O Poeta

24 Blackout


Notas iniciais
Demorei uns três meses pra escrever esse capítulo, foi de fato o meu recorde e peço desculpas mas eu apenas estou tendo tempo para escrever no meu trajeto de casa para a faculdade, da faculdade para o estágio e do estágio para casa. Pouco menos de meia hora em cada trajeto. De qualquer forma espero que gostem, fiz com muito carinho e tem treta pela frente

A cada passo que dava para frente, a porta entre aberta se afastava. Tentou aproximar-se mais algumas vezes, entretanto a distância da porta de madeira ficava ainda maior. Ele arriscou olhar ao redor, entretanto a única luz do ambiente provinha daquela pequena fresta e uma sensação estranha fez com que os pelos dos braços se arrepiassem.

Sasuke não sabia como tinha ido parar ali, não poderia ser um sonho porque nem se lembrava de ter adormecido. Ele apressou novamente os passos em direção aquela fresta iluminada e quando notou que estava novamente distanciando. Correu, correu por horas mas quanto mais se esforçava, menos avançava.

O homem flexionou o corpo, apoiando as mãos nos joelhos enquanto recuperava o fôlego perdido da corrida, xingava mentalmente, não sabia que droga de lugar era aquele e talvez aquela porta fosse sua única saída.

O lugar era quente, um pouco abafado e isso dificultava a respiração. A água salgada de seu suor escorria pelo rosto, passava pelo queixo e pingava na camisa. Não que conseguisse ver, mas o silêncio era tão esquisito que podia escutar até a mitose das células de seu corpo.

Era mais como um borbulhar na água. Podia escutar o sangue circulando nas veias, o cabelo crescendo, a barba ultrapassando a pele, as sinapses correndo em sua cabeça.

― Mas que porra... ― E curvou-se tampando os ouvido.

Sua voz. Sua própria voz quase o deixara surdo.

A porta ainda estava lá, parada.

Em um lampejo de ideia, correu no sentido contrário para ver em que lugar dava. Em sua cabeça fazia muito sentido correr na direção oposta porque aquilo parecia uma materialização de um programa de ficção científica que passava de madrugada.

― Sasuke! ― Ouviu a voz do irmão mas parecia vir de todos os lugares, estava ficando irritado com aquela coisa toda.

O escritor levantou o olhar e a porta estava novamente lá. Merda!

Ele não havia nem saído do lugar. Todas àquelas horas correndo tinham sido em vão mas não demorou muito para que reparasse a porta aberta e uma silhueta feminina parada.

A sombra o encarava, podendo ser ouvida a respiração ofegante da criatura. Sasuke estreitou os olhos para tentar enxergar além da sombra que se formava sobre a silhueta, tampando-lhe a visão do rosto.

Sasuke avançou os passos em sua direção, mas dessa vez a distância não aumentou. Ainda podia ouvir tudo.

O ar entrando pelo nariz e sendo solto pela boca. E cada vez mais alto.

Entrando pelo nariz e saindo pela boca.

― Corra Sasuke! ― A criatura proferiu assemelhando-se à voz de sua mãe.

Em piscar de olhos o escritor estava deitado em sua cama com os lençóis encharcados de suor contrastando com a neve indo de encontro à sua janela.

O que diabos tinha sido aquilo? Há tempos não tinha sonhos malucos como aqueles, não que tenha sido assustador mas de fato a experiência tinha sido um tanto estranha.

Estava ficando paranóico?

Será que a falta de uma foda o estava deixando tão frustrado assim? Fazia quase uns sete meses que não tinha uma noite de sexo daquelas que fazem o pau ficar assado. Tanta punheta não devia estar fazendo tão bem assim como imaginava.

Os minutos tinham se passado de forma arrastada e ainda assim o homem permanecia na mesma, deitado na mesma posição; deitado de barriga para cima observando o teto.

