O Poeta
14 Proximidade
Notas iniciais
(…)
Corpos em corpos e Sasuke tentando satisfazê-la a cada movimento, alguns vagarosos e outros que a faziam perder o fôlego e dar às honras ao seu talento sobre como lidar com o lado erótico da vida. Ele rosnou contra a boca vermelha e inchada da mulher, sugou os lábios prendendo-os com os seus.
Ele estava amando tê-la em sua cama, fodendo aquele corpinho atraente. Fodendo rápido e depois devagar, forte e depois de maneira branda.
– Porra... – Sasuke reclamou quando percebeu que o seu membro tinha escapado de dentro dela mas quando ajeitou a mão para colocá-lo de volta, ela o empurrou com toda sua força e isso fez com que rolasse para lado, batendo as costas na cama.
Ele sorriu e seus olhos desceram para o corpo suado dela, desprovido de qualquer pano. Antes que Sakura pudesse se dar conta, molhou os lábios em um movimento sensual, não parava de encará-lo entorpecida com tamanha perfeição. Aquele rosto fino e cansado pelas noites sem dormir, as olheiras tingindo levemente a cor pálida, a franja que caía em sua testa.
Tudo nele beirava à perfeição.
– Você deve estar doida para que eu te foda sem dó e nenhuma piedade… – Os olhos pretos ainda a encararam por poucos segundos e depois, ele a puxou para que ficasse sobre o seu corpo.
A mão dela moveu-se pelo peitoral, escorregando para o pescoço e o sexo molhado, quente, encharcado encaixando perfeitamente no dele. Seus dedos agarraram o rosto de Sasuke, deixando-o ainda mais excitado, ainda mais duro dentro dela.
– Não... Eu que vou te foder. – Em um movimento suave, Sakura remexeu-se sobre o membro, inclinando-se sobre Sasuke e deixando que suas línguas entrelaçassem uma na outra, os mamilos roçando no peito nú dele.
Sakura movia-se para frente a para trás, enquanto Sasuke enterrava o rosto no pescoço suado da garota, beijando, mordendo, sugando e a mão amassando o traseiro dela a cada movimento naquela fricção que ritmava do lento ao rápido. Nem o fato de ter cravado os dentes no ombro do escritor, fez com que os movimentos cessassem ou que Sasuke parasse de apertar estapear abunda que rebolava sobre seu membro.
Ela gritava o nome dele. Cerrava os dentes. Os lençóis ficavam cada vez mais molhados e o som pegajoso de quando golpeava o próprio quadril contra o dele ficava mais alto. E um movimento que Sasuke fez para ajudá-la a perder o controle foi o suficiente para que sua respiração falhasse.
– Ahh – Mas ainda assim continuava a movimentar-se com ele.
Um gemido grosso escapou da garganta do Uchiha ao sentir a cavidade úmida espremer seu membro e quando abriu os olhos, deu de cara com a visão mais excitante desde que viu peitos pela primeira vez.
Sakura com as costas arqueadas subindo e descendo em seu sexo. Os seios balançando deliciosamente rápido. Os cabelos voando conforme o movimento aumentava.
Ela estava muito gostosa cavalgando sobre si com os olhos apertados e a face rubra pelo tesão. Ele não aguentaria mais, não ao ver a carne rosa sendo penetrada pelo próprio pau em um ritmo alucinante. Não aguentaria com os gemidos da vizinha ecoando no quarto ou o colchão de mola balançando.
– É assim que você quer? hein? Ahh... – Engolia a falta de saliva e massageava o próprio seio, excitava o mamilo. Fazia tudo ao mesmo tempo enquanto as ensopadas mechas cor de rosa grudava em seu rosto – Ou você quer que eu faça bem devagar?
Dito e feito: Ela parou os movimentos por alguns segundos e recomeçou, rebolando devagar, encarando Sasuke lascivamente.
Um sorriso safado e ele perdeu o controle.
– Porra nenhuma, eu quero você de quatro! – Gritou sem delongas para agarra a cintura fina com apenas uma mão e a jogar de costas na cama. No rosto dele um sorriso de puro sadismo.
Que pernas... Que bunda linda e vermelhinha do tapas recebidos das mãos poéticas.
– Hoje você vai saber... – Ele puxou o quadril dela para cima – Quem é – Em um golpe só, empurrou-se para dentro da médica, provocando um grito abafado de surpresa. – Sasuke Uchiha.
Ele se impulsionou até ela quase caiu.
(...)
Um sono tão pesado acolhia Sakura, com a pele de encontro aos primeiros raios de sol. Sasuke a podia observar e detectar cada marca da noite anterior enquanto os lençóis mal cobriam sua pele eriçada, talvez pelo vento que entrava pela janela aberta.
