O Poço do Abismo.
1 O Poço do Abismo - Bem vindo a Canto Gelo
No deserto, tudo sucumbe, ao trêmulo contínuo do mormaço.
Cactos e abutres passam ligeiros. Ao meio, pedras e sombras de pedras; e no mais eqüidistante, montanhas e cânions, passam sem pressa.
Dizem nessa região que seus primeiros cactos eram anjos. E que uma vez caídos aqui, cobiçaram o lugar do Anjo mor da morte, achegando-se para isso, num último pedido a Deus; que despertado novamente em sua ira, derramou de sua maldição, achando-os rendidos, como que protegendo-se de ofuscante luz, aprisionando-os em forma de cactos. Porém, os que acharam alguma sombra, mergulharam a fugir, atormentando a todos a partir dos índios. Tornando-se espíritos maus perturbadores no deserto.
Mas bem...Vai ver, é conversa de viajantes.
Adiante, uma placa reforça cada vez mais luminosa.
É um painel instantâneo: “Pousada Canto Gelo”, a dois quilômetros dali. Qualquer leitor, menos atento, cederia ao bem aguardo de suas acomodações. Mesmo com a catinga de um mega chiqueiro... Um ponto pitoresco à propriedade desse conto.
Enfim Durango, a dois minutos da Placa:Bem vindo a Canto Gelo!
Por La, tocavam o negócio: Contita e Martinez. No fim dos anos noventa. Martinez, é filho de Contita: Búfalo de corpo, porém, menino. Alguém a se respeitar e ter pena. O rapaz não tem língua. Contita é a proprietária: meia idade, metade sioux, metade Xicana; obesa e cega de uma vista. Usa bengala, tapa-olho. E sabe-se por que, dialoga por um notável senso de dever. Simpaticamente amarga.
A Pousada, mergulha aos fundos, encravada sobre um Cânion, sua chegada da de frente para a estrada, onde fica a recepção. Diante um Posto de gasolina. E no sopé rampado da propriedade, bem na lateral, ha ao que parece um poço velho à altura do abismo. De tijolos antigos, bem resistentes.
No pátio seria...um estacionamento, onde nunca se vê um carro. Tendo reto, milhas a frente, manifesta ceva de porcos. Uma propriedade e tanto.
Construída no entanto, a preço de sangue:
Nos idos de setenta; Aielo fora alvejado pelo destino; quando órfão de pai crescera por ali, tocando uma borracharia frente a um posto de gasolina. Até que pelo ímpeto nato, romperam-lhe suas asas sombrias. E digamos que... Dos vendedores e clientes, que por ali abasteceram; alguns não voltariam a suas casas.
Era o nascer e devir de uma vida de medo e obrigações. E ja à noite do tempo, Aielo amargava sessenta Janeiros de um frio impenetrável. Farmacêutico e esposo de Contita. Era homem atarracado. Gestor e dono não só da Pousada, mas também de crescentes perturbações com períodos de melhora.
Certa feita aleijara com uma chave de fenda o olho de Contita, quando esta o via pela fechadura num ritual macabro. Por esses e motivos tantos; temia a própria sombra. Vindo a meses depois, cortar a língua analfabeta de seu próprio filho. Pobre Matinez.
Tudo pelo rentável, porém, funesto negócio de família:
Os carros por lá estacionados, eram mais tarde vendidos. E seus donos sedados, os bens e pertences retidos. Seus corpos... reduzidos a ração, resto de ossos e bosta de porcos. Levados na madrugada um a um por Aielo.
Anos dali, e Contita envenena sua tequila. E um porco, vomitaria sua aliança, objeto que lhe fora de sua melhor estima. Um mimo dos primeiros rendimentos.
E mesmo assim. Por durante anos...Martinez era a força bruta; a presença masculina. Ja Contita, era o tino dos negócios. Pode-se dizer, que continuava o negócio da família... Do sangue de uma sempre amena freguesia. Mas sempre alegando virarem-se com o "dinheiro da gasolina" e da venda dos porcos; que também comiam. Felizes os que por ali passavam e só abasteciam.
...Meados de noventa. E as coisas já não iam bem entre Mãe e filho. Contita sopapeava-lhe a cara e cabeça, chamando-o constantemente de “aleijado”. Quando não, também de “inútil”. Pelo menor dos erros. Mandava-o espalmar o balcão, soltando-lhe a parte dobrada e grossa sobre os dedos.
