O Portal
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Nuvens pesadas cobriram o céu. O navio perdera velocidade, estava em águas calmas, porem muito geladas, o capitão passou as coordenadas e eles seguiram sem hesitar e as mesmas os levaram a um inferno congelado esquecido pelo mundo.
Elizia estava sentada na borda observando às águas escuras que pareciam não ter fim, ela tremeu, era a primeira vez que o frio lhe trazia problemas. Key parou ao lado dela silencioso e jogou um cobertor por seus ombros.
– nós conhecemos o que é Hiportemia.
Disse sorrindo, ela o olhou com um pequeno sorriso.
– é tem razão e não acho que ficando assim vai se aquecer.
– posso me virar, você precisa mais do que eu.
– de qualquer maneira…
Elizia foi interrompida por um chamado do capitão.
– menina, garoto subam. Precisam ver algo.
Key e Elizia foram até a proa rapidamente.
– o que aconteceu?
Perguntou Key calmamente, o capitão apontou adiante e disse:
– aquilo.
A surpresa era evidente no olhar dos dois recém-chegados.
Diante de seus olhos as águas desapareciam em um redemoinho, caiam em um buraco sem fundo e o navio estava sendo puxado pela correnteza.
– vamos virar o navio!
Gritou Elizia, o capitão a impediu.
– não!
– enlouqueceu! Vamos morrer!
– não vamos, olhe.
Ele abriu o mapa, o navio começava a ganhar velocidade pela força das águas, no mapa o capitão apontou para umas linhas circulares.
– este é o lugar – disse — a entrada para o inferno! – um sorriso psicopata apareceu em sua face, Elizia estremeceu — não vamos morrer.
– como tem tanta certeza?
– esse mapa me levará a eternidade e pra isso não posso morrer.
– é, vai passar a eternidade, completamente morto!
– ora então de repente decidiu desistir? Menina, eu me enganei quando pensei que era diferente das outras, você é igual, uma garotinha medrosa.
Key que nada fez até o momento passou a mão no rosto e respirou fundo, ele sabia o que ia acontecer, Elizia explodiu.
– medrosa?! Medrosa o caramba! Jamais vou desistir! – gritou, toda a tripulação sabia o que esperar então se seguraram como podiam, ela olhou para o convés e decidida voltou a apoiar na borda e olhou para frente séria — que venha a droga da morte! Se for pra morrer que seja assim, eu estou pronta.
O capitão sorriu de satisfação, ele sabia que ela era diferente só precisava ser lembrada disso. Key ficou ao lado de Elizia, segurou sua mão, ela olhou confusa, ele assentiu, ela segurou com mais firmeza a mão dele.
O navio pegou a rota sem volta, a corrente os levou para dentro do buraco em alta velocidade, Elizia fechou os olhos.
– é preciso se perder pra encontrar o que não deve ser achado. Sussurrou para si.
O navio foi engolido pelas escuras águas do ártico.
– x -
Key andou pela praia em busca de Elizia. Depois que o navio foi sugado tudo ficou escuro e então acordou comendo areia da praia, entre esses dois episódios ele não lembra o que aconteceu. Mas encontrou o capitão que lhe disse o que ouve e que não viram Elizia em lugar algum e é por isso que ele esta andando sem rumo à procura dela.
Depois de alguns minutos ele a encontrou, caída na praia, desmaiada e foi até ela rápido.
– Elizia!
Tirou o cabelo de seu rosto, ela não respirava, ele começou a apertar o peito dela para tirar a água do pulmão.
Segundos se passaram e nada dela respirar, ele ia começar a se desesperar quando ela começou a tossir compulsivamente e sentando-se violentamente em busca de ar, ele a apoiou nas costas enquanto água jorrava da boca dela. De repente tudo parou.
Elizia ofegou e sentindo muita dor.
– tudo bem Lise?
Ela o encarou.
– pergunta idiota! Acabei de ter uma experiência de afogamento e você vem me perguntar se estou bem?!
– é você ta bem.
Elizia revirou os olhos.
– o que aconteceu? Tá tudo meio borrado.
– bom, o navio foi engolido por um redemoinho e como não estávamos presos a nada fomos jogados fora do navio e boiamos até a praia.
– mas então morremos? Ou sei lá, estamos debaixo da água com esse sol?- ela olhou para o céu.
– não morremos, lembra “encontrar o que não deve ser achado” foi o que fizemos, nós nos perdemos.
