escondera no mato, pois uma coisa lhe chamara a atenção, o comprimentos de seus cabelos estava diferente do que ele observara nos humanos machos. Os cabelos deles eram curtos, mas possuíam vários estilos diferentes. Ao observar as mulheres ele viu que a maioria tinha cabelos até a cintura, e o seus eram bem mais longos que os delas quase chegando a tocar o calcanhar, pois na floresta, o cabelo o ajudava a espantar o frio do inverno. Mas ali, algo não estava muito certo.

–Melhor ver se encontro algo para cortar meus cabelos, mesmo que eu não queira me desfazer deles, parece que os humanos se importam com essa parte do corpo.-Falou para si mesmo. Andando próximo a floresta viu algo que estranhou, viu homens entrando em um lugar com um cabelo um pouco mais comprido que o visto antes, e alguns minutos depois via o mesmo homem saindo da residência com os cabelos mais curtos.- Deve ser ali que se corta o cabelo, e pelo que parece há alguma moeda de troca para isso, será que serve caça? Melhor observar dentro da loja para ver como é.- Pensou. Após mais umas espiadas, vira que os fregueses da casa, davam moedas ao senhor que morava lá para deixar os cabelos mais curtos.

–Que bom que na cabana em que meus pais me levaram tinham moedas douradas, deve ser isso que eles usam para trocar aqui, seria mais fácil levar dar um porco selvagem ou algo assim. Bom pelo menos para mim. Melhor entrar e ver o que ele fará com meu pelo.

Ainda com medo de sair do mato, olhara para todos os lados, não vira ninguém em cima de animais que ele já caçara, e nem outros com animais que puxavam pedaços de madeira com um homem e algo que girava, resolveu ir até aquela casa para ver o que acontecia.

–Bem-vindo, disso o dono do salão.- Ao ver as roupas e o tamanho do cabelo do jovem, começou a ficar com medo de que ele o levasse para a floresta.-Não se aproxime de mim, o que quer aqui?

–O senhor está com medo de mim?- Disse com um sotaque selvagem, pois na sua casa, não era necessário falar corretamente.-Senhor só vim aqui para ver o que o senhor faria com meu cabelo.- Disse com um sorriso amigável no rosto.

–Bom, aqui nós cortamos cabelos, não viu que isto era um salão? E, bom, você sabe, pelo menos, que para fazermos o serviço temos que receber dinheiro em troca?

–Você pode pagar pelo corte?

–Bom, eu tenho algumas moedas e acho que ela servem para pagar o corte. Valdim respondeu.

–Eu gostaria de vê-las, pois assim saberei se está mentindo ou não.-Mas pelas suas roupas, parece que não tem muito dinheiro.

Valdim abrira a mochila que levava nas costas, era uma mochila que estava na cabana que pegara o dinheiro e dentro dela tinha outras moedas, algumas prateadas, outras douradas e algumas com cor de madeira, mas o que mais chamo-lhe a atenção nela, fora como estava separada as moedas. Ele só abrira o bolso das moedas pratas para o senhor, pois vira que eram essas moedas que foram entregue a ele antes.

– Meu Deus, o senhor poderia ser um filho de um lorde que mora distante de alguma cidade? Já que anda com tanto dinheiro assim, seus pais devem ser muito ricos.-Dissera sem pensar o cabeleireiro.

–Não, nós vivemos da terra, mas nossa casa é muito grande. Bom, agora que viu o dinheiro, pode cortar meu cabelo um pouco mais curto? Já que aqui os homens o usam curto, não sei como deve ser no inverno, só sei que ele sempre me protegeu antes.

–Não senhor, o cabelo curto não nos incomoda, já que as roupas nos protegem do frio. Bom, agora me diga, como o senhor desejaria o corte?

–Hum, mas antes eu tenho um pedido, não me chame de senhor. O senhor é mais velho, merece respeito. E eu ainda sou muito jovem, me recomende algo que estão usando, mas não gosto das roupas, elas me prendem e dificultam os meus movimentos, não gosto delas.- Dissera o garoto.

