O Portal

7 Capítulo 7


Notas iniciais
Boa Leitura! Espero que gostem! ^^

Desde que deixara Caroline na ilha, as coisas raramente mudaram para Elizia que agora não sabia nem pra onde eles estavam indo e quando se deu conta suspirou pesadamente, já passava das cinco da tarde.

– ah, qual é!

– o que foi?

Elizia estremeceu, Key chegou por trás.

– ficou louco! — ela o encarou — quase tive um ataque!

– não seja exagerada, vai sobreviver e quanto ao que eu perguntei?

– o que perguntou? Estava ocupada me assustando.

– por que você disse “ah, qual é”?

– nada demais, é só que o capitão não me avisou sobre estarmos indo para a ilha dos pecados outra vez.

– bom já que estão todos felizes, ele queria dividir sua felicidade com alguém, se é que me entende, e que dar uma folguinha a tripulação antes de irmos de encontro com a morte.

– que papo é esse?

– ora, será perigoso, afinal vamos nos perder para encontrar o que foi perdido e não deve ser encontrado.

– simples essa sua frase.

– eu sei e então vai descer desta vez?

– e porque eu deveria? Ficar vendo um monte de homens bêbados e mulheres vadias, não muito obrigado, eu tenho mais o que fazer tipo... nada.

– simpática.

– tá, não precisa ressaltar. Agora sério, vai descer?

– não, sabe como é, tenho que cuidar para que você não afunde o navio.

– ha! Você é muito engraçadinho.

Key riu e de repente ouviu a voz do capitão.

– Key! Cadê você?!

– aqui senhor, perto do mastro!

O capitão foi até eles.

– bom ter te encontrado e oi menina.

– olá capitão.

Respondeu Elizia e ele continuou.

– então garoto, nós já vamos descer, vai conosco?

– não senhor.

–certeza? É sua ultima chance antes de ir para o inferno.

– sei, mas tenho certeza.

– depois não diga que não avisei.

O capitão desceu do navio que estava atracado no cais, desta vez, enquanto os outros já estavam se esbaldando em mulheres e bebidas.

Elizia foi até a proa, podia ver um pouco do movimento daquele lugar, Key a seguiu, ela comentou.

– este lugar é nojento.

– olha diz isso porque é mulher, se fosse homem gostaria.

– agradeço por ser uma mulher e então quer dizer que gosta de se esbaldar com isso?

Ela o olhou, ele encarou aqueles brilhantes olhos esmeralda.

– não quis dizer isso.

– não? Pelo que ouvi você disse “se fosse homem gostaria”, você é um homem, eu acho, então gosta disso.

– que historia é essa de “eu acho”? Tá me chamando de gay?

– não, bom… ah! Eu não sei!

– pra sua informação eu sou um homem e gostaria até disso. Mas penso que é muito melhor procurar aquela pessoa especial.

– uau.

Ela sorriu. Ele retribuiu.

– Mas o que tem o “uau” ?

– isso foi lindo, nunca conheci um homem que ligasse pra coisas assim — ela olhou para o céu que começava a escurecer — a maioria dos homens que conheci queria ficar comigo só para… bom você sabe. E depois eles sumiriam e me deixariam. Acho que é por isso que nunca me entreguei de verdade. Já me apaixonei lógico, já namorei também e fiz isso procurando o cara ideal, mas não encontrei ainda.

– nunca pensei que você pudesse pensar nisso.

– o que quer dizer?

– é só que você é sempre tão forte e independente e tão segura, sei que isso é uma mascara já vi que você é mais que isso, é sentimental. Mas nunca pensei que pudesse ser tão diferente do que aparenta.

– não sou tão diferente. São apenas faces da mesma pessoa. O que eu quero é só alguém que me faça feliz, me proteja mesmo quando não quero e que me ampare quando eu disser que não preciso e coisas assim.

– já chegou perto disto?

– sim, mas digamos que esse cara não me vê como uma mulher, me vê mais como uma amiga.

– ele é um idiota.

– nunca se sabe, talvez ele esteja certo.

– não, não está. Ele não te conhece, não conhece a garota maravilhosa que convivo todos os dias, quero dizer, bom você é esperta, divertida e linda, alem de ter o dom de onde passa deixa sua marca.

Elizia sentou na borda ainda olhando para o céu.

– obrigada.

– pelo que?

– por falar isso de mim quer dizer, mostrar que realmente tenho qualidades. A maioria das pessoas que me vê ou até fala comigo, nunca volta e se por acaso as vejo elas fingem que não me conhecem ou até mesmo olham com certo medo.

– isso é culpa sua. Acha mesmo que nunca percebi? Você se esconde e afasta as pessoas com sua crueldade e ignorância. Faz com que pensem que é uma pessoa ruim para que se afastem ou até tenham medo de você, isso se não conhece se é alguém com quem não se da bem é pior ainda.