Que reagia como tendo as mãos em chamas. A coisa se repetia usando de contumaz força, se na frente de futuros hóspedes cadáveres — Algo digno de pena. Rapaz de poucas alegrias, sempre a engolir a dor e a devotar a mãe.
Um ciclo perturbador de dependência e cobrança. Ambos, com o mal e medo do mesmo — Mal que servido por Aielo; agora das sombras na casa, os intimam também; a mesma medonha sociedade.
A ponto de Contita, hora e outra jurar que os cactos, amanheciam mudados.
Desde a noite em que com as mãos e o travisseiro, tentavas em vão tapar os ouvidos; do coro da vara de porcos concorrendo aos gritos do filho, que perdia a língua numa turquez em brasa, ali fora também, muitlada de sua paz e sanidade.
Num dia de rara folga, estava Martinez no depósito, largado colo imaginário da mecânica do calendário; quando surpreendidos por Contita. Que usando da bengala, batia a quebrar compotas de cobra e fetos. E enxotando os dois, ganhava a corda de um alçapão, abaixo de um tamburete. Descendo macio a um porão de amena claridade.
Levava giz e velas; e a face desfigurada.
Martinez não sabia, mas já ao fim dos anos oitenta a propriedade, despertava o interesse de um inoportuno empresário. Homem grisalho e de ambição agressiva: O excêntrico Dom Carnage, vinha de uma família rica e de hábitos conservadores. Onde a tradição, era presentear aos filhos nubentes, sempre com terras voltadas a algum tipo de empreendimento. Fazendas, criações, vendas de carro e etc... Geralmente, em Nuevo Laredo. Carnage, por vezes fora à Canto Gelo, no intuito de compra-la. Mas, Contita portava-se irredutível. Após várias tentativas, Don Carnage leva Fernão seu filho único, que em breve se casaria. E faz uma proposta, três vezes mais o valor do patrimônio. Mas Contita reagia cada vez mais amarga e arredia. O que não passara despercebido a Fernão.
Meses vão e Contita é pega em seu balcão, como também surpreendida — Dom Carnage a chantageia, a cerca da “dieta dos porcos”. Que acompanhado com um homem de maleta e rosto asseado. Saca de um plástico zipado. “___ Um pedaço de dedo, onde abaixo da unha, há vários indícios de sangue e madeira de sua ceva de porcos. Ou eu diria... um chiqueiro.” – disse Carnage. A suposta prova era um embuste; na intensão de obrigá-la a venda da propriedade. Desarmando-a de vez, neste último argumento. O que para ele, ficara evidente que os boatos eram reais.
Contita confessa, ocular; e retorna deste por um instante:
___” Onde devo assinar? “ — Documento assinado. E Contita e Martinez, deixam a propriedade — Não antes de envenenar toda a vara de porcos; num festival banquete às aves de rapina. Por meses, a pousada e o posto de gasolina; pareciam um trecho fantasma. Da entrada, via-se o balcão empoeirado, num ar entranhado de: Insuportável. Algo determinante no uso externo de uma tenda de improviso. Porém, luxuosa e climatizada. Méritos da Circuit company, mega empreiteira também do empresário. A mais competente no Mercado de “Reformas & Melhorias”; que paralelo ao evento do casório, reformavam simultaneamente a Pousada Canto Gelo.
Enfim... Chega o dia, em que: aguardando a entrada do Buffet, ajeita o smokin resistindo a inexplicável fedentina. Porém, as vezes passageira.___Eu gostaria de propor um brinde. Diz Don Carnage, num veludo smokin de um preto
imaculável — Seria o clássico discurso, no casamento de um filho. Nele estavam todos os olhares e ouvidos. Esperando a primeira frase...Cortada por um estalo de bengala jogada ao chão montado de sinteco — Martinez, a cobria temeroso. Contita, sua mãe, está em transe. E aponta para Carnage próximo aos noivos; lançando-os esconjuros estridentes, aumentados a níveis de grito. E o que de todos seria conhecido; é que se Canto Gelo não pudesse ser dela, que não seria de mais
ninguém — Entenda o amigo leitor que... Seguranças os conteriam e a seguir, alguém até diria: “Música!” Mas o clima de fato; estava enegrecido. Todos atônitos, tapavam as narinas sincronizadamente. Um cheiro de porcos enchia toda a climatizada tenda. Homens, se acotovelavam e corriam as mulheres de porcelana. O cheiro era quase degustável, todos buscavam a saída. Contita e Matrinez, sumiram.
