O Portal

22 Capítulo 22


Notas iniciais
Boa Leitura!

Elizia entrou na pensão e começou a subir a escada quando uma voz a interrompeu.

– Pode vir aqui mocinha.

– Droga.

Sussurrou e foi até a sala de estar.

Madame Fi estava sentada na poltrona olhando-a séria.

– Onde estava?

Sua voz estava dura e agressiva, Elizia se encolheu. Nunca a ouvira falar assim.

– Eu… Eu… Fui dar uma volta.

– Dar uma volta?! – Madame Fi se levantou abruptamente. — Dar uma volta é sair por um dia não um mês!

– Desculpe, eu perdi a noção do tempo.

– Onde estava? Serrou os olhos.

A senhora falou entre os dentes. Elizia engoliu em seco.

– Na casa de um… de um amigo.

– Amigo?! Quem é?

– Kaylan… espera um pouco… — ela franziu o cenho. — Por que está querendo saber tanto?

– Ainda pergunta? – ela começou a andar pela sala — Estava preocupada com você, você desapareceu! Perguntei a Nick e ela não ajudou muito você a fez prometer que ficaria quieta. Tentei te ligar e você não atendia. Você me deixou maluca menina! Sabe quantas coisas ruins pensei?

– Posso imaginar, mas sei me cuidar sozinha — e sussurrou para si. — Que bom que não tinha sinal de celular no século XVIII.

– Seu irmão te deixou sob minha responsabilidade. Ele te ligou e eu não soube o que responder por que você sumiu.

– Não disse isso a ele, né?

– Não, mas ele ligou tantas vezes que passou a não acreditar no que eu falava, ele está vindo para cá.

– O que?!

– A culpa foi sua. Agora diga o que aconteceu.

Elizia deixou-se cair no sofá, derrotada.

– Nada de mais.

– Como nada de mais, você desapareceu. Inquiriu levemente nervosa.

– Não desapareci, fiquei na casa dele o recesso todo.

– Ficou na casa de um estranho o recesso todo?

– Ele não é estranho, o conheci na escola — madame Fi a olhava, incrédula. — E antes que diga alguma coisa, nada aconteceu. Nós apenas passeamos, conversamos e foi isso.

– Conheceu um garoto bonito e foi pra casa dele?

– Não foi bem assim. Eu o conheci bem, lembra que eu te disse que não ia mais almoçar aqui porque ia almoçar com um amigo, então era ele. Levei esse tempo para conhecê-lo.

– Ficou louca! Podia ser um psicopata!

– Mas não era, já disse que nada aconteceu, ele não me tocou como está pensando... Mais ou menos isso — ela levantou a mão mostrando o anel. — Ele me pediu em namoro e eu aceitei.

Madame Fi segurou à mão de Elizia e observou o anel seus olhos se arregalam gradativamente.

– Meu Deus! Isso são safiras, esmeraldas e rubis? Ele te deu isso? E como assim mais ou menos isso?

– Sim. E... Bom você só precisa saber que ele não fez nada que eu não quisesse fazer, não me obrigou a nada.

– Tudo bem, deixaremos isso pra depois. Mas como ele conseguiu isso?

– Ele recebeu a herança de um tio e continuou com o negocio. E não pense que só aceitei namorar com ele porque ele tem dinheiro, eu gostei dele antes de saber que tinha tanto e isso não mudou nada. Eu o amo madame Fi.

Madame Fi suspirou e sorriu.

– Eu sei.

– Como? Perguntou confusa.

– Posso ver nos seus olhos que o ama e admiro isso. Mas quero conhecê-lo.

– Pra que?

– Pra saber se ele vale tanto à pena quando pretende me mostrar. Faça-o vir jantar conosco hoje as sete.

– Hoje? Não, é muito cedo.

– Quanto antes eu o aprová-lo mais rápido irei te ajudar a convencer seu irmão, ou acha mesmo que ele vai aceitar isso de bom grado?

– Não, não vai. Ele virá para jantar, posso subir?

Madame Fi assentiu. Elizia se levantou e foi até a escada e começou a subir sorrindo, “ela me tratou igualzinho a uma mãe”, pensou, “posso dizer que ela é o mais perto que eu tenho de uma mãe”.