– olha quem fala — ela o encarou — Você é igual ou pior. Quantas vezes você já não foi rude com as pessoas?

– não estou falando de mim e sim de você e a propósito você já sabe por que sou assim desde criança fui treinado pra abandonar qualquer laço ou dor a respeito de alguém.

– é verdade, mas eu também tenho meus motivos pra não confiar nas pessoas, muitas vezes fiquei com garotos que só queriam o meu corpo e os que pareciam ser diferente no final eram a mesma coisa. Isso me ensinou a não confiar, porque a confiança trás consigo a trapaça.

– então acha que vou te enganar?

– não, já disse que confio minha vida a você, mas você é diferente, você…

– eu consegui ver você como é? É eu sei. Você é difícil de conquistar, mas não impossível.

Elizia sorriu. Key continuou.

– sabe depois que te conheci, tudo mudou. Nunca me senti tão feliz ao lado de alguém, você se tornou especial pra mim.

Elizia foi pega de surpresa, jamais imaginaria tais palavras dele e ao olhá-lo, viu que ele olhava para frente, para as ondas, e em seu olhar estava claro que ele não estava realmente ali. Key continuou.

–é até engraçado, acabei me acostumando e gostando das brigas e discussões, você se tornou uma amiga verdadeira e… depois de um tempo você se tornou mais, bem mais, e ontem quando pensei no que ia acontecer amanhã, em todas as probabilidades de sair com vida daquele inferno, pensei no que eu tinha a perder…- ele a olhou novamente em seus olhos era possível ver um brilho diferente — e a única coisa que pensei como resposta foi você.

Elizia paralisou não esboçou nenhuma reação, ficando um pouco boquiaberta tentando assimilar aquelas palavras. Key continuou com um pequeno sorriso triste apesar de seus olhos manterem o mesmo brilho, ele olhou para as mãos apoiadas na borda.

– queria que soubesse disso antes de ser tarde, essa foi minha única oportunidade de dizer o que realmente sinto por você.

Elizia continuou paralisada com os olhos arregalados, Key a olhou ternamente e de repente virou-se e se afastou rapidamente sumindo na escuridão daquela noite sem lua.

Um vento frio cortou o rosto de Elizia. Ela não ligava estava tão absorvida por seus pensamentos repetindo todas as palavras de Key em sua mente, que simplesmente ficou ali parada olhando na direção que ele sumira onde, no momento, só existia escuridão. Tentando desesperadamente acreditar que tudo o que aconteceu não foi um sonho, um novo vento cortou-lhe a face tirando-a de seus pensamentos confusos, ela se levantou e correu até a cabine onde esperava encontrá-lo, tinha que resolver isso era sua única chance de se declarar.

Abriu a porta com violência, não tinha ninguém, procurou pelo navio e nada. Encontrou um dos tripulantes o mais velho de cabelos grisalhos e pele enrugada, mas muito habilidoso, foi até ele.

– oi — ela ofegou — senhor Hanks, viu o Key?

– olá senhorita, o vi passar por mim, mas ele não disse nada.

– sabe se ele saiu do navio?

– não.

Ela ficou desapontada.

– obrigada.

Elizia voltou à cabine e se jogou na cama, lágrimas desceram por seu rosto molhando a colcha, ela não ligou só o que queria naquele momento era chorar.

A sua única oportunidade desapareceu naquela escuridão.

– x -

O dia amanheceu frio, Elizia levantou convencida de que tudo o que houve antes não passou de um sonho, ela estava triste, uma dor oculta a corroia por dentro e ela sabia.

Elizia saiu da cabine, estava sem animo, olhou para o céu e sorriu tristemente, seus olhos estavam sem o brilho que encorajava os que a olhavam.

Ela olhou novamente para o convés que estava agitado, todos já haviam voltado da ilha pecaminosa e já arrumavam o navio para partir, ela subiu para onde estava o capitão e ele estava animado quando se pronunciou.

– ora menina! Que bom que já está acordada, hoje é o dia da nossa aventura!

– isso é bom capitão.

– não me parece muito animada.

– dormi um pouco mal essa noite, mas vai passar.

– espero.

Elizia olhou para o fundo e viu Key sentado a uma mesa observando alguns papeis, ela vai até ele, apóia as mãos na mesa e disse:

– bom dia.

Ele a encarou.

– bom dia, o que aconteceu?

– nada.

– tentando mentir pra mim, só pra constar não funcionou — ele sorriu — diga de uma vez o que aconteceu com você, seus olhos estão vermelhos e você esta triste.

– já disse que não aconteceu nada, estou apenas cansada.

Ele se levantou.

– vem comigo.

Key desceu as escadas e Elizia o seguiu, estava confusa. Eles desceram para o deposito de carga, o lugar estava deserto.

– por que me trouxe aqui Key?

Ela estava séria.