Sasuke não podia afirmar com certeza sobre o sonho, era a sua primeira noite no apartamento após a saída da clínica. Itachi provavelmente havia contratado alguém para cuidar do lugar enquanto estava fora porque cada cômodo estava limpo e inclusive já nem lembrava mais da última vez que tinha visto a cadeira de canto sem alguma roupa amontoada.

Ele concentrou o olhar em algumas falhas de pintura no teto enquanto a respiração acelerada se abrandava, parecia mesmo que tinha corrido em uma maratona porque todos os músculos de seu corpo estavam tão doídos que apenas o fato de tentar se desvencilhar do molhado do lençol já causava certo desconforto.

Poderia ser proveniente da intensa adrenalina jogada em seu corpo durante o sono, afinal aquilo tudo parecia muito com a realidade. E em parte poderia ter sido mesmo.

Depois de algum tempo em uma mesma posição, o escritor começou a dar indícios de que se levantaria; primeiro levantou o tronco até ficar sentado, ignorando a dor no abdômen.

― Merda de sonho... ― Sussurrou colocando os pés no piso, escorregando as mãos pelo rosto amassado. O fato de sua garganta estar seca o acusava de ter dormido de boca aberta, não era difícil sentir a textura esponjosa da própria língua. Aquele gosto amargo de quem acaba de acordar invadiu seu paladar.

Eram quase oito horas da manhã quando enfim decidiu sair daquela posição e mesmo não tendo muitos compromissos para aquele dia, ou quase nenhum, fez a barba minuciosamente. Na verdade passou a amanhã toda fazendo o que sempre faz quando sua cabeça costumava estar cheia de ideias, infelizmente na geladeira não tinha nada mais do que quatro garrafas cheias de água.

― Hmpf ― Resmungou ao levantar as garrafas de encontro a luz e notar alguns folículos quase transparentes.

É. Aquilo não era trocado há um bom tempo.

― O que está fazendo parado aí? O horário comercial começa às oito da manhã. ― Itachi debochou jogando algumas sacolas de papel em cima da bancada da cozinha, obviamente o café da manhã.

― Que tal procurando comida? ―Sasuke não pensou duas vezes ao tirar a sacola da superfície e vasculhar por alguma coisa que pudesse forrar seu estômago de “ex usuário” de drogas.

Era até estranho observar a maneira como aquele sujeito troncudo, com recém ganho de peso atacava três, quatro pães como se fossem a última refeição que faria. Pode-se dizer que aquele sujeito esfomeado aparentava a mesma fraqueza de quando seus pais faleceram, expressava fragilidade a cada mordida faminta.

Era mais um animal do que um ser humano.

― Porque não bebe alguma coisa? Eu trouxe só esse suco, não sabia o que mais você gosta de beber. – Seus olhos ainda vidrados no irmão mais novo e tirando mais alguns outros alimentos da outra sacola de papel. ― Acho que isso dá para uns dois dias. Você sabe...

Um pedaço enorme passou pela garganta do caçula.

― Tive um sonho.

― Sonho? ― Itachi franziu a testa mostrando atenção ao que viria a ouvir.

― Tinha uma porta no meio do nada, estava tudo escuro, eu tentava correr até ela mas nunca conseguia. Era como se eu não saísse do lugar ou a tal porta se afastasse. ― Dizia ao mesmo tempo em que repousava o corpo na parede.

O silêncio perdurou por alguns minutos enquanto a comida rapidamente sumia das sacolas encontrando caminho pelo estômago de Sasuke.

― Que sonho mais sacal ― O sorrisinho de deboche apareceu no rosto de Itachi, era óbvio que não estava levando o irmão a sério. ― Bem, se eu fosse você não comeria tudo de uma vez, vai acabar passando mal e o que eu trouxe é pra durar pelo menos uma semana e não um dia.

― Tanto faz.

O caçula deu de ombros, ajeitou as sacolas em cima da mesa e foi guardando os itens na dispensa da cozinha, lógico que fazia tudo de má vontade mas de forma estava arrumando tudo corretamente.