Elizia entrou no quarto e Nicole estava a sua espera e quando ela entrou Nicole gritou, correu e a abraçou e em seguida começou mais um interrogatório, mas desta vez com mais detalhes sem a parte da viagem a outra época. Elizia mostrou o anel e Nicole ficou fascinada também queria conhecê-lo e Elizia disse que ele viria para o jantar. Nicole deu outro grito e correu para baixo para falar com madame Fi enquanto Elizia se jogou na cama e pegou o celular discando para Kaylan.

– Alô.

– Oi, há quanto tempo não?

– Lise. Então como foram às coisas?

– Melhor do que eu imaginava, mas tem um pequeno probleminha.

– Que problema?

– Eu meio que prometi o que não sei se vou cumprir.

– Não entendo.

– Eu disse que você viria jantar aqui hoje.

– Como assim?

– Querem te conhecer e querem que você venha jantar aqui.

– E você disse que eu iria.

– É.

– Sem antes perguntar?

– Me encurralaram, não tive escapatória.

– E se eu disser não?

– Eu iria ficar chateada, mas ia compreender. E teria que inventar uma boa desculpa.

–Sorte sua, eu já estar esperando algo assim.- ela o ouviu rir — Eu vou. Que horas quer que eu chegue?

– Umas sete. O lado bom é que não vão estar todas as garotas da pensão pra falar a verdade só vai estar a Nicole.

– Tudo bem. Até mais tarde.

– Até. Te amo.

– Eu também te amo.

Ele desligou, ela soltou o celular na cômoda e ficou olhando para o teto e logo adormeceu.

– x -

O celular despertou, Elizia deu um sobressalto. Fazia muito tempo que se desacostumou com esse som. Eram cinco horas da tarde e estava na hora de arrumar para o jantar.

Elizia se levantou e foi tomar banho, ao sair foi direto ao guarda roupa enrolada na toalha, levou uma hora para encontrar um bom vestido, e ainda levou mais meia hora para fazer um penteado que combinasse.

Assim que ficou pronta foi admirar-se no espelho e ficou feliz por estar parecendo uma dama. Enquanto se olhava criticou mentalmente cada parte do visual. O vestido vinho- escuro delineava bem sua cintura e a saia rodada ficava um pouco acima do joelho, mas a parte superior, modelo tomara- que- caia, não a deixou feliz. Então ela pegou um chalé da mesma cor e enrolou em si formando uma alça que caia sobre o ombro, agora estava perfeito. Elizia começou novamente desta vez com o cabelo ao qual prendera em um lindo e bem feito coche, mas ela não gostou e soltou deixando-o parcialmente preso na lateral, mantendo-a com uma aparecia suave e provocante. Perfeito.

Elizia desceu e foi à cozinha. Madame Fi e Nicole estavam cozinhando.
– Que cheiro bom. Comentou enquanto entrava.

Nicole a encarou.

– Oh! Elizia! Que linda você está!

– Nem tanto.

Madame Fi a olhou.

– Não, Nicole tem razão. Você está esplêndida.

Elizia corou suavemente.

– Obrigada, mas mudando de assunto precisam de ajuda?

– Não querida, só ajudará a servir mais tarde para não se sujar.

Nicole interrompeu.

– Já vamos nos arrumar, pode ficar de olho no assado?

– Claro.

– E Elizia... — madame Fi interveio. — Tem visita na sala para você. — Ela diminui a voz. — E é bom ficar calma.

– ele já chegou? Sussurrou apreensiva.

–Sim.

Elizia respirou fundo varias vezes enquanto Nicole e madame Fi subiam para se arrumarem, ela respirou uma ultima vez e foi à sala.

– x -

Um homem de trinta e poucos anos estava sentado na poltrona olhando o copo de Martine que tinha nas mãos, pensativo. Usava um terno escuro e a barba bem feita o deixava mais velho do que realmente era, quando Elizia adentrou na sala ele ergueu os olhos cansados e os arregalou ao se deparar com a linda mulher que parou a sua frente.

– Brian.

Elizia pretendia não mostrar muita emoção, pois sabia o que estava por vir. Brian se levantou e a abraçou.