Com o cigarro apagado preso entre os lábios, levantou da poltrona em frente à cama e escorregou com os lençóis por todo o corpo delicado, toda nudez coberta outra vez.
Sakura logo encolheu-se naquele emaranhado de pano e Sasuke voltou para poltrona, já com o isqueiro em mãos, acendeu o cigarro. Seus pulmões estragados se abriram e ele pôde sentir a fumaça entrando e saindo, ela formava um desenho no espaço vazio entre os dois corpos, sem falar do cheiro já estava impregnado nele.
Aquela fora sua tragada espetacular, no entanto, não era suficiente, jamais seria... Foi quando a observou por cerca de alguns minutos sem jogar fora nenhuma fumaça, guardando para si um pouco daquela morte para logo avançar para outra ainda mais devastadora.
– Sasuke... – Sakura sussurrou encolhendo-se nos panos macios. Ele virou para ver se estava acordada mas não. Dormia profundamente na companhia de seu travesseiro.
Imagina... Um travesseiro com cheiro de Sasuke.
Ele vasculhou um pouco suas coisas "jogadas" pelo quarto e encontrou seu tão precioso Kit. Não demorou muito para que já estivesse sentado na poltrona com a ampola na veia e o elástico preso no braço, seus dentes servindo de apoio para que pudesse amarrá-lo melhor. As veias em sua testa saltaram quando sua Hero começou a rumar para as sinapses, a respiração ficou ofegante, a boca ressecava a cada mL sendo sugado pelo seu corpo.
– Ahh. – Murmurou ao sentir o rápido efeito da droga. Drogar-se com a vista para uma mulher nua em sua cama era uma das melhores coisas que Sasuke podia apreciar.
Sakura mexeu-se no colchão e virou o rosto na direção do escritor, sem abrir os olhos, sem ao menos notar o estado de êxtase que homem encontrava-se.
Sasuke
Sasuke
Sasuke
Sasuke... Não.
Os objetos começavam a embaralhar sua mente insana, tons de azul marinho apareciam em sua vista, bloqueando a visão por um tempo e depois a cadeira da escrivaninha parecia encolher-se. Encolhia. Encolhia. Encolhia.
Ficava cada vez menor. A terra comendo a cadeira. Não pode ser! A cadeira encolhia. Encolhia. Encolhia. Encolhia. E a medida que ficava menor, as pupilas dilatavam-se. Encolhia. Dilatava. Encolhia. Dilatava.
Sasuke! Acorda! Vá embora.
Lágrimas escorriam do rosto pálido daquele viciado, manchavam a pele aveludada, pingavam pela ponta do nariz ou desciam pelo queixo de barba por fazer. Sasuke chorava!
Salve-se...
Corra...
Seja homem...
E as lágrimas não paravam de rolar, até que por impulso, arrancou a ampola do braço e a jogou de uma maneira tão estratégica que o pequeno vidro fora parar embaixo da cama.
Vá embora!
Vá embora!
Escorriam pelo seu rosto de maneira compulsiva. Sasuke parecia uma criança chorando, mas tudo em silêncio, observava Sakura deitada em um sono tão profundo e refrescante, no entanto não era ela que ele via. Uma mulher de pele tão clara quanto a do escritor, olhos mortos sendo putrefatos.
Cabelos negros escorridos pelo travesseiro.
A cama diminuía de tamanho, as cores começavam a se misturar à medida que tentava reconhecer aquela mulher.
Morta.
Morta
Tão morta.
Ela estava morta.
Sente o cheiro da morte? Consegue sentir?
O som do sangue gotejando era algo tão palpável para Sasuke que... A mulher sentou na cama e com um sorriso perverso o encarou, os dentes sujos de vermelho escuro era algo tão notório quanto o símbolo Uchiha em seu kimono.
Mikoto Uchiha.
– Porque não dorme? Está tarde para uma criança ficar acordada... – E a boca secou, a pele prontamente ficou arrepiada com aquele sussurro do além.
Ela estava morta. Tinha que estar. Morta. Morta mas seus pés tocaram o chão frio. O sangue escorria pelo kimono que um dia fora tão delicado. Era espesso e escuro.
– Não tenha medo... – E o som do sangue jorrando no chão. O cheiro daquilo. A maneira como o vermelho tingia o piso impecável de Sasuke.
Uma gota. Outra gota. Sangue saindo como se a ferida não tivesse fim. O sorriso que ele sempre amara, lhe causando arrepios. Lágrimas caíam de seu rosto esbranquiçado, torneavam o queixo pontudo e pingavam em sua camiseta sem manga.
