O Porão

1 O Porão


Acordo deitado de barriga pra cima. Levanto-me com uma terrível dor de cabeça, percebo que havia cortado a testa, como se alguém tivesse me acertado.

Eu estava dentro de um porão. As paredes eram de pedras, o piso era de chão batido, o local era escuro e fedia a mofo. A visibilidade é nula, ando me escorando em direção a uma escada que tinha. Eis que ouço passos vindos de fora. Corro com passos ligeiros e me escondo em um canto longe da saída.

Observo do meu esconderijo quem desceu. Com botas e capa com capuz preto, parecia com a morte. Eu não vejo seu rosto e não tenho certeza se ele me vê. Estou quieto enquanto ele tenta avistar se há alguém no porão. Ele sobe as escadas e fecha a porta sem pressa nenhuma. É a minha chance de ir embora. Vagarosamente vou em direção à saída, subo-as e fico de ouvidos contra a porta. Ouvi passos se afastando do acesso. Abro cuidadosamente. Ninguém por perto. O local é assustador. Aparenta ser uma casa de madeira, a iluminação é de velas, o local era mal cuidado.

Ao sair do porão, vi que estou em uma espécie de cozinha, havia uma pia estranha, um armário destruído. Escuto passos vindos em minha direção, me escondo ao lado da porta da cozinha e ele desce de volta ao subsolo com uma espécie de foice. Aproveito e saio da casa de modo escondido.

O frio lá fora é horrível, já é noite e não faço a menor ideia de onde estou. O céu está sem nuvem e a casa ficava em um campo no meio do nada. Corro o mais rápido possível para fora, em linha reta. Olho para trás, e lá está ele, olhando pra mim parado na porta. Entro em uma espécie de floresta de araucárias. As árvores são espaçadas, e me escondo atrás de uma. Ele não vai me ouvir. O silencio é perturbador. Alguns segundos, eu ouço passos. Ele parece se aproximar. Então os passos param. E vão embora.

Corro sentido contrário aos passos. Dez minutos depois vejo uma rodovia, ao chegar perto da rodovia. Sinto uma imensa dor em minha barriga. Ao cair virado pra cima, olho e vejo a lamina pingando sangue. Minha cabeça cai ao lado, e vejo o cara de capuz indo embora sentido a casa.
Sim... É impossível escapar da morte.

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