– loucura! Então quer dizer que estamos em um mundo paralelo ou algo assim?
– é pode-se dizer que sim.
– legal. Novas experiências são divertidas! Alias cadê o Tyler?
– está mais pra lá com o resto da tripulação, o navio está ancorado e eles só estão nos esperando.
– então vamos.
Key se levantou e estendeu a mão para Elizia que se apoiou e ficou de pé, eles começaram a andar e depois de algum tempo Elizia já podia ver os outros, foram até eles.
– esta tudo bem menina?
Disse o capitão quando eles já estavam mais perto.
– sim capitão. Estão todos bem?
– estão.
– bom. Alias não falta ninguém?
Um dos tripulantes respondeu.
– sim senhorita, Jonathan desapareceu, não o encontramos.
– desculpa não me expliquei direito, quis dizer se faltava alguém importante.
Key sorriu. Ninguém disse nada, até escutarem alguém se arrastando da água, olharam.
Jonathan vinha vindo cansado se arrastando e arfando, Elizia comentou.
– e falando do capeta…
Os outros foram ajudá-lo, ele recusou com ignorância e se levantou raivoso e andou furioso até Key e o pegou pelo pescoço o suspendendo do chão.
– isso foi tudo culpa sua! — disse entre dentes- se não tivesse me mandado vigiar eu não teria caído tão longe!
– foi ordem do capitão. Quer questioná-lo?
Respondeu Key com dificuldade já que sua garganta estava sendo espremida pela mão dura de Jonathan.
– mentira! Queria acabar comigo e é isso que vou fazer com você.
– não se atreva se não…
Elizia disse com raiva, Jonathan a interrompeu.
– ah! Que lindo! É fraco o suficiente pra ser defendido por uma mulher?
Key o encarou raivoso e quando Elizia ia continuar a falar ele a interrompeu.
– não precisa, posso me virar sozinho.
Elizia se calou e olhou suplicante para o capitão que olhava quieto aquela discussão. Ele disse sem tirar o olho dos dois.
– não se intrometa menina, eles têm que resolver suas diferenças, sozinhos.
Ela baixou os olhos e não pronunciou mais nenhuma palavra.
Jonathan apertou mais a mão e Key gemeu de dor, ele sorriu.
– viu seu covarde? É assim que um cachorro deve se comportar diante de seu dono.
Key disse entrecortando as palavras.
– você… não… é… meu… dono!
No segundo seguinte Key bateu na lateral do pescoço de Jonathan com a mão esticada aquilo transferiu uma dor imensa em Jonathan o que o obrigou a soltar Key. Já livre Key aproveitou transferindo em Jonathan um soco que o derrubou com o rosto na areia, ele se levantou e apoiou o pé nas costas de Jonathan.
– nunca mais diga isso!
Então o capitão interrompeu.
– já chega, vamos embora não viemos aqui pra ficarmos uns contra os outros!
O capitão começou andar e os outros o seguem. Elizia segurou à mão de Key e o puxou para se juntarem ao grupo, ele olhou uma ultima vez para Jonathan que tentava se levantar e foi embora com Elizia seguindo o grupo de piratas. Jonathan depois que se levantou começou a segui-los com dificuldade, mas seu ódio por Key o conduzia adiante.
Key olhou para Elizia, curioso.
– o que aconteceu? Está tão calada.
– não é nada, é só que me sinto culpada, quero dizer, não queria te deixar com fama de fraco na frente de todos, eu só queria ajudar.
– não me deixou com essa fama e pare de achar que tudo que acontece é culpa sua. De qualquer maneira da próxima vez não se meta a não ser que realmente precise.
– muito obrigada, me sinto pior que antes! – ironizou — Alias nem o capitão me deixou intrometer e não entendi por que. Disse pensativa.
– é o código pirata, você é nova nisso ainda não sabe de tudo, mas não existe luta séria entre os tripulantes no máximo discussão, o que foi o caso, os envolvidos devem se acertar sozinhos e se passa de discussão e a coisa começa a ficar séria, o capitão interfere e expulsa os que começaram, simples assim.
– como assim “expulsa”?
– andar na prancha e nunca mais aparecer se não morre.
– tão radical assim?
–é.
– mas e quanto a mim que vivo desafiando Jonathan?
– provavelmente o capitão deixará que resolvam e isso pode envolver agressão física desde que nenhum dos dois esteja correndo risco de morte, caso isso aconteça o capitão interfere e o resto você já sabe.
– cruel.