– Sasuke? Venha com a mamãe... – O vento gelado soprou em seu corpo mas a tremedeira não era bem disso.
Mãe.
Aquela era a mulher que lhe dera a vida e que também dera um pedaço da morte. Era isso que aquela mulher estava lhe ofertando, um pouquinho de sua própria morte, sorrindo-lhe de maneira diabólica, com os dentes manchados de sangue, os cabelos negros colados na testa.
– Sasuke ... Sasuke... Você está me ouvindo? – E quando levantou os olhos não via mais a mulher face mórbida, um pedaço de carne putrefata. Na sua frente via Sakura ajoelhada entre suas pernas com uma toalha de rosto em mãos.
– Hm.
Ela estendeu a toalha de encontro ao seu rosto mas como de impulso, afastou-se e agarrou as pequenas mãos com certa brutalidade. A garota não esperava esse tipo de reação mas também não assustou-se, apenas apoiou os cotovelos nos joelhos do homem sem deixar de encará-lo.
– Seu nariz, Sasuke... Está sangrando. – Os olhos verdes faiscaram quando o escritor tocou os próprios lábios com a ponta dos dedos e tomou nota do sangramento. Outro efeito da Hero.
Forte demais para provocar um sangramento. Fraca demais para uma overdose. Ele havia calculado errado a quantidade, talvez fosse a enorme vontade de consumi-la que o fez ter esse tipo de atitude descuidada. Que feio...
– Isso acontece às vezes... É a mudança de tempo. – E seu olhar caiu na curva dos seios enfeitados pelo sutiã de bojo.
Ela deu de ombros, até porque achava aquilo completamente normal, já tinha acontecido consigo antes por diversas vezes. Não tinha nem motivos para desconfiar.
Não mesmo.
– Tudo bem. – Sorriu – Mantenha a cabeça erguida, de preferência olhe para cima.
Sakura estava apenas de calcinha e sutiã. As marcas pela extensão do corpo eram evidentes, a palma da mão desenhada na polpa da bunda branquela e quando ela virou-se para guardar a toalha, Sasuke a puxou para o seu colo.
– Eu ainda não terminei com você... – Sussurrou escorregando as mãos para os seios da mulher, que abafou um gritinho surpreso. – ... Me chupa?
A ponta da língua dele apareceu, marcando território na parte detrás de sua orelha, acariciando-a com um pouco de sua saliva.
A pele de Sasuke estava quente, em contraste com o vento fresco que entrava pela janela, as cortinas se mexiam sem parar. Mesmo com as marcas das agulhadas expostas no braço musculoso, Sakura ainda não havia deixado seus olhos ali, estava entretida demais em Sasuke que a pressionava contra sua ereção.
– Sas... Sasuke... – Ela suspirou ao senti-lo beijar seu pescoço. – Eu tenho que trabalhar. Tsunade vai ficar uma fera comigo...
– Quem? – Sussurrou logo antes de morder com força o ombro esquerdo da médica.
– Sasuke... Sério. – Mas ele a prendia ali com força, a cada tentativa de escape, sentia o traseiro roçar naquela ereção suculenta. A realidade é que essas lamúrias eram apenas desculpas para esfregar-se ainda mais no volume que o escritor apresentava.
Ele a soltou abruptamente, o que quase a fez desequilibrar-se mas ainda assim, não deixou com que seu delicado corpo caísse nem poupou barulho para uma gargalhada assombrosa.
– Então vai lá... – Disse apoiando os braços atrás da cabeça, encostando o fim das costas no encosto da poltrona.
Sakura não pensou duas vezes. Levantou como se temesse por algo e tinha mesmo que temer. Os negros caíram de encontro a calcinha desajeitada no quadril. O volume evidente na calça de moletom não conseguiu fazer com que Sasuke chamasse atenção da garota, ela parecia ter olhos somente para as roupas que estavam jogadas pelo quarto.
– Já fumou alguma vez? – Uma pergunta simples mas que a fez olhar para trás e aprisionar-se em um cigarro sendo aceso e logo mais uma tragada.
– Não e você também não deveria.
Em resposta, ele sorriu pequeno e prendeu o cigarro entre os lábios, batendo nas pernas como um recado para que sentasse ali. Sem entender, Sakura vestiu a blusa e depois prendeu os cabelos em um rabo de cavalo bem alto, um pouco apertado, o que mostrava um pouco do se senso de organização.
Ele estava tão lindo. Lindo.