O açúcar no armário embaixo da pia;

O café no armário ao lado.

―Pra que tanto café? ― Mas ao virar para procurar o irmão, apenas encontrou a porta da sala aberta e um vento gelado entrando, revirou os olhos e foi fechá-la. ― Porque todo mundo acha que eu bebo isso tudo de café?

***

Aquela falação e burburinhos estavam ficando altos demais.

Sakura acordou com o rosto sobre a mesa em que trabalhava, não tinha ideia a que momento o sono a alcançou. O rosto estava amassado e levemente inchado, alguns fios escapavam do coque quase desfeito e uma poça de baba tinha se formado na superfície da mesa.

A médica espreguiçou-se um pouco, estava ainda bastante sonolenta pela noite mal dormida. Aquela nevasca tinha mesmo prendido todo mundo no hospital.

Os olhar remelento foi direto para os ponteiros do relógio de parede.

Eram 06:35 A.M.

―Que noite... ― Sussurrou esfregando uma das mãos nos olhos enquanto a outra desfazia o emaranhado do cabelo.

O barulho de gente falando era algo extremamente alto para a cabeça de quem acabar de acordar e veja bem, aquilo era um hospital não uma feira livre.

Sakura não era o tipo de pessoa que ficava incomodada com barulhos, pode-se dizer que já estava até acostumada, mas não era no seu bem estar que ela estava se preocupando, era no dos pacientes internados.

Rapidamente limpou os resquícios de saliva do canto da boca e bateu pé até o corredor, queria saber o que raios estava acontecendo ali quando encontrou duas fileiras de macas encostadas nas paredes, pessoas amontoadas nelas e se espremendo no chão, algumas delas acordando com os primeiros sinais da manhã.

― A nevasca durou a noite toda, só cessou às cinco da manhã... Mais ou menos. ― Uma voz lhe dirigiu a palavra, parecia ter entendido o motivo de a médica ter saído de sua sala de maneira tão abrupta.

Sakura virou-se constrangida, pronta para se desculpar, entretanto Ino apareceu na sua frente segurando uma térmica e dois copos descartáveis.

― A noite foi complicada pra você também não é? ―Entornou o café dentro de um dos copos e entregou para a amiga. ― Nossa, a minha coluna está me matando! Eu dormi toda encolhida na minha cadeira e com a cabeça em cima do balcão, sabe o quanto estou dolorida?

Sakura sorriu sem graça, sabia exatamente como ela se sentia até porque também tinha dormido de forma desconfortável.

O café desceu aquecendo a garganta gelada enquanto o vapor exalava um calor gostoso em direção ao rosto.

Suas bochechas logo ficariam rubras.

― Eu também, meu braço está dormente até agora. Você acredita que nem vi a hora que dormi? Peguei num sono tão pesado durante a madrugada ― Disse caminhando lado a lado com a loira, as duas assoprando simultaneamente o vapor do café.

― O nome disso é cansaço... ― E sacudiu o resto do liquido no copo. ― Você quase não tem dormido a noite, quando levanto de madrugada só te vejo sentada estudando aqueles papéis todos como se ainda estivesse na faculdade, depois vem para cá e não fica quieta. Está de um canto para o outro. Não tem ser humano que aguente isso, Sakura...

Sakura abaixou a cabeça, pensativa.

―Sinto muito se te deixei preocupada mas... ―Respirou fundo e molhou a boca ― Sabe como é né? A insônia me destrói.

Era óbvio que Sakura estava mentindo, as duas moravam juntas, trabalhavam no mesmo hospital. Ino sabia que a amiga estava mentindo, estava estampando na testa grande da médica que as noites sem dormir tinham a ver com o tal Sasuke.

― Eu só vou trancar a minha sala e vou para casa, vai comigo? ― Sakura perguntou.

Ino assentiu com a cabeça e disse:

―Não demora, quero um banho que vai lavar até a minha alma.

