O Ponto Final - Silena Beauregard

1 Tocando o céu - Cap. único


Notas iniciais
Eu tava realmente entediada e resolvi escrever essa one-shot, por que AMO Charlena U.U Tomara que gostem :3

A batalha havia cessado, por hora, e eu tentava me distrair na vista do terraço do Plaza, que , em dias normais poderia se ver o Central Park rodeado por uma cidade barulhenta e atarefada: o motor dos carros, pessoas apressadas para o trabalho, música... entre tudo o que deveria costumeiro em uma cidade grande. Mesmo assim, no momento era totalmente ao contrário, pois toda Nova York estava adormecida. Ou seja, era uma manhã calma, radiante e silenciosa.

Também dura pra nós, pois já havíamos perdido muitos amigos.

Senti uma pontada no peito, que no momento me fez prender a respiração. Charlie não era só um amigo. Uma lágrima escorreu pela minha bochecha no momento em que alguém tossiu ao meu lado.

Ah, claro, quase havia esquecido de Annabeth. Ela havia sido atingida por uma adaga em um ponto fatal. Não soube de muitos detalhes, mas Jake Mason havia me dito que ela entrara na frente do ataque para proteger Percy. Ficava me perguntando por que, afinal, também diziam que ele carregava a tal maldição de Aquiles, e, teriam justo acertado ele lá?

Pousei o pano a testa de Annabeth. Ela estava mais pálida do que qualquer um podia imaginar, ensopada de suor. Seu olhar estava distante, e seus lábios sem cor. Ela estava coberta, mas ainda sim tremia, como se estivesse em uma piscina fria.

– Sh... calma... vai ficar tudo bem. – disse, minha voz estava rouca, e a verdade era que eu nem sabia se realmente tudo ficaria assim... bem. Annabeth se virou lentamente para mim, e forçou um sorriso, o que a fez largar uma lágrima diante do esforço.

Eu realmente não percebia o quanto estava abalada. Desde a chegada de Percy no Acampamento, eu me sentia completamente vazia. Como se algo tivesse sugado minha alma, e só continuava ali por que não tinha outra opção. Agora, olhando para Annabeth, via que ela estava tão mal quanto eu.

Havíamos escutado algo desmoronando ao longe fazia alguns minutos. Annabeth até gritou durante o sono pedindo para que salvassem Percy. Isso só a esgotou mais ainda. E, se algo tivesse realmente acontecido ao ‘namorado’ dela, estávamos na mesma situação.

Annabeth segurou meu pulso. Ambas estávamos tremendo. Ela continuava com o sorriso, e por um momento horrível achei que não iria mais se mexer. Continuou segurando a mim, como se fosse a única coisa que a fazia resistir, enquanto olhava vagamente para a paisagem lá fora.

Alguns minutos se passaram. Continuei a passar o pano de água fria a testa da garota.

Então, fomos surpreendidas por passos no corredor. A porta se abriu com um estrondo, e por um momento achei que fosse explodir de tanta felicidade, por não ver mais pessoas mortas.

Percy adentrou no quarto, com Will a seus calcanhares. O filho de Poseidon parecia completamente esgotado, mas continuava a andar pesadamente até nos. Ele estava de olhos arregalados, e simplesmente podia ver e entender sua expressão de pânico. Suas vestes estavam esfarrapadas, queimadas, pareciam até ter sido incineradas, mas ele tinha apenas alguns cortes.

Os irmãos de Annabeth presentes no quarto recuaram, abrindo espaço para os dois.

Will correu e se ajoelhou até a espreguiçadeira de Annabeth, desenrolando suas ataduras após afastar a coberta. Eu tinha o olhar fixo em Percy, que parecia em buscas de respostas em meu rosto.

Acenei em concordância, mas ele não pareceu satisfeito. Olhou para a loira deitada, e sua expressão se tornou de mais pânico ainda. Deveria estar vendo o corte que a lâmina causara em Annabeth, pois tive a mesma reação ao ver, e também me perguntava como ela podia resistir a algo assim.

– Annabeth... – ele disse como um sussurro, a voz falhando.

– Veneno na lâmina – disse ela com a voz fraca – Meio estúpido de minha parte, não?

Pude ver Will dando um suspiro, aliviado. Encarou Annabeth nos olhos.

– Não é tão ruim, Annabeth. Mais alguns minutos e estaríamos com problemas, mas... o veneno ainda não passou do ombro. Apenas fique parada. – Ele se virou para trás – Alguém me traga um pouco de néctar!