"Lindo demais"
– Vai mesmo me deixar na vontade? – Ele levantou o rosto para presenteá-la com um sorriso arrogante, um pouco distorcido. – Hm... É isso mesmo?
– Sasuke ...
Sakura não teve muito tempo para pensar, quando se deu conta, já estava sobre o colo do escritor com as duas pernas separadas pela cintura. Ela empurrando a língua para dentro da boca com gosto de nicotina, lambendo os lábio dele apressadamente.
Os dedos compridos massageavam, apertavam a pele da coxa, escorregando até a polpa e amassando aquela carne durinha, apertando-a avidamente, sentindo-a rebolar sobre sua mão enquanto a outra a segurava pela cintura. Céus! Como ela era gostosa!
Seus olhos se encontraram.
O rosto inteiro fora percorrido por aquela imensidão verde. Sakura reparou na testa levemente franzida, nos olhos com os brancos avermelhados por algum motivo, no nariz pontudo que desenhava perfeitamente na face pálida, nem ao menos podia resistir à barba por fazer e que em alguns pontos estava falha, a boca arroxeada. Tudo.
– Sasuke... – Ele respirava calmamente, de hálito quente. Estava perdida naquele mar de Sasuke. Um buraco que a sugava, sugava, sugava, sugava, até não ter mais nenhuma parte rosa de si.
Ela o beijou novamente, enroscando sua língua ainda mais com a dele, aprofundando o beijo cada vez mais ao senti-lo espremer a mão na cintura fina. O cheiro de Sasuke era forte, vívido. Um cheiro masculino se tabaco e perfume mas quando muito perto da pele, o cheiro de sabonete fresco era quase que palpável. E ela adorava isso nele.
Adorava a pinta de macho alfa, dominador. Sakura estava amando ser dominada por ele, mesmo que detestasse esse papel.
Não poderia mais ser assim. Não. Não.
Gemia a cada beijo, deixando que ele se fartasse de sua boca, entregando a língua, movimentando-a avidamente. Tão quente ao toque.
– Eu vou trabalhar, Tsunade me espera.
***
O soro caía gota à gota. Caía sem nenhuma pressa de acabar, poderia dizer que aquilo o fazia crer que Hinata estava bem e sairia completamente recuperada dali.
Hinata.
Ele zelava seu sono como um guarda cuidando de seu próprio território. A boca pálida levemente entreaberta, deixando que o ar saísse e entrasse.
Uma calmaria que o surpreendeu, talvez fosse o calmante que a deram pouco depois de dar entrada no hospital. O que Naruto não entendia era o motivo de tanta agressividade por parte da noiva, ela não era assim. Sempre comportada, recatada.
– Naruto? – Os olhos brancos aos poucos davam sinal de vida, então, ela o encarou.
Reparou no corte da boca e também na marca roxa de briga em seu olho e voltou a encarar o nada, a parede branca para ser mais específica.
– Oi... – Ele sorriu acariciando sua testa mas foi esquivado pela mão livre da garota. — O que foi?
– Eu quero voltar para casa. – Vociferou seca. Qualquer um que conhecesse Hinata, diria que tal tom seria impossível.
E para sua surpresa, Naruto manteve-se estático, não exprimiu qualquer desagrado, apenas molhou os lábios com cuidado e bagunçou a cabeleira loira.
– O médico me disse que de manhã já pode ir e ...
– Eu quero ir para a minha casa, para a minha família. – Hinata murmurou bem baixinho, quase esforçando para que ele não escutasse.
O loiro arregalou os olhos em surpresa, não esperava mesmo ouvir o que tinha acabado de sair dos lábios de Hinata e por isso ainda a encarava atônico, não poupou voz ao se dirigir a ela aos berros:
– O-O que?
– Eu quero voltar para minha família, Naruto — A maneira com que dizia, parecia que o pedido era algo já combinado. Havia tanta naturalidade em sua voz baixa que os ouvidos do noivo não acreditavam nas palavras ditas.
– Só pode estar louca! – Mais uma vez os berros de Naruto chamaram a atenção da ala inteira e quem disse que ele ligava para isso? – Não pode voltar para lá, eu não vou deixar você voltar...
A garota sentou na cama com um pouco de dificuldade mas em nenhum momento desviou o olhar para o loiro ou abriu a boca para dizer que ele não podia prendê-la assim.
Sua cabeça rodava novamente, o embrulho no estômago a fez quase colocar para fora a sopa insossa que havia tomado há algumas horas. Odiava estar daquela forma. Ela até tentou equilibrar-se mas o corpo tremeu igual a vara verde, tanto que até Naruto segurou seu braço.