–Bom, de roupas eu não entendo, mas se quiser o corte de cabelo da moda masculina, nós temos essas imagens aqui, alguns são maiores que outros, e há aqueles que gostam dele bem curto. Qual o se... você escolhe?- Disse o cabeleireiro, oferecendo alguns cartões com imagens de cortes de cabelo.

–Hum, todos parecem bons para mim, mas eu gosto do meu cabelo comprido, posso pedir para deixar ele maior que o desta foto, mas não muito grande?

–Sim, com todo prazer. Vai demorar um pouco, ja que seu cabelo é grande demais, mas prometo que vou deixar do seu gosto, e se quiser que eu pare, é só falar.

–Muito obrigado, mas agora não mudarei de opinião, vá e corte.

Após uns 50 minutos de papo e corte de cabelo o cabeleireiro se apresenta como Manoel. Quando o corte ficou pronto o papo continuou.

–Parece que esse foi o cabelo masculino mais longo que já cortei.-Disse o senhor Manoel o cabeleireiro.- Bom como foi longo e trabalhoso, pois tinha folhas por todo o lado, e alguns galhos também, o preço ficou num total de 250 kon.

–Sim senhor, então eu tenho que te dar 250 kon. Deixe que eu pegue.-Abriu a mochila e pegou 2 para pratas e fechou aquela parte, abriu outro espaço e pegou 50 das moedas de bronzes e tornou a fechar a mochila.- Pronto, aqui está seu dinheiro, muito obrigado senhor Manoel, agora posso andar melhor na rua.- Ao dizer isso ele se levanta e se dirigi a porta, porém Manoel o chama de novo.

–É melhor trocar de roupa, a sua chama muita atenção tem uma senhora que faz roupas no final da rua, você conhecerá a loja dela assim que vir, pois terá muitas peças de roupa lá. Agora vá, e quando precisar, é só voltar, estarei aqui pronto para cortar seu cabelo novamente.

–Obrigado senhor Manoel, e verei a senhora sim. Até mais.- Se despediu com um sorriso do velho homem. Logo no seu primeiro dia ele ja estava muito diferente do normal, agora ele não se sentia mais humano, mas pelo menos conseguia se disfarçar melhor.- Melhor já ver a loja que Manoel indicou, vamos ver se encontro algo bom lá.- E se dirigiu para a casa que foi apontada pelo cabeleireiro.

Após andar por algumas casas, ele chegou em uma residência que estava cheia de roupas, todas diferentes uma das outras. Abrindo a porta, uma sineta tocou, e uma velha senhora que aparentava estar a muito tempo em seu trabalho aparecera atrás de um grande balcão de mogno.

–Senhora, bom dia.-Apressou-se a dizer.- O Senhor Manoel me indicou esta loja para mim. E vim até aqui para pegar algumas peças de roupa com a senhora.

–Hum...- Disse a senhora olhando atentamente o jovem que aparecera em sua loja.- Vejo que não é tão magro quanto aparenta ser. Vejo que possui músculos mais definidos do que todos os jovens da cidade, veio da floresta, pelo que aparenta, e vejo que acabou de ter o cabelo cortado.

–Como descobrira tudo tão facilmente, senhora?

–Nada escapa desde velhos olhos de costureira meu jovem. Pois tenho que ver quais roupas cabem em quais pessoas, e se Manoel o mandou a mim ele quer que o senhor sai bem vestido daqui, e sei que também tem uma boa quantia em dinheiro, já que veio a loja mais antiga e renomada deste reino, algumas vezes a rainha pede que eu lhe faça algumas roupa. Mas chega de papo, parece que quer se trocar logo. A e eu ainda não me apresentei, sou Hilda.-Disse-lhe a senhora lhe mostrando uma grande quantidades de roupas no aposento.- Devo ter algo que lhe cai bem por aqui. Venha me siga e diga a esta velha senhora qual estilo de roupa que quer.

–Senhora Hilda, meu nome é Valdim, Valdim Wolfran, me desculpe, mas quero roupas de fácil movimentação, não gosto de me sentir preso, já que sempre fui livre. E por favor senhora Hilda, me chame de você, a senhora que merece o respeito.

