O Poder no Sentir
7 Capítulo II - Parte 4: Um gato, Uma grade e Um Mistério
Notas iniciais
Nova York, 20 de março de 2017. 18:15h
Raquel
“— Não acho uma boa ideia você me deixar aqui sozinha.”- Falei tentando chamar atenção dela.
— “Vai atrás da Laura então.” – Ela disse me deixando sozinha no meio da multidão.
Abri a boca para tentar falar algo, mas ela sumiu do meu campo de visão numa velocidade que eu nunca. Era oficial eu estava frita, tentei pensar em soluções plausíveis para minha situação, mas nada me vinha na cabeça. Resolvi ir para onde a Laura estava era uma opção melhor que tentar seguir a Lu, mas eu tinha um grande problema não fazia a mínima ideia de onde a Laura tinha ido.
Olhei em direção as barracas e resolvi segui por ai, não sei o que aconteceu que todo o barulho da multidão cessou por um breve momento, eu não sei o que aconteceu para o barulho parar, mas isso foi suficiente para eu ouvir a Luciana gritar meu nome, virei em direção ao som e avistei ela em meio ao tumulto tentei ir em direção dela, como o passe de mágica o barulho voltou tão rápido como parou. Fiquei atordoada com o barulho e deixei a multidão me levar, acho que o mesmo aconteceu com Luciana, já que eu não consegui mais vê-la em meio à multidão.
Foi nesse momento que eu percebi que esse tinha sido oficialmente o pior festival de todos, nem o de inverno tinha sido tão ruim. Como eu era péssima em orientação resolvi só sair do meio da multidão e tentar voltar para o orfanato. Percebi que eu estava atrás do palco em um local um tanto quanto isolado. Avistei uns bancos e resolvi sentar lá para clarear minhas ideias.
Sentei no banco respirei fundo e fui pensar em como voltar para o orfanato, pareceu a melhor ideia que eu poderia ter como eu iria fazer isso meu senso de direção era péssimo não fazia a mínima ideia de para que lado estava o orfanato, principalmente com esse tanto de gente na praça. Escutei um barulho que parecia com choro de um filhote por baixo do barulho da multidão fiquei impressionada com a minha audição eu sempre escutei bem, mas dessa vez nem eu acreditava que tinha escutado esse ruído com tamanho barulho que a festa fazia.
Segui o choro até um beco, não estava escuro tinha umas grades e um portão fechando o beco, no final dele tinha algumas latas de lixo o choro parecia estar vindo do fundo do beco mais especificamente de trás de uma das latas de lixo, cheguei mais perto e o barulho ficou mais alto. Tendei olhar atrás da lata de lixo e vi uma patinha, parecia um filhote de gato.
Tentei arrastar a lata mais ela estava muito pesado, nesse momento me arrependi de não ir para a academia da escola com as meninas, talvez nesse momento eu conseguisse ajudar o pobre do gato. Passei uns 30 minutos tentando arrastar a lata de lixo e só consegui mover ela uns 2 centímetros o que claramente não era o suficiente. O choro aumentou e eu entrei em desespero, aparentemente tive um surto de adrenalina que foi o suficiente para arrastar a lata e liberar espaço para o gato sair, ao menos era isso que eu esperava que ele fizesse, o chorou cessou, mas o gato não se moveu um centímetro se quer dei a volta na lata de lixo e percebi o porquê do gato não ter saído de lá.
Era apenas um filhote, estava completamente machucado era um milagre ele ainda estar vivo, partes do seu pelo tinha sido arrancado, ele estava com a pata quebrada e provavelmente tinha mais alguns machucados que eu não ia conseguir ver no estado que eu me encontrava.
Todo esse surto de adrenalina tinha me deixado tão focada no que eu estava fazendo que eu não ouvi o portão batendo, ótimo era só o que me faltava, ficar presa em um beco com um gato todo machucado no colo, nunca tinha me sentido tão impotente como hoje. Não tinha para quem gritar ninguém me ouviria com tanto barulho...
20 de Março de 2017, 18:00h
Narrador
No fundo da praça onde todas as pessoas esperavam ansiosas para o festival, encontravam se 4 garotos conversando por vídeo chamada com uma mulher um tanto quanto estranha.
— Vocês já estão em posições e sabem o que fazer? – Perguntou ela autoritária.
— Sim nós sabemos o plano de co, vai da tudo certo. Só precisamos dar um jeito de separar as meninas. – Falou um dos meninos
— Tudo bem, me deem mais informações mais tarde. – Respondeu ela.
Assim a chamada foi desligada.
— Meu plano vai dar muito certo. – A mulher disse.
— Não sei por que você esta fazendo isso Sophia. – Outra mulher disse.
— Você sabe muito bem o por que. – Sophia respondeu.
— Você sabe que o isso é errado, ainda da tempo de voltar atrás, você não precisa seguir em frente com esse plano maluco. Tire o feitiço desses jovens e me deixe falar com minha filha. – A mulher falou com certo desespero na voz
— Eu não vou abrir mão de nada, sua filha vai fazer por mim o que você não conseguiu. – Sophia disse gritando.
— Não é assim que a vida funciona Sophia, esse feitiço e complicado além de ser algo que as bruxas não deveriam fazer. Se você não o amava o suficiente para quebrar a maldição, nenhum sentimento vai ser.
— Sua filha vai consegui.
— Eu vou acha-la Sophia, ela vai voltar pra mim e você não vai conseguir o que quer.
— Você só vai vê-la quando eu quiser, ela está muito bem escondida e feitiço nenhum de localização vai te levar até ela.
— Estamos em 2017 irmã, há muitas maneiras de se achar pessoas hoje em dia e nenhuma delas envolve magia.
Nova York, 20 de março de 2017. 19:45h
Raquel
Eu fiz o que me ensinaram a fazer quando se esta perdida ou presa em algum lugar, sentar e esperar, eram minhas únicas alternativas no momento. O gatinho tremia igual um maluco no meu colo e eu não fazia a mínima ideia de quanto tempo estava presa naquele lugar.
Ouvi uns passos vindos em minha direção e resolvi levantar e ir em direção a grade gritei o mais alto que eu pude e por um milagre alguém me ouviu. Um menino que eu não conhecia veio até mim.
— Você está bem? – Ele perguntou.
— Estou melhor que o nosso amiguinho aqui. – Falei mostrando o gato.
— Tadinho parece que ele foi atropelado por um caminhão. – Ele disse com certa pena.
— Parece mesmo, você poderia tentar abrir esse portão? – Pedi desesperada.
— Posso sim. – Disse ele abrindo o portão.
— Finalmente livre. – Falei comemorando. – Agora eu tenho que saber o que vou fazer com você. – Falei olhando para o gato.
— Primeiro você tem que dar um nome para ele. Por falar nisso o meu é Gabriel.
— Eu sou a Raquel, acho que esse gato vai se chamar Pirulito.
— Ambos têm um ótimo nome. Se você quiser pode deixar ele comigo você faz parte da banda da escola? Eu estudo lá também e meus pais são veterinários eles podem dar uma olhada no Pirulito. – Ele disse olhando para o gato.
— Tudo bem mais só porque eu estou desesperada e não faço a mínima ideia do que fazer com ele. – Disse entregando o gato pra ele. – Foi um prazer te conhecer, mas agora eu preciso ir minhas amigas devem estar desesperadas me procurando. – Falei e sai correndo, algo me dizia que eu não deveria estar naquele lugar.
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