Depois de uma sessão curativa com néctar dada por Will, o rosto de Annabeth já tinha mais cor. Mesmo assim ela continuava muito fraca e trêmula. Murmurei para ela palavras de incentivo, enquanto largava a mão da garota e a passava para a de Percy. Will também pronunciou o hino de Apolo, e tentou ignorar o fato de ficar tão pálido quanto a garota, pois como todos sabiam, aquela prática exigia muito dos campistas do chalé 7. Travis, acompanhando o irmão, foi mandado para ‘recolher’ o que era preciso dos medicamentos mortais, pois, segundo Will iriam precisar.

**

Em pouco tempo todos haviam saído. Restava apenas eu, Percy e Annabeth no quarto.

Pousei o pano mais uma vez a testa de Annabeth, desviei o olhar dos dois, tentando conter meu braço para não fazê-lo tremer. Apenas rezava aos deuses para que minha amiga melhorasse.

– Isso... isso é tudo culpa minha – sussurrei.

– Não... – Annabeth disse fracamente, tossindo – Como pode ser culpa sua?

Eu realmente queria explicar. Mas uma coisa muito mais forte me impedia. Não queria fazê-los sofrer ainda mais por minha causa.

– Eu nunca servi para nada no acampamento – murmurei – não sou como você ou Percy. Se pelo menos conseguisse ser uma lutadora melhor...

Minha voz falhou. Meus lábios se contraíram, e tive a sensação de que ia despencar ali mesmo.

Poderia ter sido útil para ajudar Charlie. – completei mentalmente. Era tudo culpa minha, realmente.

– Você é uma campista grandiosa – pude ver o tom gentil de Percy – É a melhor amazona que temos... se dá bem com as pessoas. E, acredite, qualquer um que consegue ser amigo de Clarisse, tem talento.

Então a ideia veio à minha cabeça como uma lâmpada se acendendo.

– É isso! Nós precisamos do chalé de Ares! Eu posso falar com Clarisse. Sei que posso convencê-la a nos ajudar. Deixe-me tentar.

Percy hesitou.

– Silena... Mesmo que você consiga sair da ilha, Clarisse é muito teimosa. Quando está zangada... – disse ele.

– Por favor – pedi – Eu posso pegar um pégaso. Sei que posso chegar ao acampamento. Confie em mim, me deixe tentar!

Ele trocou olhares com Annabeth. Desejei por tudo que pudessem me dar uma chance.

Pelo menos, eu não traria mais problemas do que já estava causando.

– Tudo bem. – ele concordou – não posso pensar em ninguém melhor para tentar.

Uma grande emoção tomou conta de mim. Me levantei, por impulso, e joguei os braços ao redor de Percy,com um imenso sorriso.

Ele parecia chocado com o movimento. Me distanciei, corando, dei uma olhada para Annabeth, completamente constrangida.

– Ahm... desculpe. Obrigada, Percy! Não vou decepcionar você.

Mais do que já havia, pelo menos, não.

Corri para a porta, como se estivesse pronta para correr uma maratona.

E eu estava.

**

Planei por mais algum tempo, rodeada novamente de diversos pensamentos. Estava montada em Porpkie, o grande pégaso branco. Pude começar a enxergar o acampamento, o que me deixou com um gosto amargo nos lábios.

E se falhar com Clarisse? – pensava – Assim como falhei com Charles...

Não. – uma outra voz, mais alta ainda encobria os lados negativos – você vai conseguir, nem que seja uma missão suicida.

Porpkie pousou ao centro da trilha de chalés. O Acampamento estava completamente deserto.

Ouvi um rangido, nada demais.

– Fique aqui, está bem? – Sussurrei para Porpkie, que relinchou.

Respirei fundo, caminhando pelo acampamento, procurando procurar qualquer um do chalé 5 para dar uma boa lição. Bem... pelo menos de moral.

Mal se passaram segundos após meu inesperado encorajamento, escutei passos, e me encolhi atrás de uma das árvores que rodeavam o campo. Logo após dois filhos de Ares passaram, um deu uma batida no ombro do outro, que parecia cabisbaixo. Já tinha visto muitas expressões assim no chalé de Afrodite. Eu mesmo passei por isso. Era amor... Um coração que poderia definitivamente estar se partindo. Aquele garoto poderia gostar de alguém que estava na batalha? Não podia dizer, pois estava com mais problemas no momento.