–Hum, ai você ganhou um ponto, os mais jovens tem que ter respeito pelo mais velhos, e acabei gostando de você, seus olhos são tao vermelhos que me lembram dois rubis muito bem brilhantes. Bom, roupas para ser livre. Vamos ver o que temos aqui.-Abrindo espaço entre algumas roupas, Hilda achou as que procurava, camisas e camisetas de algodão, calças e bermudas, já que o jovem ao seu lado chamara a atenção ao dizer que sempre fora livre.- Temos essas, quero que experimente as roupas, e me mostre se gostar de alguma.-Disse-lhe entregando algumas peças de roupa.

–Tudo bem, vou me trocar.- Ele virara de costas e começara a se despir ali mesmo.

–PARE!-Gritara a idosa.- O que pensa que está fazendo neste lugar?

–Eu estava trocando de roupa, como a senhora pedira.- Respondeu-lhe o rapaz com toda a sinceridade.

–Não se pode mudar de roupa na frente de outras pessoas em uma loja, deve-se ir até um daqueles cubos ali para mudar de roupa.-Disse a senhora Hilda apontando para os trocadores.- Já que era livre, creio que não sabia disso, nas lojas quando quer se experimentar algo, deve-se entrar naqueles cubos, só se for roupa. Entendeu?

–Sim senhora, me desculpe por um antigo hábito.- Dissera-lhe indo para os trocadores.

Após alguns minutos de trocas de roupas, ele voltara a ver a senhora.

–Gostei de todas, e me fazem sentir que posso me mover como quero, exceto as calças, ela seguram toda minha perna.

–Todo homem que existe tem que ter algumas calças, mesmo que não goste delas, bom, e as roupas serviram direitinho em seu corpo?

–Todas elas estavam frouxas, e eram confortáveis, acho que levarei algumas hoje, e depois volte para ver mais algumas. Hum, acho que vou levar esta calça curta, ja que é frouxa e esta camisa, amanha venho novamente.

–Por quê já não leva todas as que gostara com você?

–Bom, ainda tenho que achar um lugar para morar, e não quero que durante as noites eu tenha que esconder os meus pertences.

–Que nada meu jovem, basta alugar um quarto na pensão, elas são baratas e muito fáceis de serem localizadas. Agora me diga, quais você gostaria de levar? Ou precisa de ajuda, pois vejo que não entende de roupa.

–Bom por mim levaria só algumas, o suficiente. Mas como ainda tenho que construir uma casa para mim. E ir nessa pensão para ter um quarto por enquanto, prefiro ter algumas roupas na qual possa andar na cidade, e algumas para ficar na pensão, já que irei dormir lá. Sim, acho que preciso de ajuda.- Dissera o grande pequeno rapaz.

–Bom, para sair, recomendo que use as calças. Não me olhe com essa cara feia, pediu a minha ajuda, vamos continuar, e camisas também, camisetas e bermudas para a pensão. Bom se vamos escolher algumas roupas para você, terá que ter no mínimo umas 10 camisetas, 10 camisas, 10 bermudas e 5 calças, já que as calças serão menos usadas. E pelo seu tamanho precisará também de outras coisas que não temos na loja. Mas já terá algo muito bom aqui. Se quiser levar tudo, ficará por 3590 kon.

–Senhora, levarei as peças de roupa sim.- Pegou a quantia desejada. E vira que sua bolsa ficara um pouco mais leve.- Não acredito que o mundo rode tanto ao redor de dinheiro.- Pensara em voz alta.

–Hahaha, quando foi a última vez que ouvi isso? Creio que fora a alguns meses atrás quando um homem de olhos vermelhos e cabelo branco muito comprido viera aqui.

–Acho que este homem deve ser meu pai. Ele pode ter vindo aqui.