Mas a médica já estava no fim do corredor estava enfim aliviada por poder descansar um pouco, não foi nada fácil passar aquela madrugada no hospital sendo acordada de cinco em cinco minutos por qualquer pessoa que passasse pela recepção achando que pelo fato de ser secretária tinha também que ser mil e uma utilidades. Maldito crachá!

***

O som ritmado da faca cortando os legumes e atritando com o vidro da tábua fazia Sakura olhar para trás hora ou outra, sabe-se lá se Ino estaria cortando os próprios dedos ou picando demais o tomate.

Pois é, a loira não era muito amante de cozinha mas como o combinado as duas dividiriam as tarefas, naquela tarde logo após chegarem de uma noite mal dormida no hospital, seria a vez da recepcionista cozinhar e Sakura lavar a louça.

― O que acha de fazermos alguma coisa com as melancias? ― A médica analisou a geladeira, teriam que consumir aquela curiosa fruta modificada para o quadrado. ― Quando você disse que gostava de frutas, achei que estava falando sério.

Ino gargalhou divertindo-se pela mentirinha contada a amiga. Sabe, só não queria dar a entender que tinha um paladar seletivo demais.

― Desculpa ter feito você comprá-las. ― Disse juntando os pedaços cortados do tomate e juntando em uma vasilha. ― Juro não fazer mais.

Sorriu.

― É... Agora deixa. ― Sakura fechou a porta da geladeira, levando consigo uma das melancias. Ela cortaria a menor em vários pedaços, talvez em cubos.

Pode-se dizer que Sakura já não estava mais tão assombrada por ser vizinha de porta de um apartamento com faixas amarelas formando um x, não era como se o tal morador nunca mais fosse voltar.

Todas as vezes em que passava por lá, tinha a nítida imagem de Sasuke fumando no estribo da janelinha no fim do corredor, puxando a nicotina e tragando pelo nariz mas aquilo era apenas uma lembrança gostosa que ela gostava de reviver sempre que se masturbava com o chuveirinho ou com sei fiel consolo. O pior mesmo era ter que cair na realidade daqueles jornais velhos e o buraco que encontrava no passado de Sasuke.

"Tac"

"Tac"

Por sorte passava tanto tempo em seus plantões que não sabia mais o que era vida social, não por falta de opção, afinal tinha Ino e alguma outros amigos que sempre a chamavam para sair.

"Tac"

Mas porque seus dias costumavam ser preenchidos por Sasuke, sempre tão envolvida em cozinhar, lavar suas roupas, arrumar seu apartamento e às vezes até deitar em seu colo e ouvir alguns rascunhos de contos.

"Tac"

Sakura adorava essa parte, quase sempre aos sábados e com uma das mãos do escritor dentro de sua blusa. Ele odiava ser interrompido, falava rispidamente quando ela o interrompia.

“Tac" "Tac" " Tac" " Tac" " Tac"

A velocidade do som aumentou abruptamente

― Sakura! Sakura! Kami-sama! ― Ino gritava com as mãos na cabeça e olhos arregalados. ― Mas que merda você estava fazendo?

― Han? Do que voc...

A ardência começou fraca e só bastou alguns segundos para se dar conta que tinha arrancando bem de leve um tampão do dedo.

O vermelho do sangue tornou-se o vermelho da melancia ou teria sido ao contrário?

Sakura, Sakura. Pare com isso.

― Ai... Nossa! ― Exclamou finalmente mostrando alguma reação, como instinto colocou o dedo na boca. Na hora o gosto de ferrugem a fez cuspir no chão.

― Olha, de que adianta ter esse testão pra disfarçar o cérebro se ele nem ao menos funciona como deveria? ― Claro que Ino estava preocupada com Sakura, inclusive já estava com o dedo da amiga embaixo da água corrente da pia da cozinha, mas também não perdia a oportunidade de falar da testa que, na infância, era coberta com uma franja.

― Ai Ino! Você está apertando o meu dedo!