– Elizia! Que bom que está bem!

Ela se afastou.

– Nunca estive em perigo.

– Liguei várias vezes e você não atendeu há nenhuma delas.

– Estava ocupada.

Ele franziu o cenho e começou a alisar a barba, observando-a.

– Você está muito bonita, madame Fi disse-me que um amigo vem jantar aqui hoje. Se arrumou assim para ele?

– Apenas achei que devesse me arrumar e tenho certeza que madame Fi não disse amigo. Brian quem vem hoje é meu namorado.

– Namorado? Você é muito nova para isso.

– Sei, acho que dezessete anos não é tão nova assim.

Ela mostrou o anel, ele segurou a mão dela o observando.

– Ele é rico por acaso?

– Não, apenas teve uma boa família.

– Onde o conheceu?

– Na escola.

– Há quanto tempo?

– Chega Brian- ela puxou a mão irritada — Nada de interrogatório. E pode, por favor, ser gentil com ele?

– Por que eu deveria? Não vou gostar dele.

– O problema é seu. O importante é que eu gosto, então por mim, seja gentil.

– Vou fazer o possível.

– Faça o impossível e…

A campainha tocou.

– Ele chegou!

Elizia sorriu e foi até a porta colocou a mão na maçaneta, mas hesitou e olhou secamente para Brian e sussurrou:

– É sério, seja gentil.

Brian revirou os olhos. Elizia respirou fundo e abriu à porta, um sorriso iluminou seu rosto.

– Oi.

Kaylan estava radiante, um sorriso animado brincava em seu rosto. Elizia deixou-se envolver pela alegria.

– Oi. Entre.

Kaylan entrou e Elizia olhou rapidamente para a sala, seu irmão já havia se sentado e parecia invisível.

Kaylan a observava, Elizia voltou a olhá-lo, admirada.

– Uau! Você está muito bem.

– Obrigado. Você esta linda como sempre.

Elizia sorriu constrangida, o sorriso dele se alargou. Kaylan a puxou e a beijou delicadamente, ela deixou-se envolver até se separar e voltar a admirá-lo.

– O que? Kaylan olhou para a roupa que vestia.

– Nada, é só que você está incrível.

Kaylan usava roupas escuras como de costume, camisa e calça sociais debaixo de um casaco de couro preto, a única cor que se destacava eram fivelas prateadas no casaco que pareciam pequenos diamantes, as botas pesadas também escondiam pequenas fivelas e o cabelo solto evidenciava ainda mais o dourado dos olhos.

– Você está perfeita. Mas falta um pequeno detalhe para estar digno de sua beleza.

– O que?

Kaylan colocou a mão no bolso do casaco e retirou um pequeno pente dourado com o desenho de um lírio encravado na parte superior, azul e branco. O azul era tão profundo quanto às águas do oceano. Ele colocou o pente no cabelo de Elizia, na parte onde ela já deixara presa, deixando transparecer delicadamente a flor.

– Obrigada- Elizia pegou a mão dele, entusiasmada. — Vamos conhecer os outros.

Elizia o levou para a cozinha, onde Nicole tentava desesperadamente arrumar a mesa.

– Nicole.

Elizia a chamou. Quando Nicole viu que ela estava acompanhada, paralisou.

Elizia andou até Nicole e pegou sua mão.

– Vem, tenho que te apresentar uma pessoa. — elas pararam na frente de Kaylan. — Nicole, este é Kaylan. Kaylan, esta é Nicole minha companheira de quarto e amiga.

Kaylan estendeu à mão e segurou a mão de Nicole e a beijou delicadamente, sorrindo.

– É um prazer conhecer tão bela moça.

Nicole puxou a mão e sorriu constrangida e atordoada, sem se dar conta do que fazia.

– O… o… pra… pra… zer… é… meu…

Gaguejou.

Kaylan sorriu ainda mais e entregou-lhe um buque de rosas que carregava.

– Estas são para a senhorita, espero que goste.

– Obrigada- ela segurou o buque e piscou ainda atordoada- E, por favor, pare de me chamar de senhorita. Chame- me de Nick.

– Como quiser.