–Pode ter sido, já que vejo os olhos dele nos seus. Obrigada, e aqui estão a suas roupas, e são todas as que você experimentou antes. Tenho um pedido para você, quero que antes de usar as novas roupas lave todo seu corpo, pois está cheio de cabelo cortado e muitas sujeiras da floresta. E peça para os donos da pensão que lavem as roupas que usar, pois este também é um dos trabalho deles, agora, você precisará de sapatos, está descalço, atravesse a rua e compre três pares de calçado lá, um par social, um par de botas altas e outra de botas curtas, não devem sair a mais do que 80 pra se eles falarem que foi mais, não acredite. E meias também, mas meias, eu tenho aqui, não se preocupe com isso, vendo por 10 kon o par de meia. Assim que descobrir quanto caça, venha aqui, e lhe venderei as meias.

–Muito obrigado pelo aviso, agora tenho que comprar os sapatos e logo mais voltarei aqui para ver as meias. Muito obrigado novamente senhora Hilda.- Despedindo da senhora, atravessou a rua. E entrou na loja de calçados, seguindo as recomendações de Hilda comprara os 3 tipos de calçado em seu tamanho. Tudo não passou de 700 kon, pois não quisera comprar meias lá, pois estavam sendo vendidas por 15 kon o par. E foi novamente a loja da senhora Hilda.

–Senhora Hilda, voltei para comprar as meias.-Dissera assim que entrara na loja. Mas para sua surpresa uma garota mais nova que ele que lhe atendeu desta vez, ela devia ter em média 15 anos.

–A vovó estava feliz por ter te conhecido, porém ficou cansada, bom, meu nome é Melon, já que ela me falou de você, posso chamá-lo assim também?- Valdim concordara com a cabeça pois estava admirando as pequenas orelhas que a menina tinha, que eram muito diferentes das que possuía, a algumas horas.- Bom, ela me disse que viria atrás de meias, qual é o tamanho delas?- Perguntara a menina.

–Hum... Ah, me desculpe. O tamanho delas é 40, se me recordo bem. Bom vou querer alguns pares, alguns tem que ser mais longos para usar com a bota de cano longo, e uns mais curto para usar com a bermuda. E se tiver, também gostaria de umas roupas leves para que eu possa fazer uns exercícios físicos.

–OK, vou trazer o pedido em um estante, por favor sente-se, que já volto.- Assim que lhe dissera as palavras a menina desaparecera no interior da loja.

Após alguns minutos ela voltara com 15 pares de meias, algumas brancas e outras pretas, e um 3 conjuntos de roupas leves com ela, que após serem experimentadas, no local certo desta vez, acabaram por serem escolhidas também para ele levar.

–Tudo ficará por 1580 kon, ja que as roupas leves são de um material muito difícil de serem encontradas.- Preparou tudo em uma sacola e recebendo o dinheiro entregou o saco para ele.- Muito obrigado pela compra e volte sempre.- Disse Melon com um grande sorriso no rosto.

–Obrigado por tudo também, Melon, e sim, voltarei. Agora tenho que ir caçar a pensão onde vou morar, tem alguma sugestão? Não conheço a cidade e sua avó me disse que eu deveria ir atrás de uma dessas para morar enquanto construo uma casa para mim.-Respondera.

–Tem uma dessas no fim da rua, porém a mensalidade é cara, acho que são 20000 kon todo mês. Mas conheço uma mais barata, e com os mesmos serviços. Logo atras da loja você irá ver uma casa grande, alugue um quarto lá se quiser, é mais em conta o preço. Vá lá, se não gostar, pode perguntar a outras pessoas por uma outra. Te vejo depois.

–Obrigado Melon, novamente, agradeço pela dica, irei ver se for mais barata creio que ficarei lá, já que tenho que comprar os materiais para começar a construção de minha casa. Então te vejo depois.

Saindo da loja ele se dirigiu para a pensão atrás da loja de roupas. Andando pela rua todos pareciam reparar nele, mas ele não ligou, pois sabia que por estar muito diferente de todos os outros, possuía roupa suja, um corpo mais musculoso que os outros e a altura dele era mais baixa que os outros humanos.

Chegando na frente do portão da casa, reparou que muitos quartos deviam estar vazios pois a maioria estava fechado, adentrando o jardim, vira um enorme cão sentado próximo a varanda da residência, e este o estudava. Olhando para a casa, vira algo se movendo dentro dela. E decidira gritar.