Talvez em função disso...As núpcias, foram em Águas Calientes.
Domingo cedo, e Don Carnage visita a reforma de Canto Gelo. E depara-se com as partes de um crime que daria muita “mão de obra”. Mas que por hora, discrição e injeções de capital, maquiariam o problema. Mesmo deixando-o profundamente perturbado. Afinal...Era o novo Canto Gelo, de seu mais novo proprietário:
Fernão; que agora grávido, junto a Romélia, sua esposa. Divulga seu mais novo ramo de atuação: Um leilão de novos e usados. E pede a ajuda do pai Pai, que aceitara prontamente. Mas mesmo ali, tão presente como um espantalho...A cena do crime no porão, invadia-lhe os olhos; abertos ou fechados:
Um cepo de açougue sob um altar a um besto-demo; n’ele, um par de mão entrelaçado de criança, cobertas de melado e já tomado de formigas carnívoras. Na parede havia sangue. No chão, velas em pontos de riscos de giz. Tais lembranças lhe eram um ultraje de açoites. Pensava como se daria, o fato de ser ali, a casa do próprio filho. Mas poupava-os desse aparte; e também da imposta maneira com que apossaram-se da propriedade. Ainda que nisso, bastante realizados. O novo ramo, despontava em sucesso.
Fernão elabora um site para o negócio, em que fechava iniciativas de interesses. Como uma prévia de vitrine virtual de cada carro. Em seguida, marcavam e sediavam o pregão; vendendo o automóvel e tirando a devida porcentagem.
O negócio, ainda movimentaria: O posto de gasolina, hospedagem e serviço de quarto. Um fortuito golpe de empreendedorismo.Eram uma boa dupla. Além de mais tarde terem a ajuda de Romélia.
Aproveitando ainda a tenda. Suas acomodações foram ampliadas e a área externa; ganhara um toldamento espaçoso e também climatizado. Agora porém, de porte bem mais abrangente. A grama era sintética e tinha a frente, uma calçada de madeira. À entrada, tem um frugal aparador e por todo o meio, cadeiras brancas. À frente, o anglo oval e tribuna de lances.
Mas caso é que houve nos pregões, uma constante aparição, quase despercebida. E que em seguida repetia-se, na pousada e posto de gasolina: O pouso negro de um pássaro veludo – A um leitor menos atento, um declarado tom de mau augúrio.
Dom Carnage ficava por conta dos negócios. E estava em Denver, Colorado. Quando Fernão e Romélia, no Hospital de San Angelo, amargavam as possibilidades de um parto prematuro.
No quarto e em notória tempestade, Fernão adormecera na poltrona, ao lado de Romélia; e juntos sofrem inquietações, do que mais parece um pesadelo.
Pelo vidro e tendo a mão na porta, a enfermeira os observa indecisa:
Espasmos e sinais de inquietação, assumem uma crescente sincronia. A enfermeira enfim decide entrar... Mas ambos acordam simultaneamente.
___Me abraça. Diz Romélia, a qual chovia seu pranto medo.
Horas Dalí e dez da manhã iniciaram o trabalho de parto. Nascia o pequeno Willian.
A notícia fora dada ao novo avô pelo tele-móvel. Que marcava ao final de semana: champanhe e charutos. Porém, o menino espirava cuidados. E ficaria junto a mãe, na rotina de pré-maturos.
De volta a Canto gelo; e Fernão dava-se ao lazer dos justos. Banho, refeição e um belo filme. Os pés e o controle na mesa de centro. A frente do telão de plasma. Ele adormece mas acorda com a fumaça; a cortina está em chamas. Ele a espanca a conter o fogo, que sapeca-lhe os pelos. Acende a luz, faceando o inexplicável: a cortina, está intacta – Pavor- Desliga a luz e pensa a troca da programação... Mas, o controle desaparece. Fernão o procura e procura... Mas é inútil. Tenta dormir, mas sente-se observado por mil pares de olhos. Teme o devir de algo ruim. Dorme em prontidão.