– Ah! Este deve ser nosso convidado!

Madame Fi interveio na cozinha sorrindo cordialmente. Ela estendeu a mão e se apresentou.

– Olá. Sou Fine Stuart, mais conhecida como madame Fi. É um prazer conhecê-lo.

Kaylan faz o mesmo que fez a Nicole para cumprimentar madame Fi.

– O prazer é todo meu- ele entregou um segundo buque á madame Fi — Este é para a senhora.

– Obrigada. Quer beber alguma coisa?

– Se não for incomodar.

– Claro que não. Vou pegar uma bebida para você. Gosta de Martine?

– Sim. Obrigado.

Madame Fi saiu e foi até a bancada preparar a bebida. Elizia enlaçou seu braço no braço de Kaylan.

– Vamos para a sala de estar.

Eles foram à sala e pararam na frente de Brian que voltara a sentar e pensar, ao vê-los Brian se levantou sério.

– Brian, este é Kaylan, meu namorado.

– É um prazer conhecê-lo.

Kaylan estendeu a mão, Brian não o cumprimentou.

– O prazer é meu. Disse secamente.

Kaylan recolheu a mão, desconcertado. Elizia fuzilou Brian com o olhar.

O clima estava tenso, madame Fi entrou com a bebida.

– Aqui está — ela entregou a Kaylan. — Espero que goste.

– Obrigado — Kaylan sorriu — Foi muito gentil de sua parte.

Madame Fi retribuiu o sorriso e se virou para Elizia.

– Elizia, Nicole está ficando louca na cozinha. Vá ajudá-la, vou arrumar a mesa.

– Sim senhora — madame Fi se retirou, ela olhou para Kaylan — Key pode se sentar e esperar um pouco? Eu já volto.

– Claro.

Ele se sentou. Ela olhou para Brian e o advertiu sem palavras.

– x -

Elizia chegou à cozinha e ficou impressionada com a bagunça que estava.

– Nick! O que aconteceu aqui?!

Nicole colocou uma bandeja na mesa que acabou de tirar do forno.

– Não sou boa cozinheira.

Sorriu fracamente.

–Deu pra notar. Falta muita coisa?

– Não, madame Fi está arrumando a mesa, só temos que arrumar os pratos aqui e limpar esse lugar.

– Bom. — Elizia pegou o avental e o colocou — Espero que seja antes da meia- noite.

Ela riu.

– Ha, ha! Você é muito engraçadinha.

Elizia começou a arrumar a comida em travessas com perfeição como se fosse uma artista criando uma nova obra enquanto Nicole lavava o grande monte de louça da pia, até que falou:

– Como pode?

– O que?

Elizia ainda não tirou a atenção dos pratos.

– Ele é fantástico. Alias parece delicioso.

Elizia se virou incrédula.

– Tá tarando meu namorado, garota?

– Não, lógico que não — ela sorriu. — Você o conseguiu e estou feliz por você, ele é perfeito! É bonito, charmoso e… — ela se abanou e suspirou. – E tudo de bom. Mas sei que é teu, dá pra ver.

– Obrigada por gostar dele, mas vai tirando o cavalinho da chuva – disse brincalhona — Como assim dá pra ver?

– Não tinha nenhuma esperança de consegui-lo se quer saber, mas se ele tiver um irmão pode me apresentar.

– Nicole!

– Que é? – ela se apoiou na pia- É verdade.

Elizia revirou os olhos sorrindo.

– Ele é filho único. E não respondeu minha pergunta.

– Que pena que ele é filho único, ele tem algum primo ou algo assim?

– Nicole para! Responde logo a droga da pergunta!

– Tá bom relaxa. A parte do dá pra ver? É simples, ele te olha com tanta paixão, não tira os olhos de você, e o brilho daqueles olhos quando te olham são impressionantes!

– Tá tão na cara assim?

– Na cara é pouco, mas mudando um pouco de assunto, como ele consegue ser tão cavalheiro nos dias de hoje? Ele beijou minha mão para me cumprimentar! Foi incrível! Me senti num daqueles filmes das antigas. Ele sempre foi educado assim? Quando me contou tive uma imagem meio controversa.