–Olá! Estou aqui para alugar um quarto, ouvi que o preço era bom!

Após alguns ruídos na porta, uma velha senhora aparecera emoldurada pela luz do interior.

–Entre Valdim, estava a sua espera.- Dissera a senhora.

–Como sabes o meu no...- Não chegara a completar a sentença, pois sentiu o cheiro e a voz lhe era familiar.- Senhora Hilda, porque não me dissera que tinhas uma pensão?

–Nunca me pergunta se tinha, mas dei informações a minha neta para que ela lhe pedisse para vir aqui. Entre e venha dar uma olhada no quarto que preparei para você. Ele é no segundo andar. Vamos até ele, se não gostar poderá ficar aqui por uma semana até encontrar outro lugar para morar, se gostar terá essa semana para se acostumar e ai começará a pagar todo mês 15000 kon.- Dissera a idosa com um largo sorriso no rosto.

–Creio que gostarei de morar aqui, já que foi a própria senhora Hilda que me indicara o lugar.- Disse se divertindo com a situação e seguindo a senhora.

Após alguns lances de escada Hilda mostrara o quarto para ele.

–Este aqui será seu quarto, como disse que costumava ser livre, escolhi o quarto mais próximo da porta, pois assim poderá sair e voltar sem incomodar ninguém.

–Senhora Hilda, não tenho como agradecer por tudo que fizera por mim, mas sei o melhor modo.-Disse olhando para o quarto.- Ficarei com o quarto, ele me é aconchegante. Vou morar na pensão com a senhora.

–Bom já que temos um novo inquilino recomendo que tome um banho, venha, deixe as suas coisas ai, pegue uma bermuda, uma camiseta, a toalha, se não tiver nenhuma, não se preocupe, colocarei na conta do mês, não subirá muito o preço dela, já que toalhas são baratas e recomendo ter no minimo três. Venha, me siga, você precisa de um banho antes do jantar.

–Muito obrigado, mas, não tenho toalhas, e vai ir para conta do mês sim, vamos ao banheiro, estou suado e preciso me refrescar.

Seguindo a senhora até o 1º andar ele viu uma porta ali, entrando no lugar, Hilda lhe mostrou tudo, e até como se tomava banho, e o avisou sobre o shampoo. E ela saiu do banheiro e batendo na porta disse.

–Logo mais Melon voltará com as toalhas, deixarei duas delas no seu quarto e uma ela trará até aqui, aproveite o banho.

–Obrigado senhora Hilda, vou tomar meu banho e logo mais me junto as duas na mesa de jantar, e essa eu consigo encontrar sozinho. Até mais, preciso me refrescar se não morrerei com o calor que faz na cidade.

Despiu-se tão logo pode, pois não aguentava se sentir preso em suas roupas. Entrando no banheiro viu o chuveiro e foi até ele, abrindo a troneira percebera que a água caia por ele e era tão fluida como a de um rio, banhou-se na água até se sentir completamente limpo de todas as sujeiras que a cidade deixara em seu corpo. Ouviu alguém batendo no banheiro.

–Valdim, eu trouxe a toalha para você, deixarei ela pendurada aqui na porta.-Disse Melon do outro lado da porta do banheiro.

–Não precisa, pode entrar e deixar ela aqui, não ligo e a porta está aberta.

–Não posso entrar, você está tomando banho, é melhor deixar aqui fora mesmo. Homens e mulheres não podem estar juntos no banheiro até se casarem.- Respondeu ela.

–Bom eu não ligo para isso e como há uma parede meio estranha aqui, que sua avó chama de vidro, entre nós, não estaremos juntos, entre, deixe a toalha e saia, se assim desejar.-Dissera ele em resposta a resposta dela.

–Você não sente vergonha se uma mulher te vir completamente sem roupa?

–Eu não sei o que é vergonha, e não ligo se uma mulher entrar aqui, já que não posso ver nada. Creio que meus olhos estejam mais vermelhos que o normal, o shampoo entrou neles, e isso machuca muito.