– relaxa, ele não se atreveria.
Key olhou pra trás e viu Jonathan vindo lentamente. Elizia o olhou e voltou a falar, ele voltou a prestar atenção.
– não entendo porque ele ainda esta aqui, ele tem muito contra a gente.
– eu sei, mas o capitão ainda precisa dele.
– como tem tanta certeza?
– simples se não precisasse ele não estaria mais entre nós.
Key pronunciou essas ultimas palavras com um sorriso maldoso. Elizia estremeceu. Eles continuaram a andar, em silencio.
O capitão parou de repente.
– finalmente encontramos! Disse com um enorme sorriso.
Key e Elizia passaram adiante para ver o que era. Ela perguntou:
– desculpa capitão, mas ou estou cega ou você ficou louco. O que encontrou? Não há nada aqui.
– ora menina! Nem tudo que é verdade, pode ser visto ao primeiro olhar.
– ainda não entendi.
Ele andou e puxou algumas plantas deixando transparecer o que estava escondido.
– ah! Saquei — o capitão a olhou confuso, ela corou levemente — quero dizer, entendi. Mas o que é isso?
Ela olhou atentamente para o objeto que surgira das plantas, era um tipo de pedestal baixo com uma cabeça de um animal que ela não conhecia feito em pedra grudado em cima.
– isso menina é o inicio de nossa jornada — ele colocou a mão dentro da boca do animal e retirou um papel — onde esta a pista da entrada para a fonte eterna.
– legal.
O capitão abriu o papel e leu o que estava escrito em voz alta.
– “vá ao centro e volte onde tudo começou e onde tudo terminará”. Mas que diabo é isso?
Todos silenciaram pensando na frase tentando entende-la, quando um dos tripulantes se pronunciou.
– “volte onde tudo começou”, acho que deveríamos voltar para o navio.
– pode ser.
Disse o capitão pensativo. Key estava absorto em seus pensamentos quando começou a sentir o cheiro de algo queimando, olhou para o pedestal e notou que o cheiro era de pólvora.
– capitão!
Ele correu, empurrou e se jogou no chão junto com o capitão, segundos depois o pedestal explode em mil pedaços.
– está tudo bem senhor? Disse Key se levantando.
– esta…
O capitão estava surpreso e confuso. Todos estavam atônitos e desnorteados, mas ninguém se feriu.
– estão todos bem?
Perguntou Key e todos assentiram ainda confusos, Elizia foi a primeira a recuperar a voz.
– mas… o que aconteceu?
– senti cheiro de algo queimado e vi que ia explodir.
– por quê? – perguntou o capitão.
– acho que eu sei — respondeu Elizia — estamos atrás de algo grandioso demais, acho que essa explosão foi só o começo.
– certo. Mas vou até o fim, quem está comigo? — Todos deram um grito de aceitação — ótimo. Então agora o que fazemos?
– vou supor que é por esse caminho que devemos seguir.
Disse Elizia apontando para uma trilha que se abrira atrás do antigo pedestal.
– mas isso leva pro meio da floresta.
– exato- Key interveio- “vá ao centro e volte onde tudo começou e onde tudo terminará”, agora faz sentido, não é onde nos começamos e sim onde a ilha começou, no centro.
– é… — disse o capitão pensativo — é. Tem razão rapaz faz todo sentido é pra lá que vamos!
Ele começou a ir pela trilha e os outros o seguiu. O senhor Carlo foi o ultimo a seguir o grupo, pois algo chamou sua atenção no chão ao passar pelo monte de pedras do pedestal, um papel, ele o pegou e o olhou, depois guardou no bolso e seguiu o grupo.
Andavam em silencio, estavam todos atentos não sabiam o que podiam achar ou que podia achá-los ali. A mata era fechada com pouca iluminação mesmo àquela hora, de repente um esquilo passou correndo e encostou-se a um dos tripulantes do fundo que se assustou e gritou. Todos o olharam, ele pede desculpa e continuam a andar.
– o que é isso em você?
Perguntou um dos tripulantes ao que havia gritado.
– o que? Ele puxou a camisa e viu um monte de sanguessugas no corpo.
Ele começou a correr descontrolado e gritando. Todos estavam assustados e confusos. Elizia o olhou e percebeu as sanguessugas enquanto o capitão tentava pará-lo.
– Key! — ela o olhou, assustada — há sanguessugas enormes nele!
– o que?! — ele olhou pra cima e viu muitas sanguessugas na copa das arvores — Droga.