– sei que ia ficar constrangida se eu falasse alguma coisa lá em cima, então já que estamos sozinhos me responda você chorou noite passada, não foi? Chorou pelo que eu lhe disse? Eu sei que devia ter ficado quieto, mas foi minha única chance. Posso te tirar dessa viagem, entendo que não queira mais ficar perto de mim.

Ele disse essa ultima frase com uma dor tão forte que podia ser sentida pelo tom de sua voz.

Os olhos de Elizia arregalaram.

– então não foi um sonho? Tudo aquilo realmente aconteceu?

– antes que dê seu veredicto quero dizer que tudo que eu disse é verdade, cada palavra.

– então você… de mim… eu… droga! — ela respirou fundo — se era tudo verdade então quer dizer que você me ama?

– é, e já esta ficando claro isso.

Elizia baixou o rosto, de repente lágrimas prateadas caiaram incessantemente.

– Elizia porque está chorando?

Ele chegou mais perto, tal que ambos podiam sentir o calor do outro.

– Elizia…

Neste momento ela o abraçou, ele retribuiu mesmo confuso e começou a sentir sua camisa ficar molhada pelas lágrimas da garota.

Elizia puxou as mãos e segurou a gola da camisa de Key ainda com a cabeça em seu peito, deixando-se ficar totalmente envolvida pelos braços dele.

E assim ficaram enquanto Elizia chorava, até que Key se afastou embora continuasse perto, ela ainda segurava a camisa encharcada, ele passou a mãos em seus olhos para tirar as lagrimas que insistiam em cair.

– pare de chorar — ele sussurrou — não precisa mais disso enquanto estivermos juntos.

– o que quer que eu diga?

Disse ela atordoada.

– a verdade, mesmo que não seja o que eu espero.

Ela sorriu ternamente e com a mão livre tocou-lhe o rosto suavemente e sussurrou.

– eu…

Mas antes que ela terminasse a frase, ele abriu um largo sorriso, o que deixou Elizia feliz e completamente hipnotizada, nunca o viu tão lindo e radiante. Ele se aproximou devagar, ela não ofereceu resistência e quando seus lábios finalmente iam se tocar... um dos tripulantes entrou.

– oh! — disse ele surpreso ao ver os dois tão próximos e notou que estragou o clima — senhor Wilbur, senhorita. Estou atrapalhando?

Key e Elizia se empurram, separando-se e corando violentamente.

– não.

Disseram em uníssono. E saíram rapidamente. O homem ficou sozinho no compartimento de carga, confuso. Então deu de ombros e voltou a seu trabalho.

– x -

Já na parte superior o capitão os chamou. Key e Elizia subiram até o capitão, ele se pronunciou.

– onde estavam? Sumiram de repente.

– problemas no compartimento de carga — disse Key — Elizia era a única livre pra me ajudar.

– o que houve?

– algumas cargas soltas, nada demais.

– bom. Tudo bem — o capitão disse puxando um papel em branco e colocando na mesa, os outros dois foram até ele — aqui esta o mapa.

– mas capitão sem querer ser chata, mas não passa de um papel em branco.

– eu sei, agora parece um papel em branco, pra que acha que eu precisava do sangue?

Elizia olhou mais de perto, o capitão pegou o frasco com o sangue de Caroline.

– preciso de fogo. Disse.

Key desceu e segundos depois voltou com uma caixa de fósforos.

– ótimo, vamos começar — o capitão derramou todo o sangue sobre o papel em branco e esperou até que fosse absorvido — me de o fogo.

Key acendeu o fósforo e passou para o capitão que passou cuidadosamente a chama por baixo do papel e diante de seus olhos as imagem e as coordenadas começaram a aparecer magicamente.

– nossa! Disse Elizia impressionada.

O capitão levantou o papel mostrando o mapa.

– apresento-lhes o mapa do tesouro!

Os olhos de Elizia estavam arregalados e cintilavam com a aparição misteriosa do mapa e até Key que não demonstrava muita emoção abertamente, involuntariamente arregalou os olhos mais que o normal. O capitão sorriu e em seguida gritou para a tripulação:

– temos uma direção! Vinte e quatro nós a sudoeste! Seguir em frente a todo pano! Quero chegar antes do anoitecer. Seus olhos brilharam cheios de excitação.

O navio começou a se mover a todo vapor o vento ia à direção que pretendiam e aproveitaram estendendo a vela aumentando a velocidade. O sol estava alto e o dia seria longo para todos. Elizia e Key não comentaram sobre o acontecido, mas na mente de ambos o mesmo episodio rodava enquanto discutiam qual o próximo passo.

Notas finais
Tenho mais leitores! Aêêê!!! / Mas eles continuam invisíveis e não deixam comentários :( Mas ainda assim é bom ter alguém lendo. Alias, particularmente, eu gosto desde capítulo. E gostaria de saber se vocês também gostaram :) Deixem reviews! Por Favor! * - *