–Lave eles com água que melhorará rapidamente, já que você disse que não terá vergonha deixarei a toalha e sairei. Não quero ve-lo sem roupa.- Não, eu quero vê-lo, mas não posso falar nada. Pensou Melon.- Estou entrando e já vou sair.

–Tudo bem, não me importo ainda vou demorar um pouco, meus olhos estão cheios de shampoo, portanto não estou vendo quase nada, e assim que eu tirar isso, vou lá para a sala de jantar, então não sinta vergonha por mim.

–Pronto Valdim, já estou saindo, a toalha está sobre o vaso, até a mesa de jantar.- Dissera uma Melon de rosto tão vermelho como uma pimenta pois ele estava de frente para ela e ela pode ver todo seu corpo definido.

–Até lá.-Respondeu um garoto meio cego a ela.

Saindo do banho, ele se enxugou na toalha e trocou de roupa. Assim que abriu a porta um cheiro delicioso fluiu pelo aposento, deixando ele com água na boca. Andou em direção ao cheiro que vinha da cozinha, ao chegar no aposento, viu que Hilda estava sendo ajudada por uma mulher mais nova que ela, porém mais velha que Melon, portanto esta devia ser a mãe dela.

–Valdim, sente-se na sala, Melon já está la.-Disse a idosa, sem tirar os olhos da panela.- E se puder, ajude-a a arrumar a mesa.

–Sim senhora.- Assim seguiu até a sala, que fora uns dos cômodos apresentados a ele quando veio a casa.- Assim que entrou notou que Melon disponibilizava os pratos pela mesa.- Melon, sua avó me pediu para te ajudar a arrumar a mesa, mas como não tenho ideia de como se faz isso, você me ajudaria?

–Sim, eu preciso de ajuda e te ajudo.-Respondeu-lhe a garota sem levantar os olhos da mesa e com um rosto muito vermelho.

–Melon, seu rosto está vermelho. Por quê ele está tão vermelho assim?-Perguntou olhando para o rosto dela e pensando se não seria por que ela tinha corrido atrás de algum animal. Para o jantar.

–Não é nada, só estou com vergonha de ter entrando no banheiro enquanto estava lá.- Respondeu com o rosto mudando de rosado para um vermelho vivo.-Posso perguntar por que não ficou com vergonha quando entrei no banheiro para deixar sua toalha lá? Os garfos, sim esses com dentes, ficam do lado esquerdo. As facas do lado direito. Colheres em cima do prato.

–Não fiquei com vergonha pois já tomei muitos banhos com minhas irmãs desde que era muito novo, ai sei que não preciso me esconder, pois meus irmãos e irmãs sempre tomaram banhos juntos, não ligue para isso. Não afeta minha vida. E obrigado pelas dicas de como arrumar os talheres. Vou ver se sua avó e mãe desejam minha ajuda para trazer as panelas.- Disse ele com um brilho estranho nos olhos vermelhos.

–Tudo bem.-Disse ela com o rosto voltando a cor original.- Mas sem travessuras, pois seus olhos indicam que quer comer antes, só se pode comer na mesa.

–Tudo bem Melon, prometo não comer antes.- Respondeu desanimado e saiu para trazer algumas panelas.-Hilda, vim ver se precisa de ajuda para levar as panelas para a sala de jantar. Já arrumamos tudo lá.

–Sim, eu desejo que leve estas panelas até lá.-Disse apontando para 2 panelas grandes.

–Tudo bem.-Disse pegando cada uma delas em uma mão.- Elas são bem leves, achei que fossem ser mais pesadas, levarei com cuidado, não precisa ficar espantada. Logo mais voltarei para levar os outros.- Disse voltando para a sala de jantar.-Melon, onde posso colocar estas panelas?

–Coloque elas no centro, entre os pratos, todas as panelas vão aí.

–Ok.-Disse colocando as panelas com cuidado no centro.- Vou pegar as outras lá com sua avó.

–Sim, desta vez vou com você,já terminei aqui.-Respondeu Melon.

Os dois saíram pela porta e foram pegar as panelas, ela fora pegar as bebidas para todos que iam comer. E ele fora para pegar a carne e a salada, a qual ele lançava olhares estranhos.