– Hinata... Você não pode ir. Pense nesse bebê que você está esperando. – Naruto declarou ainda com esperança no olhar, não tinha porque aquela mulher estar deixando o conforto que lhe era oferecido para voltar para aquela cidadezinha. – Pense em mim, em nós três juntos.
A garota mal conseguiu respirar quando ouviu a palavra bebê, a última coisa que queria era que Naruto soubesse da existência daquele ser parasita. Engoliu em seco e mordeu os lábios com a ponta dos dentes.
Seu plano era tomar algum chá com canela e provocar um aborto espontâneo ou talvez doar o bebê quando nascesse. A segunda opção era a que mais lhe agradava, afinal, a criança não tinha culpa do seu descuido.
Ela não podia estar grávida. Não devia estar.
– Hinata? – O loiro passou a mão repetidas vezes na frente do rosto da menina mas seus olhos estavam vidrados no vazio, nos próprios pensamentos incertos. – Hinata? Me responde!
O silêncio pairou no recinto por ainda algum tempo, se contabilizado, seria mais ou menos por dez minutos mas a menina quebrou o silêncio secando as lágrimas que desciam à todo vapor. Sim, sim, para ela era muito difícil dizer coisas assim à ele mas por algum motivo, não sentia-se completa ali.
Precisava de sua família. Quase um ano longe deles e já estava ficando maluca.
– Eu não quero ter esse bebê
***
Sasuke saiu do banheiro com a toalha secando os cabelos escuros mas totalmente nú, havia acabado de se retirar de um banho revigorante e pronto para mais uma sessão com seus maravilhosos contos mas a imagem de sua putrefata ainda não saía da cabeça.
Parecia tão real, era como se a própria estivesse ali, convidando-o para juntar-se à seus ossos sob sete palmos.
– Ai caralho! – Gritou ao ver uma silhueta feminina sentada no sofá da sala com seu novo notebook no colo. Estava entretida correndo os olhos pela tela e o sorriso se abriu como nunca ao vê-lo.
– Quem é Sakura? – Uma mulher extremamente vistosa ajeitou os óculos no rosto e voltou-se para a tela do notebook.
Um terninho branco. Meia calça preta. Sapatos de salto alto. Cabelo preso em um rabo de cavalo.
Ela era uma mulher linda, com seus quarenta e quatro anos bem distribuídos no busto e quadril, tinha os olhos penetrantes, um nariz tão bem arrebitado que parecia moldado de uma escultura. Precisa-se falar das pernas? Eram exuberantes, perfeitamente delineados naquela saia justa.
Que mulher gostosa!
– Como entrou aqui? – Sasuke se direcionou para ela sem vergonha de mostrar o membro flácido.
– A porta estava aberta.
– Hm
Ele estreitou os olhos por alguns segundos e colocou a cueca recém lavada que estava jogada pela mesa, em seguida vestiu sua habitual calça de moletom. Tudo isso aos olhos indiscretos da empresária, veja bem, Sasuke Uchiha nú é uma imagem que merece ser captada nos mínimos detalhes.
E foi isso que a mulher fez, admirou a barriga trabalhada, os bíceps torneados e a coxa que deveria ser durinha pelos finais de semana em que o escritor gastava nadando na piscina do clube do bairro. Treinos todo sábado e domingo, de nove da manhã até os músculos não suportarem mais.
Afinal, ele era um Uchiha.
– Então... O que veio fazer aqui? – Como força do hábito, catou um cigarro dentro da carteira e o prendeu na boca, acendendo-o logo em seguida. – Não veio me admirar trocando de roupas, não é?
Ela riu e ele expeliu a fumaça sensualmente pelo nariz.
– Preciso da sua ajuda. – Sasuke levou o cigarro aos lábios, novamente esperando que as palavras fizessem presença. – Preciso que participe de uma feira literária em uma universidade da província ao lado. É essencial vender a imagem da editora!
Outra tragada inovadora e Sasuke coçou o queixo com as costas das unhas, estava mesmo pensando se a dona da sua editora falava sério ou se sairia como da última vez em que não concordou com as ideias estranhas daquela mulher. Pois é, seu antigo notebook fora jogado da janela e com isso, perdeu inúmeros trabalhos e até um poema que tinha feito.
A discussão entre os dois foi feia, até Suigetsu saiu com o queixo em pedaços.
A empresária levantou sofá e ajeitou a saia que havia subido um pouco e ficado engruvinhada, algumas batidinhas e ela estava lisinha novamente.
– Pense no que eu te disse. – Ele balançou a cabeça quase que imperceptivelmente e soprou a fumaça para cima, segurando o cigarro entre os dedos.
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