― Eu não estou apertando, é que você está parada longe da pia. ― De certa forma a médica estava com os pés paralisados, mas nem havia se dado conta de que todo o seu tronco estava flexionado para frente e somente as pernas para trás, como se estivessem coladas no chão.

Logo a mulher aproximou-se da pia, exatamente como devia estar. Esses blackouts estavam acontecendo com mais freqüência do que deveriam, aliás, não deveriam nem existir mas já que estavam, a freqüência poderia ser menor.

A sua cabeça logo entraria em um colapso. Não, ela não estava ficando maluca e nem estava começando a ter visões, as noites que passava em claro por falta de sono já estavam afetando o seu rendimento nas menores tarefas diárias, como cortar uma maldita fruta por exemplo.

― Deixa que eu faço isso, Ino. Vá buscar algumas gazes... Elas ficam naquele armarinho ao lado do espelho do banheiro, sabe qual? ― A ardência deu lugar a uma pequena quentura na extensão do dedo cortado, era estranho senti-lo latejar, parecia que logo outro dedo nasceria em cima daquele existente.

Não tardou para a loira voltar com quase toda a maleta de primeiro socorros do banheiro e quase arrastar a amiga para o sofá, assim poderia calmamente passar alguma coisa para desinfetar.

A médica riu, pois Ino era um pouco estabanada quando as situações requeriam um pouco mais de cuidado, talvez fosse apenas o nervosismo de ver aquele sangue aos poucos se coagulando.

―Eu simplesmente me desliguei do mundo, sinto muito. Sei que odeia ver sangue. ― Arrependida puxou a mão para sim, analisando o curativo recém feito.

Ino balançou a cabeça.

― O importante é que tudo ficou bem, mas agora... ― Esticou o pescoço para olhar para cozinha, a carne nem havia sido descongelada. ― Acho melhor a gente pedir alguma coisa para comer, vai ser mais rápido do que se prepararmos tudo como queríamos. Ei, Sakura. Aquele cara não é o Sasuke?

A loira apontava para a televisão que tinha acabado de ser ligada.

― Sasuke...

Ao contrário do que pensava o escritor não estava abatido, nem com um tom pálido que esperava. Estava com as bochechas levemente avermelhadas, fruto de alguma maquiagem muito bem feita, logicamente mais magra do que a última vez que o tinha visto.

A pele lisa, apenas com marcas no início do queixo de uma lâmina que poderia ter escorregado de sua mão na hora de se barbear. Estava lindo com aquela jaqueta marrom ornando com o negro do cabelo.

― Qual é a sua mensagem de superação para as pessoas que o estão assistindo? ― A apresentadora sorria mecanicamente, aparentemente preocupada com a franja que caía em seus olhos logo após arrumá-la.

Sasuke manteve-se inerte por alguns segundos, com a expressão fechada.

― Comprem meu livro novo que eu disponibilizarei na Amazon, as cópias físicas serão liberadas amanhã pela tarde. Não usem drogas.

A platéia ficou em silêncio esperando mais alguma declaração, causando um ar constrangedor para a apresentadora e para Itachi que tinha o rosto focado por uma das câmeras. A surpresa em sua expressão transformou-se em descontentamento.

― Então... Quer dizer, que existe um livro novo? ― A jovem mulher procurava loucamente por algo em seus cartões com o script do programa.

O escritor balançou a cabeça de forma positiva e olhou de relance para o irmão. O que eram aqueles olhos brilhantes de contentamento?

Parece que Sasuke conseguiu causar um reboliço em um programa de variedades. AO VIVO.

― Não pretendo sair da literatura erótica, é o meu ramo e é o que eu gosto, mas esses últimos meses me fizeram pensar sobre a mídia, sobre corrupção e... ― Respirou fundo ― Fiquei inspirado.

O programa saiu do ar na hora e as trajas coloridas tomaram conta de todas as televisões que estavam sintonizadas naquele canal.