Acorda sem ar, sente à garganta o bruto ofício de um estrangulamento. Mas via apenas o ventilador de teto. E já quase desfalecendo, sua glote se abre arfante e alígera de vento. E do entre vão dos móveis, ha sombra mais densa que o habitual escuro... Fita-lhe aceso; o incandescente par de olhos. Ele grita, liga a luz; e não há ninguém. A porta continua trancada por dentro. — Tensão seguida de silêncio;
– Uma fenda abre-se no tempo; a frente de seu ouvido:___SUMAM DAQUI! – grita a voz ruidosa. Catatônico e próximo a porta; a mesma se abre sem ajuda de mão.
Ele então, dorme no carro. Fernão, pela manhã, desperta repentino num durável estouro de porcos. Por todos os lados, à contragosto da poeira. Porém, não sendo vistos. — Toca o telefone: Era de um bar em Monclova, pedindo para que levasse o seu pai para casa, pois bebera a noite inteira e mal conseguia discar.
Fernão pega a estrada; e vê na lateral: A tenda do pregão, a meio toldo arriado parecendo a poder de vento. De fora avistava-se o assombroso estrago. Não conseguindo imaginar, se quer o mínimo de estrago nos carros.
___ Droga! Droga! Droga!!!
Fernão enfim, chega a Ishtar; o bar — vinte e quatro horas.
E avista o pai, derramado num balcão de pouco asseio.
Dormia suado e fedia a bebida. Notando Fernão, diz algo entre os dentes, mas logo desiste, da fala entroncada.
All, o dono da Ishtar, parecia retido, mas fitando Fernão recomenda cuidados ao amigo de infância. __ Ele...Dizia coisa com coisa.
Fernão fora indiferente e pagando a conta levou-o pela porta.
No caminho o celular de Carnage toca. Fernão atende. Era o All.
___Ei rapaz eu falei sério em relação a seu pai. Acho que fez besteira.
___Parece ter achado parte de um ritual na pousada. Bruxaria da pesada rapaz. Obrigou essa gente a sair da propriedade...Você entende?
Fim da tarde e chegando a Canto Gelo. Avalia o estrago da tenda e carros: Ao fundo, o pássaro pousa na tribuna — crocita. Em tudo havia areia, aparador, lustres e dentro do ar. Também cobrindo a lona dos carros.
Fernão assenta-se devastado; e avista em meio a um círculo vão de cadeiras, o controle da televisão. Até então desaparecido. Ele avança ao pai que la fora, ainda está no carro. E vê no chão as pegadas de cedo – as centenas de porcos.
Fernão então, lembra-se do conselho do amigo. Mas buscando ocasião, é abruptamente interrompido: “ ___Filho; perdi tudo”. __Reservas, dados de aplicações, lances na bolsa, tudo!
Fernão... Desaba. E antes que falasse algo, toca o telefone.
Romélia diz que Wili, ficaria mais um tempo tomando banho de luz. Fernão a tranqüiliza e diz que os negócios... "Iam bem". __Está tudo bem querida.__Tudo bem.
Tres anos dali; e o lugar estava em péssimo estado de conservação. Nem Posto, nem hóspedes e nem pregão.
Fernão suicidou-se; viciado num estranho líquido sedativo. E Carnage tomara a perca do filho por afronta "daquela velha" — a antiga proprietária de tapa-olho. E seguia vida porém, enlouquecido e aos cuidados de Romélia, a "santa nora".
Quase sempre agredida por ele e pela casa: as torneiras pingavam, objetos sumiam e sempre ouviam gritos para que saíssem. Não obstante a estranhas aparições como cheiro e barulho de porcos, ela temia por sua sanidade. Temia pelo pequeno Willi.
Dom Carnage, revidava a plenos pulmões que jamais dali sairia. Porém já não suportava o que via pela casa, no relance dos quadros ou nos vidros outros da casa. Certa feita, acordou de um sono e ao tentar mexer-se, constatou naquele quarto escuro; que havia perdido de seu corpo toda condição de movimento; e que após tentar e tentar, dezenas de porcos abriram sobre ele seus olhos luciferinos. Levando-o a vaza voluntária dos próprios olhos.
Vez ou outra, All visitava o amigo, agora cego. Porém só de dia. Algo nele havia mudado e Romélia então, decide criar o filho junto da mãe, em San Angelo.