– Ele sempre foi educado assim, foi meio que treinado para isso. Mas ele também é ignorante quando quer.

– Não parece, quer dizer, foi mais ou menos isso que eu imaginei. Pelo que você disse, ele parecia ter sido arrogante quando se conheceram.

– E foi mesmo, mas é quase que só fachada. Tem que conhecê-lo bem para entender o motivo de tanta particularidade e é lógico que ele confiou em mim a ponto de vir aqui e ser pelo menos tolerável.

– Quer dizer que ele está se mostrando tão cordial?

– Ele é cordial, mas também é comum. No momento ele quer causar boa impressão.

– Bom ele conseguiu, já me conquistou.

– Você é conquistada por todo cara bonito.

– Qual é, eu apenas aprecio o que a vida me dá.

– To vendo, vamos terminar isso logo.

Elas voltaram a preparar as coisas para o jantar que meia hora depois já estava na mesa.

– x -

O silencio se estendeu pela sala.

– Então quer dizer que é rico?

Brian se pronunciou sem olhar para Kaylan parecia apreciar o gelo que derretia em seu copo.

– Não. — Kaylan bebeu um gole do Martine. — Apenas ganhei uma herança generosa do meu tio.

– E gasta sem mais nem menos? Vi o anel que deu a minha irmã, ele parece caro.

Kaylan deu um pequeno sorriso.

– Herdei do meu tio a empresa e todos os bens. Desde então venho fazendo a empresa lucrar e com isso tenho cada vez mais dinheiro, mas não me importo. Compro e gasto tudo que preciso e gosto. E de qualquer maneira o anel foi apenas uma lembrança.

– Lembrança? – a voz de Brian esboçava incredulidade — Pedras preciosas não são simples lembranças.

– Pra mim são. Gasto pelo que seja justo e não sou mesquinho se isso for fazer a garota que eu amo feliz.

Brian o encarou sem expressão.

– Belas palavras, mas Elizia não pode ser comprada com presentes.

– Eu sei, não tentei comprá-la apenas quis fazê-la sorrir e consegui. Então tá valendo.

– Ainda acho um desperdiço. Gastar tanto, por coisas sem sentido.

– Nada que esteja relacionado a ela é desperdício.

Brian demonstrou-se cínico.

– Gosta mesmo dela ou está apenas a conquistando para levá-la para a cama?

– Eu gosto mesmo dela, eu a amo e não tenho medo de admitir a você ou a qualquer outro — Kaylan sustentou seu olhar friamente. — Não me ofenda senhor, jamais faria nada que ela não estivesse de acordo.

Brian sorriu.

– Isso é o que todos dizem, até conseguirem o que querem. Já tive a sua idade garoto, sei bem o que pensa vendo alguém tão ingênua como minha irmã.

– Então não conhece sua irmã. Ela nunca foi ingênua, pelo contrario sempre foi determinada e segura de si.

– Sei disso, mas veja por esse lado, você é o tipo de cara que faz a fama de bad boy, controlando as garotas com charme, pode conseguir todas que quiser com esse seu jeito, mas curiosidade porque Elizia?

– Já lhe disse: não me ofenda — a raiva era evidente em sua voz. — Não estou brincando com sua irmã para uma noite de prazer. Eu a quero para a vida toda, eu quero que um dia ela seja minha mulher.

Brian voltou a mexer com o gelo no copo.

– É bom mesmo que não esteja brincando com ela. Vou ser sincero, eu não confio em você, mas deixarei que isso continue até que tenha passado dos limites- ele o encarou obscuramente. — Ela é tudo que eu tenho e se por acaso você a magoar, eu lhe mato com minhas próprias mãos.

Não houve mais resposta, não houve mais palavras apenas o silencio infernal outra vez.

– x -

Madame Fi entrou na sala minutos depois.

– O jantar está servido, cavalheiros.

Kaylan e Brian se levantaram e seguiram a senhora até a sala de jantar onde Nicole e Elizia já estavam sentadas esperando.

Kaylan se sentou ao lado de Elizia que lhe sorriu, enquanto os outros se acomodavam ela perguntou sussurrando:

– Então como as coisas vão indo?

– Confusas. Muito confusas.