Ele correu e segurou o homem desesperado.
– senhor! Tira!
– relaxa.
– ah!
– para de gritar é pior.
O homem não conseguia se calar, então Elizia foi até eles e sem mais nem menos deu um tapa no rosto daquele homem.
– ouça quando Key diz pra calar a boca.
– todos fiquem em silencio, as sanguessugas estão nas arvores e gritos fazem com que caiam — todos assentiram calados, ele olhou pra Elizia — preciso de um fogo maior.
Ela assentiu ao ver o pequeno isqueiro na mão de Key e começou a andar pelos piratas, pegou uma madeira seca do chão e um pano de um dos tripulantes e enrolou na madeira, depois pegou um frasco de rum do capitão e despejou no tecido e entregou a Key.
Ele pôs fogo e começou a queimar as sanguessugas, depois que todas foram queimadas ele apagou a tocha e recomeçaram a caminhada sem fazer nenhum barulho alto.
Depois de uma hora andando eles finalmente começaram a ver uma luz e ao chegarem nela ficaram maravilhados.
– isso é lindo.
Disse Elizia surpresa ao se deparar com uma paisagem magnífica, um lago gigante esverdeado com lindas montanhas azuladas ao fundo.
– esse é o centro — disse o capitão — e agora?
O tripulante mais velho viu na beira meio escondido na mata uma casinha.
– o que é aquilo senhor?
– não sei, vamos ver — Eles foram até lá — estranho, não sei o que é, parece uma casinha.
– é um templo capitão — Disse Key — é como uma capela só que menor. Bom, isso depende de quem constrói.
– o que isso faz aqui?
– não sei.
Elizia foi a ultima a chegar, pois ainda admirava a paisagem e ao olhar o templo reparou que estava entre quatro toras de madeira fincadas no chão.
– alguém pode me dizer por que essas toras estão aqui?
Perguntou apoiando-se em uma das toras. O capitão respondeu.
– imagino que saiba menina.
– não sou vidente capitão, eu não faço idéia.
– bom isso não importa. O que mais temos para seguir adiante?
– nada e sinto que falta alguma pista que esquecemos.
Neste momento Carlo lembrou-se do papel que guardara.
– senhorita — disse por fim — eu acho que tenho o que procura.
Ele entregou o papel queimado na mão de Elizia. O capitão interveio.
– o que é isso senhor Carlo? Escondeste uma pista e não me contou?
– desculpe capitão, não foi por mal, encontrei isto no monte de pedra que explodiu a pouco e esta queimado, não achei que fosse importante e automaticamente o coloquei no bolso, se a senhorita Elizia não tivesse dito que faltava algo talvez eu nem lembrasse.
– mesmo assim devia ter falado.
– me desculpe, o erro foi meu peço perdão.
Ele se ajoelhou diante do capitão e Elizia se pronunciou.
– capitão, relaxa, foi um erro, mas de qualquer modo foi corrigido não perdemos nada, não o castigue.
– hoje passa, tenho mais o que fazer do que punir alguém, mas que fique claro que não vou perdoar da próxima vez!
Carlo se levantou.
– obrigado senhor.
– bom, legal — Elizia interveio — nós vamos seguir adiante antes de anoitecer.
Ela abriu o papel ele estava ilegível por causa das queimaduras, o capitão olha para o papel.
– o que pensa em fazer menina? Se essa é nossa única pista, agora ela não existe mais, foi corroído pelo fogo.
– não exatamente, dá pra recuperar eu só preciso dos materiais certos.
– impossível! O que pode fazer?
– relaxa, olha quando eu era pequena adorava brincar com fogo literalmente e ele me fascina até hoje, mas enfim, minha mãe não gostava disso e por isso me ensinou a recuperar papel queimado, ela os queimava com imagens ou palavras e quando eu recuperava tinha surpresas lindas e se me lembro bem acho que ainda posso recuperar este aqui.
Elizia começou andar procurando algo que recuperasse o papel queimado, o capitão e toda a tripulação estavam confusos e Key apenas comentou.
– não tentem entende-la, este é um dos momentos em que isso é impossível.
Ela parou diante de uma arvore e gritou:
– alguém tem uma faca?!
Logo entregaram uma a ela e ela começou a raspar a casca depois de agradecer. Coletou o pó que tirou da arvore em um vidrinho e adicionou água.