Reveillon de noventa e nove. E Dom Carnage recebe a visita de Romélia – sem o filho. Ela ainda contava a respeito do neto, quando algo apodera-se d´ele, matando-a estrangulada.
Dez anos se passaram. E chegava a Ishtar um jovem por nome de Will.
All o dono do bar, o real “Will”, depois entristeceu-se pois sabia que o rapaz não estava ali a toa. Era uma manhã de quinta; e o velho Carnage, sairia a seu banho rotineiro de sol.
Willian, entra sorrateiro. No casaco: uma cascavel adulta e sedada. Ele pega o potente celular do avô e com um tipo de resina; escorrega-o pela goela víbora. Deixando-a em baixo de sua cama. E ao sair; passa pelo velho, vê-se notado. Mas também tomado por companhia de outro mundo.
De volta a Bar do All, até o bote oportuno. O jovem bebia leve, pensando no que faria caso a bicha regurgitasse o aparelho. E em como tudo deveria parecer um acidente.
Ja noite e o menino órfão confere o terreno; o velhaco não está la fora. Ele pega o celular e liga para o número enquanto encobre-se na queda de uma sombra rente a uma parede. Ele ouve o robusto toque porém tampado por serpente que desperta e chia muito pela boca. Também guizando seu chocalho. Como presa, encolhia-se o velhote. Temia a presença ilustre. Sobretudo, seu vibrar do guiso. Sabia que era real. Mas também cuidava que por tocar o telefone, ao mesmo avisaria alguém, de seu perigo estante: ___Onde está? Onde..Onde está... maldito telefone? William então, insiste até a última ligação. Espera o grito e confere a morte do velhaco.
“ É por você mamãe. ”
Assim morreu Dom Carnage, tateando as cegas, sua própria maldição.
E a começar do porão...Ganhava embebendo toda a casa, num cheiro e rastro de querosene. Willi, está heróico e imune a quaisquer fenômenos ou medo, do passado ou do presente. E saindo à reta da recepção, um negro pássaro por sobre a cabeça toma-lhe contrário a dianteira. Crocita.
Surpreso, viu que a tenda do pregão ja lambia-se em chamas.
No rosto enclareado: lágrimas. Já no carro e entre os dedos, um mimo à foto dos pais. — Que guarda e vira-se a tomar de um isqueiro; e a um palmo do nariz, depara-se com Martinez e a velha de tapa olho. Willie é grito e buzina automáticos. Ambos somem. Pela janela do carona...
De dentro e voluntário; um caminho no fogo os recepciona; entrando em Canto Gelo.
De volta a cobra negra do asfalto. Suponho...ladeada por cactos, vorazes e indóceis. Pontos de nefandas comitivas. Pedintes com seus braços enfadonhos... Não menos; caros leitores do que antes. Misteriosos. Vai ver, é só história de viajantes.
Mas... Devo aqui, porém dizer, ao leitor amigo e não por desencargo conclusivo; que somente após tal momento decisivo que acima acabais de ler...
Autoridades dos Bombeiros e da Polícia chegaram ao local, devido a mancha de calor, quando a mesma de forma abrupta e por tanto, anti-natural fora detectada via satélite. As coordenadas apontavam um grande foco de incêndio na exata e agora extinta, pousada Canto Gelo.
Vejam o que dizem as vozes similares da TV:
“...__Dentro de um poço. Fêmur, tíbias e rádios... — Costelas e crânios...Porém ruídos pelo tempo.. Carros patrulha com canhões de luz, afirmam que o achado é muito mais profundo”___Sim.Crânios de vários tamanhos" — pertences datados, desde os anos setenta. Positivo. As coordenadas apontavam um incêndio na agora antiga pousada Canto Gelo. Já o claustro das ossadas, fora achado por um dos homens do xerife, que ao urinar rente a um poço decidiu iluminar a fundo o seu interior. ___O Oficial, disse a cerca do achado, que o mesmo trata-se de uma antiga lenda Sioux... um “ rio em pé, de ossos ”. Talvez, a partir de hoje; mais conhecido como O poço do abismo. ___Impressionante.
A propriedade parece fantasma. Ha por aqui, só um rapaz e uma senhora de tapa olhos, que não querem dar entrevista.”
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