O Portal
19 Capítulo 19
Notas iniciais
A tempestade parecia piorar a cada segundo, Elizia se virou na cama tentado dormir enquanto sua mente lhe pregava peças com sons e sombras que viu, ela se sentou na cama segurando o cobertor junto ao peito. Seus olhos acompanhavam o cair incessante da chuva pela janela enquanto sua mente ficava mais receosa a cada sombra nova que aparecia.
Um trovão fez-se ouvir de repente, ela estremeceu e pulou bruscamente para fora da cama.
– Não vou mais ficar aqui.
Sussurrou para si e saiu do quarto.
O corredor era mais assustador que o quarto, as sombras se estendiam por ele como num pesadelo, Elizia fechou a porta atrás de si e encostou-se a ela, respirando para se acalmar.
A cada momento um relâmpago iluminava a casa e sumia deixando o trovão vir em seguida e a cada vez que isso a acontecia ela tremia.
Elizia respirou forçadamente o máximo que pode para se acalmar, o que não deu muito certo, então ela foi à porta do quarto de Kaylan e entrou, estava feliz pela porta estar destrancada. Já dentro do quarto ela fechou a porta com cuidado, outro trovão, ela se virou subitamente e apoiou na porta, arfando.
– Droga- sussurrou- Eu tenho que parar com isso.
Ela olhou pelo quarto, não podia ver muito, tudo estava escuro. Olhou para cama, Kaylan dormia de bruços tranquilamente. Elizia silenciosamente começou a dar a volta na cama, às cegas e por isso acabou tropeçando no pé da mesa de canto e caindo derrubando tudo que estava na mesa, incluindo a mesa, fazendo muito barulho.
Kaylan acordou abruptamente e atordoado acendeu a luz do abajur.
– O que você tá fazendo aqui?
Ele olhou para Elizia que estava no chão olhando-o com culpa.
– Desculpa, não queria te acordar desse jeito. – Kaylan estava começando a se levantar quando ela levantou a mão — Não precisa- ela se levantou — Estou bem.
Kaylan a olhou curioso ainda deitado.
– Vai me responder do porque veio aqui?
– É que…
Ela olhou para a porta, ele entendeu.
– Relaxa Lise, ela não vai vir aqui.
Ela suspirou.
– Tudo bem… -ela olhou para o chão e começou a falar baixo – É que sua casa é grande e cheia de barulhos e sombras estranhas e com essa tempestade… tipo… é pior ainda durante a noite.
Outro trovão, ela tremeu involuntariamente. Kaylan sorriu.
– Tem medo de trovões?
– Não- ela o encarou — Não tenho medo disso, mas esse lugar deixa até uma simples chuva parecer um mostro!
– Tudo bem, desculpe, não quis te deixar irritada. O que quer realmente?
– É… eu… — ela voltou a olhar para o chão — Eu só…
Kaylan riu e se sentou puxando o cobertor deixando o colchão à mostra do lado oposto da porta e com a mão livre ele deu uma batida fraca no colchão.
– Vem.
Elizia o olhou, impressionada e ao mesmo tempo feliz, ela deu a volta na cama, mas quando ia se deitar hesitou, e admirou Kaylan por um segundo enquanto começava a corar com o que pensava. Enquanto o admirava ela via perfeitamente os músculos definidos do tórax de Kaylan e pensava entre outras coisas em como ele ficava lindo daquele jeito com o cabelo negro e desgrenhado jogado pela face, ela começou a morder a parte inferior dos lábios enquanto seu rosto ficava cada vez mais vermelho.
– Elizia — Ele a tirou de seus pensamentos — Não se preocupe, eu não mordo.
Ela sorriu.
– E quem disse que eu pensava que você mordia?
Ele retribuiu o sorriso.
– Só estou dizendo para relaxar.
Elizia se sentou na beirada da cama e ergueu a manga da camiseta larga que usará que tinha deixado um de seus ombros de fora, ainda hesitante ela se deitou e ele a cobriu e logo depois apagou o abajur e o quarto voltou a escurecer. Eles não se tocavam.
– Key, eu… não…
– Não tem nada o que me explicar- ele sorriu — Key? Por quê?
Ela sorriu.
– Acho que isso agora vale como apelido. De qualquer maneira não preciso mais te chamar pelo nome, certo?
– Claro, vale como apelido e é melhor que me chame assim.
– É – O sorriso desapareceu — Agora sério, eu não queria… quero dizer…
– Lise já disse que não precisa me explicar nada, sei o que está tentando dizer e tudo bem, sério, não é porque estamos na mesma cama que precisa rolar alguma coisa. Se você não quer tudo bem, já disse eu nunca vou te forçar a nada que não queira.
Elizia se virou para ficar de frente para ele. Kaylan a olhou ainda sorrindo.
– Não é que eu não queira — Ela baixou os olhos – É só que…
Ele colocou o indicador em seus lábios impedindo-a de continuar.
– Eu já disse, está tudo bem. Alem disso, isso não é mais novidade, já aconteceu.
Ela o olhou, confusa e ele retirou o dedo de seus lábios.
– Como já aconteceu?- Ela começou a se encabular com lembranças que lhe ocorreram.
Kaylan sorriu.
– Não se lembra? Do nosso primeiro beijo e o que aconteceu depois?
– Eu… eu…- as imagens vinham com mais força, ela corou violentamente — Não sei, quero dizer… Eu lembro que algo aconteceu, mas não sei se foi verdade.
Kaylan a puxou para si de tal modo que a camiseta dela roçava em seu tórax nu. Eles sentiam verdadeiramente um ao outro, o calor e o cheiro eram eletrizantes. Elizia ofegou levemente.
– Ainda acha que é uma mentira? Eu te sinto plenamente e sei que você também me sente. Isso é intenso demais para ser fruto da imaginação — Ele sussurrou — Isso é real e você sabe. A novidade está na época, não no momento.
As palavras soavam ternas e deliciosas ao ouvido de Elizia.
– Tudo bem… Você venceu — Ela inspirou o cheiro de Kaylan — Tem toda razão, isso é deliciosamente real. E talvez eu precise relembrar o ocorrido.
– Eu sei.
Então ele cobriu os lábios dela com os seus agressivamente, mas sem provocar dor. A mente de Elizia esvaziou, não existia mais chuva, nem escuro, nada alem de Kaylan. As mãos dele percorriam o seu corpo e isso a fez querer mais e mais.
Elizia não sabia ao certo se tinha realmente acontecido alguma coisa aquela vez, tudo parecia uma deliciosa novidade, mas ao mesmo tempo ela pode perceber que embora sua mente não entendesse, seu corpo sabia exatamente o que fazer.
Não existia mais nenhuma duvida. Finalmente ambos se ligaram e se tornaram um, foi uma sensação única, onde só o que desfrutavam eram de prazer e amor.
As horas se passaram rapidamente e na madrugada eles pararam, embora ainda estivessem abraçados. Elizia se virou e olhou para as horas no relógio do criado-mudo, enquanto Kaylan ainda a beijava no pescoço.
– Ah tá de zoeira! Já são quase três da manhã!
– Bom- ele a puxou para si e sussurrou — Acho que devemos dormir, antes que isso vá mais longe.
Um pequeno tremor tomou o corpo de Elizia enquanto Kaylan sussurrava, ela fechou os olhos.
– É você tem toda razão.
Elizia se aprofundou mais no abraço de Kaylan sentindo o calor de seu corpo a aquecer.
E assim depois de um tempo eles dormiram.
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