Não fazia a mínima ideia de como convencer Clarisse.

Os dois desapareceram na direção da arena. Corri na ponta dos pés na direção da trilha do chalés, e fui até os fundos do chalé 5. O local estava escuro, e mesmo não sendo a melhor em espionar, sabia que ninguém poderia me ver ali. Olhei pela pequena janela próxima.

Clarisse gritava com um dos irmãos, que fazia gestos bruscos, e gritava mais ainda. A garota o empurrou no peito, e aproximei mais para ouvir uma pequena parte da discussão.

– Nós NÃO vamos para a cidade! – ela berrava – Eu disse para eles! Não reconheceram nosso poder pela carruagem...

– Clarisse, eles devolveram a carruagem! – o garoto insistia — Precisamos ir, vão todos ser mortos sem nossa ajuda!

Clarisse hesitou, mais logo voltou a encara-lo nos olhos, com o mais puro ódio.

– Eles tiveram a chance. Entregaram os pontos só no final da batalha, e agora vão perder por conta disso.

O garoto parecia ter mais a falar, mas ficou calado. Olhou para baixo, enquanto caminhava para a porta.

– Sim, a batalha vai acabar. E você vai ficar sozinha depois disso. – sussurrou ele, batendo a porta ao sair.

Clarisse urrou, chutando o pé da mesa de cabeceira em um canto da sala. Saiu também porta a fora, indo na direção oposta da minha. Talvez para o chalé 11. Chris estava lá, certo?

Mordi o lábio. Seria impossível convencer a filha de Ares.

Um pensamento me veio a cabeça. Olhei mais uma vez pela janela. Uma cama completamente desorganizada, um baú entre aberto aos pés.

Estava demorando demais. O que estaria acontecendo com os outros no centro da batalha? Isso já havia virado uma missão suicida, não?

Então estava na hora de agir, a um nível de loucura completamente alto.

**

Eu liderava toda a linha das bigas. Eram pelo menos uma dúzia? Eu não sabia dizer. Mas no momento em que atravessávamos a linha de terra, sabia que aquilo realmente era um erro meu. Entrei no chalé de Ares no momento em que tudo ficou deserto. Sabia que Clarisse guardava o armamento dela lá. Me vesti, apanhei suas armas... e não foi difícil forçar uma voz mais grossa. Comandei os filhos de Ares, todos na direção da guerra. Para todos realmente aquilo era estranho, mas acho que estavam finalmente se alegrando para uma boa batalha. Partimos no momento em que Clarisse saiu do chalé com Chris, e nem tive tempo de ouvir seus xingamentos, pois o som das rodas fazia-me ignorar tudo. A energia começava a me consumir, e resolvi pensar que realmente era uma filha de Ares.

Assim que avistamos Nova York, um impulso quase me fez parar ali mesmo. Era ma sombra enorme. As aulas no Acampamento finalmente tinham sido úteis. Drakon. Era um Drakon. Para aquele tamanho, devia ainda ser um Drakon de Lídia.

Ao sul, vi meus amigos sendo rodeados por soldados, que os obrigavam a recuar na direção do Olimpo. Eles estavam em mínima quantidade na relação dos inimigos. O Drakon chiou, e engoli em seco. Acelerei os cavalos, e os filhos de Ares me seguiam no mesmo instante. O som das rodas era quase ensurdecedor.

– ARES! – Berrei, e os verdadeiros filhos dele me imitaram, elevando suas armas.

Vi Percy no meio do conflito, me encarando, os olhos até pareciam brilhar, agora com mais esperança.

**

– Você consegue! – a voz de Percy pareceu ecoar lentamente. Eu tentava controlar minha palma trêmula, o que era difícil pois me equilibrava acima de um dragão que poderia me paralisar apenas com um olhar – Uma criança de Ares está destinada a matá-lo!

Percebi que ele me encarava atentamente. Ele deveria ter descoberto meu disfarce sobre a filha de Ares. Apenas pelos meus olhos.

E tive certeza disso...

– Ares! – berrei, ignorando o fato de não forçar mais a voz, era a minha, em tom bem mais agudo e trêmulo.

Ergui a lança, mas antes que pudesse dar pelo menos um mínimo golpe, a fera se virou para mim.

A voz de Percy ecoou uma última vez.

Não! Espere!