Após arrumarem a mesa e todas as pessoas chegarem, que no total eram 6, Hilda, Melon, Valdim, a mãe de Melon, Muriel, o pai dela Gregor, e o irmão mais novo de Melon, Will. Estavam sentados a mesa. O prato do dia era, porco grelhado com arroz e batatas. E também tinha vinhos, cervejas, e sucos na mesa. Todos tomavam algo que gostavam enquanto comiam, mas Valdim só tomou o suco. Pois preferia fruta do que outra coisa.

–É verdade que viveu na floresta da Lua de Sangue este tempo todo e não foi devorado pelos lobos que vivem lá?- Perguntou Will, sem medo da resposta.

–É verdade que morei lá, mas não vi nenhum lobo no tempo que estive lá. E eu conheço a floresta por outro nome, o nome é até mais belo, mas foi minha mãe que me contou, Floresta Uivante. Pois durante a noite, é possível ouvir os uivos de lobos por toda a mata.

–Não conte histórias na mesa, mesa é local de se comer, não de se conversar.- Repreendera Muriel.

–Tudo bem Mur, ele não fez por mal, só estávamos curiosos para saber como alguém sobreviveu por muito tempo lá. Mas como você não vira lobo algum, creio que foi a sua sorte que lhe salvara.-Respondeu Gregor. Um trabalhador que construía pontes e casa.- Se estiver atrás de emprego sempre falta gente no meu serviço, se quiser, é só avisar que já começamos lá, um homem forte como você vai ser de boa ajuda.

–Estou atrás de serviço sim, mas necessito de pelo menos alguns dias livres para mim, como sempre fui livre, não sou muito a ficar preso por muito tempo em um lugar.-Respondera com toda a sinceridade.

–Talvez pegue algumas folgas, se nosso trabalho adiantar, pois estamos um pouco atrasado nele.

–Então, me chame quando for ir trabalhar te ajudarei. E creio que é melhor ficarmos quietos, a senhora Hilda está começando a me lembrar minha mãe furiosa, isso é algo que eu tenho medo até o dia de hoje.

–O menino tem mais juízo que você, Gregor. Bom, todos fiquem quietos e comam a comida, terminando, vão dormir.-Disse Hilda, de um jeito que não deixava claro que era uma ordem.

Após o delicioso jantar, Valdim ainda estava com fome, e decidira que era hora de caçar, pois passara o dia todo sem se exercitar de forma certa. Foi para a porta e parou ao ver que Hilda o observava de longe.

–Onde vai a essa hora meu jovem rapaz? Nada está aberto a esta hora, exceto lugares duvidosos.- Perguntara ela.

–Eu estava saindo para esticar os músculos, não gosto de ficar sem nada para fazer. Então, darei uma saída, e no máximo em até uma hora eu volto, senhora Hilda.- Pois se eu não pegar nada hoje, amanha tento pegar.

–Nada disso meu rapaz. Essa hora tudo já fechou, amanha bem cedo você pode ir. Mas agora, vá para o quarto e durma.-Ordenou-lhe a idosa.

–Mas, ainda quero dar uma volta hoje, e amanha sairei cedo com Gregor,-Retrucou o rapaz.

–Acorde bem cedo, pois assim que ver que está no seu quarto deixarei a chave na porta, mas só se ficar lá durante a noite, pois lhe aviso, eu escuto muito bem.

–Sim senhora, senhora Hilda. Irei dormir.- Disse o jovem, dirigindo-se ao quarto. Chegando no local de descanso tirou a roupa e decidiu sentar na cama para relaxar, porém ela era mole demais. E ele acabara decidindo que ia dormir no chão enrolado na coberta, pois dormir no chão ele estava acostumado. Os sonhos que desejava ter, será que eles vão vir? E resposta veio logo assim que fechou os olhos. Não. Seu sono foi cheio de pesadelos que envolviam sua mente e seu passado, porém acabaram muito rápido, pois não se lembrava que havia acontecido antes de viver com os lobos, só sabia que fora visto entrando na floresta e que estava sendo cuidado por um homem. Assim que os pesadelos acabaram ele pode dormir em paz novamente.