– bom — disse ela — agora eu preciso de ferro, mas onde vou encontrar ferro concentrado? Ah! Capitão por acaso ainda sobrou um pouco do sangue de Caroline?
O capitão olhou nos bolsos e encontrou o vidro com uma única gota do sangue e entregou a ela.
– isso serve, obrigada.
Ela colocou tudo no vidrinho e o sacudiu para misturar depois despejou sobre o papel danificado e esperou, todos observavam com atenção e aos poucos as palavras começaram a aparecer, todos ficaram maravilhados e alguém comentou:
– isso é incrível! Ela é uma bruxa.
Elizia fechou a cara.
– bruxa o caramba! Sou apenas uma garota inteligente.
– de qualquer maneira — disse o capitão — isso é estranho.
– não é estranho, é apenas ciência e não venham dar uma de confusos, vocês usam ciência, ou vocês acham que o navio com aquele tamanho e peso flutua na água por mágica?
Ninguém respondeu. O capitão continuou.
– certo, mas já que é tão esperta leia de uma vez.
– tá — ela forçou uma tosse — deixe me ver… ah!…
“quatro dragões guardam a entrada sob as luzes douradas, ao escalarem a lua o caminho de Deus se abrirá. Um tigre mostrará o caminho e em sua toca encontraram seu destino; só os corajosos entraram e lá permaneceram. Quando não existir mais fé no meio da escuridão procure a Deusa do perdão se ela lhes mostrar sua mão encontraram a salvação. Mas cuidado, o caminho é perigoso e abaixo de seus pés um abismo ardiloso os espera”. Só isso que diz. Alguém tem alguma idéia?
Todos ficaram em silencio, até que um se pronunciou.
– bom se isso é um lugar pra rezar é só procurarmos a mão da Deusa.
– é faz sentido.
– nem tanto — disse Key pensativo — se for assim de que adiantaria o resto do enigma? Temos que dividir e tentar entender. Elizia leia até a primeira parada que tenha sentido.
– tá. “quatro dragões guardam a entrada sob as luzes douradas”. Que bobagem, dragões não existem.
– lógico que existem.
Disse um dos tripulantes nervoso e outro acrescentou.
– é verdade, o primo do primo de um amigo de um antigo amigo meu já viu um.
– tá bom — disse Elizia tentando conter o riso e sussurrou para si — e é a partir daí que veio os boatos — ela volta a falar em tom normal – certo. Então temos que procurar quatro dragões.
A tensão era forte vários sussurros desprenderam da tripulação até o capitão interromper.
– bando de cães sarnentos! Querem a imortalidade e pra conseguir tem de trabalhar! Vão agora procurar os dragões.
Todos responderam “sim” e já iam começar a procurar, mas Key disse:
– procurem pela clareira e nas margens dela, não mais adiante.
– por quê?
Perguntou o capitão autoritário.
– nada demais é só que parando pra pensar está escrito “sob as luzes douradas” toda a mata é fechada e a única luz dourada só pode ser o sol e essa é a única clareira.
– é tem razão, façam o que ele disse agora.
E todos começaram a procurar por quatro dragões. Já estavam perdendo a esperança quando alguém gritou, Elizia era a mais próxima e correu de encontro ao homem que gritou. Ao chegar lá o viu ajoelhado pedindo pela vida de frente a uma das toras.
– mas que droga que você tá fazendo?
– ele vai me comer.
– quem?
– o dragão, olhe.
Ele apontou para a sombra da tora que parecia um dragão gigante, Elizia olhou em volta pensando e entendeu.
– é isso! Gente vem aqui eu encontrei! E você seu medroso levanta logo do chão.
O homem se levantou e os outros chegaram, ela continuou.
– encontrei — ela colocou a mão na tora — apresento-lhes senhores. Os dragões.
– o que?!
Todos responderam em uníssono, o capitão continuou.
– isso é madeira menina, não dragões.
– ora capitão, você mais do que ninguém sabe que nem tudo é o que parece, olhe a sombra e vejam o que lhes digo — Os olhares voltam à sombra e todos ficam espantados — viram? “quatro dragões guardam a entrada sob a luz dourada”. Essas sombras das toras parecem dragões. Mistério resolvido.
– impressionante menina.
– obrigada capitão. Agora o resto. “ao escalarem a lua o caminho de Deus encontrará”. Bom tem algo que é obvio não podemos fazer nada até a lua aparecer, vamos ter que esperar.
Todos concordaram e assim ficaram sentados ali conversando, comendo e se divertindo esperando a noite cair.
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