Então fui acertada em cheio pela gosma verde e borbulhante do monstro. Cambaleei para trás, e despenquei de costas na direção da rua.

Tudo ficou rapidamente embaçado. Eu tinha me espatifado na calçada, perto das patas do Drakon. Não conseguia me mover. Não conseguia respirar. Não conseguia ver nada.

Clarisse!

Ouvi uma voz, agora bem mais distante do que em batalha. Meus pensamentos se juntavam lentamente como peças de um xadrez. Pensei que poderia ser a voz de Annabeth, mesmo tendo ruídos bem mais altos de armas se encontrando.

Então eu a vi em câmera lenta pelos borrões, a face meio virada na calçada. Annabeth me arrastou para longe, sem o mínimo de delicadeza. Ela tinha lágrimas nos olhos, e tentava retirar com todo esforço o capacete de minha face. Um sorriso se formou em meus lábios, pelo menos pensei que sim, pois não sabia se conseguia nem mover isso, ou se eles ainda existiam. Me viraram de barriga para cima. Outros garotos me rodearam, e tentavam retirar o capacete.

Pareceram se passar séculos. Meu olhar ia diretamente pelas nuvens.

Senti algo gélido passando pelo meu rosto. Havia jogado água extremamente gelada em mim. A visão voltou a ficar um pouco mais em foco. Escutei a respiração ofegante de Annabeth, seguida de passos apressados e um berro.

– NÃO! Maldita seja! POR QUÊ?

Era realmente a voz de Clarisse.

Ela me segurou pelas costas, e me balançava lentamente, com os olhos vermelhos. Ela realmente chorava por minha causa. Então a situação estava realmente ruim. Pensei em pontos bons nisso. Eu... eles... eles iriam vencer. Conseguiriam. Eu, talvez... pudesse rever a coisa que mais me deixava feliz. Num lugar melhor.

– Por quê!? – Clarisse deu mais um berro, urrando em frustração.

Ouvi mais vozes ecoando, talvez a de Chris, e o chiado do Drakon. Clarisse gritou, desafiando o monstro. Senti a lança se desprendendo de meus dedos ( Então eu realmente ainda os tinha, mas, talvez num estado um tanto... uh... ) , e vi os passos da filha de Ares se afastando.

Mais séculos pareceram se passar. Então ouvi um ultimo protesto do Drakon, e vários outros movimentos a minha volta. Por um momento, a brisa e a luz tomaram mais conta de minha face. Percebi que haviam conseguido tirar o capacete. Respirei o ar puro com dificuldade, a cada tentativa meu peito doía.


Vi o borrão de Percy se aproximando. Ele me encarou com total espanto, e vi sofrimento em seu olhar.

**

– Sua estúpida garota de Afrodite... – Soluçou Clarisse, me deitando em seu colo – Você enfrentou um Drakon? Por quê?

– Tudo minha culpa – mais uma dor em busca de ar — O Drakon... a morte de Charlie... O acampamento em perigo.

– Pare! – protestou a filha de Ares – Isso não é verdade...

Todos arregalaram os olhos, vi a decepção passando dentro de cada um. Meus dedos pareciam congelados, mas, consegui abri-os mesmo assim, mostrando a pulseira de prata com um pingente de foice.

Ele mentiu pra mim.


Minha voz já não conseguia expressar mais nada. Terminei a pequena explicação para todos, sobre como Luke havia me chantageado, com dificuldade e várias pausas. Olhei para o céu, o sol encontrava diretamente meus olhos naquele instante.

– Perdoe-me. – Sussurrei.

Você não vai morrer! – as palavras de Clarisse ecoaram como antes, após a queda. Minha visão se tornou novamente embaçada, mas eu sabia que agora seria permanente. Sorri, respirando dolorosamente, uma lágrima escorreu, e vi além da face angustiada da garota. Olhei para o sol.

– Charlie... – Sentia como se ele fosse o sol. Meu Charlie, que esquentava em seus apertados abraços. – Ver Charlie.

Respirei forçadamente por uma última vez. Senti o peso do corpo se esvaziando. Vi o sol, ele sorria para mim. O sorriso de Charlie. Eu me senti flutuando, leve, e finalmente o podia tocar , como se fosse uma estrela. Estava livre. Livre para o verdadeiro amor, um amor tão grande e poderoso que existiria em todos os lugares possíveis, além de todas as barreiras da Terra. E assim seria.



Notas finais
Deixem suas opiniões, cupcakes *U*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!