Ela riu. Madame Fi se pronunciou.

– Bom, já que estamos todos aqui hora de comer!

Eles se serviram e conversaram sobre diversos assuntos e varias vezes faziam perguntas a Kaylan que as respondia com muita convicção.

– Então Kaylan. — Nicole bebeu um gole de suco. — Eli disse que tem uma linda casa estilo antigo, como ela é?

– Bonita e velha. Datada talvez do século XVII.

– É grande?

–Sim, com dois andares cheios de portas.

– Uau! Deve ser um sonho.

– Não, pra falar a verdade é meio solitário — ele olhou para Elizia. — Bom pelo menos era.

– Pelo visto deve ter uma grande propriedade — interveio Brian — Quanto?

– Não sei ao certo, talvez uns cem hectares.

– Tanto assim… Como cuida de tudo sozinho?

– Tenho funcionários supervisionados por mim e por uma antiga amiga.

– Em que momento trabalha então se fica supervisionando?

– Não preciso ficar o tempo todo trancado em um escritório assim como meus funcionários também não, é tudo bem conciliado.

– Interessante. E como pensa em dar atenção a uma namorada?

– Posso arrumar tempo para tudo.

– Se conhece minha irmã sabe que ela não se contenta com pouca atenção.

– Brian! — Elizia interferiu. — Pare com isso! Não estou exigindo nada.

– Não, mas vai exigir. Te conheço, vai acabar ficando emburrada por falta de atenção.

Elizia sorriu.

– Não é mais assim que as coisas funcionam. Eu mudei.

– Não muito.

– É esse o seu problema, ainda me vê como uma criança.

– Eu sei que cresceu, mas velhos hábitos não mudam.

– E é ai que você se engana, muita coisa mudou em dois meses.

– Vamos recapitular… você veio para uma pensão e conhece um cara que é basicamente rico e que talvez não te de atenção e você diz que está tudo bem?

Elizia não respondeu, pensando.

– Talvez você tenha mudado Elizia, mas querer atenção sempre foi um ponto fraco.

Elizia respirou fundo e se levantou.

– Vamos para a sala Brian.

Disse secamente.

Ele a seguiu enquanto os outros permaneciam quietos na sala de jantar.

– O que deu em você?

Elizia o encarou de braços cruzados.

– Estou apenas dizendo a verdade, não quero que fique sozinha esperando alguém que não vem.

– Ele está aqui! Não vai me deixar, vai me dar atenção como sempre fez.

– Impossível ter uma empresa de grande porte e dar atenção a alguém da vida pessoal.

– Não o conhece Brian, ele me ama e me quer feliz.

– E você acredita nisso? Não seja tola Elizia, ele não te quer, só quer o seu corpo.

– Não o conhece.

– Não preciso, todos são iguais.

– Então você também é?

– Não, eu sou digno.

– digno?! – ela forçou uma risada cínica — Agora quer falar de dignidade?! Você quase nunca estava em casa quando eu precisava!

– Estava tentando melhorar seu futuro!

– Melhorar?! – lágrimas começaram a escorrer por seu rosto- você apenas o piorou! Quando eu apenas queria conversar você não me escutava! Ele me escuta Brian! Ele me entende!

– Isso é o que ele diz.

– Não, isso é o que ele é!

– Pare com isso, não passa de uma mentira! Estou tentando te proteger do sofrimento.

– Está?!- as lágrimas vieram com mais intensidade — Onde você estava todas as noites em que eu chorava por causa dos nossos pais?! Onde você estava quando eu precisei de um ombro amigo pra chorar?! Onde você estava quando eu precisei?!

– Eu…

Elizia se encolheu e se afastou sussurrando:

– Você simplesmente não estava lá.

Ela se virou e correu pela escada para o quarto e bateu a porta quando entrou.

Brian ficou lá paralisado. Os outros pararam no hall de entrada sem nada dizer, ele baixou os olhos.

– Desculpem-me.

E saiu noite a fora também batendo a porta.

Notas finais
Bom, a fic está na reta final... ahhhh... Vai ter no máximo 24 capítulos então... Bom, espero que estejam gostando e que deixem reviews! Até o próximo! :)